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Artigos

Leonardo Góes
Mérito técnico: o critério que falta nas indicações da ANA
Foto: Acervo pessoal

Mérito técnico: o critério que falta nas indicações da ANA

Em 16 de setembro de 2026 encerrou-se o sistema de rodízio adotado, de forma inusual, pela Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) desde janeiro daquele ano, diante da vacância do cargo de Diretor-Presidente. Ao longo desses meses, quatro diretores se revezaram na Presidência interina da Agência. Encerrado esse modelo, volta a valer a regra ordinária: exerce a interinidade o Diretor com o menor tempo de mandato restante. É por essa regra que, a partir de 16 de outubro, assumo pela segunda vez a Presidência interina da ANA — agora na condição de Diretor nomeado e de servidor público federal de carreira, com mais de duas décadas dedicadas ao serviço público efetivo.

Multimídia

Angelo Coronel rejeita ideia de Senado como “puxadinho” do Planalto e diz que não será “chapa-branca” de presidentes

Angelo Coronel rejeita ideia de Senado como “puxadinho” do Planalto e diz que não será “chapa-branca” de presidentes
Durante entrevista ao podcast Projeto Prisma, do projeto Vota BN, nesta segunda-feira (24), o senador Angelo Coronel (Republicanos) afirmou que o Senado Federal não pode atuar como um "puxadinho" do Poder Executivo e declarou que não pretende exercer um mandato "chapa-branca" para o governo de plantão.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

banco master

Zanin ordena que PF entregue íntegra de celular de Vorcaro antes de julgamento
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) entregue, até as 23h deste domingo (13), uma cópia integral do celular apreendido de Daniel Vorcaro. O aparelho é um iPhone 17 Pro recolhido durante a primeira prisão do banqueiro, em novembro de 2025.

 

A ordem foi encaminhada ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e comunicada ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin. Zanin afirmou que precisa ter acesso ao conteúdo completo para formar sua convicção antes do julgamento marcado para terça-feira (15). A decisão ocorre em meio à divergência entre ministros sobre o compartilhamento do espelhamento do aparelho.

 

André Mendonça havia defendido, em ofício, que a abertura de todo o conteúdo poderia “tumultuar” o julgamento e prejudicar o andamento das investigações. Segundo ele, os ministros já teriam recebido o material necessário para a análise. Zanin rebateu o argumento e afirmou que não existe hierarquia entre os ministros do STF.

 

A disputa ocorre às vésperas da análise, pelo plenário do STF, de mensagens extraídas do celular de Vorcaro relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes. O caso envolve a apuração de informações ligadas ao Banco Master e ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Vorcaro recebeu pedido de reunião com Flávio no dia em que Eduardo Bolsonaro anunciou que iria morar nos EUA
Foto: Montagem com fotos da Agência Senado, divulgação e reprodução redes sociai

A retirada do sigilo do inquérito relacionado ao filme “Dark Horse” trouxe, entre outras revelações, uma mensagem apreendida no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que cita um pedido de reunião dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro no mesmo dia em que o então deputado federal anunciou que iria morar nos Estados Unidos. Essa mensagem foi enviada pelo publicitário Thiago Miranda a Vorcaro em 18 de março do ano passado. 

 

Segundo relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito que apura o financiamento do filme, o publicitário, que intermediou as tratativas sobre o filme, enviou mensagem a Vorcaro às 9h34 do dia 18 de março de 2025. Disse Thiago Miranda: “Flavio B e Eduardo querem marcar uma agenda com vc. Filme”.

 

No mesmo dia, Eduardo Bolsonaro fez uma postagem às 11h37, convocando seguidores para uma live na qual acabou por anunciar que havia decidido morar nos Estados Unidos. Um dia depois do anúncio, o então deputado afirmou, em entrevista à CNN, que cogitava inclusive abrir mão do seu mandato, segundo ele, porque não tinha “tranquilidade para voltar ao Brasil”. 

 

O relatório não informa qual foi a resposta do dono do Banco Master sobre o pedido de reunião e nem se ela ocorreu. O primeiro repasse de verbas a mando de Vorcaro foi feito pouco mais de um mês antes do anúncio de Eduardo. 

 

Outros dois repasses foram realizados seis dias depois, segundo o relatório. O documento foi tornado público pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O dinheiro para o filme “Dark Horse foi repassado por Vorcaro por meio da empresa Entre Investimentos, que enviou os valores para o fundo Havengate, nos Estados Unidos. O fundo é controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

 

O então deputado Eduardo Bolsonaro estava nos Estados Unidos desde 27 de fevereiro de 2025. Na época, aquela era a sua quarta viagem ao país no início de ano, todas pagas com recursos próprios. Quando Daniel Vorcaro fez o seu primeiro repasse para o filme, de US$ 2 milhões, em 13 de fevereiro de 2025, Eduardo estava em sua terceira ida aos EUA. 

 

Em 24 de fevereiro, o deputado do PL foi a uma conferência nos Estados Unidos e passou duas semanas em um périplo para falar com autoridades americanas sobre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, meses depois sancionado pela Lei Magnitsky.

 

A data do primeiro pagamento é posterior ao que foi combinado na proposta de financiamento: seriam 14 parcelas repassadas todo dia 5 — sendo as duas primeiras no valor de US$ 2 milhões em janeiro de 2025 e outras 12 de US$ 1,66 milhão, como mostra documento anexado pela PF.

 

Em nota à imprensa, Eduardo Bolsonaro diz que nunca conversou ou se reuniu com Vorcaro e nega qualquer relação entre sua mudança para os EUA e o dinheiro do filme. Já a equipe de Flávio vem repetindo a afirmação de que ele não cometeu irregularidades e defende o fim do sigilo da investigação.
 

Jaques Wagner se recusa a fornecer senhas de celulares à PF
Foto: Reprodução / Agência Brasil

O senador Jaques Wagner (PT-BA) se recusou a fornecer à Polícia Federal as senhas de dois celulares apreendidos em sua casa, em Salvador, durante a nona fase da Operação Compliance Zero. 

 

A informação consta de relatório da PF tornado público após a retirada de sigilo determinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os aparelhos foram recolhidos durante a busca, realizada em 18 de junho. 

 

“O investigado negou o fornecimento de senhas dos aparelhos”, registraram os agentes.

 

Durante a busca, os policiais também encontraram R$ 16,5 mil, US$ 16.795 e € 39.675 em espécie, além de relógios de alto valor. Parte do dinheiro estava em uma mala atribuída ao senador; outra, em um cofre no closet de sua mulher.

 

Wagner disse aos agentes que o dinheiro era usado em viagens e que havia comprado os relógios ao longo dos anos. Segundo a PF, porém, ele não apresentou notas fiscais dos bens.

 

A investigação apura a relação de Wagner com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, e suspeitas de que o senador tenha recebido vantagens de empresários ligados ao Banco Master.

 

“Chamou ainda a atenção a grande quantidade de relógios de alto valor na residência do investigado. Questionado sobre as suas aquisições, informou que adquiriu ao longo dos anos, contudo, não apresentou nota fiscal de qualquer bem. Assim, foram arrecadados e posteriormente apreendidos os bens referidos no presente Relatório, cujo valor econômico somente poderá ser aferido com precisão após a realização das perícias cabíveis”, escreveu a PF.

 

A PF identificou ainda ao menos 74 ligações entre Jaques Wagner e Augusto entre novembro de 2023 e maio de 2025. As conversas duraram mais de cinco horas e meia no total. Os investigadores destacaram a preferência dos dois por ligações telefônicas.

 

A relação entre os dois também aparece nas tratativas para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador para a filha de Wagner, em novembro de 2024, o senador encaminhou a Augusto o contato de um gerente da construtora responsável pelo empreendimento.

 

Em dezembro de 2025, Daniel Monteiro, advogado do Banco Master, escreveu a Guilherme Sodré, homem de confiança de Wagner, que “a altura do vão é 2,45m”. 

 

Para a PF, a mensagem sugere o uso de linguagem cifrada para dificultar a compreensão do conteúdo. O senador admitiu em junho que tratou da compra do imóvel com Augusto. 

 

“Eu tinha interesse em dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento desses. Como Guga, o Augusto Lima, é um investidor, eu disse a ele: ‘Você pode comprar? Depois eu vou recomprar’ Porque o apartamento está em construção. E eu teria que vender o apartamento de minha filha para poder complementar o apartamento ou ela financiar”, disse na ocasião.

Fachin derruba Mendonça e assume relatoria e assume inquéritos do Master e INSS
Foto: Reprodução / Victor Piemonte/STF

O ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, assumiu neste sábado (12) a relatoria do caso que avalia a abertura de um inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. Na semana que vem, o plenário do Supremo vai decidir se abre a investigação contra Moraes após documentos liberados por André Mendonça associarem a figura do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao vice-presidente do STF.

 

Em decisão tomada já na noite deste sábado, Edson Fachin retirou o processo das mãos do ministro André Mendonça e o transferiu para a presidência da Corte. A transferência da relatoria foi fundamentada nas regras internas do tribunal, já que o regimento do STF estabelece que apurações preliminares contra magistrados da própria Corte devem ser conduzidas por seu presidente.

 

Na mesma decisão, ele pediu o envio das íntegras dos processos das investigações do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. Com isso, ele paralisa os andamentos dos dois casos.

 

O plenário do STF decidirá na próxima terça-feira (15) o futuro do caso de Moraes. Os ministros deverão definir, em transmissão ao vivo, se abrem uma investigação formal contra o magistrado ou se determinam o arquivamento do pedido.

 

Influenciadora tem conta suspensa após post sobre festa de Daniel Vorcaro
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma influenciadora de música eletrônica foi às redes sociais para anunciar que teve seu perfil suspenso após o ex-banqueiro Daniel Vorcaro pedir que o Instagram retirasse uma publicação sobre festa privada na Madame Satã, em São Paulo. Ana Raquel dos Santos Ribeiro produzia conteúdo sobre música eletrônica, reunindo notícias, datas de eventos, escalações de DJs e venda de ingressos. Seu perfil desapareceu do Instagram em 10 de novembro de 2023, comprometendo sua produção de conteúdo e fonte de renda.

 

Segundo Ana, no dia 1º de novembro de 2023, antes da suspensão, ela havia publicado um vídeo de uma festa na boate Madame Club, conhecida como Madame Satã em São Paulo, acompanhado da legenda "Quando eu for rico, haverá sinais." A festa em questão foi a festa articulada por Vorcaro e revelada pela reportagem da revista Piauí.

 

Ana não esteve na festa mostrada no vídeo. Ela disse à BBC News Brasil que apenas noticiou o ocorrido depois de acessar o material por meio de um técnico de som que teria trabalhado e publicado sobre o evento. "Na época ninguém entendia do que se tratava", afirmou a influenciadora.

 

Em setembro daquele ano, antes da suspensão da conta, Ana havia deixado o emprego de contadora para se dedicar unicamente ao perfil. Sua renda vinha de comissões sobre a venda de ingressos, divulgação de festas e criação de conteúdo. À época, o perfil já contava com cerca de 13 mil seguidores e alcançava mais de 425 mil contas.

 

As informações sobre a suspensão da conta de Ana constam de uma ação judicial apresentada em 2023 contra Facebook Serviços Online do Brasil Ltda., empresa do grupo Meta que figurou como ré no processo. A BBC News Brasil teve acesso à íntegra dos autos. Depois que a conta caiu, o Instagram informou que ela deveria recorrer e provar que não era um robô. Após judicializar o processo, a contadora conseguiu reaver a conta no final de novembro.

 

EVIDÊNCIAS DE INTERVENÇÃO

 

Durante a investigação e perícia ao celular do ex-banqueiro do Banco Master, durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, investigadores analisavam conversas mantidas por Vorcaro com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado no celular como "Felipe Mourão", também conhecido como Sicário. Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão atuava como executor de determinações de Vorcaro, acessando informações sigilosas, intimidando pessoas e tentando controlar conteúdos publicados na internet.

 

A postagem de Ana aparece em uma seção intitulada "Monitoramento e manipulação de perfis em redes sociais." Nesse trecho, a PF apresenta diferentes situações em que Vorcaro pede a Mourão que acompanhe, retire ou tente derrubar conteúdos considerados inconvenientes.

