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A defesa de Victor Lima Sedlmaier, investigado por suspeita de integrar um grupo de hackers vinculado ao empresário Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a revogação de sua prisão preventiva. A petição encaminhada ao relator do processo, ministro André Mendonça, formalizou o interesse do investigado em prestar um novo depoimento à Polícia Federal para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações em andamento.
Segundo informações da CNN Brasil, o investigado é apontado pelas autoridades como integrante de um grupo denominado "Os Meninos", que atuaria na execução de ataques cibernéticos, invasões de dispositivos eletrônicos, derrubada de perfis digitais e monitoramento ilegal de alvos. Victor foi detido em 16 de maio após desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), decorrente de deportação dos Emirados Árabes Unidos, onde era procurado no âmbito da 6ª fase da Operação Compliance Zero.
Na manifestação submetida à Corte Suprema, os advogados sustentam que o cliente está à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público Federal para detalhar os fatos. Embora ressaltem que a iniciativa não se trata formalmente de um acordo de delação premiada ou confissão, a defesa sinalizou abertura para tratativas reservadas caso as autoridades policiais ou o órgão ministerial manifestem interesse em negociar termos de cooperação.
Entre os fundamentos jurídicos apresentados para a concessão da liberdade, a defesa argumentou a necessidade de reavaliação periódica do decreto prisional, cujo prazo legal de 90 dias já transcorreu. Os defensores alegaram ainda a mitigação de riscos à instrução criminal, uma vez que dispositivos eletrônicos, mídias de armazenamento e documentos do investigado já foram apreendidos e submetidos à perícia oficial.
Subsidiariamente, caso o pedido de soltura plena não seja acolhido pelo relator, a defesa solicitou a substituição da custódia cautelar por medidas alternativas, tais como o uso de tornozeleira eletrônica, a entrega do passaporte com proibição de ausentar-se do país e o comparecimento periódico em juízo.
A Polícia Federal tem em seu poder mensagens extraidas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mostram que ele planejava se tornar dono da “maior de todas as bets” no país. Segundo a coluna “Radar” da revista Veja, que chega às bancas nesta sexta-feira (2), Vorcaro listou nas mensagens quem seriam seus supostos parceiros para essa superbet: “Fechei já Anitta, Gusttavo Lima, Luciano Huck e Globo”, diz a revista.
As conversas mostram também que Daniel Vorcaro falava com interlocutores sobre um projeto para montar um cassino em São Paulo, em parceria com o Hard Rock Café, na área do Jockey Club. A ideia era lucrar 1 bilhão de dólares ao ano: “Compramos os terrenos ali todos. Meio da cidade. Casa de shows e cassino físico. Turma do Hard Rock louca já “, disse o banqueiro a um amigo.
Outra conversa de Vorcaro que foi revelada pela revista Veja tem como interlocutor o próprio Luciano Huck, que teria oferecido ao banqueiro a possibilidade de fazer negócios no Familhão, um clube de benefícios por assinatura mensal associado ao apresentador. O sócio de Huck procurou Vorcaro, mas não há sinal de desfecho do negócio.
Além do apresentador da Globo, nas conversas do celular de Vorcaro analisadas pela Polícia Federal há mensagens trocadas entre o banqueiro e o cunhado Fabiano Zettel, discutindo um pagamento de R$ 3,3 milhões a João Silva, chamado por eles de “faustinho” no chat. João é filho de Fausto Silva e apresenta um programa no SBT.
A coluna Radar ainda expõe mensagens obtidas pela PF que mostram que a atriz e modelo Yasmin Brunet teve uma “discreta amizade” com Daniel Vorcaro. A revista Veja afirma que Vorcaro bancava apartamentos, voos privados, festas e toda sorte de pedidos da modelo.
“Em um determinado momento, a beldade começa a reclamar da falta de retorno às mensagens dela”, diz a nota de Radar, sobre o fim da relação entre os dois. A revista diz ainda que Vorcaro explicou o assunto a um amigo: “Tô fugindo dela igual diabo foge da cruz”.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam conversas com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno, envolvendo um pedido de ajuda financeira para o Cruzeiro em 2024, período em que o penta ainda controlava a SAF do clube mineiro. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (2) pela revista Veja.
De acordo com as mensagens, Ronaldo procurou Vorcaro em março daquele ano após a eliminação do Cruzeiro na Copa do Brasil. O ex-jogador explicou que o resultado havia retirado do planejamento uma receita esperada pelo clube e provocado uma necessidade de caixa.
"Irmão, tudo bem? [...] Preciso de uma ajuda tua. Como fomos eliminados da Copa do Brasil, deixamos de ter um dinheiro que contávamos e estamos apertados para fluxo de caixa. Gabriel Lima, CEO do Cruzeiro, está indo para Londres. Ele pode te encontrar e explicar melhor essa operação", escreveu Ronaldo.
Vorcaro respondeu que trataria do assunto com o dirigente. Dias depois, Ronaldo voltou a procurar o banqueiro para agradecer pela operação.
"Amigo, o empréstimo saiu lá para o Cruzeiro! Muito obrigado, irmão!”, escreveu o ex-jogador.
RELAÇÃO ENTRE RONALDO E VORCARO
As mensagens também indicam uma relação pessoal entre os dois. Ronaldo e Vorcaro se tratavam como “irmão” e “amigo” e mantinham conversas sobre viagens, festas e eventos sociais dentro e fora do Brasil.
Em outro momento, Vorcaro convidou Ronaldo para uma viagem a Londres. O ex-jogador afirmou que não poderia participar porque estaria em Miami a trabalho, mas demonstrou interesse em outros encontros futuros.
Segundo a Veja, Ronaldo também teria ajudado Vorcaro em situações pessoais, como na obtenção de acessos VIP para uma partida do Inter Miami, através de contatos com David Beckham, além de facilitar conexões em Ibiza.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou as suspeitas de fraude financeira envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, durante entrevista concedida ao apresentador Igor 3K, do Flow Podcast. A gravação ocorreu no Palácio da Alvorada, em Brasília, e foi transmitida na quinta-feira (1º).
Veja o momento:
Na ocasião, Lula declarou que a primeira-dama Janja daria “porrada” se o chamassem para festas associadas a Vorcaro. Durante a conversa, o chefe do Executivo também associou o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao desdobramento do caso do Banco Master.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, revelam que o empresário Roberto Justus fez sucessivas cobranças por aportes financeiros e pela regularização de investimentos na SteelCorp, empresa da qual é sócio. Nas conversas, Justus chegou a mencionar a possibilidade de pedir a recuperação judicial da companhia para proteger a operação diante dos impasses no caixa.
Em 21 de dezembro de 2024, Justus externou sua frustração com a falta de retorno do ex-banqueiro: “Em 40 anos como empresário, nunca tive tanta dificuldade em falar ou ter retorno como tenho com você”. As cobranças continuaram nos meses seguintes, com alertas sobre obrigações de curto prazo e a queixa de que os aportes ainda figuravam como dívida no balanço, em vez de serem convertidos em participação societária.
Em setembro de 2025, o empresário pressionava o então controlador do Banco Master para converter os recursos aplicados na companhia em participação acionária. O impasse envolvia R$ 143 milhões em notas comerciais. Justus afirmou que, se o montante continuasse registrado como dívida, não restaria alternativa a não ser recorrer à recuperação judicial.
As mensagens também expuseram a delicada situação financeira da SteelCorp naquele momento. Justus afirmou que a empresa estava incapaz de honrar compromissos financeiros anteriores ou obter novos financiamentos, apontando um passivo elevado e patrimônio líquido negativo. Contudo, as conversas não demonstram que a companhia tenha efetivamente feito o pedido de recuperação judicial.
Diante do cenário, Justus propôs converter as notas comerciais em uma participação de 30% na SteelCorp, prevendo a futura recompra dessa fatia societária por R$ 130 milhões ao longo de cinco anos, com correção pelo IPCA. Registros das mensagens não indicam que essa recompra tenha sido concluída.
Mais tarde, em janeiro de 2026, Justus afirmou à Folha de S.Paulo ter realizado um aporte de R$ 300 milhões na SteelCorp, assumindo 90% do controle da companhia.
Segundo o empresário, a capitalização permitiu solucionar os passivos que deveriam ter sido liquidados originalmente com os recursos relacionados à operação com Vorcaro. Em nota oficial enviada anteriormente, a assessoria de Roberto Justus informou que o objetivo das tratativas era encerrar a relação empresarial e preservar a SteelCorp, o que de fato ocorreu.
A nota ressaltou ainda que Justus se sentiu desconfortável com o processo e resolveu o tema antes da liquidação do Banco Master e da posterior prisão de Vorcaro. As informações foram confirmadas pelo portal Poder 360.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro minimizou, em vídeo publicado em seu canal oficial no YouTube na quarta-feira (30), a gravidade das acusações envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. Na declaração, ele comparou o caso às penas aplicadas a envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro de 2023.
Ao comentar a saída de uma mulher que cumpriu pena por envolvimento nos atos, Eduardo afirmou que, diante das condenações relacionadas ao 8 de Janeiro, as acusações envolvendo Vorcaro seriam de menor gravidade. “Eu acho que, comparado a isso, até a corrupção ou as orgias do Vorcaro, isso é o de menos, gente, R$ 200 milhões é o de menos”, afirmou.
Eduardo também criticou as prisões de envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro e afirmou que, na avaliação dele, essas pessoas não deveriam ter sido detidas. O ex-deputado ainda citou integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) ao afirmar que movimentos de esquerda teriam cometido crimes mais graves.
O irmão de Eduardo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso envolvendo o antigo Banco Master. As apurações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. Uma das propostas de Flávio é conceder anistia aos condenados pelo STF pelos ataques de 8 de Janeiro.
CONFIRA O VÍDEO:
Em interrogatório prestado à Polícia Federal no âmbito da apuração sobre o grupo conhecido como "A Turma", o empresário e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, refutou qualquer ordem para a prática de atos agressivos. Durante a oitiva, o executivo afirmou que as conversas gravadas contendo termos como "ir para cima" de opositores representavam apenas "desabafos", assegurando que nenhuma pessoa sofreu violência por suas determinações.
Por meio de nota oficial, os advogados Sergio Leonardo, Daniel Bialski e Engels Muniz, responsáveis pela defesa do banqueiro, reiteraram a posição de seu cliente. "O investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja, fato que é reconhecido nos autos pelos próprios investigadores e pelas testemunhas já ouvidas", assinala o comunicado.
A equipe jurídica complementou que "após 8 meses de investigações, não há nenhuma vítima dos supostos fatos citados na portaria inaugural do Inquérito Policial". A sessão de depoimentos desta quarta-feira também contou com a oitiva do pai do banqueiro, o empresário Henrique Vorcaro.
Ambos se encontram sob prisão preventiva e prestaram esclarecimentos à corporação por meio de transmissão remota: Daniel falou a partir do 19º Batalhão da Polícia Militar (PM-SP) (conhecido como "Papudinha"), no Distrito Federal, enquanto Henrique depôs do Complexo Penitenciário Nelson Hungria, localizado em Contagem (MG).
ENTENDA ‘A TURMA’
De acordo com as investigações policiais, obtidas pelo jornal O Globo, "A Turma" operava mediante pagamento mensal aproximado de R$ 400 mil para executar vigilância, levantamento de informações privadas e abordagens intimidadoras contra indivíduos contrários aos negócios do Banco Master.
Os relatórios da Polícia Federal detalham a atuação do grupo com base no material colhido dos aparelhos celulares do executivo.
Entre os episódios citados, um diálogo de agosto de 2024 mostra um interlocutor identificado como Mourão prevendo reunião com "A Turma" para definir "medidas mais drásticas" em relação a Vladimir Joelsas Timerman, fundador do fundo Esh Capital e crítico público do banqueiro. Na ocasião, Vorcaro orientou: "E contra o advogado tb".
Em mensagem posterior, ao ser indagado sobre os ajustes para a operação, o banqueiro indicou que seria necessário enviar "A Turma" até a capital paulista para "matar esses negócios". Os documentos policiais não chegam a confirmar se tais ações saíram do papel.
Em outro momento, Vorcaro reagiu ao tomar conhecimento de um mandado judicial de busca e apreensão que atingia sua instituição financeira. "Esse depravado do Vladimir pede busca e apreensão e a Justiça deu ouvidos", reclamou. Mourão respondeu informando que o grupo já estava a postos, aguardando apenas a validação do banqueiro.
A apuração indica ainda reações a postagens sobre um pedido de falência do banco. Mourão identificou a titularidade da linha telefônica como pertencente a Daniel Marinelli Meira e questionou se a orientação era para que o grupo "fosse pra cima" do indivíduo, obtendo a concordância de Vorcaro. Em seguida, Mourão perguntou se deviam aplicar "apenas um susto ou outra ação".
