Natália Comte: 'A gente perde o conhecido, mas não perde a piada'
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias
"Eu resolvi separar a coluna de minha vida pessoal depois que eu passei por uma situação chata."
A cobrinha mais venenosa da Bahia resolveu largar as curtas. Calma! Natália Comte não deixará sua coluna. Ela apenas resolveu se estender mais em suas provocações e concedeu à Coluna Holofote uma entrevista que promete atiçar ainda mais a curiosidade: quem é essa tal mulher que só faz falar mal dos outros? “O anonimato é bom porque as pessoas falam comigo nas festas, coberturas, eventos... Abrem seus corações [risos] e não sabem quem eu sou”, dispara. Formada em Comunicação, mas afastada da profissão, ela, que disse ser ex-amiga de Luana Monalisa, esculhamba com o tal “jornalismo de fofoca”, mas diz não ter desafetos. “Não dá pra levar a sério gente que come quentinha e arrota caviar. Que se acha a tromba que matou Cazuza! E o que não falta aqui na Bahia é isso. E outra: quanto mais chato for o fã, mais eu pirraço”, disparou. E quem é o fã mais chato? Descubra nessa entrevista exclusiva e saiba mais sobre a colunista mais odiada pelo meio artístico baiano!
Coluna Holofote - Por que esse mistério todo com sua identidade? Qual o medo?
Natália Comte - Não é medo. Mas como eu falo muitas coisas que as pessoas não gostam de ouvir, eu prefiro me manter assim. Eu cheguei até a dar uma entrevista para minha amiga Érica Saraiva na Transamérica tem uns dois anos. Ficamos falando por mais de uma hora e tal. Agora eu fico na minha. E depois, o anonimato é bom porque as pessoas falam comigo nas festas, coberturas, eventos... Abrem seus corações [risos] e não sabem que eu sou Natália Comte.
CH: Você costumava ao menos mostrar uma foto em seu perfil do Twitter e Facebook e agora nem isso. O que foi que aconteceu?
NC: Não... Conselho de amigos... [pausa] Na verdade, teve um caso. Eu resolvi separar a coluna de minha vida pessoal depois que eu passei por uma situação chata.
CH: Que situação?
NC: Ah... Um empresário. Quer dizer, um ex-empresário do Axé Music metido a comedor de periguete que eu tinha esculhambado – e com razão, diga-se – me reconheceu em uma festa de lançamento de alguma coisa e veio tirar satisfação. Como eu não sou de fazer barraco, virei as costas e deixei ele falando sozinho. Não preciso disso. Ganho muito bem pelo que faço [Natália é concursada do Estado] e, se eu ainda brinco com o Curtas, é porque eu gosto. Tudo bem que Luzbel está ficando bem generoso com essa questão financeira agora, viu? [risos]. Enfim, uns dois meses depois, eu resolvi que eu não tenho porque passar por esse tipo de constrangimento. Resolvi tirar minhas fotos desses perfis onde há diálogo com o leitor. E ficou muito mais interessante pra mim. Já fui em festa de ouvir gente comentando sobre a coluna na mesma roda que eu, sem saber.[risos] Pode? Porque eu não uso o sobrenome Comte, que na verdade vem de meus avós italianos maternos. Na vida pessoal eu assino com o outro sobrenome.
NC: Ah... Um empresário. Quer dizer, um ex-empresário do Axé Music metido a comedor de periguete que eu tinha esculhambado – e com razão, diga-se – me reconheceu em uma festa de lançamento de alguma coisa e veio tirar satisfação. Como eu não sou de fazer barraco, virei as costas e deixei ele falando sozinho. Não preciso disso. Ganho muito bem pelo que faço [Natália é concursada do Estado] e, se eu ainda brinco com o Curtas, é porque eu gosto. Tudo bem que Luzbel está ficando bem generoso com essa questão financeira agora, viu? [risos]. Enfim, uns dois meses depois, eu resolvi que eu não tenho porque passar por esse tipo de constrangimento. Resolvi tirar minhas fotos desses perfis onde há diálogo com o leitor. E ficou muito mais interessante pra mim. Já fui em festa de ouvir gente comentando sobre a coluna na mesma roda que eu, sem saber.[risos] Pode? Porque eu não uso o sobrenome Comte, que na verdade vem de meus avós italianos maternos. Na vida pessoal eu assino com o outro sobrenome.
CH: O pessoal comenta que você vive de falar mal de festa de axé e pagode, mas nem passa perto. Onde seus fãs teriam mais chances de esbarrar em você? Que lugares de Salvador costuma ir e com quem costuma andar?