 

Em 3 de novembro de 2023, Vorcaro encaminhou a Mourão o link do vídeo publicado dois dias antes por Ana. "Derrubar esse", escreveu o banqueiro. Mourão respondeu "Bom dia" e "Sim." Vorcaro esclareceu que não queria a remoção de todo o perfil de Ana: "Só o post." Mourão afirmou que já havia feito um pedido relacionado ao Instagram, mas Vorcaro voltou a corrigi-lo: "Insta não. Só o post." Sete dias depois daquela conversa, a conta inteira da influenciadora foi suspensa pelo Instagram.

 

 

 

 

 

Caso Master: STF autorizou interceptação telefônica do senador Jaques Wagner
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a interceptação telefônica do senador Jaques Wagner (PT-BA) no âmbito das investigações relativas ao caso Master. Os dados constam em relatório da Polícia Federal tornado público após o presidente do STF, o ministro Edson Fachin, determinar a retirada do sigilo dos autos do caso Master, nesta sexta-feira (11). 

 

Segundo informações da CNN, a decisão sobre o monitoramento foi proferida em 17 de junho de 2026. A Polícia Federal aponta uma proximidade entre o parlamentar e Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, indicando a existência de uma relação de confiança que favoreceria tratativas de interesse da instituição financeira.

 

As investigações citam a suspeita de recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo senador, de forma direta ou indireta. Entre os pontos apurados pela Polícia Federal estão a aquisição de um apartamento em Salvador em favor do parlamentar, repasses financeiros e indícios de atuação legislativa em pautas correlatas aos interesses do banco.

 

A determinação judicial alcançou também Augusto Ferreira Lima e outros investigados no processo. A medida ficou restrita ao acesso a metadados e registros técnicos — como estações rádio base (ERBs), números de identificação de aparelhos (IMEI), histórico de chamadas e dados de conexão —, sem incluir a interceptação do conteúdo das conversas ou mensagens.

Fachin nega julgar Moraes e Mendonça juntos e marca sessão do relator do Master para 23 de setembro
Foto: SCO / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, negou o pedido do ministro Alexandre de Moraes para julgar de forma unificada duas investigações paralelas sobre o caso Banco Master. A decisão foi oficializada neste sábado (12).

 

Com a decisão, Fachin manteve a realização da sessão Plenária da próxima terça-feira (15) dedicada exclusivamente ao processo relativo a Moraes e agendou para 23 de setembro a análise do caso que envolve a conduta do ministro André Mendonça.

 

Moraes havia apresentado um requerimento à Presidência alegando o "risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual", caso os processos fossem apreciados separadamente.

 

O presidente da Corte, no entanto, explicou que os dois casos estão em fases diferentes: o processo sobre as mensagens relativas a Moraes já se encontrava pronto e liberado para julgamento pelos ministros; enquanto o processo sobre a conduta de Mendonça ainda possui prazos abertos para a colheita de informações e manifestações formais.

 

No caso da apuração sobre as mensagens de Alexandre de Moraes, o STF analisa informações da Polícia Federal (PF) sobre contatos e mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ministro.

 

Já a investigação sobre a conduta de André Mendonça reúne relatórios da Polícia Federal (PF) sobre a atuação do próprio André Mendonça na condução das operações. O relatório trata de suspeitas levantadas pela PF quanto à imparcialidade e a um suposto direcionamento seletivo das apurações contra alvos políticos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o próprio Moraes.

 

Nesse cenário, Fachin concluiu que levar o segundo processo ao Plenário antes do fim dos prazos inviabilizaria a análise, optando por marcá-lo para o fim de setembro.

Relatórios revelam que Vorcaro gastou US$ 55 mi em turismo de luxo em menos de um ano
Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro desembolsou US$ 55,3 milhões com serviços de turismo e eventos de luxo na empresa Signature Luxury Services LLC em um período inferior a um ano. As informações constam nos relatórios do inquérito do caso Master, que tiveram o sigilo suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (11).

 

Segundo informações do g1, a empresa de turismo enviou esclarecimentos ao ministro André Mendonça, relator do processo, descrevendo Vorcaro como um de seus clientes mais assíduos e exigentes. As contratações abrangiam locação de jatinhos, iates, vilas de alto padrão para temporada, serviços de concierge e contratação de artistas renomados. 

 

Os valores foram revelados por um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central, com informações fornecidas por instituições financeiras. Os repasses ocorreram entre novembro de 2024 e dezembro de 2025 por meio de uma corretora sediada nas Bahamas, chamada Mosaic Financial Ltd.

 

Entre as viagens analisadas pela Polícia Federal (PF) estão um deslocamento para Nova York, em maio de 2024, durante a semana do evento "Person of the Year", e uma estadia na estação de esqui de Courchevel, nos Alpes Franceses, em janeiro de 2025. Ambas as viagens tiveram despesas pagas por Vorcaro para convidados, incluindo o senador Ciro Nogueira (PP-PI).

 

Conforme a apuração da PF, os benefícios econômicos obtidos pelo parlamentar com hospedagens em hotéis de alto padrão, jantares, vestuário de inverno e traslados internacionais alcançaram ao menos R$ 468 mil. 

 

Na representação enviada ao STF, os investigadores afirmam que a relação entre o ex-banqueiro e o senador possuía caráter "funcional e instrumental", na qual o parlamentar atuaria em defesa de interesses do empresário em troca de vantagens e despesas custeadas.

Mansur cobra transparência sobre citação de ACM Neto em caso envolvendo R$ 200 mi do Banco Master
Foto: Reprodução / Instagram @ronaldomansur.psol

O candidato ao Governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL-Rede) usou as redes sociais nesta quinta-feira (10) para cobrar esclarecimentos sobre a suposta citação de ACM Neto em uma proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

 

Mansur afirmou que o documento mencionaria o pagamento de comissões de 10% sobre aportes feitos por institutos de previdência, com valores que poderiam chegar a R$ 200 milhões. O candidato defendeu que os fatos sejam esclarecidos antes das eleições. “A Bahia que eu quero é construir ao lado do povo, com transparência, responsabilidade e ficha limpa”, afirmou o candidato.

 

O candidato do PSOL-Rede ainda classificou como graves as acusações atribuídas a Vorcaro e disse que os baianos precisam conhecer o conteúdo das denúncias envolvendo o ex-prefeito de Salvador.

 

ASSISTA:

André Mendonça atende à PGR e retira sigilo de investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e Jaques Wagner; saiba mais
Foto: Reprodução / STF / Agência Brasil / Roque de Sá / Agência Senado

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu no início da noite desta sexta-feira (11) derrubar o sigilo de investigações de grande repercussão política derivadas do caso do Banco Master. A decisão atendeu a um pedido formal encaminhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e tornou públicos inquéritos que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL), o senador Ciro Nogueira (PP), o senador baiano Jaques Wagner (PT) e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

 

A manifestação que motivou a decisão foi assinada pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho. A PGR havia sustentado que diversos procedimentos vinculados à apuração mais ampla da Operação Compliance Zero não constavam na lista inicial de processos cujo sigilo havia sido suspenso pelo relator na quinta-feira.

 

Essa quebra dos sigilos de outros processos foi revelada pelo Jornal O Globo. Com a retirada do segredo de Justiça, Mendonça atende ao pedido de Fachin (presidente da corte) e deixa os processos públicos com os detalhes das apurações específicas sobre a conduta das autoridades citadas:

  • Flávio Bolsonaro (PL): O inquérito investiga o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme os relatórios de investigação, o senador teria atuado como "interlocutor direto" com o empresário Daniel Vorcaro na captação de recursos, que seriam geridos nos Estados Unidos pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Flávio e Eduardo Bolsonaro negam qualquer irregularidade;
     
  • Ciro Nogueira (PP): A apuração examina a suposta atuação do parlamentar no Congresso Nacional em favor do Banco Master e de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta suspeita de pagamento de vantagens financeiras ao senador além da evidente proximidade dos dois;
     
  • Cláudio Castro (PL): A investigação apura possíveis irregularidades no repasse de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do estado do Rio de Janeiro, para papéis do Banco Master. Os investigadores sustentam que houve manobra na gestão do fundo para viabilizar operações classificadas como de alto risco. Castro nega ter cometido atos ilícitos;
     
  • Jaques Wagner (PT): O procedimento apura a relação do senador com o ex-sócio da instituição financeira Augusto Lima. A investigação aponta suspeitas de repasses a uma empresa ligada a familiares do parlamentar e à compra de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner, por sua vez, nega a concessão de benefícios ao banco ou a prática de ilícitos e segue sendo defendido pelo presidente Lula.
Mendonça nega ter sido seletivo ao liberar dados do caso Master e justifica que o caso estaria em apuração
Foto: Fellipe Sampaio / STF / Ascom da SCO

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter atuado de forma seletiva ao levantar parcialmente o sigilo das investigações relativas ao caso do Banco Master. A manifestação foi formalizada em despacho proferido na Petição (PET) 16.704, apresentado após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, acolher um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e fixar o prazo de 24 horas para a liberação dos procedimentos ligados ao processo.

 

No documento encaminhado à presidência do STF, obtido pelo Bahia Notícias (BN), Mendonça afirmou ter atendido às determinações de Fachin e tornado públicos os procedimentos diretamente relacionados à pauta de julgamento agendada para a próxima terça-feira (15).

 

O relator sustentou que a manutenção do segredo sobre determinados autos decorreu de uma análise prudente para resguardar investigações em andamento e a privacidade dos envolvidos.

 

CENTENAS DE DOCUMENTOS 
No despacho da PET 16.704, Mendonça respondeu diretamente às declarações do ministro Alexandre de Moraes sobre a suposta ausência de 180 documentos nos procedimentos vinculados à PET 15.556. O relator rebateu a tese de que teria havido ocultação de peças ou liberação parcial seletiva, algo também negado pelo diretor Andrei Rodrigues.

 

Segundo o magistrado, a diferença entre o número de peças disponibilizadas e a contagem apresentada no sistema e-digital decorre do próprio funcionamento do STF Digital e de decisões processuais, e não de omissão:

  • Desentranhamento e traslado de peças: Documentos foram remetidos a outros processos por autonomia temática ou ritos próprios, como ocorreu com a Pet 16.662, autuada a partir de elementos retirados da Pet 15.556.
  • Comunicações administrativas: O registro do sistema inclui atos processuais internos, como ofícios expedidos e mandados cumpridos, que não configuram provas ou relatórios investigativos.
  • Incongruências do sistema: O ministro anexou capturas de tela do sistema e-digital para demonstrar imprecisões no contador automático, argumentando que a tabela utilizada para apontar omissões não reflete a realidade dos autos.

 

Mendonça reiterou que todas as peças efetivamente disponíveis na PET 15.556 foram devidamente publicizadas e que a totalidade dos procedimentos com relação direta com o julgamento agendado foi disponibilizada aos gabinetes de todos os ministros.

 

SIGILO LIMITADO
Quanto à impossibilidade de liberar de forma irrestrita todos os procedimentos correlatos à PET 15.556, o relator destacou que a apuração em questão limita-se à representação policial da terceira fase ostensiva da Operação Compliance Zero.

 

De acordo com o ministro, a abertura integral de frentes paralelas violaria a proteção constitucional a dados pessoais e o sigilo bancário e fiscal de terceiros e de investigados em inquéritos em andamento.

Mensagens apontam que Daniel Vorcaro é dono de casa de apostas e de 25% de SAF do Atlético-MG
Foto 1: Divulgação/Banco Master | Foto 2: Reprodução/Instagram (@atletico)

A Polícia Federal identificou mensagens que apontam para uma suposta participação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na PixBet e na Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Atlético-MG. Segundo os diálogos encontrados pelos investigadores, Vorcaro seria proprietário da empresa de apostas e teria 25% da SAF do clube mineiro.

 

As conversas fazem parte das investigações sobre as fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master e também sobre as relações mantidas por Vorcaro com autoridades da República.