As conversas registram também ordens ligadas à publicação de matérias jornalísticas. Em outubro de 2024, ao encaminhar uma reportagem, Vorcaro ordenou: "Esse tem que derrubar". Logo depois, completou: "E mandar turma PF atrás". Como resposta, Mourão relatou ter acionado hackers vinculados ao grupo "Os Meninos" e informado que se deslocava para encontrar "A Turma".
Outro caso envolve a abordagem a ex-colaboradores na cidade de Angra dos Reis (RJ), em que o executivo e Mourão avaliaram se o envio de policiais ou de "bicheiros" surtiria maior efeito. "Polícia às vezes não vai intimidar tanto", ponderou Vorcaro. Diante da oferta de mobilizar agentes do Rio de Janeiro, o banqueiro sugeriu dar um "sacode" prévio em Leandro Garcia como forma de amedrontar Luis Felipe Woyceichoski. Um dos policiais do grupo respondeu: "Sabe que com a gente não tem moleza".
Ademais da atuação contra opositores, os relatórios da Polícia Federal apontam que "A Turma" era acionada para obter dados sigilosos sobre investigações em andamento na própria PF, no Ministério Público Federal e na Polícia Civil do Estado de São Paulo que envolvessem o banqueiro, seus parentes ou suas empresas.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria um acordo com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para utilizar a casa do banqueiro em Brasília. Mensagens divulgadas pela coluna da jornalista Natália Portinari, no Uol, nesta terça-feira (29), narram que Motta costumava utilizar o imóvel quando o banqueiro não estava na capital.
As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-dono do Banco Master. Conforme os dados, a última visita registrada estava marcada justamente para a data em que Vorcaro foi preso no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, 17 de novembro de 2025. "À noite irei receber Hugo na casa", escreveu o funcionário que administrava o imóvel em mensagem para o banqueiro, à tarde.
Vorcaro respondeu: "Ok. Me avise sempre antes." O funcionário se desculpou: "na correria aqui acabei não avisando o Sr." Segundo o Uol, a casa fica no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, e era usada por Vorcaro para receber políticos e autoridades.
No histórico de mensagens, é possível mapear que o acordo teria sido discutido entre Motta e Vorcaro em maio de 2025, meses após o deputado assumir a presidência da Câmara. Na conversa, enviou ao deputado o contato do funcionário que cuidava do imóvel e escreveu: “Só avisa ele se prefere uma pessoa pra servir ou se não quer ninguém na casa na hora”.
Motta responde apenas: “Muito obrigado” e, segundo os registros, pede para usar o imóvel cerca de duas semanas depois. “Será que posso dar uma passada na casa hj pela hora do almoço? Mas só se vc não tiver compromisso lá”, diz o parlamentar.
Vorcaro respondeu que tinha um almoço e depois iria para o aeroporto e o presidente da Câmara disse que combinaria a chegada com o funcionário, para ser avisado quando o banqueiro saísse.
Depois desse acordo, as mensagens entre o dono do Master e o funcionário registram o histórico de ocasiões em que o empregado teria sido acionado para “receber Hugo” na casa. Há registros em 24 de junho, 28 de agosto, 5, 18 e 25 de setembro e 17 de novembro de 2025, dia da prisão.
Depois, não houve explicações sobre o que foi feito na casa. As mensagens não registram o motivo das visitas nem quem mais estava presente.
Ao Uol, o presidente da Câmara disse que não iria se manifestar.
Mensagens trocadas entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, registram a participação do parlamentar nas tratativas para a compra de uma área de mais de 400 hectares em João Pessoa. Os diálogos, que começam em março de 2024, foram extraídos pela Polícia Federal (PF) do celular do empresário.
Em uma das conversas divulgadas pelo site Fatos Online, Motta afirma que a empresa responsável pelo negócio havia sido transferida para sua cunhada e menciona um “formato de sociedade” que, segundo ele, já havia sido combinado com Vorcaro. O parlamentar também pede orientação sobre os próximos passos da negociação.
A operação envolveu um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões contratado pela cunhada de Motta junto ao Banco Master. A área, onde funcionava uma fábrica de cimento, foi adquirida por R$ 45 milhões e seria utilizada para a implantação de um novo bairro na capital paraibana.
Os diálogos mostram ainda uma relação próxima entre Motta e Vorcaro. Na época, após informar que havia conseguido concluir as assinaturas necessárias para o negócio, o deputado agradeceu ao empresário pela “confiança e parceria”. Vorcaro respondeu dizendo que aquele seria o “início de uma parceria de vida”.
As mensagens também registram outros pedidos e contatos entre os dois. Em novembro, Vorcaro procurou Motta para tratar de um projeto de lei sobre carbono, enquanto o parlamentar também solicitou ao banqueiro um estudo relacionado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Em outro episódio, Motta perguntou a Vorcaro de onde sairia o avião que o levaria de Guarulhos para Brasília. O empresário respondeu que a aeronave já estaria esperando por ele.
Defesa
Procurado, Hugo Motta afirmou que os diálogos não indicam qualquer ilícito e negou ter mantido relação de interesse ou favorecimento com Vorcaro. O presidente da Câmara disse que mantém contato com representantes do empresariado em razão de sua atuação parlamentar.
Motta também afirmou que o empréstimo realizado pela empresa privada junto ao Banco Master ocorreu antes de ele ter conhecimento das investigações posteriormente divulgadas sobre o banco e seu proprietário. Ele declarou confiar nos órgãos responsáveis pela apuração.
Perfis de direita e candidatos às eleições principalmente do PL estão viralizando um recorte da entrevista concedida beste domingo (27) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao programa Canal Livre, da Band, em que ele fala sobre o uísque que supostamente teria sido enviado a ele pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
O entrevistador do Canal Livre pergunta a Lula sobre uma conversa extraída do celular do dono do Banco Master, em que o advogado Walfrido Warde, em janeiro de 2025, diz ter estado com o presidente, e que ele teria pedido para agradecer pelo envio de um uísque.
“Você nunca foi lobista? O lobista fala ´bom dia´ para você e ele já fala que dormiu com você” – disse Lula.
Ao ser questionado especificamente sobre ter recebido ou não um uísque do advogado Walfrido Warde a pedido de Daniel Vorcaro, o presidente não confirmou, nem tampouco negou.
“Se me deu uísque, já bebi também. Eu não fico contando quem me dá uísque. Eu ganho muita coisa, lembrança. Não sei se deu. Mas, se deu, já bebi. Pode ficar certo”, disse Lula.
Nas conversas do celular de Daniel Vorcaro extraídas pela Polícia Federal, o advogado Walfrido Warde, em 22 de janeiro de 2025, afirmou que o presidente havia agradecido novamente por um uísque e mandado um abraço ao banqueiro.
“Querido, estive com o PR [presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o uísque e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu Warde. Vorcaro respondeu à mensagem com um emoji de coração.
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, porém, negou que Lula tenha recebido qualquer presente de Vorcaro. O órgão também afirmou que o presidente não enviou recado ao ex-dono do Master. Warde atuava na defesa de Vorcaro e do Banco Master em processos na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e no Tribunal de Contas da União (TCU).
Mensagens e informações extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam que ele possuía uma vasta coleção de ensaios de garotas de programa e “produtoras de conteúdo adulto”. A informação foi dada pela coluna Radar, da revista Veja, que chegou às bancas nesta sexta-feira (25).
Segundo o colunista Robson Bonin, o conteúdo do celular mostra que Vorcaro gastava altas somas de dinheiro com garotas de programa. O banqueiro também promovia numerosas festas que contavam com a presença de autoridades dos três poderes em Brasília.
Diz a coluna Radar que um “famoso deputado baiano” pediu a Daniel Vorcaro que organizasse uma suruba em São Paulo, no início de 2024. “Organiza a confusão que eu já soube que você é o melhor”, teria dito o deputado baiano ao banqueiro.
Vorcaro se fez de humilde diante do reconhecimento do parlamentar: “Sou aprendiz, mas fazemos algo legal”, disse ao deputado, que prometeu levar um colega alagoano com ele. “Vou chamar. Ele adora!”, teria dito o dpeutado baiano, conforme afirma a revista.
Outra revelação extraída das mensagens do celular do banqueiro é a de que o ex-deputado petista José Dirceu usava mensagens temporárias para conversar com Vorcaro. Essas conversas não deixaram rastro, portanto.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CS-MPF) decidiu nesta sexta-feira (25), por 5 votos a 4, indeferir e arquivar o pedido de apuração preliminar contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre suas ligações e sua atuação nos processos do Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
Com esse resultado, o colegiado negou o prosseguimento das investigações preliminares decorrentes de representações formuladas a partir de desdobramentos da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras e conexões políticas ligadas à instituição bancária.
A rejeição da abertura de inquérito ocorre em consonância com a deliberação na qual o CSMPF formou unanimidade de 9 a 0 contra o afastamento de Paulo Gonet da condução dos processos do Banco Master. Paralelamente, a PGR dispõe do prazo de cinco dias para apresentar manifestação sobre os requerimentos pendentes das investigações do Banco Master e do INSS.
Para a deliberação, o conselho avaliou materiais reunidos em procedimentos da Polícia Federal. Entre as provas anexadas ao procedimento figuram uma imagem em que o procurador-geral aparece à mesma mesa que o banqueiro Daniel Vorcaro, além de trocas de mensagens em que Gonet declara sentir "saudades" e chama o empresário de "máquina".
O resultado final de 5 a 4 pela não abertura do procedimento refletiu divergências internas do conselho. Entre os conselheiros que votaram de forma favorável à apuração preliminar esteve o subprocurador José Adonis Callou de Araújo Sá.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) alcançou maioria de 5 a 0, nesta sexta-feira (25), contra o afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, dos processos atrelados ao Banco Master que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF).
O resultado garante a manutenção da função exercida por Gonet frente aos casos. Votaram de forma contrária ao afastamento do procurador-geral os subprocuradores-gerais Francisco Sanseverino, Celso de Albuquerque Silva, Janice Agostinho Barreto Ascari, Samantha Chantal Dobrowolski e Alexandre Camanho.
Em relação à análise de uma notícia de fato que contesta a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) na condução das ações relacionadas à instituição financeira no STF, o colegiado registra um empate de 3 a 3 sobre a abertura de procedimento investigatório. As informações foram confirmadas pelo G1.
O relator, Francisco Sanseverino, e os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Alexandre Camanho de Assis votaram pelo arquivamento do pedido de investigação. Janice Ascari e Samantha Chantal Dobrowolski divergiram e defenderam a designação de um subprocurador-geral da República para aprofundar a análise.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, determinou nesta sexta-feira (25) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os pedidos pendentes no âmbito das investigações relativas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão estabelece o prazo de 5 dias para que o órgão analise a pertinência, a necessidade e a adequação das medidas solicitadas pelas partes, além de avaliar o eventual impacto dessas providências sobre o andamento dos inquéritos em curso. Após o envio do parecer da PGR, os processos retornarão ao gabinete da presidência do STF.
O despacho de Fachin ocorre em meio a indefinições procedimentais sobre a condução dos casos, como a dúvida sobre se o presidente da Corte deliberaria de forma direta sobre os requerimentos ou se devolveria os processos ao ministro André Mendonça. Com a medida, o ministro decidiu submeter previamente as solicitações ao posicionamento do Ministério Público Federal (MPF) antes da tomada de novas deliberações.
Segundo informações confirmadas pelo portal G1, ainda não há definição sobre os desdobramentos do caso após a manifestação da PGR ou sobre a atribuição definitiva da relatoria dos processos.
A determinação abrange pedidos de revogação de prisão preventiva formalizados por defesas de investigados no caso do Banco Master, além de requerimentos da Polícia Federal para a prorrogação de prazos de inquéritos. Entre os investigados que solicitaram a revogação de prisão estão:
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Daniel Vorcaro;
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Henrique Vorcaro;
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Felipe Vorcaro;
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Rodrigo Franco;
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Marilson Roseno da Silva;
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Fabiano Zettel;
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Daniel Monteiro;
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Sebastião Monteiro Junior.
A Polícia Federal também requereu a extensão dos prazos para dar continuidade às diligências das apurações.
Em um evento de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Maceió, na noite desta quinta-feira (24), a primeira-dama Janja, ao pedir a palavra, chamou o candidato Flávio Bolsonaro de “Flávio Vorcaro”. Janja fez diversas associações do senador do PL ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Além de Lula, o evento na capital de Alagoas reuniu o ex-ministro Renan Filho (MDB), candidato ao governo, o senador Renan Calheiros (MDB), que concorre à reeleição, e o também candidato ao Senado Dr. Wanderley (MDB).