NC: [Risos] Que fã, mulher? Eu já tive minha época pagodeira, axezeira mesmo, de ir pra show no Baiano, Rock in Rio e tal... Isso na época de faculdade. Quando fazia Facom [Faculdade de Comunicação da Ufba], a maioria ainda torcia o nariz para o axé, o pagode. Só eu, Marrom e uns gatos pingados não tinham preconceito com essa coisa. Mas hoje eu não vivo mais disso. Hoje eu sou mais do esquema cinema, teatro e barzinho. Com as fontes que eu fiz e essas cobrinhas que existem nesse meio... E haja cobra, viu? Tá pra se criar um meio com mais cobra e mulher mal amada do que esse jornalismo de fofoca aqui da Bahia, viu? Tudo mal comida! [risos]. É cada coisa que me chega através de certas melhores amigas... Não, mas é sério, com a internet é difícil não ficar sabendo de tudo. Aliás, metade da coluna eu tiro do blog de Marrom [risos]. Marronzinho merecia metade de meu salário. Que Luzbel não saiba! [mais risos]
CH: Os leitores comentam que você adora pegar no pé de algumas pessoas. Rita Batista, por exemplo, Claudia Leitte, Adelmo Casé, Alexandre Peixe... Conte um pouco para a Coluna Holofote sobre os seus desafetos do meio artístico baiano. Por que tanta implicância?
NC: Não tem implicância. Esse povo que você citou, Rita, Claudia Leitte, Adelmo... São altamente perturbáveis. Alguns eu até gosto. [risos] Alguns! Ritinha mesmo é um amor de pessoa. Luana Monalisa, coitada, a gente já saiu, já tomamos algumas juntas. Mas tem coisa que não dá, né? Não dá pra levar a sério gente que come quentinha e arrota caviar. Que se acha a tromba que matou Cazuza! E o que não falta aqui na Bahia é isso. E outra: quanto mais chato for o fã, mais eu pirraço.
CH: E quem é o fã mais chato?
NC: Em primeiro lugar, Claudia Leitte. Em segundo lugar, Claudia Leitte. E em terceiro lugar, Daniela Mercury
CH: E você gosta de Claudia Leitte?
NC: A-do-ro! Ela é um amor de pessoa, gente! Só que a gente não pode perder a piada, né? E outra: Claudia Leitte não faz mais show. Vive de ser celebridade e fazer filho! [risos]
CH: E Luana Monalisa?
NC: Não somos amigas próximas. Já dividimos alguns momentos em comum, mas não passou disso. Eu até acho que eu passei um pouco do ponto com ela [risos]. Não era pra tanto, coitada. Mas é como os outros que eu citei. Ela é um “case” de sucesso pra se perturbar, e minha coluna vive disso. A gente perde a conhecida, mas não perde a piada! [risos]
"Não somos amigas próximas. Já dividimos alguns momentos em comum, mas não passou disso. Eu até acho que eu passei um pouco do ponto com ela [Luana Monalisa]"
CH: Quantos processos seu veneno já lhe rendeu?
NC: Nenhum. Só houve uma ameaça. Mas a gente não fere a honra de ninguém.
CH: De quem foi essa ameaça?
NC: De um entendido... [risos]
CH: E se rolar? Quem leva na cara? Natália Comte ou Ricardo Luzbel?
NC: O Bahia Notícias. Eu sou contratada do Bahia Notícias. Bota na conta no Bahia Notícias. [risos] Agora que Samuel e Luzbel estão ricos, eles não se preocupam com isso não. [risos]
CH: E a direção do Bahia Notícias? Nunca ninguém te chamou a atenção por ter exagerado, não?
NC: Graças a Deus, quando eu brinco com Luzbel, ele leva tudo na esportiva. Só ameaça atrasar meu salário, mas nunca faz. Ganho direitinho e em dia. Mas volta e meia eu recebo uns esporros de Luzbel e de Samuel também [risos]. Mas nada que eu não tire de letra.
CH: Você fala mal de todo mundo, mas não perde uma boca livre. Por que esse povo ainda te chama?
NC: Não é verdade. Não sei quem foi a despeitada que te disse isso, gata. Quem gosta de boca livre é Marrom, Josemar, Michel Telles, Fernanda Figueiredo... Ninguém nunca me viu em boca livre. Graças a Deus eu não preciso disso.
CH: Pegou ar, hein...
NC: [Risos] É que isso é uma coisa que eu mais falo mal. Você já viu Josemar, Léo do Pida, João Gabriel [Galdea]... Já viu esse povo em um evento com buffet? Michel Telles? Alex Lopes? É vergonha alheia demais. Bando de esfomeado! [risos] Aí vai todo sujo da redação, faz duas perguntas, amassa o caderninho no bolso e depois fica rodando a mesa com aquela cara de paisagem. [risos] É o ó! E se acham super chiques, né? Ô povo que se acha! Deus me livre! Olhe que eu sou jornalista, viu? [risos]
"Já viu esse povo em um evento com buffet? Michel Telles? Alex Lopes? É vergonha alheia demais."