 

As mensagens foram trocadas em outubro de 2024 entre Marilson Roseno da Silva, ex-escrivão da PF investigado por integrar um grupo chamado “A Turma”, e um contato identificado como “Pk Caiava”. De acordo com a investigação, o grupo teria atuado no monitoramento e na intimidação de pessoas consideradas adversárias de Vorcaro.

 

Em áudio enviado no dia 3 de outubro, Marilson afirmou que a PixBet pertenceria ao “chefe” de São Paulo, expressão que, segundo os investigadores, seria uma referência a Vorcaro.

 

“Cara, ele não vai conseguir, esquece. Só os p… Sabe de quem é essa PixBet ai? Do chefe lá de São Paulo. Que tem 25% do Galo. Aliás, o patrocínio vai até mudar lá. Acho que no ano que vem vai ficar Pixbet. É dele. Acho que ele vai me colocar para gerenciar isso”, disse o funcionário do banqueiro, em mensagem de áudio.

 

Na sequência, “Pk Caiava” questionou quem seria o homem citado. Marilson respondeu: “É o Daniel Vorcaro, pô, que comprou 25% lá. É a SAF”.

 

As investigações também identificaram referências a outro integrante ligado ao grupo. Em uma das conversas, “Pk Caiava” mencionou “Mexirica”, apontado como alguém que trabalharia para Vorcaro. A PF identificou o apelido como sendo de Felipe Mourão, que também seria conhecido como “Sicário” e, segundo os investigadores, teria atuado ao lado do banqueiro nas fraudes atribuídas ao Banco Master.

 

 INGRESSOS PARA FAMÍLIA DE MORAES
Outro conjunto de mensagens apreendidas pela PF indica que Vorcaro teria buscado ingressos VIP para os filhos do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes acompanharem uma partida entre Atlético-MG e Grêmio, disputada na Arena MRV, em maio de 2024.

 

Para os investigadores, a iniciativa seria mais um elemento relacionado à proximidade entre Vorcaro e Moraes. O ministro entrou no radar da investigação porque o escritório de advocacia de sua esposa firmou um contrato de R$ 131 milhões para prestar serviços ao banqueiro.

 

Em novembro do ano passado, o Atlético-MG informou o afastamento de Vorcaro da SAF, responsável pela administração do clube. Na ocasião, a equipe declarou que a medida ocorreu em razão de “fatos de conhecimento público que geraram impedimentos para o exercício regular de suas funções”.

Vorcaro organizou festa com 120 mulheres e convidou Alcolumbre e Toffoli
Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro organizou uma festa com 120 mulheres na boate Madame Underground Club, conhecida como Madame Satã, em São Paulo, em 2023. Segundo as informações obtidas e divulgadas pela revista Piauí nesta sexta-feira (14), a exigência, que foi registrada em mensagens do dono do Banco Master, era que a confraternização tivesse “só menina nova”. 

 

Conforme a reportagem, o banqueiro escalou o ex-ministro de Jair Bolsonaro, Fábio Faria, e o promotor de eventos, Tiago Polo, para a organização da festa, que ocorreu no dia 31 de outubro, com o tema de Halloween. Segundo as conversas de Vorcaro com a dupla, Faria teria sido responsável por convidar os poucos homens da lista de convidados e Polo convocou as presenças femininas. No fim, a festa contou com a presença de 20 homens e 120 mulheres. 

 

As conversas, que constam em um relatório da Polícia Federal (PF), ocorreram no WhatsApp e começaram no dia 24 de outubro, terça-feira, exatamente uma semana antes da festa. Em uma delas, Faria relata a Daniel Vorcaro que convidou os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) (STF), Dias Toffoli. 

 

“Davi e Pacheco fechado para terça. Chamei Toffoli tb”, diz ele. Em seguida, Faria escreveu a Vorcaro: “Davi tá louco perguntando se as suíças vão vir. Se der vms trazer. E na segunda quero ir lá no banco com os meus sócios do escritório.” Em resposta à presença das “suíças”, Vorcaro respondeu: “Virão, sim.”. 

 

No dia seguinte, Vorcaro trocou mensagens com Tiago Polo. “Irmão, costurei várias agências pra gente conversar. Mega, Ford, Joy, enfim quando quiser retomar esse assunto, me fala”, escreveu Polo a Vorcaro. A mensagem faz referência ao recrutamento de mulheres para a noite de Halloween. O banqueiro mencionou uma quarta agência: “Irmão, a ideia da Allure é boa, mas não queria ninguém de fora nessa festa. De homem. Vai ter uma turma relevante pra mim, não quero ninguém desconfortável.”

 

No mesmo dia 25, o dono do Master questionou Fábio Faria: “Fala, irmão. Tudo bem? Me passa depois quem tá confirmado. Só pra eu ter uma ideia de número.” Faria então repisou que “Davi e Pacheco” estavam confirmados e disse que: “Toffoli também vai tentar pq preside uma sessão na terça.” 

 

Nas mensagens, Vorcaro pergunta sobre a presença de outra pessoa: “Ciro não?”, perguntou, numa provável referência ao senador Ciro Nogueira. Faria respondeu que o senador tinha uma viagem agendada.

 

Fábio Faria escreveu que uma pessoa de iniciais “MV” iria ligar para Vorcaro para perguntar se poderia “chamar o Wesley”. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né.” A reportagem do Piauí detalha que MV pode ser uma referência às iniciais do advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho, que trabalha para os irmãos Wesley e Joesley Batista e já atuou para o banqueiro.

 

Posteriormente, Vorcaro pediu para Faria confirmar se Wesley iria à festa, e depois deu mais garantia quanto à privacidade do evento: “Se vazar, eu tô morto. Peguei equipe só de controle disso. Não vai vazar nada. Não será primeira nem última.” Depois, Vorcaro explicou: “E outra: festa vai ser bacana, não é festa de putaria. Se alguém falar algo, era evento do banco para parceiros de Halloween.”

 

No dia seguinte à festa, as mensagens de Daniel Vorcaro revelam que a festa foi parcialmente vazada. Uma das convidadas teria postado em sua conta no TikTok um vídeo com o título “MELHOR FESTA DE HALOWEEN”. 

 

A cópia, que consta no relatório da PF, mostra uma mulher loira. Vorcaro escreveu para Tiago Polo: ‘Cara, quem é essa puta?” Polo respondeu se tratar de uma “amiga do Lukas”, para depois escrever “pqp”. A mulher, que seria amiga do Lukas, teria violado a proibição de comentar sobre a festa em público. Vorcaro determinou: “Vai tomar no cu. Manda tirar agora. Isso. Agora.” Polo diz ter o contato dela e que iria ligar. O post foi apagado. 

 

Os seguranças contratados por Vorcaro impediam que convidados fizessem fotos mesmo do ambiente externo, da fachada da boate. 

 

DECLARAÇÕES
À revista Piauí, um grupo de sócios donos das agências citadas por Faria e Vorcaro negou a disponibilização de modelos para essa festa. Eli Hadid, da agência Mega; Liliana Gomes, sócia da Joy; Décio Restelli Ribeiro, presidente da Ford Models no Brasil, e Felipe Nisti, dono da agência Allure, disseram não trabalhar com esse formato de agenciamento. 

 

Já Fábio Faria disse, em nota enviada à Piauí, que sua participação na festa se restringiu ao envio de convites, e nada mais. “[Faria] conheceu Daniel Vorcaro em um fórum empresarial, em outubro de 2023. Dias depois, a pedido do anfitrião, transmitiu convites a amigos em comum para um evento privado. Sua participação se limitou a isso.” O advogado Marcos Vinícius, por sua vez, falou que MV não é ele. Contou que, na data da festa de Halloween, estava fora de São Paulo. Tiago Polo não se manifestou. 

 

A assessoria de Wesley Batista afirmou: “Não há qualquer elemento que permita identificar Wesley Batista como o ‘Wesley’ mencionado nas mensagens. O que se pode afirmar categoricamente é que Wesley Batista nunca participou de qualquer festa promovida por Daniel Vorcaro.” 

 

Gé Rodrigues, sócio do Madame Satã, falou que nunca houve locação da sua boate para o nome de Vorcaro. “Não compactuo com nada disso que estou vendo no noticiário, somos uma casa underground. Foi uma produtora quem alugou”, disse. 

 

Por meio de sua assessoria, o ministro Dias Toffoli negou ter ido à festa de Vorcaro. Em nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, disse que na data de 31 de outubro de 2023 estava em Brasília, cumprindo agenda do senado. E Pacheco relatou o mesmo, com destaque ao fato de que ele presidiu a sessão do Senado no dia em questão. As assessorias tanto de Alcolumbre quanto de Pacheco dizem que, naquela noite, os dois jantaram juntos em Brasília.

Delação revela esquema de propina de Daniel Vorcaro e Reag; fundador pagará R$ 40 mi
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, declarou, em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), acordo em que o colaborador presta informações à Justiça em troca de benefícios processuais, que fundos administrados pela gestora foram usados para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, a autoridades públicas.

 

Segundo informações da Folha de S.Paulo, Mansur detalhou a participação da Reag e de fundos de investimento nas operações e identificou pessoas que teriam atuado como laranjas de Vorcaro, intermediários usados para ocultar quem de fato controlava as movimentações financeiras. A colaboração também traz informações sobre a movimentação dos recursos, valores enviados ao exterior e caminhos para a recuperação do dinheiro.

 

Parte dos recursos investigados, segundo Mansur relata na delação, está em empresas offshore, companhias registradas em países com pouca ou nenhuma tributação, conhecidos como paraísos fiscais.

 

Com a colaboração, investigadores avaliam que esses valores poderão ser devolvidos ao país sem a necessidade de alguns dos acordos com autoridades estrangeiras normalmente exigidos para a recuperação de ativos. Mansur também se comprometeu a pagar multa de R$ 40 milhões.

 

O acordo foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das investigações sobre o Banco Master, e ainda precisa ser homologado. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não seguiu nas tratativas.

 

Mansur havia apresentado a proposta de colaboração à PGR em agosto. O documento reunia ao menos 17 temas e tinha Vorcaro como principal foco. Em 2 de setembro, a PGR assinou o acordo e o encaminhou a Mendonça. É a primeira delação firmada pela Procuradoria no âmbito da Operação Compliance Zero.

ACM Neto avalia ações jurídicas após reportagem do Master e nega contato recente com Augusto Lima
Foto: Maurício Leiro / Bahia Notícias

O vice-presidente do União Brasil e candidato ao governo da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto, que se manifestou publicamente após a divulgação de um suposto vínculo com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, para viabilizar aportes de recursos públicos da instituição financeira em troca de vantagens indevidas. Em entrevista coletiva nesta quinta (10), o ex-prefeito de Salvador disse ter sido alvo de um “vazamento seletivo” e afirmou que vai avaliar providências jurídicas acerca da reportagem. 

 

 

A notícia foi divulgada pelo UOL. Segundo a reportagem, ACM Neto e o dirigente do União Brasil, Antonio Rueda, teriam recebido 10% sobre valores captados junto a institutos de previdência e empresas públicas do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas após terem “aberto as portas” para os contratos do Master com os entes públicos. 

 

No que diz respeito ás providências jurídicas sobre a reportagem, Antônio Carlos afirmou que “vai avaliar”. “Estamos avaliando, eu encaminhei para o meu advogado aqui em Salvador, pedi que ele avaliasse se cabe ou não alguma medida jurídica. Ainda não tenho essa resposta para lhe dar. Foi uma matéria veiculada hoje pela manhã, então nós vamos avaliar”, garante. 

 

Ao ser questionado sobre os vínculos com Augusto Lima, empresário baiano que seria responsável pelas intermediações dos negócios do Master com os dirigentes do União e outras figuras públicas, ACM Neto nega contato recente e diz que “espera” que o empresário não tenha utilizado seu nome em negociações. 

 

“Eu não tenho conversado com Augusto Lima e eu espero que não tenha acontecido isso. Eu não posso falar por ele, mas eu espero que não tenha acontecido isso. Agora, não tenho contato já há algum tempo com o empresário Augusto Lima”, completa.

Alexandre de Moraes fará pronunciamento nesta quinta-feira
Foto: Gustavo Moreno / STF

O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou que fará um pronunciamento no plenário da Corte, às 11h desta quinta-feira (10).