Ao falar no evento, Janja disse que Flávio ainda não explicou os recursos negociados para o filme “Dark Horse”, e afirmou também que no senador seria votar em Vorcaro.
“Nós estamos vivendo um momento muito decisivo na nossa história. Daqui a poucos dias, milhões de brasileiros e brasileiras como vocês estarão diantes das urnas decidindo o futuro de todos nós. Diante das urnas, vamos escolher entre Flávio Vorcaro… opa, peraí. Flávio… desculpa aí, errei. Flávio… é, então, entre aquele lá e Luiz Inácio Lula da Silva“, disse Janja”.
A primeira-dama também acusou o candidato do PL de usar os recursos repassados por Daniel Vorcaro para sustentar familiares no exterior e mencionou suspeita de lavagem de dinheiro.
“Em breve, vamos escolher entre quem até agora não explicou nada sobre os R$ 139 milhões que recebeu do Vorcaro. Roubado dos aposentados do Rio, do Amapá e de Brasília. Nós vamos escolher entre essa pessoa e quem reconstruiu o Brasil, que estava destruído pela familícia, pela familícia Bolsonar”, disse.
“E eu quero falar uma coisa: esse dinheiro não é privado não, seu Flávio Bolsonaro. Esse dinheiro é lavagem de dinheiro para sustentar a sua família e o seu irmãozinho lá nos Estados Unidos”, completou a primeira-dama.
O subprocurador-geral da República, Francisco Sanseverino, votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de uma investigação sobre a conduta do procurador-geral, Paulo Gonet, em relação a Daniel Vorcaro.
Sanseverino, relator do processo no Conselho Superior do Ministério Público Federal, também se opôs a declarar Gonet impedido ou suspeito no caso. Ele destacou a ausência de indícios que justifiquem a investigação e que não foram encontradas conversas diretas entre Vorcaro e Gonet, além de o ex-banqueiro não ter o contato do PGR.
"Desde logo, eu voto pelo indeferimento do pedido de designação de subprocurador-geral da República para conhecer a documentação antes mencionada. É necessário existir elementos mínimos de materialidade de autoria dos fatos", afirmou.
O relator observou que qualquer pedido de impedimento de Gonet nos processos do STF deve ser feito diretamente à corte. A análise do caso começou às 10h, sem a presença de Gonet.
Jaques Wagner responde a acusações de pagamentos de Vorcaro e chama delação de “falsa e oportunista”
O senador e candidato à reeleição, Jaques Wagner (PT), respondeu a acusações de que teria recebido pagamentos mensais do Banco Master por supostas vantagens indevidas relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta, na Bahia. Em um vídeo publicado nesta sexta-feira (25), o parlamentar chama as declarações, divulgadas por meio de uma reportagem do Uol, de “falsas e oportunistas”.
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— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) September 25, 2026
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A pouco mais de uma semana do pelito eleitoral, marcado para o dia 4 de outubro, a reportagem do Uol narra que o acordo entre o ex-líder do governo Lula no Senado e o Master teria sido revelado nos anexos de uma proposta de delação de Daniel Vorcaro.
Sobre isso, Wagner afirma que “mais uma vez estão tentando envolver o meu nome com o escândalo do Banco Master”. “São declarações completamente falsas e oportunistas, criadas para interferir nas eleições. Na eleição de 2018, também inventaram mentiras. Eu me elegi e minha inocência ficou provada. Agora, vai acontecer o mesmo. Dessa vez inventaram sociedades e contratos falsos. São mentiras deslavadas. Eu nunca tive relação com o senhor Daniel Vorcaro”, reafirma o senador.
Ao falar da eleição de 2018, o ex-governador da Bahia cita uma investigação da Polícia Federal, nomeada “Cartão Vermelho”, em que ele foi investigado por suposta participação em um esquema de fraudes em licitações, superfaturamento e desvio de verbas públicas nas obras de reconstrução da Arena Fonte Nova, em Salvador.
O candidato a reeleição reitera que “nunca tive relação com o senhor Daniel Vorcaro” e cita ainda que, em sua postura pública na Casa Alta do Congresso, nunca agiu em favor do banqueiro. “No Senado, assinei a criação da CPI do Máster e propus limitar juros para proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco. Eu nunca atuei a favor do banco. Eu votei contra o aumento do limite do Fundo Garantidor de Crédito. A Bahia, trabalhadores e empresários me conhecem”, garante.
Ainda em seu posicionamento oficial, Jaques defende que “a verdade” irá vencer e destaca a importância do momento para a reta final das eleições. “A verdade sempre vence. Estamos chegando à reta final da campanha, percorrendo o nosso estado, sentindo o calor e o carinho das ruas, mostrando tudo que já fizemos e o que ainda vamos fazer pela Bahia e pelo Brasil”, ressalta.
“Humildade, muito trabalho e fé em Deus, tenho segurança que Lula, Jerônimo, Rui e eu seremos eleitos e seguiremos trabalhando para que o Brasil e a Bahia continuem avançando. Muito obrigado”, completa o candidato.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que a Polícia Federal (PF) inicie uma investigação sobre possíveis crimes e interferências inadequadas na atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), vinculada ao Ministério da Fazenda, no caso do Banco Master. A decisão se baseia em um relatório que revelou fragilidades estruturais na autarquia e falhas na investigação de denúncias sobre possíveis irregularidades associadas ao banco.
O relatório foi elaborado por um grupo de trabalho da CVM e apresentado nos autos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7791, na qual o ministro Flávio Dino, relator, homologou um plano emergencial de reestruturação da autarquia proposto pela União.
Em fevereiro de 2022, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) denunciou à CVM possíveis irregularidades no Grupo Master, incluindo problemas financeiros, inconsistências contábeis, manipulação das cotações de fundos abertos e aplicação de recursos em ativos de baixa liquidez. Essa denúncia foi classificada como anônima, sem elementos suficientes para prosseguir, e acabou arquivada.
No relatório resultante de uma auditoria, o grupo de trabalho da CVM identificou falhas na divulgação de informações em 73% dos 314 processos relacionados ao grupo econômico, deficiências de compliance em 32%, além de ocorrências de possíveis fraudes contra investidores, uso indevido de informação privilegiada e manipulação de mercado. O documento indica que as condutas consideradas graves receberam tratamento restrito à emissão de ofícios de alerta, sem a abertura de um processo administrativo sancionador, e que o sigilo aplicado ao caso dificultou o compartilhamento de dados entre as áreas de fiscalização.
Fundo funerário
O relatório também menciona que um processo administrativo apurou indícios de manipulação de preços das cotas de um “fundo funerário” pelo Banco Máxima S.A., que posteriormente passou a ser chamado de Banco Master. O procedimento foi encerrado na esfera administrativa com a celebração de um termo de compromisso aprovado pelo colegiado da CVM, no valor de R$ 2,9 milhões.
Em 2021, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI) enviou ao Ministério Público Federal e ao Banco Central comunicações formais sobre os fatos apurados até então. Segundo Dino, esses fatos estão conectados a elementos examinados na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1196, sob sua relatoria. No processo, que aborda a privatização de cemitérios em São Paulo (SP), foram identificados indícios de uso do fundo para a supervalorização artificial de ativos e a alocação de recursos em concessões de serviços públicos, especialmente nos setores funerário e cemiterial.
Possíveis irregularidades
Para o ministro, os elementos apresentados vão além da esfera de possíveis irregularidades meramente administrativas ou regulatórias. “Há indícios que configuram o dever legal de apuração de eventuais ilícitos relacionados à atuação funcional de agentes públicos vinculados à Comissão de Valores Mobiliários, assim como de autoridades de alto escalão que teriam influenciado processos decisórios na autarquia”, afirmou.
Determinações
A Polícia Federal deverá apresentar ao ministro, em um prazo de 60 dias, um relatório sobre as diligências realizadas, mantendo o sigilo das medidas investigativas em andamento.
Dino também determinou que a CVM forneça, em 72 horas, uma cópia do processo sobre as irregularidades do Master, além de informações sobre as unidades e instâncias que tiveram acesso ao expediente, os agentes responsáveis pela análise, as decisões e o arquivamento, o regime de sigilo aplicado, o compartilhamento de informações e as providências adotadas após o arquivamento.
Alcolumbre diz que mensagens que mostram intimidade entre ele e Vorcaro são "sensacionalismo barato"
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em nota enviada à imprensa por sua assessoria na noite desta quinta-feira (24), criticou a publicação feita pela revista Veja, que revela, a partir de mensagens obtidas pela Polícia Federal, uma relação de profunda amizade e intimidade entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro. Para Alcolumbre, a matéria de capa da revista é um “injusto ataque”, um exemplo de “sensacionalismo barato” que seria movido por “interesses ilegítimos”.
“A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma. Esse sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos, veio acompanhado da mais absoluta falta de ética da revista, que não cumpriu a regra básica de checar a informação e ouvir a parte atingida”, disse Alcolumbre na nota.
A matéria da revista Veja, que chega às bancadas nesta sexta (25), revela uma série de conversas entre o presidente do Senado e o dono do Banco Master, conteúdo extraído pela Polícia Federal do telefone de Daniel Vorcaro. Uma das conversas que se tornaram públicas aconteceu na data em que Alcolumbre foi eleito para o comando da Casa, em 1º de fevereiro de 2025.
Na ocasião, Daniel Vorcaro parabenizou Alcolumbre, chamando-o de amigo, desejando os “melhores anos” e sucesso na “empreitada”, de acordo com a publicação. O senador, então, respondeu: “Fala meu amor! Muito obrigado por tudo, em especial pelo seu carinho e amizade fraterna! Gratidão!”.
“Sou seu irmão!!! Pra vida toda!!”, completou o presidente do Senado em diálogos no fim de março do mesmo ano. Vorcaro retornou com corações e correspondeu às declarações de amizade: “E eu seu [irmão]. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”. O ex-banqueiro enviou também uma sequência com cinco emojis de coração.
Na nota enviada à imprensa, o presidente do Senado afirma que o material mostra “supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma”. O texto diz que “o presidente do Senado não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública” e que “irá até as últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida e para que sejam identificados e responsabilizados aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo”.
Confira abaixo a íntegra da nota de Alcolumbre:
“A Revista Veja promove mais um injusto ataque ao Presidente do Congresso Nacional, dessa vez lançando mão de supostas mensagens de teor pessoal, inclusive de terceiros, que não indicam ilegalidade alguma.
Esse sensacionalismo barato, movido por interesses ilegítimos, veio acompanhado da mais absoluta falta de ética da revista, que não cumpriu a regra básica de checar a informação e ouvir a parte atingida. Se fazem isso com um chefe de Poder, é de se imaginar o que estão a fazer com outros indivíduos e instituições.
No entanto, não conseguirá intimidar a Presidência do Congresso Nacional com esse expediente.
O presidente do Senado sabe de onde partiram essas falsas acusações e e quais interesses estão por trás dessa ofensiva. Não se intimidará diante de ataques, pressões ou tentativas de atingir sua honra e sua trajetória pública. Irá até as últimas consequências, dentro da lei, para que a verdade seja integralmente esclarecida e para que sejam identificados e responsabilizados aqueles que estiverem por trás desse ataque baixo.
Medidas judiciais serão tomadas, não só para reparação dos danos causados, mas para a reposição da verdade.
Assessoria de Imprensa
Presidência do Senado”
Reportagem de capa da revista Veja que chega às bancas nesta sexta-feira (25) revela um conjunto de mensagens trocadas entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Em 1º de fevereiro de 2025, após a reeleição de Alcolumbre à presidência do Senado, Daniel Vorcaro o parabenizou. “Fala meu amor”, respondeu o senador. “Sou seu irmão. Pra vida toda”, continuou o presidente do Senado. O banqueiro respondeu: “E eu seu. A qualquer tempo pra qualquer coisa. Nunca vou esquecer”.
As mensagens, segundo a reportagem da revista Veja, foram extraídas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, e revelam uma relação de longa data e de grande intimidade do senador com o banqueiro. Segundo lembra a revista, Alcolumbre ignorou pedidos de abertura de CPI sobre o caso Master, recusou questionamentos sobre visitas de Vorcaro ao Senado e evitou comentar a proximidade com o banqueiro.
O acervo extraído pela Polícia Federal, de acordo com a Veja, também reúne mensagens sobre festas privadas com autoridades e mostra a proximidade entre Alcolumbre e o dono do Banco Master.
“Mensagens encontradas pela PF no celular de Vorcaro revelam que Alcolumbre é um amigo fraterno, um irmão, um parceiro fiel com quem o dono do Master podia contar a qualquer tempo, a qualquer hora, para qualquer coisa. Entre os dois, a intimidade ultrapassava de longe o limite da camaradagem. O senador recorria ao banqueiro até para resolver questões prosaicas, como tentar identificar a fonte de um jornalista. O banqueiro recorria ao senador quando precisava abrir certas portas. Festas e encontros privados fortaleceram essa conexão”, diz a matéria da revista.
