Edson Almeida
O Bahia, menos mal, ganhou; o Vitória perdeu para o Palmeiras, favorito natural de um jogo programado para o Palestra Itália, com os donos da casa pressionados pela eliminação da Copa do Brasil e os visitantes, além de extenuados, porque não têm elenco para suportar três competições importantes, também lhes falta um esquema de jogo mais trabalhado e sem a previsibilidade que tem mostrado nestes últimos jogos. Junior sozinho na frente, batalhando contra tudo que é tipo de zagueiro, e nada de um cara que assuma a condição de fazer assistências ou dialogar com ele na entrada da área. Apesar da idade, Ramon ainda é quem dita essas regras e atualmente tem ficado fora de combate, por problemas musculares.
A vitória do Bahia sobre o fraco América/RN, pela Série B, por 1x0, em Pituaçu, onde o Tricolor manda seus jogos, foi suada, conseguida às duras penas, fruto de um pênalti, sem se ter, ao longo de 90 minutos, jogadas tricolores que pudessem dar alento aos seus torcedores; a derrota do Vitória, por 1x0, em SP, contra o Palmeiras, foi apenas mais um episódio de uma luta desenfreada e desigual de um grupo limitado contra um dos maiores clubes do país, que atualmente não tem um grande time, é verdade, mas é muita hipocrisia exigir mais do Rubro-negro do que aquele intenso suor que verteu. Não faltou garra, empenho, brio, mas faltou tática, técnica e jogadores diferenciados que pudessem desequilibrar.
Não vou ficar sofismando em busca de outros atalhos para justificar a nossa situação no futebol brasileiro, que ainda é muito pobre e sem grandes perspectivas, a não ser por golpe do acaso ou da sorte. O Vitória até pode ultrapassar o Atlético/GO, ir a uma final de Copa do Brasil, porque na realidade goianos e baianos têm as mesmas limitações, mas numa final, contra Grêmio ou Santos, quem é o favorito? Santos ou Grêmio. Contra Vitória ou Atlético. Pode até se repetir 2004, quando o Santo André, com 17 pontos ao longo da competição, conquistados em quatro vitórias e cinco empates, bateu o Flamengo, 27 pontos, conseguidos em nove vitórias. Perdeu uma única vez e justamente dentro do Maracanã para o time treinado por Wagner Mancini. Mas não é todo dia que acontece este tipo de milagre.
Então, eu só tenho a dizer o seguinte: ou Bahia e Vitória se reforçam, trazendo jogadores de boa qualidade e assentando em campo um esquema de jogo mais competente, ou nosso destino nestas competições será, outra vez, muito sombrio... Quem avisa, amigo é. Nenhum dos dois tem elenco para almejar muita coisa, mesmo com o Vitória heroicamente tendo chegado a uma semifinal de Copa do Brasil e o Bahia com a retórica de que está projetado para voltar à primeira divisão.
Segunda-Feira, 10.05.2010
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