 

O pronunciamento acontece um dia após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, marcar para a próxima semana uma sessão plenária para discutir se haverá abertura de uma investigação contra Moraes por sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro.

 

Ainda ontem, Fachin também determinou a suspensão de todos os procedimentos que envolvem investigações contra integrantes da própria Corte, após sete anos de concentração desses procedimentos no âmbito do inquérito das fake news, relatado por Moraes.

 

Nos últimos dias, Moraes está sendo um dos protagonistas de uma das mais graves crises na história recente do STF que eclodiu quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revelou mais de 50 mensagens trocadas entre o Vorcaro e Moraes.

 

 

Jorge Messias faz elogios e diz que decisão de Edson Fachin contribui para harmonia entre os poderes
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, divulgou nota nesta quarta-feira (9) em que elogia a decisão tomada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que reconduziu Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal. Fachin, entre outras medidas, cancelou decisão do ministro André Mendonça que afastou Rodrigues do posto. 

 

Para Jorge Messias, o conjunto de decisões do ministro Edson Fachin contribuem para que a institucionalidade possa ser restaurada, após a escalada de uma crise que ganhou contornos graves desde que Mendonça levantou o sigilo de investigações contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito sobre o Banco Master. 

 

“A decisão restaura a ordem pública e administrativa e, sobretudo, reafirma a prerrogativa constitucional privativa do presidente da República para prover e desprover os cargos de direção da Polícia Federal”, diz a nota da AGU.

 

Jorge Messias também faz elogios diretos ao presidente do STF, a quem classifica como “reconhecidamente sóbrio e prudente”. Para o advogado-geral, a decisão desta tarde de quarta ajuda a fortalecer a confiança da sociedade no Poder Judiciário.

 

“A medida também milita em favor da harmonia entre os Poderes da República, ao reafirmar e respeitar as competências que a Constituição Federal atribui a cada um deles. Em última análise, contribui para a preservação da paz social e da estabilidade institucional”, colocou o advogado.

 

Messias ainda aproveita para rebater críticas e diz que, “ao contrário de narrativas plantadas na imprensa”, desde o primeiro momento, optou pelo diálogo institucional, pela prudência e pelo respeito às prerrogativas constitucionais dos Poderes da República, “atuando, como sempre o fez, nos limites das balizas de suas atribuições e em defesa dos interesses da União”.
 

Fachin marca sessão no plenário do STF para terça-feira para analisar impasse entre ministros
Fotos: Reprodução / STF / Agencia Brasil

Após o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), suspender nesta quarta-feira (9) a decisão do ministro André Mendonça, que havia determinado o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima terça-feira uma sessão no plenário do tribunal para tratar do caso.

 

A análise no plenário permitirá que o conjunto dos ministros da Corte se debruce sobre as deliberações e os desdobramentos mais recentes relacionados ao procedimento.

 

Essa medida liminar encerra, de forma provisória, um dos capítulos de uma crise institucional no STF iniciada a partir de investigações relacionadas ao Banco Master e que passou a envolver os ministros André Mendonça, Alexandre de Moraes e Flávio Dino, além do presidente da Corte, Edson Fachin, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do advogado-geral da União, Jorge Messias.

Ministro André Mendonça homologa acordo de delação premiada de "Mineiro"
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quarta-feira (9) o acordo de delação premiada de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro". A decisão tramita sob sigilo judicial. Com a decisão, os relatos e documentos apresentados por Mineiro poderão ser utilizados formalmente pelos investigadores, desde que sejam submetidos aos procedimentos de verificação e corroborados por outras provas.

 

Vale explicar que essa medida não significa reconhecimento automático da veracidade das informações prestadas pelo delator. O caso foi confirmado pelo portal G1. Ao homologar o acordo, o relator analisa aspectos legais, como a voluntariedade da colaboração e a regularidade do procedimento.

 

Apontado como operador financeiro ligado ao empresário Daniel Vorcaro e ao extinto Banco Master, Mineiro teria fornecido informações sobre movimentações financeiras e operações que estão sob análise das autoridades. A expectativa é que o conteúdo da colaboração possa subsidiar novas diligências, incluindo pedidos de quebra de sigilo, oitivas e eventuais desdobramentos investigativos.

 

Como o processo permanece sob sigilo, os detalhes do acordo e das declarações prestadas por Mineiro ainda não são públicos. A homologação, contudo, reforça a relevância da colaboração para o avanço das apurações conduzidas pelos órgãos responsáveis.

Em meio a crise entre ministros, Fachin cancela sessão plenária do STF
Foto: Divulgação / CNJ

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a sessão do Plenário prevista para as 14h desta quarta-feira (9). A decisão foi anunciada horas depois de o ministro Flávio Dino determinar a reintegração imediata de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada à Diretoria de Inteligência Policial.

 

O cancelamento ocorre em meio à tensão interna no STF e ao embate entre ministros sobre o comando da Polícia Federal. Havia expectativa de que os integrantes da Corte se manifestassem sobre o episódio e sobre as decisões divergentes relacionadas ao afastamento e à recondução de Rodrigues.

 

Nos últimos dias, Fachin vinha sendo pressionado a levar ao plenário controvérsias envolvendo relatórios da Polícia Federal e a atuação dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes. 

 

Entre os processos previstos para análise estava uma ação sobre o Marco Civil da Internet. O caso discute a necessidade de ordem judicial para o fornecimento de dados de registro de conexão, como o endereço de IP dos usuários. O plenário também analisaria duas ações sobre os poderes investigativos de delegados da Polícia Federal, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.

OAB abre processo disciplinar contra escritório da esposa de Alexandre de Moraes em Brasília
Foto: Ascom / MDA

A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) abriu, nesta terça-feira (8), um processo ético-disciplinar contra o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados, que pertence à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A medida foi determinada pelo presidente da entidade, Paulo Maurício Siqueira (Poli), e anunciada em uma sessão extraordinária do Conselho Pleno.

 

Segundo informações do g1, a decisão considera "os fatos recentemente tornados públicos e constantes de relatório da Polícia Federal" a partir dos dados do celular do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

 

No Cadastro Nacional dos Advogados (CNA), da OAB, constam como sócios do Barci e Barci: Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes; Giuliana Barci de Moraes, filha do casal; Alexandre Barci de Moraes, filho do casal; Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada de Moraes; e Fernanda Ghiuro Valentini Fritoli.

 

Com relação ao relatório da PF, citado por Paulo Siqueira, o relator do caso Master no STF, o ministro André Mendonça, retirou o sigilo sobre esse material no dia 1º de setembro. Os documentos mostram que Vorcaro enviou mensagens de visualização única a um número registrado no celular do ex-banqueiro como "Alexandre de Moraes BRASILIA". 

 

Conforme análise da PF, as mensagens enviadas pelo ex-banqueiro mostram uma série de relações com a família de Moraes, incluindo a discussão de dois contratos com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e Vorcaro dizendo a Moraes que tinha uma "dívida de vida" com ele.

 

Durante a sessão do Conselho Pleno, Poli afirmou que caberá ao Tribunal de Ética apreciar o que chamou de "fatos graves trazidos no relatório da Polícia Federal tornado público."

 

"A advocacia não é meio para cometimento de crimes. E a OAB-DF, na sociedade, inscrita em nossa casa, nós temos o dever de apurar esses fatos", declarou o presidente da entidade.

 

A seccional da OAB no Distrito Federal também abrirá um procedimento ético-disciplinar contra o advogado Ciro Soares. Segundo o relatório da Polícia Federal, ele intermediava a comunicação entre Vorcaro e o procurador-Geral da República, Paulo Gonet.

 

Na nota divulgada após a reunião, a entidade destaca que o procedimento "observará todas as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa” e que esses processos ético-disciplinares devem tramitar em sigilo na OAB. 

 

As punições possíveis em um processo ético-disciplinar na OAB podem incluir multa, censura e suspensão, por exemplo. A punição mais grave é a exclusão ou o cancelamento da inscrição do advogado. Ela exige voto favorável de dois terços do Conselho Pleno da seccional.

 

Em resposta as medidas, o escritório Barci e Barci Sociedade de Advogados afirmou que a OAB-DF utiliza, em "contexto eleitoral", questões que já foram "analisadas e arquivadas" pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

“O escritório Barci de Moraes lamenta que questões já analisadas e arquivadas pela PGR sejam utilizadas em contexto eleitoral na OAB/DF. Espera que o presidente da entidade, Paulo Maurício Braz Siqueira, reveja suas declarações e faça os esclarecimentos necessários, evitando a adoção das medidas cabíveis”, diz a nota. As informações são do g1. 

Haddad afirma que Tarcísio recebeu R$ 2 mi do Banco Master para se eleger
Foto: Ricardo Stuckert / PT Divulgação

Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, intensificou suas críticas ao adversário Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante um evento de campanha em São José do Rio Preto, no interior paulista, neste sábado (5/9). Ao lado do ex-presidente Lula, Haddad acusou Tarcísio de ter recebido doações do Banco Master para sua campanha eleitoral, citando uma doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, que também está sob investigação.

 

Haddad destacou que o Banco Master teve relações com três ex-ministros do governo Bolsonaro e mencionou um quarto ministro que também recebeu recursos para sua campanha em 2022. As doações a Tarcísio e Bolsonaro ganharam destaque na mídia após a revelação de uma declaração de Vorcaro, que indicou que os repasses eram, na verdade, propina. Tarcísio respondeu às acusações, chamando-as de “ridículas”, enquanto o governo paulista também se manifestou sobre as alegações.

 

Haddad, por sua vez, afirmou que o escândalo do Banco Master é resultado de uma “máfia” ligada ao governo Bolsonaro. Ele ressaltou que o banco cresceu sob a gestão do presidente do Banco Central nomeado por Bolsonaro, e que diversos políticos, incluindo ministros e candidatos, se beneficiaram financeiramente.

 

"Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República, todo mundo pôs o dinheiro, pôs a mão no dinheiro do Master, e nós não chamamos isso pelo nome que tem? Isso é uma máfia. Quem montou o Banco Master nesse país é uma máfia para se perpetuar no poder", declarou Haddad

 

Além de criticar Tarcísio, Haddad também fez observações sobre Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula na corrida presidencial. Ele comparou as posturas dos dois, afirmando que Lula não interfere nas investigações da Polícia Federal para proteger familiares, enquanto Flávio é associado a polêmicas, como a compra de uma mansão em Brasília e pedidos de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai.

STF é maior do que qualquer um de seus integrantes, afirma Flávio Dino após escalada de crise na Corte
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Em meio ao acirramento da crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, declarou nesta sexta-feira (4) que a Corte é “maior do que qualquer um que a integra”. Em publicação feita em seu perfil no Instagram, o magistrado defendeu a “lealdade institucional” e afirmou que a exigência do momento é enfrentar os “problemas reais” com o “devido processo legal e no tempo certo”.

 

Na manifestação, Dino destacou que a superação de momentos de crise exige a “consulta aos clássicos”, citando o filósofo romano Cícero para enfatizar a necessidade de valorizar “o poder da palavra, a ponderação, o julgamento racional, a sobriedade e os procedimentos”.

 

O ministro alertou sobre os riscos do enfraquecimento institucional para o país. “Um país sem instituições jurídicas sólidas é o sonho dos criminosos e abusadores de todos os feitios. E dos equivocados que se acham tão fortes que não precisam do Estado Nacional. Supostamente ‘se bastam’, por isso estão prontos a tocar lira enquanto Roma arde em chamas”, escreve.

 

Dino ressaltou ainda a relevância de saber ouvir e de respeitar o “tempo oportuno” para evitar que o sistema jurídico se transforme em “joguete de outros poderes”. Segundo ele, a continuidade dos trabalhos na Corte não representa alienação perante o cenário atual.

 

“Seguir julgando os nossos processos judiciais não é autossuficiência ou ‘fingir que não há crise’”, mas sim garantir que a “toga fale mais alto do que as armas ou eventuais gritos de hipócritas”.