No acervo em mãos da Polícia Federal há dezenas de mensagens em que são combinadas festas com a participação de renomadas autoridades. Uma delas foi organizada para atender o presidente do Congresso. Vorcaro acerta os detalhes com Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro.
“Aquela de 3 metros estará la, Fabio”, escreveu o banqueiro, num grupo de WhatsApp batizado de Macallan, a famosa marca de uísque escocês.
“A dupla né. Foda que o Davi aprendeu a falar pelo Google tradutor e pode assustar a menina”, ironizou Faria.
“Kkkkkk. Bonde do tigrão”, completou Vorcaro.
O dono do Master costumava importar mulheres de outros países, especialmente da Europa, para animar as festas. Em um chat com Alcolumbre, o banqueiro repassa o endereço do evento e dá instruções ao senador: “Me avisem a hora que chegam. Vao cedo. Traje todo preto pra festa”.
O comportamento do senador do Amapá era ridicularizado pelos próprios convivas. “Davi Alcolumbre de mochila bile (sic) com canudo com vodka”, comentou um deles. “Davi falou q esta com dança nova”, divertiu-se Vorcaro.
Novos registros extraídos pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro revelam que o candidato a presidente Flávio Bolsonaro, nos quatro dias que antecederam a primeira prisão do dono do Banco Master, ocorrida em 17 de novembro de 2025, tentou entrar em contato com o dono do Master. As mensagens foram divulgadas nesta quinta-feira (24) pelo site do jornal Estado de S.Paulo.
Segundo o jornal, que publicou os prints das conversas, em 13 de novembro o senador Flávio Bolsonaro escreveu a seguinte mensagem para Daniel Vorcaro, às 9h13: “Fala mermao! Bom dia! Pode atender?”. O banqueiro respondeu que retornaria em meia hora, entretanto, não há registro de uma ligação na conversa.
Já em 14 de novembro, Flávio Bolsonaro fez uma chamada de voz que não foi atendida pelo banqueiro. No dia seguinte, em 15 de novembro, Vorcaro justificou a ausência e disse que estava em trânsito. Flávio voltou a perguntar se poderia falar com ele.
A última tentativa ocorreu em 16 de novembro, um dia antes da prisão do dono do Banco Master. Após outra chamada não atendida, Vorcaro afirmou que estava na igreja e que ligaria quando terminasse. Pouco depois, Flávio enviou uma mensagem ao banqueiro.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs’, escreveu o então senador, como revelou o Estadão. As quatro tentativas de contato com o banqueiro ocorreram uma a cada dia anterior à prisão dele.
No fim da tarde do dia seguinte, 17 de novembro, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Ele tentava embarcar em um voo para o exterior.
A prisão havia sido determinada pela Justiça Federal de Brasília em uma investigação sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. O mandado de prisão foi expedido no início da tarde pela 10.ª Vara Federal de Brasília e seria cumprido apenas no dia 18, mas foi antecipado sob suspeita de tentativa de fuga.
Na reta final das investigações contra o banqueiro, em novembro de 2025, quando o senador intensificou as tentativas de contato com Vorcaro, já era público que a Polícia Federal investigava crimes envolvendo a gestão do Banco Master e havia pressão pública para que o Banco Central liquidasse a instituição de Vorcaro.
Anotações encontradas no celular do banqueiro indicam que ele teve conhecimento antecipado de que seria alvo de alguma medida da PF e buscava traçar um plano de fuga do País. Algumas dessas mensagens foram enviadas, segundo a Polícia Federal, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, pedindo sua ajuda para tentar frear essas investigações.
No dia 15 de novembro, por exemplo, mesmo dia em que Flávio tentou falar com banqueiro e não conseguiu, Vorcaro questionou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Essas mensagens foram reveladas no início de setembro.
A Polícia Federal extraiu do celular do banqueiro Daniel Vorcaro um período de aproximadamente três meses de conversas com o senador Flávio Bolsonaro, no qual há menções a seis encontros entre eles. O histórico das conversas mais antigas estava apagado.
A extração do diálogo mostra que o contato de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro teve início no dia 16 de dezembro de 2024, quando o banqueiro adicionou o telefone do senador à sua lista de contatos. Naquele mesmo dia, o diálogo mostra uma ligação de WhatsApp perdida.
Duas semanas antes do início desse diálogo, Daniel Vorcaro esteve no Palácio do Planalto para um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também participou da reunião o à época indicado à presidência do Banco Central, Gabriel Galípolo. (que viria assumir o cargo no início de janeiro).
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (24) que a empresa "Entre Investimentos", apontada pelas investigações da Polícia Federal (PF) como intermediária de repasses para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, recebia valores originados do crime organizado.
"Nós estamos falando de uma administradora, de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado e dentro de um mesmo bolso. E esse recurso foi utilizado para ocultar patrimônio, para lavar dinheiro, para corromper", diz Durigan.
A manifestação do ministro ocorreu após o desdobramento da 3ª fase da Operação Carbono Oculto, promovida pela PF em conjunto com a Receita Federal, que investiga a ligação entre a máfia dos combustíveis e o esquema de precatórios do Banco Master. As informações foram confirmadas pelo G1.
A equipe jurídica do candidato Flávio Bolsonaro (PL) ingressou com uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (23), com a acusação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria cometido “corrupção passiva e advocacia administrativa”, após a divulgação de mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o advogado Walfrido Warde. A petição foi encaminhada ao ministro André Mendonça.
O documento da campanha de Flávio Bolsonaro menciona mensagens extraídas pela Polícia Feeral do celular do dono do Banco Master, em que o advogado cita supostos presentes de Vorcaro ao presidente Lula. Para os advogados do senador, os diálogos, divulgados pelo jornal O Globo, mostram que o governo teria atuado no sentido de atender a interesses particulares do banqueiro.
“Querido, estive com o PR [Presidente da República] hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreveu o advogado Warde a Vorcaro em 22 de janeiro do ano passado. O ex-banqueiro respondeu com um emoji de coração.
No documento, a defesa do presidenciável do PL solicita que o caso seja encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e que seja instaurado um inquérito para apurar condutas que, segundo a peça, podem configurar, em tese, os crimes de corrupção passiva e advocacia administrativa.
“Vieram a público, em 22.09.26, por intermédio de reportagens veiculadas pelo jornal O Globo, diálogos extraídos pela Polícia Federal do aparelho celular de Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, nos quais o advogado Dr. Walfrido Warde, à época defensor de Vorcaro, relata ao seu cliente sucessivas ações destinadas a aproximá-lo do Presidente Lula e de autoridades do Governo Federal, bem como destinadas a obter tratamento favorável aos interesses do Banco Master junto ao Governo Federal”, diz a notícia-crime, endereçada ao ministro André Mendonça.
Em nota enviada divulgada ainda nesta quarta, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que o presidente Lula não recebeu presente de Vorcaro, desconhece a suposta articulação de Walfrido Warde e não teve outros contatos com o ex-banqueiro além de um encontro em dezembro de 2024.
Segundo o governo, na ocasião, o presidente orientou que eventuais denúncias fossem analisadas tecnicamente pelo Banco Central.
“O presidente não tem conhecimento da suposta articulação, não recebeu presente e tampouco enviou recado ou comentou festas promovidas pelo banqueiro. Cabe lembrar ainda que foi durante o atual governo que o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master e Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no âmbito das investigações sobre a instituição”, diz a nota da Secom.
Na petição, os advogados de Flávio Bolsonaro sustentam que o suposto recebimento do presente pode configurar vantagem indevida e pedem que se apure se houve contrapartida por parte de Lula. Também apontam suspeita de que o presidente tenha usado o cargo para favorecer interesses privados de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.
A Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou o cancelamento de 16 precatórios do setor sucroalcooleiro que totalizam R$ 4,7 bilhões. A decisão do ministro Benedito Gonçalves também estabelece a devolução dos valores, com rendimentos, aos cofres públicos. A medida atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU) e envolve precatórios de usinas açucareiras que haviam vendido parte dos créditos ao Banco Master.
Os recursos estavam depositados em contas judiciais desde dezembro de 2023. Segundo a decisão, o tribunal responsável terá cinco dias para cancelar os precatórios e devolver os valores ao Tesouro Nacional. Até que a restituição seja concluída, ficam proibidos levantamentos, transferências, expedição de alvarás e pagamentos de honorários relacionados aos casos.
A AGU questionou a expedição dos precatórios antes da conclusão definitiva da ação em que as usinas buscavam executar os valores. No dia 10, a Justiça Federal já havia determinado o cancelamento, seguindo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF). A presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), porém, manteve os recursos bloqueados.
Diante disso, a AGU recorreu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para que o cancelamento fosse efetivado e os valores retornassem ao Tesouro. A decisão não alcança precatórios que o Banco Master transferiu à Entre Investimentos um mês antes de sua liquidação. A empresa integra a estrutura empresarial ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro e é controlada pelo delator Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.
O Banco Master havia contratado escritórios de advocacia para atuar em disputas judiciais envolvendo precatórios. Um deles é o escritório de Camilla Ramos, citado em mensagens analisadas pela Polícia Federal como integrante da chamada “turma do KN”. Ao portal O Globo, o ministro do STF, Kassio Nunes Marques, negou ter qualquer relação com o Banco Master ou com Vorcaro. Ele afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro, pediu algo a ele ou autorizou terceiros a falar em seu nome.
O escritório de Camilla Ramos também afirmou que mantém contrato com o Master há quase três anos, limitado às ações previstas no acordo, e que não recebeu honorários do banco. A banca negou ainda que os processos sob sua responsabilidade tramitem no STF ou tenham vínculo com ministros da Corte. A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou sobre o caso.
A Meta reativou, na manhã desta quarta-feira (23), a conta do projeto Revelando Brasil no Instagram, poucas horas após o perfil ter sido tirado do ar. A plataforma informou que a restauração ocorreu após uma "revisão interna" e pediu desculpas pelo ocorrido.
O Revelando é uma iniciativa especial do podcast 'Calma Urgente' voltada para a produção de reportagens em vídeo. Na última terça-feira (22), o canal publicou um material sobre o Banco Master que aborda conexões entre o empresário Daniel Vorcaro, a Igreja Batista da Lagoinha e figuras políticas, incluindo o candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Em apenas 24 horas, o vídeo de 30 minutos atingiu a marca de 2 mi de visualizações no YouTube, plataforma onde o conteúdo permaneceu acessível sem interrupções. A remoção afetou exclusivamente a página do projeto no Instagram, que conta com mais de 100 mil seguidores. Na rede social, a publicação sobre o Caso Master já acumulava 447 mil curtidas e ultrapassava 100 mil compartilhamentos.
A suspensão do perfil ocorreu sem explicações prévias, segundo a equipe do Calma Urgente. Em nota oficial enviada à imprensa após a repercussão, a Meta declarou: "Após uma revisão interna, restauramos a conta mencionada pela reportagem. Pedimos desculpas pela inconveniência".
A notícia sobre a queda do perfil foi veiculada inicialmente pela Folha de S. Paulo na manhã desta quarta-feira (23), gerou intensa mobilização nas redes sociais. Apoiadores do projeto e seguidores do humorista Fábio Porchat, responsável pela narração do vídeo, cobraram posicionamentos da empresa e acusaram a plataforma de "perseguição política".
A Meta derrubou o perfil oficial do Instagram da série de reportagens "Revelando", que publicou um episódio apresentado pelo humorista Fabio Porchat sobre as relações entre o Banco Master, a Igreja Batista da Lagoinha e personagens da política. A postagem foi feita esta segunda-feira (21), com um teaser do episódio "Grandes Igrejas, Master Negócios."
À Folha de S.Paulo, o coletivo responsável pela produção alegou que a plataforma informou que o conteúdo "não segue os padrões" do Instagram, sem especificar qual regra teria sido descumprida. O grupo diz aguardar uma resposta mais detalhada da empresa. Procurada, a Meta não respondeu.
A produção afirma que o teaser publicado no Instagram havia acumulado 6 milhões de visualizações antes da retirada do perfil. O vídeo completo continua disponível no YouTube, onde, em menos de 24 horas o vídeo teria chegado ao primeiro lugar do ranking Hype.
O episódio em questão possui pouco mais de 30 minutos e reconstrói as relações entre a família Vorcaro, a igreja e personagens políticos. Apresentado por Fabio Porchat, o roteiro parte do casamento de Natália Vorcaro, irmã de Daniel Vorcaro, com Fabiano Zettel. A cerimônia foi celebrada pelo pastor André Valadão, uma das principais lideranças da Igreja Batista da Lagoinha.
