UMA MAIS QUE JUSTA HOMENAGEM

Escrito por Luis Ganem


Nesse negocio da musica todo mundo é homenageado. Tem troféu pra tudo quanto é gosto. Tem troféu pra cantor, pra cantora, pra empresário, pra dono de bloco de carnaval, para o bloco propriamente dito, pra radialista. Enfim, falou em homenagem na musica tem prêmio pra todo mundo, mas tem uma galera que também trabalha muito e que nunca é homenageada: os divulgadores.


Pois é, amigo. Estou falando sim da rapaziada que coloca a música no rádio pra tocar e que depois se torna sucesso. Normalmente – alias, sempre - nos bastidores, essa galera hoje, sem sombra de duvida representa 25% do sucesso da música, pois mesmo sendo boa, o poder de convencimento de um divulgador para com o coordenador da rádio tem que ser ímpar, perfeito. Porque, senão, nada acontece.


Gosto sempre de dizer que 25% do sucesso de um artista deve-se ao divulgador. Até porque, imagine você que o cara esta ali todo dia na rádio, não somente da capital como do interior, tendo que tentar influenciar alguém, dizendo que aquela musica é boa. Pare pra pensar: o coordenador da emissora recebe por dia uma quantidade imensa de músicas, que ele tem que distribuir em um escala de programação de 12 horas, sendo que a cada hora ele pode tocar em media nove ou dez musicas, pois, alem das canções, tem a parte comercial que entra nesse tempo de uma hora. Imagine o poder de convencimento que tem que ter um divulgador pra conseguir que a dele toque ao menos duas vezes por dia em cada rádio.

Mas aí alguém pode dizer “que nada! Pra isso é que existe a promoção”. Mas amigo, me diga aí uma coisa: você acha que quem vai divulgar música em rádio já não vai sabendo que tem que promover? Meu amigo Anselmo Costa (agora consultor artístico, que recomendo e assino embaixo) sempre diz que em rádio hoje só se toca sucesso. Aí imagine como se convence o coordenador de que ali está um sucesso?


E não adianta dizer que foi “não-sei-quemzinho” que gravou, por que esse tipo de convencimento já não existe mais, e sim o que é bom. É dai é que a figura do divulgador se torna primordial.


Alguns fizeram e fazem historia na Bahia, como “Mister The Paul”, que era um divulgador que, de tanto maletar os radialistas em tocar Billy Paul com “Mister Jones”, ficou com esse apelido. Ou ainda Dick Jones, que era o preferido do Rei Roberto Carlos. Naquela época, quando o rei chegava à Bahia, quem tinha que estar no aeroporto para recepcioná-lo era Dick. Ou ainda Luis Ornelas (vovô Ornelas ou Senador Ornelas), figura ímpar neste mercado e que sempre, ao tempo que o conheço, dignificou e honrou essa profissão, sendo querido por todos os radialistas do mercado.

 

Agora pire aí naquela época (anos 80): os caras, além de tudo, tiveram que criar um certo know-how para saber se a música tocava ou não Eu explico. Como o divulgador tinha que saber se a música dele estava tocando ou não, ele tinha que, ao longo do dia, escutar as emissoras para comprovar a execução. Só que, pela carga de trabalho que o cara tinha, ou ele fazia uma coisa ou outra. Por isso, no escritório da gravadora foi criado a “rádio escuta”, que nada mais era do que algumas pessoas que durante o dia ouviam determinada rádio para conferir e anotar quantas vezes a musica do(s) seu(s) artista(s) era tocada.


Daí que hoje, quando você recebe o seu acompanhamento de rádio pelo e-mail, saiba que lá atrás houve pioneiros, que realmente suavam a camisa pra fazer o sucesso acontecer.


Sei que muitas vezes essas pessoas que compõem os bastidores da música não são lembradas pelos artistas que elas ajudaram a fazer, talvez porque, ao longo da carreira, o artista adquira a “síndrome de Deus” e acabe achando que chegou lá sozinho, o que é um ledo engano, pode ter certeza.

 Infelizmente, meu espaço é pequeno pra falar de todos da forma que gostaria, mas deixo aqui minha homenagem, o meu aplauso e o mais sincero abraço a essa galera que em muito ajudou e ajuda a música da Bahia a chegar ao patamar que hoje está.

 

OS HOMENAGEADOS:


LUIS ORNELAS, MAURICIO CABELUDO, PATURY, Mr THE PAUL, CEDIR, DOIS MIL, ELDER (gasolina), GILKA MARIA, IZA BOMBA, ANTONIO JOSE, DICK JONES, BERO, LUCIANA VALEU, ANDRE BOLINHA, GUSTAVO MEMEU.


A todos, citados ou não, o muito obrigado por tudo!



Quinta-Feira, 06.08.2009 às 15:58

 


 

 

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"Não tenho necessidade de lançar minhas músicas. Amo ser intérprete. Mas não sei compor axé. Já tentei várias vezes e não consigo. Axé é tudo a com a, e com e, refrão imediato. Eu admiro quem consegue. Gosto de cantar música bonita. Adoro axé pelo que essa música consegue fazer com as pessoas."

 
 
Netinho, cantor de axé, que já tentou se aventurar no pop, MPB, e, sem êxito, retornou ao axé, apesar de admitir que não sabe compor para o ritmo do qual ganha a vida atualmente.
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