 

ENTENDA A CRISE
A declaração de Dino ocorre no dia seguinte ao pedido feito pelo ministro Alexandre de Moraes para que o ministro André Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Moraes também acusou o colega de quebra de imparcialidade judicial e de favorecimento de grupos políticos.

 

As acusações estão vinculadas a investigações sobre um esquema de fraudes em descontos associativos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao escândalo do Banco Master.

 

A representação foi encaminhada na quinta-feira ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que se junta ao Executivo em uma crise de como resolver o caso. Isso dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal que citava mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, a um contato atribuído a Moraes.

 

Conselho Superior do MPF investiga citações a Gonet em mensagens de Vorcaro
Foto: Victor Piemonte / STF

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) instaurou um procedimento interno para apurar mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso tramita no contexto das investigações relativas ao Banco Master e terá como relator o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino.


A abertura do processo atende a uma representação formalizada por parlamentares do Partido Novo após a divulgação de relatórios da Polícia Federal. Os documentos policiais revelaram diálogos e anotações de Vorcaro que mencionam autoridades públicas, incluindo Gonet e pessoas de seu círculo familiar, entre os registros, constam articulações para estreitar laços institucionais e o convite para um evento internacional direcionado a um parente do PGR.


No ofício enviado ao órgão de cúpula do MPF, a bancada do Novo solicita a designação de um subprocurador-geral da República independente para conduzir eventuais apurações que toquem a figura do PGR. Embora pontuem que a iniciativa não imputa conduta criminosa direta a Gonet, os deputados alegam a necessidade de preservar a integridade institucional do Ministério Público.


O rito interno prevê a oitiva de Paulo Gonet para prestar esclarecimentos sobre o teor das mensagens. Concluída essa fase preliminar, o relatório de Sanseverino será submetido ao plenário do CSMPF para deliberação, em data ainda a ser fixada.

André Mendonça divulga notas em nome de sua esposa para desmentir que Vorcaro pagou ternos de luxo
Foto: Reprodução Instagram

A equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta quinta-feira (3) duas notas fiscais que teriam sido emitidas em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça, pela alfaiataria Alegrete, loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos. As notas, segundo a assessoria do ministro, comprovariam que foi ele, e não o banqueiro Daniel Vorcaro, quem teria efetuado a compra de ternos. 

 

Com o valor total de R$ 26.430, as notas emitidas pela alfaiataria foram apresentadas por Mendonça para rebater a suspeita de que ele teria recebido os ternos como um presente de Vorcaro. Essa suspeita surgiu após a revelação de áudios de conversa do banqueiro com o advogado baiano Ciro Rocha Soares.

 

Reportagem do site ICL Notícias revelou, a partir do vazamento de conversas retiradas do celular de Vorcaro, uma tentativa de aproximação do banqueiro com o ministro do STF. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP). 

 

Mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro mostram que Ciro Rocha Soares enviou uma fotografia ao lado de Mendonça, na loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos, conhecido por vestir empresários, executivos e figuras públicas.

 

“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.

 

No mesmo dia, porém, conforme mostra a nota fiscal, Mendonça teria pago o terno com nota emitida em nome de sua esposa, em um total de R$ 16,5 mil, à loja de Vasco. O valor foi gasto em camisas, ternos e conjuntos feitos sob medida. 

 

Já em 28 de fevereiro, Mendonça pagou mais R$ 9.900 ao alfaiate, com a aquisição de blazers sob medida e acessórios. Novamente a nota do alfaiate foi emitida em nome da esposa do ministro. 

 

Em nota à imprensa depois da divulgação da informação sobre o encontro, André Mendonça disse que recebeu Daniel Vorcaro apenas uma vez, por pedido do próprio banqueiro, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, ele afirmou que atendeu também o advogado do empresário e que mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos sobre o encontro.
 

Lula pede investigação sem blindagem em caso Master e defende ética no Judiciário: "Doa a quem doer"
Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu nesta quinta-feira (3) que as investigações envolvendo o Banco Master avancem sem proteção a autoridades e criticou a divulgação de informações de forma seletiva. Em vídeo divulgado pela Presidência, Lula afirmou que o episódio envolve pessoas poderosas e que a apuração precisa alcançar todos os possíveis envolvidos. “É fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”, declarou.

 

O presidente também classificou o caso como “o maior roubo da história do Brasil” e afirmou que houve prejuízos a pessoas de diferentes estados e municípios. Para Lula, a crise não pode comprometer a confiança nas instituições. “O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos”, afirmou.

 

A manifestação ocorre em meio à crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF) após revelações sobre a relação entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e integrantes da Corte. Sem citar diretamente Alexandre de Moraes, o petista defendeu ainda a criação de um código de ética para o Judiciário. A proposta já havia sido apresentada pelo presidente do PT, Edinho Silva, que também pediu regras semelhantes para o Ministério Público.

 

Lula afirmou que cabe ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República Paulo Gonet, que também foi citado nas investigações, conduzirem medidas capazes de preservar a credibilidade das investigações. Agora, ministro André Mendonça deve levar o caso ao plenário físico do STF para discutir a eventual abertura de investigação. A PGR, porém, considerou o procedimento nulo e questionou a forma como a apuração foi conduzida.

 

CONFIRA O VÍDEO COMPLETO:

Após ser citado em áudio, Otto Alencar confirma relação com advogado mas nega contato com Vorcaro
Foto: Agência Senado

Citado em um áudio do advogado baiano Ciro Soares, ligado ao PSD, o senador Otto Alencar confirmou a relação com o jurista. Apesar disso, o senador negou que tenha sido abordado sobre a possibilidade de se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao Bahia Notícias, Alencar, que é o presidente estadual do PSD, ressaltou que Ciro Soares já trabalhou para o partido, “mas não pediu nada de Daniel Vorcaro.”. 

 

Em um dos áudios vazados da conversa entre Soares e o dono do Banco Master, o senador baiano foi citado. Ciro diz que planejava levar o parlamentar ao encontro secreto entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. 

 

“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro a Daniel Vorcaro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”.

 

No mesmo áudio, o advogado baiano revelou que, antes da reunião, em um momento ocorrido durante uma festa, o próprio Otto Alencar já havia perguntado a ele sobre Daniel Vorcaro.

 

Ao BN, Otto afirmou que Ciro advogou para sua sigla e que o considera um amigo e advogado. “Às vezes viajo com ele, de Salvador para Brasília, pessoa que tenho uma boa relação”, disse o senador. 

 

Ele diz ainda que nunca pediu nada relacionado ao Vorcaro ou Banco Master a Ciro ou André Mendonça: “Ciro viajou comigo, mas não pediu nada de Daniel Vorcaro” e completa dizendo que, no período citado, nem esteve com o ministro do Supremo. “Não tive nem com André Mendonça nesse período. Estive mais por conta da indicação de Messias ao STF”, afirma. A indicação de Jorge Messias ao STF foi formalizada pelo Planalto em abril deste ano. 

Deputados do PT pedem a Fachin afastamento de Mendonça do caso Master após encontro dele com Vorcaro
Foto: Antonio Augusto/STF

Uma petição assinada pelo líder do PT, Pedro Uczai (SC), e por deputados como Lindbergh Farias (PT-RJ) e André Janones (Rede-MG) pede ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que declare a suspeição do ministro André Mendonça como relator da investigação sobre o Banco Master. Os deputados também pedem o fim do sigilo das investigações do caso sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que envolve o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). 

 

No documento, os parlamentares citam reportagem publicada inicialmente pelo site ICL Notícias sobre um encontro realizado entre o ministro André Mendonça e Daniel Vorcaro, que aconteceu em março do ano passado. O encontro se deu na sede do instituto fundado pelo ministro, em São Paulo. 

 

Os deputados argumentam, na petição apresentada a Fachin, que Mendonça adotou tratamentos diferentes para investigações relacionadas ao Banco Master. Os parlamentares lembram que o ministro abriu o sigilo de apurações envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA) e informações relacionadas ao ministro Alexandre de Moraes, mas não tornou públicas as informações sobre três procedimentos que envolvem Flávio Bolsonaro. 

 

“Nós não podemos aceitar seletividade do ministro André Mendonça. Ele também precisa retirar o sigilo de Flávio Bolsonaro e do filme Dark Horse. Se não tirar o sigilo, e falta de isenção. Tem que investigar todo mundo, não importa se é ministro do STF, deputado ou senador”, disse o deputado Lindbergh Farias em vídeo nas redes sociais, após apresentar a petição no STF. 

 

Para os parlamentares, a confirmação do encontro com Vorcaro inclusive pelo próprio André Mendonça muda o quadro das investigações relacionadas ao caso Master no STF. A petição sustenta que o episódio precisa ser analisado também sob a ótica da chamada imparcialidade objetiva. 

 

Nesse caso, dizem os deputados que apresentaram a petição, não é necessário demonstrar que um juiz efetivamente pretendeu beneficiar ou prejudicar uma das partes: entram na análise circunstâncias externas capazes de gerar dúvida legítima sobre sua equidistância.

 

Os próprios deputados afirmam que não acusam o ministro André Mendonça de ter agido para favorecer ou prejudicar qualquer investigado. O questionamento é dirigido às circunstâncias que cercam sua atuação e à diferença de tratamento entre os procedimentos e personagens envolvidos no escândalo do Master.

 

Nesta quarta (2), o ministro André Mendonça divulgou uma nota na qual confirma que se reuniu com Daniel Vorcaro no início do ano passado, para tratar de um caso sobre precatórios em julgamento no Supremo.

 

“O ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo”, diz a nota.

 

“No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”, explica o ministro.

Em áudio, deputado Nikolas Ferreira chama Vorcaro de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade”
Foto: Agência Câmara dos Deputados / Divulgação

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teria entrado em contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pedir que ele ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas mensagens enviadas no dia 30 de março de 2025, obtidas pelo ICL Notícias, o parlamentar chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.

 

Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. Em uma mensagem de áudio, Nikolas começa dizendo: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’”, explica Nikolas. 

 

No mesmo áudio ele segue dizendo: “Ele [Thiago] falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”. 

 

Fotos: Reprodução / ICL Notícias 

 

Em resposta, Vorcaro responde com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. Daniel Vorcaro chega a dizer: “To em brasilia toda semana, Vamos marcar”. 

 

A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”. O diálogo entre o parlamentar e o ex-banqueiro é retomado no dia 1 de abril de 2025, dia seguinte, com uma mensagem de Nikolas. 

 

O deputado mineiro avisa que estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro respondeu um dia depois dizendo: “Deixa comigo”. Pelos registros obtidos não há informações se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas.

 

Em defesa, o advogado Thiago Faria disse que “essas perguntas são nada a ver” e alegou que conhecia o ex-banqueiro pela proximidade geográfica, já que ambos são de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. 

 

Em um áudio enviado ao ICL Notícias, ele alega: “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria.

Sem citar “Dark Horse” ou nomes de políticos, Vorcaro diz que proposta de delação se resume a pessoas do “atual governo”
Foto: Reprodução/SAP

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a delação premiada que pretendia fazer tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e g1 nesta quinta-feira (3). 

 

"Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar", disse.

 

Ainda em depoimento, o banqueiro não citou a possibilidade de contar sobre sua relação com demais autoridades políticas ou sobre a participação no financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.

 

Segundo o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o caso Master no STF, o depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master.

 

"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz o gabinete do ministro.

 

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF estima que o esquema teria desviado ao menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no FGC e outras centenas de milhões em fundos de previdência de estados e municípios.

 

Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro durante o depoimento e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.

 

"[...] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a PGR.

 

Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão. No depoimento, Vorcaro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de "pessoas do poder", que, segundo ele, o querem ver preso.

Ex-dono da Reag assina delação com a PGR no caso Banco Master
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

O empresário João Carlos Mansur, ex-controlador da gestora de fundos Reag e investigado no caso Banco Master, firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A colaboração não contou com a participação da Polícia Federal (PF) e foi encaminhada ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que deverá decidir se homologa o acordo. A informação foi revelada, nesta quarta-feira (2), pelo jornal O Estado de S. Paulo.