Entre outros nomes citados estão o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O episódio também aborda doações à igreja, operações financeiras e relações empresariais que aparecem nas investigações sobre o Master. As suspeitas apresentadas pela produção ainda são objeto de apuração, e Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel foram presos preventivamente, sem condenação pelos fatos investigados, segundo informações divulgadas sobre o episódio.
A ação da Meta afetou também publicações feitas em colaboração com os parceiros da série, segundo o grupo responsável. Além do teaser com Porchat, saíram do ar conteúdos relacionados ao primeiro episódio de "Revelando", apresentado por Samara Felippo e dedicado à história da eugenia e de políticas de esterilização no Brasil.
"Revelando" é uma iniciativa do podcast "Calma Urgente", em parceria com ICL, Mídia Ninja e 342 Artes. O projeto foi lançado em setembro com a proposta de produzir reportagens especiais sobre temas históricos e atuais.
Um recorte da pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (21) revela que aumentou a quantidade de eleitores que passou a associar o escândalo do Banco Master à família Bolsonaro. O levantamento mostra que passou de 15% da pesquisa anterior para 21% nesta mais recente o percentual de pessoas que dizem que o escândalo afeta mais os políticos do grupo do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL).
A parcela dos entrevistados que acredita que o escândalo do Master prejudica a “todos”, por outro lado, caiu nove pontos percentuais em uma semana. Na rodada anterior, 46% dos entrevistados respondiam que o caso Master afetava “todos”, percentual que caiu para 37%.
Outros 16% dos entrevistados pela Quaest dizem que as descobertas do Banco Master afetam o Supremo Tribunal Federal (STF). Já o governo Lula é visto como o mais afetado pelo escândalo por 11% dos eleitores.
A mudança ganha peso eleitoral porque Flávio Bolsonaro é o candidato da família Bolsonaro à Presidência da República e disputa diretamente com Lula a liderança da corrida eleitoral.
A leitura sobre quem é mais afetado pelo escândalo varia de acordo com a preferência política dos entrevistados. Entre os eleitores de Lula, 46% apontam a família Bolsonaro como a mais atingida. Entre os bolsonaristas, por outro lado, 37% citam o governo Lula, enquanto 22% apontam o STF.
A Quaest também mediu a influência da crise institucional e das tensões no STF sobre a decisão dos eleitores na disputa presidencial. Para 62% dos entrevistados, a turbulência na Corte não influencia o voto para presidente.
Outros 26% afirmam que os acontecimentos reforçam a escolha que já haviam feito, enquanto 7% dizem que podem mudar de candidato por causa da crise. Segundo a Quaest, 74% dos entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento do episódio da crise no STF.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 17 e 20 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança de 95%. O número de registro da pesquisa é BR-06004/2026.
Neymar usou as suas redes sociais para chamar de “fake news” uma reportagem divulgada nesta segunda-feira (21) pelo site da revista Carta Capital, de que o empresário Neymar da Silva Santos, pai do jogador do Santos, teria pressionado o banqueiro Daniel Vorcaro para que fizesse repasses financeiros.
Segundo a revista, a informação surgiu em um registro extraído dos celulares do dono do Banco Master. O registro sobre o pai do jogador Neymar aparece em uma conversa de 11 de fevereiro de 2025, na qual o lobista e publicitário Thiago Miranda, que fazia a interlocução com o banqueiro, relata a Vorcaro que estava sendo cobrado pelos dois.
O objetivo das investidas seria garantir um contrato de patrocínio de peso para estampar o Banco Master no uniforme do Santos. De acordo com informações da Polícia Federal, toda a ponte entre o dono do banco e os interessados no patrocínio funcionava por meio do publicitário e lobista Thiago Miranda.
“Mais uma vez, temos de vir a público para desmentir uma notícia. Desta vez, divulgaram informações que não correspondem aos fatos. Lamentamos a publicação de informações falsas”, disse Neymar em postagem nas redes sociais.
A reportagem de Carta Capital afirma que em 11 de fevereiro de 2025, Thiago Miranda teria perdido a paciência com o atraso dos pagamentos e cobrado uma resposta urgente do banqueiro. A cobrança do pai de Neymar seria por R$ 15 milhões anuais que haviam sido propostos para colocar a logomarca da instituição financeira no uniforme do Peixe.
O inquérito da PF diz que o acordo reservaria R$ 8 milhões na lateral da camisa do Santos, R$ 5 milhões na bermuda e mais R$ 2 milhões no meião da equipe.
As tratativas também teriam envolvido possibilidades de encontros presenciais na residência particular de Vorcaro para discutir os detalhes do contrato. O intermediário Thiago Miranda teria avisado que até mesmo Neymar poderia participar da reunião assim que deixasse o centro de treinamento do Santos.
De acordo com as investigações, o operador preferia tratar dos acertos cara a cara por considerar que os valores eram altos demais para conversas por aplicativo. Ele teria insistido para que Vorcaro recebesse o pai do craque em um jantar reservado.
Apesar das cobranças registradas no telefone do operador, a investigação não encontrou provas de que o encontro presencial tenha acontecido. Da mesma forma, as autoridades policiais destacaram que não existem recibos que comprovem a assinatura do contrato de publicidade nem o depósito de dinheiro nas contas do clube.
O candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União Brasil) afirmou que não cabe a ele julgar o senador Jaques Wagner (PT) ao comentar as investigações relacionadas ao Banco Master. Durante entrevista à série especial "Vota BN", do Projeto Prisma, do Bahia Notícias, nesta segunda-feira (21), o ex-prefeito de Salvador também destacou diferenças entre a situação do petista e as relações comerciais mantidas por ele com empresas ligadas ao banco.
Segundo Neto, Wagner ocupava um cargo público quando teria mantido relações com o Banco Master, enquanto ele não exercia função pública quando realizou negócios privados. “Eu não ocupava nenhuma função pública, eu era um cidadão privado, tinha liberdade para fazer meus negócios privados, desde que eles fossem legais”, afirmou.
A Polícia Federal investiga Wagner no âmbito da Operação Compliance Zero por suspeitas relacionadas a vantagens indevidas e possível atuação parlamentar em pautas de interesse do Banco Master. O senador nega as acusações e afirma que provará sua inocência.
No caso de Neto, dados do COAF apontaram repasses de R$ 3,6 milhões, em 2023 e 2024, para uma empresa de consultoria ligada a ele e à esposa. O candidato confirmou os valores e afirmou que os pagamentos foram feitos por serviços legais de consultoria e gestão empresarial, com contratos, emissão de notas fiscais e pagamento de impostos.
Ao falar sobre os possíveis efeitos do caso Master na disputa eleitoral, Neto afirmou que espera que a estrutura do poder público não seja utilizada para influenciar a escolha dos eleitores. “O que eu espero é que a máquina pública, principalmente policial, não tente interferir na vontade do eleitor”, declarou.
O candidato também defendeu que as instituições respeitem a Constituição e os limites de atuação de cada Poder.
ASSISTA O PROGRAMA COMPLETO:
Documentos encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela Polícia Federal indicam a celebração de um contrato para ganhos de R$ 427 milhões firmado pela chamada “Turma do KN” com o Banco Master, com objetivo de destravar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do banqueiro Daniel Vorcaro. A “Turma do KN”, de acordo com a PF, seria uma alusão ao ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A informação sobre os documentos que foram produzidos pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular do dono do Banco Master foi divulgada nesta segunda-feira (21) pelo site Metrópoles. Segundo a PF, o contrato foi firmado entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, representado pela advogada Camilla Ramos.
O acordo entre o banco e o escritório previa o pagamento de honorários equivalentes a 5% do valor obtido caso as ações judiciais tivessem êxito nos tribunais superiores, percentual que resultaria nos R$ 427 milhões. A advogada Camilla Ramos é casada com o desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).
De acordo com a reportagem do site Metrópoles, os diálogos extraídos do celular de Vorcaro mencionam pedidos relacionados a hospedagens, camarotes de Carnaval, eventos e viagens envolvendo pessoas ligadas a Kassio Nunes Marques e ao desembargador Newton Ramos. Em uma das mensagens, Camilla Ramos comemora o voto de Kassio nunes em um julgamento.
“É um excelente voto do Min. Nunes Marques fazendo a distinção dos casos em que o título judicial trouxe os critérios da indenização”, escreveu.
Em outra ocasião, a advogada marca uma reunião do marido (Newton) com Vorcaro para falar sobre o assunto. Newton usa mensagens de visualização única para tratar do tema dos precatórios com o ex-banqueiro.
Além do contrato milionário, o ex-banqueiro também pagava eventos e hospedagens em hotéis de luxo a Kassio Nunes. Hospedagens no Fasano, acesso a eventos no Rosewood, entradas para a Fórmula 1, viagens de avião e camarote na Sapucaí estão entre os eventos custeados por Vorcaro ao ministro, segundo indicam conversas de Vorcaro com seus assessores.
Em uma dessas mensagens, Leo Serrano Giunchetti, auxiliar de Vorcaro, informa que o desembargador Newton havia solicitado reserva para o ministro do STF: “Fasano Itaim essa sexta a sábado para KN”.
Também há outra conversa em que uma assessora encaminha a Vorcaro um pedido do desembargador Newton.
“Ministro Kassio me pediu para ver se vocês conseguem para ele uma tarifa promocional no Fasano. Só uma diária. Entrando sexta e saindo sábado. Recebi essa mensagem do Newton. OK para você?”. “Pode botar na minha conta”, respondeu Vorcaro.
A “Turma do KN” aparece nas mensagens em que assessores de Vorcaro buscam seu aval para demandas de Newton e de sua esposa. “Dani, turma do KN (Newton) me mandou aqui 6 nomes para colocar na lista do Camarote… posso encaminhar isso lá pra lista do Camarote, né?”.
Em resposta ao Metrópoles, o ministro Kassio Nunes Marques afirmou que se declarou impedido de participar de uma das ações por ter atuado anteriormente no TRF-1. Posteriormente, reconsiderou a decisão ao entender que o julgamento tratava de uma tese jurídica ampla e não de um caso específico.
O ministro também negou ter favorecido o Banco Master em decisões judiciais e afirmou não existir relação financeira entre seu filho e Daniel Vorcaro.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), era considerado “amigo irmão” pelo banqueiro Daniel Vorcaro. Foi o que mostrou uma conversa do banqueiro com o diretor jurídico do Master, Luiz Rennó, revelada pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
A conversa, extraída pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, aconteceu em 2 de fevereiro de 2025, um dia depois da eleição de Hugo Motta como presidente da Câmara e de Davi Alcolumbre como presidente do Senado. No diálogo com Rennó, Daniel Vorcaro diz que estava em Brasília “com Davi e Hugo”, e quando é questionado se “transita bem” com ambos, deu a seguinte resposta:
“Transito bem? Kkkk. Sou ‘number 1’. Amigo irmão”, escreveu Vorcaro, conforme revelou o jornal O Globo.
Em junho deste ano, a Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou estadias para Hugo Motta durante uma viagem para Lisboa, em 2024. À época, o presidente da Câmara afirmou “não ver problemas” no pagamento das diárias, já que se tratava de um evento “corporativo e jurídico”.
De acordo com a investigação da PF, Vorcaro bancou suítes em um hotel de Lisboa para Motta e para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em 14 de maio de 2024, Motta também foi um das autoridades que estiveram presentes em uma degustação exclusiva de uísque e charuto promovida por Vorcaro em Nova York.
Como lembra Malu Gaspar, o encontro ocorreu no Carnegie Club, luxuoso lounge de Manhattan, e a conta total no estabelecimento foi de US$ 1.023.646 — R$ 5.257.036 na conversão feita pela PF.
Dois meses antes, em março de 2024, a cunhada de Motta, Bianca Medeiros, fez um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões com o Master, conforme divulgado pelo jornal “Folha de S. Paulo”. O crédito serviu para comprar um terreno em João Pessoa, capital do estado da Paraíba.
Mensagens divulgadas anteriormente também mostram que Motta era recebido por Vorcaro em casa. Em março de 2025, em conversa com a então namorada Martha Graeff, o dono do Master é questionado se estava com alguém, e responde que “Hugo e Ciro” chegaram em sua casa para “falar com Alexandre”, uma deferência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Hugo Motta não respondeu aos pedidos de esclarecimentos feitos por O Globo sobre o conteúdo das conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro.
Cerca de cinco mil itens extraídos dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro foram classificados pela Polícia Federal como “Score nudez”. Os arquivos armazenados por Vorcaro possuem muitas imagens de nudes, fotos íntimas e cenas de sexo explícito.
