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“Não é um projeto pequeno. É projeto para bilhão, mas não temos uma ideia definida. Até porque, há um sigilo muito grande dos consórcios por temer que as informações passem para os concorrentes.”

Secretário estadual do Planejamento, Antonio Alberto Valença, sobre o valor da construção do Sistema Viário Oeste, cujo projeto inclui a Ponte Salvador-Itaparica.

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08 de Março de 2010Tamanho da letra A+ A-Assine o RSS


VIVA O REI!

14:11:02

 Publicada no Jornal "A Tarde" em 24 de janeiro de 1994

 

Em 1884 o Brasil era um país do Primeiro Mundo? Sim ou não? Se não chegava a ser do Terceiro, quase Quarto, como agora, certamente não estava incluído entre as grandes nações, incluindo os Estados Unidos, que apenas arrancava para ser a grande potência deste século. Mas, para os monarquistas, o Brasil de Pedro II era um mar de rosas primeiro-mundista. Isto está no “spot” de 30 segundos que o Movimento Parlamentarista Monárquico está a veicular em diversas rádios, País afora, “gratuitamente”, segundo eles, desde o final da semana que passou.

Começou, assim, a campanha do plebiscito de 21 de abril, com os monarquistas à frente, comandados pelo deputado paulista Cunha Bueno. Na propaganda há algumas verdades, como a acusação de que a República foi um golpe militar. Contempla, porém, inverdades, como assegurar que, após a proclamação, o Brasil entrou em decadência.

Enquanto os monarquistas iniciam trabalho de convencimento eleitoral, os parlamentaristas e presidencialistas, que andam aos tapas, trocam beijos numa questão: estão assediando o presidente Itamar Franco para que vete a cédula aprovada na regulamentação da matéria do plebiscito pela Câmara, quarta-feira última, por entenderem que está mal desenhada e a monarquia leva vantagem.

Os monarquistas começam a campanha num momento particularmente ruim para a causa. O mundo se diverte – e a Inglaterra se ruboriza – com as trapalhadas da Casa Real. Primeiro foi a separação de Charles e a Princesa Diana. Agora, é a revelação do teor da gravação do telefonema entre o príncipe Charles e sua amante, no qual, entre outras fantasias eróticas, ele confessa, aos sussurros, que desejava ser a calcinha da amada e, não satisfeito, foi mais profundo: queria ser tampax!

Com certeza, a rainha Elisabeth ficaria mais contente se o seu filho e herdeiro proferisse sangue azul. Nem sempre as coisas são como os pais desejam. Ademais, nas histórias sobre príncipes, eles costumavam ser transformados em sapos. Jamais em tampax! Os príncipes de hoje, vampirescos, são muito diferentes daqueles que povoam as belas histórias da fantasia infantil. Se não bastassem a separação, as confissões por telefone, Charles e a rainha, na semana que passou, contraíram um estranho vírus que acabou levando-os a uma desconfortável diarréia, para o desespero dos médicos da Casa real, tudo contado pelos jornais londrinos.

Não termina aí a péssima semana monárquica. A França lembrou os 200 anos da morte do seu último rei, Luis XVI, guilhotinado pelos revolucionários de 1789, após julgamento sumário. Até que Luis XVI foi um rei razoável. Sua condenação política: para evitar que a realeza retornasse ao poder, caso o indigitado Luis ficasse na prisão ou fosse exilado. Pelo sim, pelo não, perdeu a cabeça. As comemorações do bicentenário de morte terminaram em grossa pancadaria entre 200 monarquistas e antimonarquistas. Aconteceu na quinta-feira, em Paris, no prédio do Panteão, onde estão sepultados os heróis republicanos da França.

Esta semana, portanto, o presidente Itamar Franco decide o destino da cédula, aprovando-a ou vetando-a, como desejam presidencialistas e parlametaristas. Que, também, prometem aumentar o cerco sobre os governadores, decisivos cabos eleitorais na consulta popular em abril.

Aqui na Bahia, como se sabe, Antonio Carlos Magalhães alinha-se entre os presidencialistas. Mas seu filho, o deputado Luís Eduardo Magalhães, parlamentarista, pretende iniciar um trabalho de convencimento. Está esperançoso numa mudança da posição do governador.

 



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