 

Mansur apresentou 17 anexos à Procuradoria, com informações principalmente relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os documentos também mencionam nomes da política baiana, como o senador Jaques Wagner (PT) e o ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil). Antes do acordo com a PGR, o empresário havia assinado um termo de confidencialidade com a PF. As negociações, porém, não avançaram com a corporação.

 

Para que a colaboração seja homologada, Mansur deverá admitir crimes e apresentar elementos capazes de comprovar as informações fornecidas. Mendonça também deve realizar uma audiência para verificar se o acordo foi firmado de maneira voluntária. O empresário foi alvo, em janeiro, da segunda fase da Operação Compliance Zero, que investigou fundos de investimento que teriam sido utilizados para inflar o patrimônio do Banco Master.

 

Após a operação, o Banco Central determinou a liquidação da Reag, citando comprometimento da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. A gestora também aparece em investigações relacionadas ao BRB e à Operação Carbono Oculto. Em 2024, fundos da Reag foram utilizados em operações de aumento de capital do Banco de Brasília consideradas suspeitas pela PF.

 

Mansur nega irregularidades na atuação da Reag. Em depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, afirmou que a empresa possuía um sistema de compliance forte e que teria sido penalizada por ser “grande e independente.” O patrimônio declarado pelo empresário à Receita Federal passou de R$ 748,7 milhões, em 2023, para R$ 1,49 bilhão, em 2024. A maior parte do aumento ocorreu pela valorização das ações que ele declarou possuir na Lurix Participações.

Lula se reúne com cúpula do STF para discutir crise de Moraes e Banco Master
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou nesta terça-feira (1º) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, sobre a crise provocada pelas revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. No mesmo dia, o decano da Corte, Gilmar Mendes, também procurou o petista.

 

Segundo as informações da Folha de São Paulo, o ministro alertou Lula sobre o que considera falta de apoio das instituições de governo à Polícia Federal em meio à disputa sobre a condução das investigações do caso. A crise ganhou força após um relatório da PF, determinado pelo ministro André Mendonça, revelar interações entre Moraes e Vorcaro. O material passou a pressionar o Supremo e também aumentou a cobrança de setores da oposição pelo impeachment do magistrado.

 

Diante do desgaste, aliados de Lula avaliam que o presidente deve adotar a linha de que ninguém está acima da lei, mas sem transformar o episódio em uma pauta espontânea do governo. O próprio Lula já havia cobrado publicamente que Moraes se declarasse impedido de atuar em questões relacionadas ao Banco Master. Em abril, o presidente afirmou que o ministro deveria preservar sua trajetória diante das repercussões envolvendo Vorcaro.

 

 O caso ocorre em um momento de maior sensibilidade para o governo, diante da proximidade política que Lula manteve com integrantes do Supremo durante o atual mandato. Moraes, em particular, esteve entre os ministros mais próximos do presidente. A oposição, por sua vez, voltou a defender o impeachment de Moraes.

Após discussão dura e ríspida, Alexandre de Moraes e Mendonça sentam juntos e participam de sessão do STF
Foto: Bruno Moura/STF

Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) após a retirada do sigilo de investigações sobre relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades da República, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes participam dos julgamentos como se nada tivesse acontecido. A sessão desta quarta-feira (2) transcorre, desde o início, sem que tenha havido qualquer discussão entre ambos, mesmo com os dois se sentando lado a lado.

 

O presidente do STF, ministro Edson Fachin, não tocou no assunto da troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes em nenhum momento desde que abriu os trabalhos da sessão plenária. Mais cedo, Fachin havia dito que as revelações sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro do Master configurariam um momento de "especial gravidade". Segundo ele, "medidas cabíveis" serão anunciadas nos próximos dias.

 

Edson Fachin iniciou a sessão plenária anunciando julgar o Recurso Extraordinário 1495108 sobre a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pelas imobiliárias ao transferir bens e direitos para incorporação em seu capital social. O processo tem repercussão geral reconhecida, e a tese fixada deverá ser aplicada a casos semelhantes.  

 

Quando foi chamado a proferir o seu voto sobre o caso, o ministro Alexandre de Moraes saudou o presidente, o procurador-geral, Paulo Gonet, também presente à sessão, a ministra Carmem Lúcia e os "demais colegas", sem olhar para o lado, onde estava sentado o seu desafeto André Mendonça. 

 

Apesar de Alexandre de Moraes e André Mendonça terem tido uma conversa "ríspida" e "dura" na última segunda (31), durante a sessão de hoje, não houve ainda qualquer animosidade entre ambos. O desentendimento teria ocorrido durante uma conversa, após Mendonça avisar Moraes que encaminharia o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR). 

 

No relatório de 218 páginas, a corporação lista uma série de textos em que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para “bloquear” as investigações contra o banco e até mesmo impedir a liquidação extrajudicial e a prisão do ex-banqueiro, além de diversos outros detalhes de relações até mesmo comerciais do banqueiro com a esposa do ministro.

 

Nesta terça (1º), André Mendonça tornou público o relatório e conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e pediu que um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes fosse julgado no plenário, em sessão aberta, "de forma pública e transparente".

Deputado baiano pede que PGR avalie prisão de Alexandre de Moraes por caso Banco Master
Foto: Gustavo Moreno / STF

O deputado estadual Leandro de Jesus (PL-BA) protocolou, nesta terça-feira (1º), uma manifestação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a possibilidade de pedir a prisão preventiva do ministro Alexandre de Moraes, no contexto das novas revelações do caso Banco Master.

 

O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator das investigações, e solicita que os fatos sejam submetidos à PGR, a quem caberia analisar eventual abertura de investigação e a adoção de medidas cautelares.

 

 

Segundo a petição, informações divulgadas após o levantamento do sigilo dos autos apontam que a análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, identificou cerca de 187 interações associadas a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

 

O material também faria referência a encontros presenciais e mensagens de visualização única entre os envolvidos. No pedido, Leandro de Jesus solicita que a PGR avalie a possibilidade de requerer ao Plenário do STF a prisão preventiva de Moraes. Como alternativas, o parlamentar cita afastamento cautelar da função, proibição de contato com investigados, apreensão de dispositivos eletrônicos e suspensão do passaporte.

 

“Diante da gravidade do que veio a público, esses fatos precisam ser investigados com rigor e transparência. Ninguém pode estar acima da lei”, afirmou o deputado.

 

Em outra declaração, Leandro defendeu que eventuais medidas sejam analisadas caso exista risco à preservação das provas. “O que não pode existir é tratamento diferente dependendo de quem esteja sendo investigado”, declarou.

Vorcaro repassou mais US$ 1,6 mi para filme sobre Bolsonaro após cobrança de Flávio Bolsonaro
Fotos: Reprodução / PF / Banco Master

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro efetuou uma nova transferência no valor de US$ 1,666 milhão para o financiamento do filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após ser cobrado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o atraso em parcelas do projeto. As informações foram reveladas pelo jornalista Breno Pires, em reportagem da Revista Piauí divulgada nesta terça-feira (1º).

 

O novo repasse consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela publicação. A operação junta-se a outros seis pagamentos de igual valor realizados até maio de 2025, elevando o total destinado por Vorcaro à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões (equivalente a mais de R$ 65 milhões na cotação da época).


Segundo as apurações jornalísticas, as transferências do controlador do Banco Master eram intermediadas pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a um aliado de Vorcaro. A firma repassava os valores para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, de onde o montante seguia para a produtora do longa.

 

Diálogos inéditos obtidos pela revista mostram uma troca de mensagens do dia 22 de outubro de 2025 entre o banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, responsável pela captação de recursos da obra. Na ocasião, Miranda questionou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”. Vorcaro respondeu afirmando ter liberado “mais uma hoje”, ao passo que o publicitário replicou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb”.

 

Caso a transação mencionada no diálogo tenha se concretizado nos mesmos moldes, o somatório desembolsado pelo empresário alcança US$ 14 milhões (cerca de R$ 72 milhões). Procurado pela piauí, Flávio Bolsonaro não se pronunciou e orientou que os questionamentos fossem direcionados à produtora do filme, a empresa Go Up.

 

“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”.

 

A apuração da Piauí desmente declaração dada por Flávio Bolsonaro à GloboNews, na qual o senador afirmava que os pagamentos efetuados pelo banqueiro teriam cessado em maio de 2025.

Ex-presidente da CPMI do INSS protocola novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes
Foto: Edu Mota / Bahia Notícias

O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira (1°) um novo pedido de impeachment por crime de responsabilidade contra o ministro Alexandre de Moraes. Viana foi o presidente da CPI dos Correios, e segundo ele, os parlamentares foram impedidos de ter acesso a informações que hoje são reveladas sobre as relações entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. 

 

Em entrevista coletiva, Carlos Viana disse que iria cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. O senador mineiro afirmou que Alcolumbre não pode continuar se omitindo de cumprir a Constituição e investigar denúncias contra Moraes sob pena de ele mesmo sofrer processo por prevaricação.

"Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela. Ou abre o procedimento contra Moraes ou responderá por escolher a omissão”, disse Viana.

 

A situação voltou a escalar após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes. O material registra uma série de diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF, com tratativas sobre dinheiro, pressão sobre autoridades, contratos privados e até mesmo conselhos a respeito de fuga do Brasil.

 

Além de Carlos Viana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também afirmou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra o ministro. A senadora defendeu que Moraes se afaste voluntariamente do cargo até a conclusão das investigações.

 

No plenário do Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) exigiu que Alcolumbre abrisse um processo de impeachment, e disse que a omissão envergonha a casa.

 

"Esse Senado é frouxo, é o que eu mais escuto nas ruas. Quem vai parar esse Moraes?", questionou Malta. Alcolumbre não respondeu ao senador.

Vorcaro pediu intervenção na PF para adiar operação e evitar falência do Banco Master, aponta perícia
Fotos: Reprodução / Agência Brasil / Master

A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório pericial, uma mensagem enviada pelo empresário Daniel Vorcaro ao contato cadastrado em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", na qual o controlador do Banco Master pede que seja feita uma interlocução junto à direção da própria PF para adiar uma medida policial que, segundo ele, poderia levar a instituição à quebra.

 

O documento que estava em sigilo de justiça, obtido pelo Bahia Notícias (BN), registra a recuperação de uma imagem enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp.

 

Na captura de tela, extraída pela perícia do aparelho de Vorcaro, aparece um texto redigido pelo empresário em seu bloco de notas em 16 de novembro de 2025: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel" [a grafia original foi apresentada integralmente].

 

De acordo com o relatório da PF, a referência a "Andrei" diz respeito a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação dos investigadores, a mensagem demonstra um pedido para que o destinatário tentasse sensibilizar a chefia da corporação a adiar o cumprimento de uma medida policial iminente contra o banco.

 

No próprio texto, Vorcaro afirma que o adiamento, somado ao feriado subsequente, no dia 20 de novembro, evitaria a quebra da instituição financeira.

 

ENTRE 25 SEGUNDOS
Para comprovar a autenticidade e a autoria da mensagem, os peritos cruzaram registros do sistema operacional do aparelho com vestígios deixados pelos aplicativos utilizados pelo empresário. Segundo o relatório, o intervalo entre a criação do conteúdo e o envio da imagem foi de apenas 25 segundos.

 

A cronologia reconstruída no texto pela perícia aponta:

  • 16h56min40s (19h56min40s UTC): Daniel Vorcaro abre o aplicativo Bloco de Notas do iPhone e digita a mensagem.
  • 16h57min22s (19h57min22s UTC): o empresário realiza uma captura de tela do conteúdo. O sistema iOS registra automaticamente o horário da ação.
  • 16h57min26s (19h57min26s UTC): Vorcaro encerra o Bloco de Notas e abre o WhatsApp.
  • 16h57min47s (19h57min47s UTC): a imagem é enviada, por meio do WhatsApp, ao contato identificado como "Alexandre de Moraes BRASILIA."
  • 16h57min50s (19h57min50s UTC): o aplicativo é fechado no dispositivo.