A informação foi divulgada neste domingo (20) pelo jornalista Lauro Jardim, no site de “O Globo”. Segundo o colunista, o material faz parte dos dados extraídos pela PF dos aparelhos do dono do Banco Master apreendidos durante a Operação Compliance Zero.
No último dia 11 deste mês, a defesa de Daniel Vorcaro havia pedido que o Supremo Tribunal Federal (STF) fizesse uma filtragem no material extraído dos aparelhos, antes da retirada do sigilo das investigações do caso Master. Segundo os advogados, seria preciso garantir a preservação de material pessoal do banqueiro, como imagens de familiares e outras protegidas por sigilo legal. A defesa de Vorcaro não chegou a citar o conteúdo sexual presente na memória dos aparelhos do dono do Master.
Os dados obtidos nos celulares foram encaminhados a ministros do STF, que solicitaram acesso ao conteúdo. Entre os ministros que já receberam cópias estão André Mendonça, Luiz Fux, Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes.
O material extraído tem cerca de 500 gigabytes (GB). De acordo com a coluna de Lauro Jardim, a PF informou que mantém sob custódia o material original extraído dos aparelhos e que as cópias encaminhadas aos gabinetes dos ministros são idênticas à extração original.
Até o momento, não foram divulgadas informações de quem aparece nos arquivos classificados como “Score nudez”, nem a origem desse conteúdo. Também não foi indicada relação entre os registros de nudez e sexo explícito e as investigações que envolvem Vorcaro e o Caso Banco Master.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (20) que a União, sob a coordenação do Ministério da Fazenda, apresente, no prazo de 90 dias, uma avaliação técnica sobre o arcabouço da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), acompanhada de propostas para o aprimoramento e reestruturação do órgão.
A determinação ocorre em meio a acusações de leniência e falhas na supervisão da autarquia sobre o Banco Master. A instituição financeira manteve ritmo de expansão acelerado, a despeito de alertas enviados ao órgão regulador.
A CVM é a autarquia responsável por fiscalizar o mercado de capitais no Brasil e monitorar fundos de investimento — estruturas que teriam sido utilizadas pelo Banco Master para fraudar balanços e manipular cotações com a finalidade de preencher critérios de prudência bancária exigidos pelo Banco Central.
Na fundamentação de sua decisão, Dino citou o relatório do Grupo de Trabalho Master, instituído na própria CVM, além de apontamentos da Transparência Internacional que indicam "a existência de fragilidades relevantes nos mecanismos de controle interno" da comissão.
O magistrado destacou que denúncias foram encerradas sem a realização de verificações preliminares. Como exemplo, citou um relato encaminhado à autarquia em 2022 que antecipava minuciosamente as irregularidades confirmadas posteriormente no Banco Master, mas que acabou sumariamente arquivado pela área técnica sob a justificativa de "inverossimilhança".
Diante dos fatos, o ministro ordenou que a União faça a reapreciação fundamentada do arcabouço normativo infralegal e submeta as conclusões, medidas operacionais e justificativas técnicas no prazo estipulado. As informações são do jornal Estadão.
A atuação do órgão regulador também é objeto de contestação jurídica no STF. Em março deste ano, o Partido Novo ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) questionando a limitação orçamentária da CVM. A legenda argumenta que o Tesouro Nacional retém sistematicamente parcelas expressivas da Taxa de Fiscalização dos Mercados, comprometendo a capacidade da autarquia de exercer suas funções de monitoramento.
O governo federal já havia submetido anteriormente um plano de reestruturação do órgão, também acompanhado por solicitações de adequação feitas pelo ministro Flávio Dino.
Um vídeo divulgado pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que mostra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), saindo de um jatinho de propriedade do banqueiro Daniel Vorcaro, viralizou nas redes sociais na manhã deste domingo (20).
O vídeo revela que o ministro não falou a verdade quando, no mês de abril, emitiu um comunicado oficial para explicar suas relações com Vorcaro, e disse que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Segundo Lauro Jardim, foram vários voos de Moraes em aviões de propriedade do dono do Banco Master, e um deles estaria registrado nesse vídeo ao qual o colunista teve acesso.
Vídeo mostra Alexandre de Moraes e esposa desembarcando de jatinho de Vorcaro
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) September 20, 2026
Imagem: Coluna Lauro Jardim, O Globo pic.twitter.com/GrEGPqSze1
O vídeo mostra o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci, desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, em 22 de agosto do ano passado. O casal foi recebido e cumprimentado ao descer do avião.
A coluna afirma que o jatinho usado por Moraes é o Legacy 650, prefixo PP-NLR, que pertencia oficialmente a uma empresa de Vorcaro. Três meses antes desse voo, em 12 de maio, o escritório comandado por Viviane Barci fechou um contrato de R$ 50 milhões para “prestação de serviços e honorários advocatícios” com uma empresa do banqueiro (isso tudo além do contrato mais polpudo, de R$ 131 milhões, com o Master).
Parte desse total seria pago com cotas de um jato e de um helicóptero, de acordo com as investigações feitas pela Polícia Federal. O jato incluído no negócio era justamente o Legacy 650, em que o casal viajou para o Rio de Janeiro.
Numa troca de mensagens de WhatsApp capturadas do celular de Daniel Vorcaro pela PF, o então banqueiro perguntou a Marcos Matta em 16 de julho de 2025: "Eles não estão usando?". Referia-se a Moraes e Viviane.
Matta, dono da PrimeYou, empresa que geria o uso do jatinho e do helicóptero, respondeu: "Liberado desde quando você me pediu, já a usar sim. Já usaram aviões e helicópteros. O variável não cobrei ainda, devido mudança de contrato de Barci para a outra empresa deles Lux".
Vorcaro então respondeu: “Fica em contato com eles pra eles poderem usar”.
Procurado na última sexta (18) pela equipe do colunista de O Globo, o ministro Moraes repetiu o que dissera no comunicado oficial de abril, ou seja, que nunca viajou em aeronaves de Daniel Vorcaro.
Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal revelam que o empresário se referia ao senador Otto Alencar (PSD) como seu “conselheiro” e “comandante”. As informações foram publicadas pelo Jornal O GLOBO neste sábado (19).
O material aponta que os recados e as tratativas eram intermediados pelo advogado Ciro Soares, que repassava mensagens, enviava fotos ao lado do parlamentar e tentava agendar reuniões presenciais entre o dono do Banco Master e o congressista baiano, que nega categoricamente ter conversado ou se encontrado com o empresário.
De acordo com o relatório da PF, o advogado Ciro Soares costumava avisar o banqueiro quando estava reunido com a autoridade e realizava chamadas telefônicas para transmitir os recados do parlamentar.
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Em uma das conversas analisadas pela perícia, ocorrida no dia 30 de maio de 2024, período em que Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), Soares enviou a seguinte mensagem a Vorcaro: “Otto queria falar com vc”. O banqueiro pediu “Me chama” e, após uma ligação perdida, mandou o abraço: “Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”.
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Foto: Reprodução / O Globo
As abordagens continuaram no final do mesmo ano, com a promessa de alinhamentos. Em 5 de dezembro de 2024, Soares voltou a abordar o dono do Master alegando a urgência da conversa: “Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”. Em resposta, o banqueiro justificou o não comparecimento afirmando: “Estou num momento muito complicado, amigo”.
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Foto: Reprodução / O Globo
Os diálogos seguiram ao longo de 2025, momento em que o senador assumiu a presidência da CCJ. Em 12 de novembro de 2025, Soares mandou novo recado do ambiente legislativo: “Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”. Vorcaro respondeu solicitando apoio: “Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”.
Na mesma troca de mensagens, em menção à aprovação da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o advogado declarou: “Hoje ele (Otto) botou pra fuder na sabatina”.
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Foto: Reprodução / O Globo
O relatório da PF destaca também o uso de eventos sociais e chamadas informais para aproximar o empresário do senador. Em 19 de junho de 2025, após uma tentativa frustrada de ligação, Soares escreveu a Vorcaro: “Ottão está dizendo que está com saudades de vc”. O banqueiro respondeu no mesmo tom: “E eu tô dele”.
Em seguida, ao tratarem do patrocínio do Master a um evento em Londres, o advogado mencionou que tentava convencer o parlamentar a viajar, ao que o empresário concordou: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”. O advogado arrematou afirmando que “Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”.
O material coletado evidencia ainda repasses frequentes de fotos em compromissos sociais e desabafos sobre o cenário regulatório financeiro. Em março de 2025, durante o torneio de tênis Miami Open, Soares relatou ter conversado com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: “Tomei uma raiva desse cara (Campos Neto). Por conta da sacanagem que ele fez com a gente. O bom que o Otto o enquadrou. Mexeu comigo e com vc, o senador fica bravo. Vai pra cima”.
Apesar dos registros, as partes negam o alinhamento citado. À reportagem do Globo, senador Otto Alencar declarou que não é investigado e garantiu que nunca esteve com Vorcaro ou falou com o dono do Master.
Ciro Soares alegou que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas assegurou que não “houve almoço ou encontros” organizados por ele.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou, mas reforçou em ocasiões anteriores que o empresário está totalmente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta sexta-feira (18) que a crise em torno do Banco Master, instituição financeira que destacou ter sido criada durante o governo de Jair Bolsonaro, envolve diretamente ou indiretamente 5 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações foram dadas em entrevista à Rádio Tupi, concedida antes de compromissos no Rio de Janeiro ao lado do governador interino do Estado, o desembargador Ricardo Couto. Para o chefe do Executivo, a situação "contamina tudo" nas eleições e exige uma solução antes de qualquer debate sobre a reforma do Judiciário.
Durante a entrevista, o petista citou expressamente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ressaltando que "ninguém está defendendo" os contratos celebrados por eles com a instituição bancária. Sem mencionar nominalmente o ministro Kassio Nunes Marques, Lula também fez referência a mensagens que indicariam o pagamento de um encontro do magistrado com uma acompanhante por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Ao abordar a relação de opositores políticos com a Suprema Corte, Lula sugeriu a existência de ligações do senador Flávio Bolsonaro (PL) com milícias no Rio de Janeiro e argumentou que a insatisfação do parlamentar com o ministro Alexandre de Moraes se deve às decisões judiciais contra seu pai, Jair Bolsonaro, e não ao escândalo do banco.
Além de ter apresentado, por meio de seus advogados, um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de revogação de sua prisão preventiva, o banqueiro Daniel Vorcaro estaria enviando recados à Corte de que pode fazer revelações ainda mais comprometedoras caso seu pai, Henrique Vorcaro, não seja colocado em liberdade.
Segundo a coluna “Radar” da revista Veja que chega às bancas nesta sexta-feira (18), Daniel Vorcaro alega que seu pai precisa tratar graves problemas de saúde. Caso não seja atendido no pedido de liberdade, o banqueiro estaria disposto a revelar fatos desabonadores sobre diferentes autoridades.
A coluna “Radar” diz ainda que Vorcaro estaria convencido de que foi abandonado para “morrer na cadeia”, justamente por ser conhecedor de muitos segredos sobre autoridades dos três poderes. Como há indícios de envolvimento do dono do Banco Master com boa parte do STF, de autoridades da PGR e até da Polícia Federal, Vorcaro acreditaria que o sistema judicial não tem a devida independência para aprovar a sua proposta de delação.
O banqueiro, de acordo com a revista Veja, teria em seu poder fotos, recibos de pagamentos e outros papéis que desmentiriam, por exemplo, seu suposto distanciamento de figuras do STF, da PGR e da PF. “Daniel não tem nada a perder”, disse um interlocutor do banqueiro à coluna liderada pelo jornalista Robson Bonin.
Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso em 14 de maio, durante nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras ligadas aos Master. Na última quarta (16), a defesa de Henrique Vorcaro pediu a revogação da prisão, com a alegação de que ele está detido há mais de 90 dias e que o STF não julgou até o momento nenhum recurso ou os pedidos de que ele vá para uma domiciliar humanitária.
A Federação União Progressista apresentou nesta quinta-feira (17) uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que seja avaliada a possibilidade de afastamento do secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eduardo Sodré, durante as investigações da Operação Compliance Zero. O pedido é direcionado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O documento solicita que a PGR avalie requerer ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão temporária do exercício do cargo ocupado por Sodré. A representação é assinada por Arthur Maia, presidente da federação na Bahia, além de Paulo Azi e Cacá Leão, dirigentes estaduais do União Brasil e do PP.
A federação afirma que não pretende antecipar um julgamento sobre a responsabilidade penal do secretário. O argumento é de que a permanência dele no primeiro escalão do governo deve ser analisada diante das medidas cautelares já determinadas pelo STF e do estágio das investigações.
Segundo a representação, a Polícia Federal apontou Sodré como participante de articulações financeiras investigadas, especialmente em cobranças feitas ao empresário Augusto Ferreira Lima relacionadas a pagamentos destinados à BN Financeira.
