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Marca Bahia Notícias Holofote

Entrevista

Banda 5% diz que o axé perdeu espaço

Por Fernanda Figueiredo

Banda 5% diz que o axé perdeu espaço
Com pouco mais de cinco anos, a Banda 5% vem conquistando cada vez mais espaço no mercado fonográfico e mostrando a cara da nova geração do axé. Shanon, Topera, Bruno, Pedro e Nau estão rodando não só o país, como também o mundo. Eles, que acabaram de voltar de uma turnê internacional, arrumaram um tempinho na agenda para bater um papo com a Coluna Holofote. Quem representou o grupo foi Topera, o vocalista, que respondeu a perguntas do tipo: Por que 5% e não 100%? Afinal, quem nunca se questionou acerca deste nome de pouca porcentagem do grupo? Topera também falou da relação que a banda tem com o Chiclete com Banana e comentou a suposta concorrência com os filhos de Bell, da banda Oito7Nove4. Confira!
 

"Acho que o Brasil todo sabe, com certeza, o que é um axé de verdade"
 
Coluna Holofote: Primeiro, por que 5% e não 100%?
 
Topera: Porque 5% somos nós, mas 95% são vocês! (risos)
 
CH: A banda 5% sempre faz ensaios aqui em Salvador, mas nunca escolheu a cidade para gravar um DVD. Já foi Fortaleza e São Paulo. Vocês acham que não têm público suficiente aqui?
 
Topera: Temos sim! Inclusive dá pra notar nos ensaios que fizemos em Salvador, como o Axé na Mesa e o Som do Forte. Foram eventos que lotaram e a partir deles vimos que temos um público bacana em Salvador. Escolhemos a cidade de Fortaleza para o nosso primeiro DVD, pois já tínhamos feito um projeto na cidade. Tocamos todas as sextas durante três meses no Mucuripe e a partir daí, obtivemos um grande numero de fãs. As pessoas já conheciam nossas músicas e isso contribuiu para gravarmos o nosso primeiro DVD. O segundo foi em São Paulo e foi por aí também. Fizemos um projeto legal no Jockey Club. Tocamos algumas sextas lá também e a casa era sempre lotada. No DVD você vê as pessoas cantando nossas músicas, participando, etc. Tomara que o próximo seja em Salvador, pois amamos demais a nossa terra.
 
CH: Tem muita gente, quando eu entrevisto, que diz que não está na mídia aqui, mas está em Minas, Natal e por aí vai. É assim com a 5%?
 
Topera: Realmente o Brasil é muito grande. Tocamos bastante pelo país. Temos tocado em Belém, BH, Fortaleza, São Paulo, Rio e outras cidades. Fizemos agora o projeto Som do Forte em Salvador e foi um sucesso. Sempre estamos viajando e tocando pelo Brasil. E sempre registrando os momentos no nosso face, twitter e site também que é o www.cincoporcento.com.br. Confere lá!
 
CH: Por que, em sua opinião, essas bandas mais jovens, conseguem fazer sucesso nesses locais e aqui é tão complicado? 
 
Topera: Eu acho que está faltando espaços para tocar em Salvador. Casas, sacou? Lugares pra galera nova mostrar seu som.
 
CH: Seria por que esse público [do Sudeste] não sabe o que é um axé de verdade?
 
Topera: Acho que o Brasil todo sabe, com certeza, o que é um axé de verdade.
 
CH: É difícil o mercado do axé aqui em Salvador, o berço do ritmo?
Topera: Não. Eu acho que é um ciclo. Cada ritmo tem a sua vez. Uma hora você curte um só, outra hora você vai curtir outro. O axé pode não está no seu melhor momento, mas com certeza voltará.
 
CH: A banda 5% sempre contou com o apoio do Chiclete. Por que esse “apadrinhamento”?
 
Topera: Temos na banda dois filhos de Rey (batera do Chiclete). São Shanon e Bruninho. O Chiclete sempre nos apoiou. Temos uma afinidade muito grande não só com toda a banda, mas com a equipe inteira. Eles sempre foram maravilhosos conosco. Mas muita gente também nos ajudou como o Asa de Águia, que nos chamou para uma participação que vai ficar na historia lá no Acre, Banda Eva que tocou várias vezes com a gente. Saulo e toda a turma são demais! Graças a Deus temos uma relação muito boa com os artistas da Bahia.
 
CH: Vocês sempre faziam a abertura dos shows do Chiclete. Por que parou?
 