 

Segundo os investigadores, o uso de uma captura de tela enviada por visualização única dificultava a preservação do conteúdo no histórico convencional das conversas. Embora o recurso apague a imagem do dispositivo do destinatário após a abertura, os peritos afirmam ter comprovado a transmissão por meio de duas frentes técnicas:
 

  1. Registros de conectividade (logs): o software de perícia forense IPED identificou o envio de dados pelo WhatsApp ao destinatário no exato momento registrado na cronologia do aparelho.
  2. Recuperação de arquivos temporários: a captura de tela gerou vestígios em áreas temporárias do sistema iOS. A equipe técnica conseguiu extrair a imagem original e seus metadados diretamente da memória do telefone de Vorcaro.
Flávio Bolsonaro defende renúncia de Alexandre de Moraes após revelação de mensagens com banqueiro
Foto: Reprodução / Agência Brasil

O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, defendeu nesta terça-feira (1º) a renúncia do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A declaração ocorre após a revelação de novas informações sobre mensagens que teriam sido trocadas entre o magistrado e o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.

 

A informação, revelada pelo portal Metrópoles, aponta que o ministro André Mendonça, também integrante do STF, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da Polícia Federal (PF) contendo supostas conversas entre Moraes e Vorcaro.

 

O documento reúne dados extraídos do celular do banqueiro. Em um dos trechos, Vorcaro indica que necessita da proteção de “Paulo” e “Andrei”. De acordo com investigadores, o destinatário da mensagem era o ministro Alexandre de Moraes, e os nomes citados referem-se, respectivamente, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

 

DISCUSSÃO NO CONGRESSO
Em entrevista concedida nesta terça-feira na chegada ao Congresso Nacional, Flávio Bolsonaro afirmou que o teor das mensagens indica que Moraes atuava, “de fato, [como] o advogado do Vorcaro” e que os diálogos sinalizam para uma “proteção do próprio Alexandre de Moraes”, além da PGR e da direção da PF, ao banqueiro.

 

“Isso é uma coisa muito grave. Eu acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, declarou o parlamentar.

 

O candidato também relacionou as suspeitas ao contrato firmado pelo Banco Master com o escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro. Firmado em janeiro de 2024, o acordo previa pagamentos mensais no valor de R$ 3,6 milhões.

 

Ao comentar o contrato, Flávio alegou que Moraes teria participado diretamente da elaboração do documento: “Um integrante da mais alta Corte, do Supremo, ele próprio redigindo o contrato da esposa dele para devolver para o Vorcaro. Quer dizer, tudo indica, inclusive sugere que é uma proteção do próprio Alexandre de Moraes”.

 

O senador concluiu afirmando que o ministro precisa apresentar justificativas formais sobre sua relação com o empresário. “Isso é uma completa distorção do devido processo legal. Isso é uma completa distorção das garantias institucionais que um membro da mais alta corte, do Supremo, deveria exercer. Tem que dar muito esclarecimento, isso é muito grave.”, finaliza.

Troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro sinaliza possível operação da PF contra ex-banqueiro
Fotos: Reprodução / Agência Brasil / Divulgação

Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, sinaliza uma discussão a respeito da possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.

 

O conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A TV Globo teve acesso às informações.

 

No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questiona Moraes. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.

 

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Questiona o ex-banqueiro. 

 

Ele foi alvo de uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. A instituição emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, segundo as investigações na época, esse retorno era irreal.

 

Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, no dia 16, Vorcaro mandou novo questionamento ao ministro pelo WhatsApp.

 

“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

 

Em outra mensagem, também no dia 16, Vorcaro sugere um encontro com Moraes:

 

"Às 14h então, na sua casa ou na minha?". Ele também diz estar "perplexo".

 

"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu", diz a outra mensagem.

Moraes realizou alterações em contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa e Daniel Vorcaro
Foto:

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve envolvimento em alterações realizadas em um contrato de R$ 131 milhões para serviços advocatícios com o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O jornal Estadão informou que os dados do arquivo foram examinados a partir das informações armazenadas no próprio contrato. 

 

A edição foi encontrada nos metadados de um documento digital, que foi analisado pela Polícia Federal. O armazenamento desses registros no arquivo do contrato permitiu a identificação da edição atribuída ao ministro às 23h04 de 15 de janeiro de 2024, cerca de 1 hora e 40 minutos após a devolução do documento por Vorcaro a Viviane.

 

O contrato entre Vorcaro e o escritório da mulher do ministro do STF previa o pagamento de pró-labore em 36 parcelas mensais e sucessivas de R$ 3 milhões líquidos cada, totalizando R$ 108 milhões. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que não havia impedimentos legais para a contratação, uma vez que o ministro não havia julgado nenhum caso relacionado ao Banco Master. 

 

Confira a nota na íntegra:

 

“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente.

 

Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”.

Vorcaro consultou Alexandre de Moraes sobre fuga do Brasil em mensagem 48 horas antes da prisão, revela jornal
Foto: Assessoria de Imprensa / STF

Mensagens trocadas via WhatsApp entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que o banqueiro indagou o magistrado se deveria sair do país para escapar de uma eventual prisão. A mensagem foi enviada dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, depois, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. 

 

Conversas reveladas pelo jornal Estado de S.Paulo nesta terça-feira (1º) mostram que em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro consultou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, sobre sair do País para escapar da prisão. Na noite de 17 de novembro, uma segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF, em cumprimento de ordem expedida pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal.

 

A investigação conduzida pela Polícia Federal busca analisar de o ministro do STF repassava a Daniel Vorcaro detalhes sobre o andamento inicial da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal. Uma das suspeitas nesse sentido está no fato de Vorcaro, no domingo, um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, ter indagado o ministro pelo WhatsApp: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.

 

Como lembra o Estadão, no momento em que Vorcaro se comunicava com Moraes, a ordem de prisão ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal do DF. O decreto de prisão preventiva do banqueiro foi assinado às 15h29 do dia 17 de novembro, horas antes de ele ser flagrado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo.

 

Na mesma mensagem ao ministro em que sugere uma fuga ao exterior, em 15 de novembro, Vorcaro emendou três perguntas a Moraes: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”. Já às 17h26 da segunda-feira, dia da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro do STF se tinha “alguma novidade”. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, enviou o banqueiro.

 

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal revelam um padrão de comunicação em que os conteúdos eram enviados em modo de visualização única, por meio de capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular. Com esse procedimento, a extração permitiu à PF acessar apenas as imagens enviadas por Vorcaro, sem recuperar eventuais respostas e observações do ministro.

 

Essas e outras revelações sobre os contatos mantidos entre o banqueiro do Master e Alexandre de Moraes podem levar a uma abertura de investigação contra o ministro. Segundo a CNN, o ministro André Mendonça teria avaliado, em conversas com interlocutores, considerar graves as novas revelações que inclusive apontam que Moraes pode ter pedido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, proteção a Vorcaro.

 

Nesse sentido, Mendonça estaria avaliando levar ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, um pedido formal de abertura de investigação contra Moraes. Por se tratar de um ministro do STF, só o plenário da Corte pode autorizar a abertura de investigação desse porte.

 

Além das mensagens, outra informação é considerada grave e passível de investigação: a de que Moraes teria manuseado o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o banqueiro. Mendonça, segundo fontes ouvidas pela CNN, já vinha alertando Fachin de que havia indícios de envolvimento direto de Moraes com Vorcaro.
 

Daniel Vorcaro sinaliza intenção de fechar acordo de colaboração premiada durante depoimento à PF
Foto: Reprodução / Redes sociais

O banqueiro Daniel Vorcaro aproveitou o depoimento prestado à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) para sinalizar intenção de fechar um acordo de colaboração premiada.

 

Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele respondeu a todas as perguntas dos delegados "de forma clara e consistente", sem deixar "qualquer indagação sem esclarecimento". Os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski também disseram que o banqueiro pode prestar esclarecimentos "mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".

 

A Polícia Federal (PF) já havia rejeitado duas propostas de delação apresentadas pela defesa de Vorcaro. Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) seguiu a mesma orientação da PF.

Banqueiro Daniel Vorcaro depõe à PF pela primeira vez no ano após recusa de delação
Foto: Divulgação/Banco Master

O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28), entre o fim da manhã e o início da tarde. Foi a primeira vez neste ano que ele fala à corporação, e também a primeira oitiva depois que a PF recusou duas propostas de delação premiada apresentadas pela defesa dele. O último depoimento anterior havia sido dado em dezembro do ano passado.

 

Segundo os investigadores, os anexos entregues pelo banqueiro nas propostas de delação careciam de provas e foram considerados "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações.

 

Vorcaro falou aos investigadores por videoconferência, a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como "Papudinha", onde está preso preventivamente desde junho. A oitiva havia sido adiada duas vezes antes, uma porque a defesa do dono do Banco Master pediu mais tempo para acessar os autos do processo, e outra por problemas de sinal no sistema de videoconferência.

 

A expectativa antes do depoimento era que o banqueiro fosse questionado sobre uma possível articulação dele com ex-diretores do Banco Central (BC) para tentar impedir a liquidação do Master, que acabou ocorrendo em novembro de 2025. Segundo as investigações, dois ex-diretores do BC teriam atuado como "consultores" e "empregados" do banqueiro, orientando como ele deveria responder aos questionamentos feitos pela instituição.

 

Na época em que o banco foi liquidado, Vorcaro chegou a ser detido pela primeira vez, sob suspeita de tentar fugir do país, algo que ele nega. A liquidação extrajudicial foi decretada "em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil", segundo o ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Lula defende Jaques Wagner e diz ter 'consciência' de sua honestidade em caso Banco Master
Foto: Paula Fróes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (27), durante entrevista à TV Globo, que tem “consciência” de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) é honesto. A declaração ocorreu em meio às suspeitas que envolvem o petista no caso Banco Master. Lula disse que não pretende romper politicamente com Wagner com base nas acusações e defendeu que qualquer eventual responsabilidade seja definida a partir das investigações da Polícia Federal e da Justiça. 

 

“Ele é um homem que tem relação comigo. Não posso colocar em dúvida o comportamento comigo. Tenho consciência de que o Wagner é honesto. Se ele cometeu um crime, vai pagar. Não sou uma pessoa que mudo de calçada se um amigo for acusado.”

 

O presidente também afirmou que não considera uma investigação suficiente para atribuir culpa e criticou avaliações baseadas em suposições. “Não posso fazer política vivendo de ilações todo santo dia. O Banco Master causou um prejuízo a esse país de 60 bilhões de reais. Não foram 60 dólares. Há muita gente nesse país envolvido. Jaques tem relação com Augusto [Lima], que não era do Master. Não posso fazer política com base em ilações. As pessoas são inocentes até que se prove o contrário”, afirmou o presidente.

 

Wagner é alvo de uma investigação da Polícia Federal sobre um esquema envolvendo o Banco Master. O senador nega ter recebido vantagens ou atuado em benefício da instituição.

Vorcaro tem depoimento à PF adiado por falha de sinal e nova data fica marcada para esta sexta
Foto: Divulgação

O depoimento que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, daria à Polícia Federal nesta quinta-feira (27) foi adiado por problemas técnicos no sistema de videoconferência.

 

O banqueiro falaria aos investigadores da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como "Papudinha", onde ele está preso preventivamente desde junho. Uma nova reunião para o depoimento foi marcada para esta sexta-feira (28).

 

"A defesa aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para a realização da audiência virtual, o que não foi possível. Desta forma, será designada nova data, quando nosso cliente será ouvido sobre os fatos", disse em nota o advogado que representa o banqueiro.

 

O depoimento havia sido inicialmente agendado para a semana passada, mas um primeiro adiamento já havia ocorrido a pedido da defesa, sob o pretexto de que eles ainda não tinham acesso à íntegra dos autos.

Daniel Vorcaro presta depoimento à PF nesta quinta-feira sobre fraudes no Banco Master
Foto: Divulgação

O banqueiro Daniel Vorcaro vai prestar depoimento, nesta quinta-feira (26), à Polícia Federal (PF) no inquérito que apura possíveis fraudes cometidas pelo Banco Master. A oitiva será feita por videoconferência e está marcada para as 10 horas. Vorcaro deve falar aos investigadores da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecida como "Papudinha", onde ele está preso preventivamente desde junho.