O documento cita decisão de André Mendonça de 17 de junho, segundo a qual planilhas encontradas no aparelho de Daniel Lopes Monteiro registravam pagamentos superiores a R$ 2,34 milhões a uma pessoa identificada como “Dudu”. Conforme a investigação mencionada na representação, o apelido corresponderia a Eduardo Sodré.
A representação também afirma que Sodré teria participado de cobranças envolvendo boletos, notas fiscais e documentos necessários à formalização de pagamentos. Segundo o documento, essas tratativas antecederam uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira.
O secretário já está submetido a medidas cautelares determinadas pelo STF, incluindo restrições de contato com outros investigados, suspensão do passaporte, impedimento de deixar o país e proibição de atuação econômica com empresas relacionadas aos fatos apurados.
Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quarta-feira (16), o senador Carlos Viana (PSD-MG), fez duras críticas ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por ter determinado que não fosse permitido o ingresso de parlamentares no plenário. No vídeo, Viana, que é candidato à reeleição, mostrou que a porta do plenário estava fechada e que os funcionários foram orientados a não deixar nenhum senador entrar.
“Olha o que está acontecendo no Senado, trancaram todas as portas do plenário, para que os senadores não entrem e possam falar sobre o que está acontecendo e fazer seu trabalho em Brasília. É o presidente dessa Casa quem decide tudo isso. E ele tem explicações a dar, sabe que tem senadores aqui que não concordam com essa omissão, com essa covardia do Senado, então ele mantém as portas fechadas”, acusou o senador mineiro.
Carlos Viana disse que foi informado pelos servidores que a presidência do Senado determinou que as portas fossem trancadas, pelo fato de não ter nenhuma sessão marcada até a primeira semana de outubro. Na semana passada, Viana esteve no plenário e gravou vídeo sentado na cadeira de Alcolumbre, fazendo duras críticas ao presidente do Senado por não colocar em votação pedidos de abertura de impeachment de ministros do STF.
“Há 20 dias tento o diálogo com o presidente Alcolumbre. Levei à presidência as questões mais graves que esta Casa enfrenta. Dei prazo. Protocolei. Esperei. A resposta veio hoje, na forma de uma porta trancada. O presidente do Senado não dialoga, ele tranca. Porta fechada é medo de ser exposto”, afirmou o senador.
Em outro vídeo, Carlos Viana lançou sua candidatura a presidente do Senado em 2027, e prometeu criar nova CPMI para investigar o INSS e também sobre o Banco Master, além de colocar em votação diversos pedidos de impeachment de ministros do STF.
A defesa de Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (16) para solicitar a revogação de sua prisão preventiva. Os advogados argumentam que o investigado está detido há mais de 90 dias sem que a Corte tenha julgado os recursos apresentados contra a medida cautelar.
Segundo informações do g1, o pedido também cobra que o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, destrave o andamento do processo. Henrique Vorcaro foi preso em maio deste ano sob suspeita de integrar o chamado "núcleo violento" de uma organização criminosa ligada ao seu filho.
A custódia preventiva chegou a ser confirmada pelo STF em junho, no âmbito de operações que miraram grupos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", apontados como responsáveis por práticas de coerção, intimidação, invasão de dispositivos e obtenção ilícita de dados sigilosos sob comando do dono do Master.
A tramitação das ações referentes ao caso foi paralisada por determinação de Fachin ao assumir a relatoria do processo que discute se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suposto envolvimento com o banco Master.
Com a suspensão temporária e o pedido de vista do ministro Flávio Dino na sessão de terça-feira, a definição sobre quem relatará o caso permanece incerta. Diante desse impasse, a defesa sustentou que a Segunda Turma do STF é a instância adequada para analisar a situação de Henrique, destacando que as apurações contra ele não envolvem nenhuma autoridade com foro privilegiado.
Em entrevistas para podcasts, como o "Desce a Letra", o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de “cara de pau”, disse que ele está "nervosinho" com a possibilidade de serem descobertas novas revelações sobre o dinheiro para o filme "Dark Horse", e que ele não tem como pedir impeachment do ministro Alexandre de Moras, do Supremo Tribunal Federal (STF), se também recebeu dinheiro supostamente ilício da mesma fonte.
"O meu adversário gravou um vídeo dizendo que eu sou responsável pelo Alexandre de Moraes… A obsessão dele é pegar o Alexandre de Moraes. Mas eles não querem brigar com o Alexandre de Moraes por causa do Banco Master. Não é por isso que ele tem raiva. Porque ele sabe que ele tem o rabo preso ao Banco Master mais do que qualquer outra pessoa. A raiva dele do Alexandre de Moraes, é porque o Alexandre de Moraes, sabe, mandou prender os caras que mataram a Marielle. A bronca dele do Alexandre de Moraes é que o Alexandre de Moraes prendeu […] o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro. Então, esse é o pavor dele", afirmou.
Na entrevista ao podcast Desce a Letra, Lula cobrou Flávio Bolsonaro dos milhões pedidos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para fazer o filme sobre Jair Bolsonaro.
“O que ele [Flávio Bolsonaro] tem que explicar é cadê os 130 milhões que ele pegou do Vocaro para o filme do seu pai. Aquele filme mequetrefe. […] Eu quero saber, o Flávio pegou o dinheiro, 130 milhões. 130 milhões, não foi 13 reais. Não foi 130 mil, não foi 1 milhão e 300. Foi 130 milhões para fazer um filme… e não explica da onde tá esse, não explica onde tá esse dinheiro.", disse.
O presidente Lula criticou ainda o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que desde março do ano passado mora nos Estados Unidos. Lula vinculou Eduardo Bolsonaro ao dinheiro para o filme "Dark Horse", e disse que se Eduardo voltar ao Brasil, será preso.
"Era um fundo que saía direto não sei da onde para ir pros Estados Unidos, ou seja, para sustentar o irmão dele que tá lá tramando o golpe contra o Brasil. E se ele voltar pro Brasil vai ser preso. Porque traidor da pátria tem que ser preso. Ele tá vendendo o Brasil aos interesses americanos", afirmou Lula.
O Supremo Tribunal Federal (STF) publicou nesta terça-feira (15) a decisão registrada durante o julgamento que analisou processos relacionados aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no contexto do caso Banco Master e das mensagens trocadas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro. O plenário formou placar de 4 a 3 pela análise separada dos casos, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino.
A discussão começou a partir de uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que defendia a reunião dos processos e a redistribuição dos autos. No documento publicado pelo STF, consta a determinação para reunir a Petição 16.662/DF e a Petição 16.704/DF e, depois, redistribuí-las conforme as regras regimentais.
Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes votaram pela unificação. Do outro lado, Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia defenderam a análise separada, formando o placar de 4 a 3. Flávio Dino chegou a se posicionar pela reunião dos casos, mas pediu vista e seu voto não foi computado no placar.
A decisão publicada também determina a certificação dos magistrados citados no processo do Banco Master sobre os quais existam indícios de recebimento de valores indevidos. Após essa etapa, a Procuradoria-Geral da República e os juízes mencionados deverão ser chamados a se manifestar.
Com o pedido de vista de Dino, a análise não foi concluída nesta terça-feira.
Cerca de dois terços dos brasileiros são a favor de um processo de impeachment de ministros envolvidos no escândalo do Banco Master, e Alexandre de Moraes é o principal responsável pela crise enfrentada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essas são algumas conclusões retiradas da pesquisa Indexa/Broadcast divulgada nesta terça-feira (15).
De acordo com o levantamento, que teve entrevistas realizadas entre os dias 10 e 13 de setembro, um total de 68% dos brasileiros afirmam que são “totalmente a favor’ de um processo de impeachment contra os ministros do STF. Por outro lado, segundo a pesquisa, 9% dizem ser mais a favor do que contra, ante 4% que dizem ser mais contra do que a favor.
Apenas 15% dos entrevistados da Indexa/Broadcast dizem ser totalmente contra o afastamento dos magistrados. Os que afirmam que não conhecem o assunto o suficiente para avaliar totalizam 3%, e os que não sabem ou não responderam marcam 1% no levantamento.
Em outro recorte da pesquisa, 46% dos eleitores atribuem a responsabilidade da crise ao ministro Alexandre de Moraes. Já 16% dos entrevistados afirmam que André Mendonça seria o principal responsável pelos problemas da Corte.
Há também um grupo de 6% de eleitores que acreditam que a responsabilidade seja do ministro Dias Toffoli, que foi o primeiro relator do caso Master antes de os trabalhos serem assumidos por Mendonça. A pesquisa também aponta que 4% atribuem a responsabilidade a Flávio Dino; e 3% a Fachin.
Uma parcela de 2% dos entrevistados acredita que a crise pode ser atribuída a outro ministro, sem especificar qual. Eleitores que não conhecem o assunto o suficiente para responderem a a aparecem em 10%, ante 5% que não acham que há uma crise na Corte, e 5% que afirmam que nenhum deles são responsáveis.
A sondagem mediu ainda a percepção do eleitorado sobre os critérios usados pelos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça para basearem suas decisões no Supremo. Para 45% dos entrevistados, Moraes age baseado em critérios políticos, 16% acreditam que o ministro age por critérios técnicos e jurídicos e outros 24% apontam que as duas alternativas são usadas pelo magistrado.
Sobre a atuação de Mendonça, 33% acreditam que o ministro utiliza critérios técnicos e políticos, ante 28% que apontam o uso de critérios políticos. Já os que acreditam ser os dois tipos de critério somam 17% dos entrevistados.
O Indexa/Broadcast ouviu 2.000 entrevistados entre os dias 10 a 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com o nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03482/2026.
Zema lidera protesto em Brasília com imagens de montanhas de dinheiro e de Alexandre de Moraes preso
Com o acesso à Praça dos Três Poderes fechado ao público, em razão da sessão realizada nesta terça-feira (15) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), manifestantes que defendem a abertura de investigação do ministro Alexandre de Moraes se reuniram no gramado em frente ao Congresso Nacional.
O protesto foi convocado por Romeu Zema (Novo), candidato a presidente da República. Os manifestantes levaram desenhos e uma bandeira gigante com a imagem do ministro Moraes preso, além de uma montanha de dinheiro de papelão e outras menções ao escândalo do Banco Master.
Um outro cartaz dizia “Chega de intocáveis”, slogan utilizado pelo ex-governador Romeu Zema desde a pré-campanha eleitoral. Outras placas e faixas levadas pelos manifestantes também fizeram menção aos R$ 131 milhões do contrato firmado entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Em seu pronunciamento no ato de protesto, o candidato Romeu Zema afirmou que o julgamento que acontece no STF, e que pode levar à abertura de uma investigação contra Moraes, marcaria um dia histórico para o Brasil.
“Há mais de um ano eu tenho insistido nisso. Boa parte do nosso Supremo está apodrecida”, disse Zema.
O candidato do partido Novo também comentou que espera que o corporativismo não atrapalhe o julgamento. “Que Deus ilumine o presidente Fachin nesse dia tão decisivo para o futuro do nosso país. Espero que os ministros que sejam do bem, votem pelo futuro do Brasil e não pelo corporativismo, que tem prevalecido até o momento”, colocou Zema.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE), candidato a vice-presidente na chapa com Zema, também presente ao protesto, comentou a suposta relação entre o ex-banqueiro e o ministro e fez um apelo ao presidente do STF.
“Foi ele [Moraes] mesmo que disse que apagar a mensagem de WhatsApp, de celular, era obstrução de justiça. Agora ele fala em vingança. Ou seja, são dois pesos e duas medidas. Isso não vai funcionar não. Esperamos justiça, viu, Fachin? Esperamos coragem, liderança. E que Deus abençoe a nossa nação. Hoje a diferença, Zema, entre vingança e justiça são os espinhos no travesseiro antes de dormir”, disse Girão.
Fabiano Campos Zettel, Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro e Henrique Moura Vorcaro transferiram R$ 19,4 milhões em um total de 37 operações financeiras para a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere, em Belo Horizonte. As informações, divulgadas pelo G1, constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (14).
Apenas Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, transferiu R$ 19,2 milhões em 26 operações à igreja. Zettel, pastor da Lagoinha do Belvedere, foi preso em março pela Polícia Federal, em meio às investigações do escândalo financeiro do Banco Master, de Vorcaro.
Já Fabíola de Almeida Macedo Vorcaro, ex-mulher do banqueiro, fez sete transferências que somaram R$ 101,6 mil. Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, também fez 4 operações de R$ 120 mil à instituição religiosa. Ele está preso suspeito de participar do chamado "núcleo violento" do esquema de fraude e atuar como operador financeiro.
Já Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, fez 11 repasses que totalizam R$ 22 mil. Ele morreu em março, no hospital, semanas após, segundo a PF, atentar contra a própria vida enquanto estava custodiado.