Topera: Não era sempre. Rolavam alguns shows que o Chiclete nos convidava e, logicamente, a gente tocava, né? (risos) Eles sempre tiveram um carinho muito grande por nós. Não eram todos os shows, mas rolavam e ainda rola até hoje, como foi o Liquida Salvador, Nana Fest de BH. Sempre será uma honra dividir um palco com atrações como o Chiclete Com Banana. Sem contar que somos fãs.
 
CH: Você não acha que essa imposição do Chiclete acaba meio que empurrando “guela abaixo” uma banda para o público? 
 
Topera: Acho que as pessoas que nos seguem curtem mesmo o nosso trabalho. Fazemos músicas divertidas, músicas de amor, músicas de carnaval. Nunca fomos um produto empurrado. Sempre tivemos muito cuidado com isso. O nosso trabalho é feito de uma maneira correta e séria. Temos um respeito muito grande pelas pessoas que nos seguem e curtem o nosso som.
 
CH: Você acredita que, sem um “padrinho” de peso, essas bandas que estão começando, tem alguma chance?
 
Topera: Com certeza! Quem tem talento sempre tem chance. E talento somado a um apadrinhamento que possa mostrar o seu trabalho de uma forma mais ampla, melhor ainda.
 

"Eu, particularmente, estou sempre compondo e procurando canções de outros compositores"
 
CH: Como tem sido a estrada da banda 5% sem o apoio de outrora do Chiclete?
 
Topera: O Chiclete nunca deixou de nos apoiar. Graças a Deus nossa estrada está maravilhosa. Acabamos de voltar da Europa, onde realizamos seis shows na Alemanha e Holanda. Já estamos em Fortaleza pra tocar no nosso sexto Fortal. Sexta a gente toca em Salinas, no Pará e no sábado já voltamos pra tocar na Feijoada do Siriguela, no Fortal. Em setembro a gente toca no Brazilian Day e na Lavagem em Nova Iorque. Com certeza, só temos que agradecer ao nosso bom Deus.
 
CH: Vocês se apresentavam em grandes festivais com a ajuda da banda de Bell. E agora?
 
Topera: Continuamos tocando em grandes festivais e, mais uma vez, digo que não só o Chiclete, mas muita gente nos apoia...
 
CH: O surgimento da banda Oito7Nove4 abalou a agenda de vocês?
 
Topera: Jamais. Muito pelo contrário... Os meninos estão fazendo um trabalho lindo e isso só tende a fortalecer a nossa geração. Cada vez que surge uma banda de axé no mercado, só melhoram as coisas.Temos que levantar a nossa bandeira sempre. Temos que tocar a música do outro, precisamos pensar cada vez mais no movimento, sacou?
 
CH: A banda dos filhos de Bell é uma forte concorrente de vocês?
 
Topera: Não existe isso! Como disse há pouco, ficamos muito felizes quando novas bandas surgem e fortalecem nosso movimento.
 
CH: Como é a relação da Banda 5% com a Oito7Nove4?
 
Topera: Maravilhosa. Eles são meninos de ouro. Super educados, musicais, ótimas pessoas. Lá na Alemanha vi uma guitarra show de bola e acabamos trazendo pra Pipo. Ele se amarrou! Vamos entregar pra ele aqui em Fortaleza. No projeto Som do Forte eles fizeram uma participação super bacana com a gente. A relação da gente é muito legal mesmo. Na verdade, não só eles como todos nós da Banda 5% somos pessoas que viemos de famílias corretas e que sempre se preocuparam com a nossa educação.
 
CH: Vamos falar da banda daqui pra frente. Quando será gravado o DVD aqui em Salvador?
 
Topera: Ainda não sei(risos). Mas tomara que seja logo, né?
 
CH: O que a banda 5% faz quando o verão passa?
 
Topera: Geralmente a gente entra em estúdio. Eu, particularmente, estou sempre compondo e procurando canções de outros compositores. É uma época em que a gente prepara nosso CD de carreira, clipes, músicas pra rádio, essas coisas.
 
CH: E a turnê internacional?
 
Topera: Foi maravilhosa! Foi nosso segundo ano. Tocamos em Koln, Eschweiler e Coburg na Alemanha. Tocamos também em Amsterdã, na Holanda, junto com o Psirico. É uma experiência maravilhosa. Tocamos pra muitos brasileiros que têm saudade do nosso som, saudade do Brasil. O povo europeu fica encantado com o nosso som percussivo e de harmonias bem brasileiras. Nosso samba não tem igual! Realmente, eles ficam encantados. Essa aquisição de experiência e conhecimento de novas culturas são muito importantes para o nosso crescimento.