CH: Você se desiludiu com o jornalismo?
NC: Sim. Quase todos os dias. Sempre tem uma Mirella Cunha que faz a gente se envergonhar de nosso diploma, né? Mas se tem uma coisa que todo jornalista adora é falar mal da profissão. No fundo, a gente tem tanto amor pela coisa que fica indignada quando vê pessoas dessas denegrindo a imagem do profissional.
CH: E tem saudade de voltar a trabalhar em redação?
NC: Nenhuma! Nenhuma mesmo! O curtas que é curtas já me dá trabalho, imagine com uma rotina maluca como é qualquer redação em Salvador. Estou bem fora do jornalismo
CH: É verdade que você é cineasta?
NC: Oxente, gente?! [risos] Quem é que fala essas coisas? É Luzbel, é? Eu me formei em Cinema, ajudei Lamartine Ferreira no Rio com algumas coisas, mas é mais hobby do que outra coisa. É como o Curtas. Só que falar mal faz mais sucesso do que cinema no Brasil, né?
CH:Quem são seus maiores colaboradores?
NC: Ah, minha querida. Se você soubesse o que chega para mim através do Facebook... Cada vez mais eu me baseio em coisa de leitor mesmo. Sugestões, flagrantes, fotos... Tem também o pessoal da redação aqui [Bahia Notícias] que já gosta de um venenozinho também. Aqui ninguém é santo. Fora minhas amigas e as pessoas desse meio que adoram falar mal dos colegas. Depois vem carnaval, festa e todo mundo é amigo. Gosto de uma frase de uma colega do Correio: “A gente é hipócrita, mas a gente se diverte”. É horrível, eu sei. Mas tem que rir.
CH: Qual seu status no momento?
NC: Oi?
CH: Ouvi dizer que você anda de namorico com celebridade. É verdade?
NC: Ô, minha coleguinha. Até parece que eu vou cair nessa. Joga o verde pra colher maduro, né? [risos] Tenho muito tempo de jornalismo, lindona. Já usei muito essa estratégia.
CH: Tudo bem, Natália, mas a gente também tem nossas fontes... E esse apresentador de TV...
NC: Feche sua cara. [risos]
CH: Ok. Para quem gosta de falar da vida dos outros...
NC: Pois é, querida. Mas eu não sou famosa e sei como a banda toca. Passa pra próxima pergunta aí. [risos]
CH: Ok, entendida, mudando de assunto: por que você bate tanto nas assessorias de imprensa da música baiana?
NC: Porque eles pensam que a gente é burro. Só pode. A última nota que a gente botou foi que TH ia gravar um CD com grandes sucessos. Não existe grande sucesso da TH! “Os Romeros vão comemorar 10 anos”. Comemorar o quê? A banda é um fracasso, a banda nunca emplacou. Teve Wilsinho [Wilson Kraychete, atual empresário do Parangolé] como sócio e não emplacou. Tinha tudo para emplacar. Os meninos são bonitos, cantam mais ou menos, tinham um grande empresário por trás, mas não emplacou. Outra que tentam vender: Seu Maxixe. Seu Maxixe é genérico! É um clone de sertanejo! As pessoas têm que entender o seguinte: sertanejo baiano faz tanto sentido quanto axé paulista. Não dá. Só funciona no eixo Goiás-São Paulo. Fora disso é clone!
CH:Você poderia citar mais exemplos...
NC: Você quer que eu solte o verbo, não é isso? Então tá: já que eu estou falando dessas coisas que tentam vender achando que a gente é burro. Aquele Léo do Estakazero. O playboy metido a forrozeiro. Léo nunca tocou sanfona na vida! Forrozeiro do Jardim Apipema, vê se pode? O pai dele tinha uma roça em Entre Rios que ele deve ter ido duas, três vezes. Original mesmo hoje tem pouco aqui, Flávio José, Ademário Coelho, Targino... O resto é mauricinho. Cangaia de Jegue... E isso acontece muito aqui na Bahia. Prisioneiros do Samba, Nata do Samba, Os Paquitos, Samba Eu, Você e Sua Mãe, aquele menino medonho do arrocha... Ou seja, querem vender como se fossem autênticos, mas é tudo cópia. E se não é original, não vai para lugar nenhum. Vão passar o resto da vida animando festinha de adolescente em Salvador e fazendo “bico” com as prefeituras de interior.
CH: E o que você gosta de ouvir?
NC: Ah, querida. Eu ganho pra falar mal. Não pra falar bem.