O QUE DIZ O COAF?
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a conta da igreja movimentou cerca de R$ 57,1 milhões entre 24 de dezembro de 2024 e 8 de dezembro de 2025. Foram R$ 28,5 milhões em entradas e R$ 28,6 milhões em saídas. No cadastro do Banco do Brasil, a instituição religiosa tinha faturamento anual presumido de R$ 950 mil.
Grande parte das saídas foi destinada a empresas de construção, engenharia, estruturas metálicas, instalações e produção de eventos. A diferença entre o faturamento informado e o volume movimentado levou o banco a comunicar as operações ao Coaf.
Zettel, que aparece no documento como procurador ou representante da igreja, respondeu por cerca de dois terços do valor recebido pela conta no período. Em nota, a Igreja Batista da Lagoinha informou que cada unidade tem "autonomia para gerir receitas, despesas, investimentos e obras, sob responsabilidade de sua presidência local", que era exercida por Zettel.
A Lagoinha Global também informou que à época a informação que recebeu foi que "seriam realizados investimentos em reformas e melhorias nas dependências da igreja" do Belvedere e que não tinha conhecimento das movimentações agora divulgadas, que chegam a R$ 57 milhões.
A defesa de Fabiano Zettel disse à TV Globo que não vai se manifestar. O g1 tenta contato com os demais citados.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, discursou durante a sessão plenária da Corte nesta terça-feira (15) e apontou falhas processuais na condução do inquérito e quebras de sigilo do caso Master, sob a relatoria de André Mendonça. Em sua fala, o ministro acusou o colega de atuar de forma eleitoreira.
A acusação ocorreu quando o decano apontou que novas informações foram divulgadas aos ministros por meio do acesso ao celular de Daniel Vorcaro. André Mendonça pede a palavra e diz que não teve acesso a todo o material comentado e Gilmar responde: “Interessante, embora houvesse vazamentos que eram atribuídos ao gabinete de Vossa Excelência.”
Em seu posicionamento sobre o processo em julgamento, que é relacionado a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por contatos com Daniel Vorcaro, Gilmar diz que “a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado”. “A pergunta é se continuarmos a permitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigado”, disse.
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A partir deste argumento, o decano do STF passa a acusar Mendonça de atuação enviesada no processo. “Com toda a sinceridade, Presidente, e até as terras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET”. Como exemplo, o ministro cita a escolha da data para a quebra de sigilo de Mendonça sobre parte do processo, no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil.
Gilmar ressalta que Mendonça estaria “envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”. André Mendonça interrompe o colega e diz que “Vossa Excelência [Gilmar Mendes] está sendo leviano”. Mendes então rebate: “Vossa Excelência [Mendonça] não tem a palavra”.
A discussão entre os ministros se intensifica quando Gilmar diz: “Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de Setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso.”
Em resposta, Mendonça ressalta: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo, não está falando com qualquer um. Respeite esse Tribunal”. E o decano rebate: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”
Ao seguir com sua fala, Gilmar volta a apontar inconsistências na ação de Mendonça: “Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos. E eu já tive a oportunidade de dizer a vocês e dizer ao presidente da República, que separem o Supremo das eleições e não tentem envolver o Supremo nas eleições. O contrário do que se faz aqui e se deram muito mal porque são aprendizes de feiticeiro.”
“Tentaram arrastar o Tribunal para este tipo de prática e pensaram que iriam ficar impunes”, sustentou o decano. Em sua fala, Gilmar menciona ainda que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
Uma série de vazamentos de conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro atingiram em cheio o ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro inclusive indica que vai se declarar impedido de votar no julgamento que ocorre na manhã desta terça-feira (15), depois de revelações sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil de Vorcaro a seu filho, o advogado Kevin Marques, além de supostos encontros com mulheres.
De acordo com os vazamentos, conversas do celular de Vorcaro mostram que uma mulher identificada como Rayanna tratou com o ministro Kássio Nunes de um encontro com mulheres e, dias depois, afirmou que uma delas “ficou com o kassio”. Esa mulher teria depois cobrado R$ 10 mil após o suposto encontro com o ministro, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Informações divulgadas pela jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles, em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna pergunta a Daniel Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Na sequência, avisa: “As meninas estão prontas”.
Vorcaro responde indicando um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, em São Paulo. Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna volta a falar com o banqueiro sobre o que havia ocorrido naquele dia.
“A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”, pergunta. Em seguida, afirma: “Ela disse que ficou com o kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.
Vorcaro responde pedindo as informações para o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”.
“10 né!”, responde Rayanna. Depois, acrescenta: “Ela ficou com ele” e envia um endereço de e-mail.
Segundo Andreza Matais, em outro trecho do material extraído do celular de Vorcaro, sem relação estabelecida com a conversa de Rayanna, aparece o número de telefone do ministro Kassio Nunes Marques. Em mensagem enviada em dezembro de 2024, o ministro pede ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias para cinco pessoas.
“Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias, entre 8 e 18 de janeiro, para 5 pessoas”, diz.
A reportagem do site Metrópoles revela ainda uma outra mensagem, em que o operador de viagens de Daniel Vorcaro, Leonardo Serrano Giunchetti, aparece perguntando ao banqueiro se ele deve cobrar do banqueiro pela viagem de um cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, pergunta.
Caso o ministro Kássio Nunes Marques se declare impedido de votar na sessão desta terça, já são pelo menos três magistrados que ficariam de fora. Além de Kássio, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli não participarão da votação.
O grupo ligado a Alexandre de Moraes também via pedir a suspeição do ministro André Mendonça para votar, e ainda há a possibilidade de Luiz Fux também não participar, por conta de vazamentos que mostram ligação de seu filho com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux trocou mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e chegou a se referir ao dono do Banco Master como “irmão”. A informação faz parte do conteúdo presente no celular do ex-banqueiro, que foi compartilhado com os membros da Corte nesta segunda-feira (14), e publicado pela jornalista Raquel Lopes, da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (15).
Nas mensagens, o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, possuía diversas conversas com Vorcaro, a quem se refere como "irmão". As mensagens revelam encontros presenciais e conversas entre o filho de Fux e Vorcaro. Rodrigo também teria articulado a participação do pai em um evento ligado ao banqueiro em Londres.
Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?"; em novembro, ao avisar que estava disponível para uma chamada, escreve "Vamos irmão? Liberei".
Em uma das mensagens, em 4 de dezembro de 2024, quando os dois tentavam combinar um encontro no escritório do filho de Fux, no Rio de Janeiro, Vorcaro disse que só conseguiria ir ao local às 14h, e Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para recebê-lo. Após confirmar o horário, escreveu: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!.
Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: "Quero te chamar pra me ajudar num caso". Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.
Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se encontrar em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao deixar o tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, afirmou que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou então o endereço de uma casa no Lago Sul.
No dia 25 daquele mês, Rodrigo fez referência a outro compromisso. "Já está a par do encontro de hoje né?", perguntou. Vorcaro respondeu: "Sim! Vc é fera". "Será um grande dia", afirmou o advogado.
O ministro Luiz Fux, por sua vez, é mencionado em uma conversa no dia 11 de março. Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava "alinhar algumas questões" e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.
Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. "Fechado", respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: "Bom dia. 10:30hs tô aí".
Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: "Qual a data de Londres mesmo?". Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim". O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: "Vou pedir!".
O ministro Luiz Fux e o filho, Rodrigo, não se manifestaram publicamente até o momento. As informações são da Folha de S. Paulo.
As mensagens que constam no celular de Daniel Vorcaro, que foi entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que o ex-banqueiro teria realizado pagamentos ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques. O conteúdo foi divulgado aos membros da Corte nesta segunda-feira (14), e foi publicado pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (15).
As mensagens foram trocadas com Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, e o ex-banqueiro. Nela, Rennó fala em pagamentos mensais de R$ 500 mil que seriam feitos por meio da Consult Inteligência Tributária.
Em março, o jornal o Estado de S. Paulo revelou que Kevin Marques, que tem 25 anos, havia recebido R$ 282 mil da mesma empresa. O escritório de Kevin afirmou na época que o pagamento era lícito e decorrente do exercício regular da advocacia, com atuação voltada ao fisco.
Na primeira mensagem que cita o filho de Nunes Marques, o diretor Rennó repassa a Vorcaro, no dia 1 de outubro de 2024, a informação de que o STF tinha tomado uma decisão favorável à empresa, que reconhecia a responsabilidade da União sobre prejuízos causados a usinas do setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990.
Com isso, a União teria que pagar indenizações bilionárias às usinas. Vorcaro tinha negócios e interesse na área.
Na ocasião, votaram a favor da tese os ministros Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Ficaram vencidos Gilmar Mendes e André Mendonça.
Em seguida, Rennó envia o print com os contatos de Kevin Marques, e embaixo a legenda: "Dominado aqui".
No ano seguinte, em 4 de julho de 2025, Rennó volta a falar do assunto com Vorcaro. Ele envia o print com os mesmos contatos de Kevin Marques e escreve: "Esse aqui _ 500 mil mês - mantém? Kkkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?". Vorcaro responde: "Kkkkkkk".
Em 8 de agosto de 2025, Rennó diz a Vorcaro: "Dos pagamentos essenciais está faltando a Consult". Em seguida, envia o mesmo print com os contados de Kevin Marques, e escreve: "Aqui. Esse aí. Único 'meu' que faltou".
O ministro Kassio Nunes Marques não se manifestou e a assessoria de Kevin afirma que ele não prestou serviços para o Master nem recebeu dinheiro de Vorcaro.
Por conta da decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, de pedir ao ministro André Mendonça que retirasse o sigilo do processo que reúne detalhes sobre a rede de pagamentos do banqueiro Daniel Vorcaro, veio à tona a informação sobre um pedido da Polícia Federal que há seis meses está parado na mesa do relator da investigação sobre o Banco Master.
Em 10 de março deste ano, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça que ele revelasse integralmente dados de um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que apontaria pagamentos do ecossistema de Daniel Vorcaro a uma autoridade com foro privilegiado. O relatório de inteligência financeira elaborado pelo Coaf ocultava, com tarjas, o nome da autoridade mencionada.
No pedido feito a Mendonça, a PF pediu autorização para ter acesso ao documento completo do Coaf, sem as tarjas, para que se soubesse o nome da autoridade implicada no esquema de pagamentos. Passados seis meses do pedido, o ministro não permitiu à PF saber o nome da autoridade envolvida.
Em seu ofício encaminhado em março a Mendonça, a Polícia Federal registrou de forma expressa as razões técnicas que tornavam indispensável a intervenção do relator:
“A cautela do Coaf em não compartilhar automaticamente dados que envolvam autoridades com foro por prerrogativa de função alinha-se ao respeito às regras de competência jurisdicional. Todavia, considerando que a presente investigação criminal já tramita regularmente perante este Supremo Tribunal Federal, o juízo competente para supervisionar a higidez das provas e autorizar o acesso a dados sigilosos é, indubitavelmente, Vossa Excelência”, afirma o pedido.
Mesmo com a justificativa, o ministro André Mendonça manteve o requerimento paralisado. No volume de 13 páginas elaborado pelo Coaf, as tarjas pretas encobrem os beneficiários diretos que possuem foro privilegiado, beneficiados com repasses sistemáticos efetuados por empresas e operadores ligados a Fabiano Zettel, cunhado e apontado como braço financeiro de Vorcaro. Entre as entidades que figuram na malha de transações está a Igreja da Lagoinha Belvedere, instituição fundada por Zettel.
Fontes ligadas à investigação ouvidas pela reportagem do jornal O Globo afirmam que a autoridade mencionada no relatório seria um ministro do Supremo Tribunal Federal. Entre o grupo do ministro Alexandre de Moraes, há a aposta de que se trate do ministro Dias Toffoli.
Toffoli já havia sido citado em outro relatório da PF, de cerca de 200 páginas, que listava supostas ligações com Daniel Vorcaro. Entre os pontos mencionados estava a compra de uma participação avaliada em R$ 35 milhões na empresa que controlava o resort Tayaya, ligado à família do ministro.
Esse relatório, no entanto, foi arquivado pelo presidente do STF em uma sessão secreta realizada em fevereiro deste ano.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Carlos Viana
"Agora, imagina se fosse alguém da direita. Uma cantora fazendo lá o 22 no palco. Seriam pelo menos 24 horas para se explicar, depois multa, prisão, condenação e Deus sabe o que mais de perseguição".
Disse o senador e candidato à reeleição por Minas Gerais, Carlos Viana (PSD) ao afirmar que vai denunciar a cantora baiana Ivete Sangalo por suposta promoção de “showmício” ao declarar apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio de um gesto com as mãos. O parlamentar confirmou a denúncia em vídeo publicado nas redes sociais nesta terça-feira (29).