 

O depoimento foi inicialmente agendado para a última quinta, mas foi adiado a pedido da defesa, sob o pretexto de que eles ainda não tinham acesso a todos os autos. Será o primeiro depoimento do banqueiro com a nova configuração de sua equipe de defensores. O criminalista Daniel Bialski foi contratado para atuar junto com o advogado Sérgio Leonardo, que é amigo do banqueiro.

 

Este também será a primeira oitiva oficial de Vorcaro após a PF recusar duas propostas de delação premiada feitas por sua defesa. Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações.

Proposta de delação de ex-dono da Reag cita Jaques Wagner e ACM Neto; foco principal é Vorcaro
Fotos: União Brasil/ Divulgação

A proposta de acordo de delação premiada entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, traz em seus anexos citações a pelo menos dois políticos de peso: o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ACM Neto (União-BA), candidato a governador e ex-prefeito de Salvador. O documento, que possui 17 anexos detalhando suspeitas de crimes financeiros, está na fase de ajustes finais antes da assinatura.

 

No anexo que envolve o senador petista, Mansur relata que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pediu que ele comprasse ingressos — avaliados em R$ 63,3 mil — para o show da cantora Taylor Swift no Allianz Parque (hoje Nubank Parque) em 2023. Os bilhetes foram usados para presentear Jaques Wagner.

 

Procurado pelo UOL, Wagner disse que a compra foi "um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos". Disse ainda que "não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag."

 

Já em relação a ACM Neto, a delação aponta que ele é dono exclusivo de um fundo de investimento, o Seattle 95, que era gerido pela Reag até 2025. Através dele, fez uma aplicação no fundo Structure, de empréstimos consignados originados pelo Banco Master. O Seattle 95 aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, em quatro compras entre novembro de 2021 e julho do ano passado. Em fevereiro de 2023, o fundo chegou a ter 98,6% de todo o seu patrimônio nessa única aplicação.

 

ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em dez depósitos. O patrimônio chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, um ganho de R$ 4,01 milhões, rendendo em média 17% ao ano.

 

Também procurado, Neto disse que é cotista do fundo de investimentos Seattle, "criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita". Ele acrescentou: "Para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país. A rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade de mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade."

 

A Reag DTVM administrava também o Astralo 95, o Haena 808 — que pertence a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master — e o Whynot, de Valério Marega Júnior, gestor investigado no caso Jaques Wagner.

 

FOCO EM VORCARO E BANCO MASTER
Apesar das citações aos políticos, o alvo central da delação de Mansur é Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Pelo acordo, o executivo da Reag deve pagar R$ 40 milhões em multas, o equivalente ao que recebeu da empresa enquanto ela estava operando.

 

Mansur tentou, sem sucesso, fazer uma delação conjunta com Vorcaro quando os dois eram clientes do criminalista José Luís de Oliveira. As informações prestadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes pela PGR e pela Polícia Federal. Depois de Oliveira deixar o caso, o criminalista Aloísio Medeiros assumiu a defesa de Mansur.

 

Em sua delação, Mansur diz que a Reag atuava prestando serviços para o Master e Vorcaro desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco, estruturando operações com fundos de investimento. Segundo o executivo, fundos da Reag foram usados para desviar dinheiro do banco, com laranjas como beneficiários e uso de estruturas offshore. Mansur entregou à PGR extensa documentação sobre essas transações e detalhou negociações feitas diretamente com Vorcaro, afirmando que ficou claro que ele sabia dos desvios e estava por trás deles.

 

FALTA ASSINATURA
O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.

 

Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.

 

O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.

 

Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.

 

EXECUTIVO INVESTIGADO
No ano passado, Mansur foi alvo da Operação Carbono Oculto, em que a Reag, gestora e administradora de fundos depois liquidada pelo Banco Central, apareceu como suspeita de funcionar para lavagem de dinheiro do crime organizado. Os fatos relatados na delação de Mansur incluem o objeto desta operação: fundos da Reag usados por Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o Primo e Beto Louco, empresários do setor de combustíveis.

 

Depois, Mansur foi investigado pela relação com o Banco Master na Operação Compliance Zero, relatada no STF por André Mendonça. O executivo também está negociando com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), responsável pela investigação da Carbono Oculto.

 

USO DE FUNDOS
No anexo em que trata de Vorcaro, o ex-dono da Reag identificou laranjas que operavam como cotistas de fundos para o banqueiro. Um dos casos é do Jaguar Multimarket Fund Ltd, fundo registrado nas Ilhas Cayman para onde o Master mandou R$ 494 milhões. No papel, o beneficiário do Jaguar é Benjamim Botelho — parceiro de negócios do Master e ex-dono da Sefer, gestora investigada também na Compliance Zero —, mas Mansur afirma que o verdadeiro dono é Vorcaro.

 

COMO O DINHEIRO CIRCULAVA

Investigações do Banco Central e da PF apontam que o esquema funcionava da seguinte forma:

  • O Master emprestava dinheiro a empresas recém-criadas, sem operação real;

  • Essas empresas aplicavam os recursos em fundos administrados pela Reag;

  • Em poucos minutos, o dinheiro passava por fundos ligados aos mesmos intermediários e era usado para comprar ativos de pouco ou nenhum valor de mercado;

  • Esses ativos eram registrados nos balanços dos fundos por valores muito acima do real — inflando artificialmente o patrimônio informado aos cotistas e ao mercado.

 

Um exemplo concreto: o fundo High Tower "comprou" R$ 850 milhões em carteiras de crédito podres do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) — papéis sem valor prático — e os registrou como se valessem R$ 10 bilhões.

 

Assim, o banco conseguia tirar as dívidas podres do próprio balanço e transferi-las ao mercado de capitais, onde reapareciam "limpas" e supervalorizadas dentro de fundos de investimento.

 

Ao todo, seis fundos da Reag somavam R$ 102,4 bilhões em patrimônio informado — valor que reflete o tamanho da estrutura sob suspeita, não necessariamente o montante efetivamente desviado do Master. Segundo os investigadores, a triangulação teria começado entre 2023 e 2024, quando o banco enfrentava problemas de caixa.

Dino autoriza PF a obter dados da produtora de “Dark Horse” e Flávio diz que não vai apresentar prestação de contas
Foto: Reprodução Redes Sociais

Os gastos de R$ 75 milhões com o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltaram à ordem do dia em Brasília, depois de um longo tempo sem novas informações a respeito do tema. Nesta segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Polícia Federal e autorizou que a corporação tenha acesso aos dados da operação contra a produtora do filme. 

 

Pela decisão de Dino, a Polícia Federal poderá acessar informações obtidas após uma operação, realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo, contra Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. A ação da Polícia Civil mirou suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos.

 

Também nesta segunda (24), o senador Flávio Bolsonaro sinalizou à imprensa, por meio de interlocutores, que não vai apresentar a prestação de contas do que foi gasto para a realização do filme. Em maio, quando vieram à tona vazamentos da sua conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro e o pedido de R$ 61 milhões para fazer o filme, o senador do PL disse publicamente que apresentaria “em no máximo 30 dias” a prestação de contas sobre os recursos repassados a “Dark Horse”. 

 

De acordo com a CNN, a justificativa dada por Flávio Bolsonaro é de que ele não tem acesso a todos os dados necessários para fazer a prestação de contas, já que o filme é feito pela produtora Go Up Entertainment.

 

Nos bastidores, a campanha de Flávio Bolsonaro admite que o candidato errou ao se precipitar em anunciar uma prestação de contas pública sem que fosse possível ter acesso aos dados. E que o candidato a presidente não tem ligação direta com a administração dos recursos e que uma eventual publicidade dos dados depende apenas da produtora.

 

Integrantes da campanha dizem ainda que a responsabilidade pela prestação de contas é e sempre foi da produtora, já que o contrato para a execução do filme foi feito por ela. Entretanto, foi Flávio Bolsonaro quem apareceu em áudios pedindo dinheiro para o filme, e falando com Vorcaro da necessidade de efetuar pagamentos aos atores, à equipe etc. 

 

A Polícia Federal suspeita que os recursos possam ter sido destinados para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, já que o dinheiro dado por Vorcaro passou pela conta do advogado do ex-deputado. Um inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça foi aberto em 21 de julho para apurar essas suspeitas.
 

Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

 

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.

 

"Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas", completou.

 

O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.

 

"Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial", disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.

 

O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.

 

O fundo teve papel importante durante o Plano Real e a crise mundial de 2008, dando segurança aos correntistas.

 

Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.

 

Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.

 

O evento também inaugurou a exposição "O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional", que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.

Sócio de João Roma teria firmado contratos de R$ 19,7 milhões com Banco Master 
Foto: Max Hack

Sócio do presidente do Partido Liberal na Bahia e candidato ao Senado Federal, João Roma, firmou ao menos R$19,7 milhões em contratos com o Banco Master nos últimos anos. Os repasses a empresa foram divulgados pela Folha de São Paulo e as informações societárias foram obtidas pela jornalista Milena Teixeira, no Jornal Metrópoles, nesta quinta-feira (13).  (A reportagem foi atualizada às 09h45 para correção dos créditos)

 

Roma é sócio do empresário Alfredo Pacheco Pereira Neto, dono de uma corretora que firmou, em 2021. Roma divide com Pacheco, também desde 2021, a sociedade na Prata da Chapada, empreendimento ligado a uma fazenda produtora de bananas. À Justiça Eleitoral, Roma afirmou possuir inclusive 50% das cotas do negócio, avaliadas em R$ 100 mil, segundo sua declaração.  

 

A parceria foi firmada quando o candidato ainda ocupava o Ministério da Cidadania. Os contratos de Alfredo Pacheco com o Master, no entanto, envolvem apenas a corretora. 

 

Em nota, a AB Serviços afirmou que os serviços prestados ao grupo de Vorcaro tiveram “comprovação técnica” e envolveram “atividades de consultoria, assessoria e relacionamento comercial”. Segundo a empresa, os “contratos foram firmados regularmente, no âmbito privado, com o devido recolhimento dos tributos e sem utilização de recursos públicos”.

 

Sobre a relação com João Roma, Alfredo destacou que “a empresa Prata da Chapada, da qual ambos são sócios, produz banana e não tem qualquer relação com outras atividades, muito menos qualquer relação com a empresa AB”. Em nota, a defesa afirma que “Alfredo e João Roma não são sócios em nenhuma outra empresa. Alfredo informa ainda que não há qualquer relação entre a prestação de serviço da AB ao Master e João Roma, muito menos João Roma teve qualquer papel na aproximação da AB serviços com o citado Banco”.

 

João Roma reiterou a informação. “João Roma salienta que a Prata Chapada não tem qualquer outra finalidade que não seja a produção agropecuária e ressalta que está há quatro anos sem cargo público e, neste tempo, se dedicou a suas atividades privadas e às atividades partidárias. Roma, contudo, diz estranhar que este assunto tenha sido requentado”, declarou.

 

No caso da corretora de Alfredo, a AB Serviços de Corretagem Financeira, o quadro societário também inclui o advogado Bruno Martinez Carneiro Ribeiro Neves, atual superintendente do Ibama na Bahia.

 

Bruno foi nomeado para o cargo em 17 de novembro de 2023 pela então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. O posto de superintendente estadual, de código CCE 1.13, tem remuneração bruta atualmente na faixa de R$11 mil a R$13 mil.

 

Procurado pela coluna, o advogado confirmou ter sido sócio da AB Serviços, mas afirmou que se afastou da sociedade em 2023 para se dedicar às atividades na autarquia.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Tenho pra mim que os nepo babies parecem meio perdidos. Alguém precisa dar uma orientação pra eles. Tem até filho feio confundindo o próprio pai. Enquanto isso, o Cacique vai ter que lutar pra afastar a imagem de pé frio, e Zoião tenta convencer que é desenrolado. Mas quem tá passando uma mensagem meio confusa é o Rambo. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes
Foto: Luiz Silveira / STF

"Somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos". 

 

Disse o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao encaminhar um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, no qual cita uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.

Podcast

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A sabatina faz parte da série especial "Vota BN", dedicada a sabatinar as principais lideranças políticas na disputa pelo Executivo estadual e pelo Senado nas eleições de 2026. O programa é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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