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Artigos

Leonardo Góes
O contingenciamento ilegal que compromete o Brasil
Foto: Divulgação

O contingenciamento ilegal que compromete o Brasil

Há uma prática silenciosa, mas de consequências ruidosas, que se instalou no coração da administração pública federal brasileira: o contingenciamento dos recursos destinados às agências reguladoras — medida que, além de tecnicamente equivocada, é expressamente vedada pela legislação vigente. A Lei nº 9.986/2000, que dispõe sobre a gestão de recursos humanos das agências reguladoras, e as leis específicas de criação de cada agência são categóricas ao garantir autonomia administrativa e financeira a esses entes. O contingenciamento de suas dotações orçamentárias não é apenas uma má política pública — é um ato à margem da legalidade. Ignorar esse fato é, no mínimo, uma demonstração preocupante de desconhecimento sobre o papel que essas instituições exercem no Estado brasileiro.

Multimídia

Deputado Leur Lomanto Jr. defende reformulação do processo eleitoral e critica “fragilidade” no vínculo partidário

Deputado Leur Lomanto Jr. defende reformulação do processo eleitoral e critica “fragilidade” no vínculo partidário
Com o fechamento da janela partidária no início de abril, o deputado federal Leur Lomanto Júnior (União) defendeu uma reformulação no processo eleitoral brasileiro, na tentativa de reforçar os vínculos partidários. Em entrevista ao Projeto Prisma, nesta segunda (13), o parlamentar destaca que o modelo atual de legislação eleitoral permite mudanças “radicais” nas filiações e fragiliza o vínculo entre os candidatos e partidos.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

banco master

PF faz operação para apurar gestão temerária de recursos públicos e aplicações no Banco Master
Foto: Reprodução / CNN Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (23), uma operação no âmbito de investigação que apura possível prática de gestão temerária de recursos de Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) no município de Santo Antônio de Posse, no interior de São Paulo.

 

Segundo a corporação, o foco do inquérito são aplicações financeiras em Letras Financeiras (LFs) que somam R$ 13 milhões, emitidas pelo Banco Master.

 

Durante a ação, policiais federais cumprem seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. Também foram determinadas medidas cautelares de afastamento de função pública e indisponibilidade de bens, expedidas pela 9ª Vara Federal de Campinas.

 

De acordo com a Polícia Federal, são alvos da operação um ex-diretor de instituto de previdência, uma supervisora de gestão e três servidores que integravam o comitê de investimentos à época dos fatos e que permanecem nas funções.

 

As informações são da CNN Brasil.

Ex-presidente do BRB contratou ex-ministro de Dilma para sua defesa com objetivo de fazer delação, diz colunista
Foto: Divulgação Banco Master e Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

Seguindo o mesmo caminho do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, decidiu trocar a sua equipe de defesa com objetivo de iniciar negociações para fechar um acordo de delação premiada. Costa será defendido pelo advogado Eugênio Aragão, que foi ministro da Justiça no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. 

 

A informação sobre a mudança de advogado foi dada pela colunista Malu Gaspar, do site de O Globo. Fontes da jornalista afirmaram que o ex-presidente do BRB, que está preso, precisa “passar à frente” de Vorcaro porque sabe que, se o dono do Master fechar o seu acordo antes, será ainda mais difícil para ele oferecer informações relevantes o suficiente para obter um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

 

Paulo Henrique Costa é acusado pela Polícia Federal de corrupção passiva e lavagem de dinheiro de propinas recebidas do Master para aprovar as compras de carteiras fraudulentas durante o processo em que o BRB tentava autorização para compra do banco de Daniel Vorcaro. Os investigadores identificaram seis imóveis que teriam sido recebidos como propina, quatro em São Paulo e dois em Brasília, avaliados em R$ 146 milhões no total.

 

De acordo com a PF, R$ 74,6 milhões foram efetivamente pagos – o pagamento total não teria sido efetuado porque Vorcaro teria tido conhecimento da investigação sigilosa aberta pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar as transações.

 

Nesta quarta-feira (22), o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou julgamento virtual na Segunda Turma para confirmar ou não a manutenção da prisão de Paulo Henrique Costa. Os ministros André Mendonça e Luiz Fux votaram para manter a prisão do ex-presidente do BRB.  

 

Em sessão virtual, Mendonça, relator do caso, reforçou os argumentos citados na ordem de prisão de Costa, expedida na semana passada. Fux acompanhou o colega sem apresentar um voto escrito. O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para se manifestar sobre a prisão.
 

Daniel Vorcaro passa mal na sede da Polícia Federal em Brasília e recebe atendimento médico
Foto: Reprodução / SAP

O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou mal enquanto estava detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, e precisou de atendimento médico.

 

O episódio ocorreu na última segunda-feira (20). O médico responsável realizou exames e, após avaliação, liberou o banqueiro para permanecer na unidade da PF.

 

De acordo com aliados de Vorcaro, há previsão de realização de novos exames nos próximos dias em ambiente hospitalar. Para isso, será necessária autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

 

Conforme já noticiado, o empresário permaneceu cinco dias sem contato com seus advogados. O período teve início na sexta-feira (17), em razão de uma dedetização nas dependências da PF, e se estendeu até a terça-feira (21), feriado de Tiradentes.

Governadora do DF critica má vontade da gestão Lula e diz ter impressão de que querem que o "BRB quebre"
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (20), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, disse enxergar pouca boa vontade do governo Lula de ajudar na recuperação do Banco de Brasília (BRB), envolvido em operações ilegais junto ao Banco Master. A impressão da governadora é de que o Palácio do Planalto e o Ministério da Fazenda desejam que o “BRB quebre”. 

 

“Todos os bancos privados têm sentado, têm negociado com o BRB. Os únicos bancos que não têm negociado com o BRB são a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. A impressão que se passa por parte do governo federal é de que a vontade dele é que o banco do Distrito Federal quebre mesmo, independentemente de responsabilidade de quem quer que seja”, disse Celina à CNN.

 

Para a governadora do DF, uma ajuda do governo federal para evitar uma eventual liquidação do BRB “não seria nenhum favor”. Celina Leão esteve no início do mês com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, em busca de soluções para o equilíbrio financeiro do BRB. 

 

À CNN, Celina Leão negou que haveria disposição para discutir contrapartidas do Distrito Federal — como uma mudança do cálculo do fundo constitucional do DF — em um eventual socorro da União ao banco.

 

“O governo do PT tentou por duas vezes retirar isso [o fundo constitucional do DF] de nós. Nós enfrentamos com muita firmeza, e não vai ser agora, diante de uma dificuldade, que eles vão colocar isso na mesa e nós vamos acatar. Não há a mínima possibilidade de recuo para esse tipo de diálogo”, destacou.

 

Em tom crítico ao governo Lula, Celina disse que a postura do governo, de impor dificuldades para salvar o BRB da falência, não seria “republicana”. Apesar das críticas, ela aproveitou e fez um apelo para que o Poder Executivo pense “nos trabalhadores”, e mencionou os cerca de seis mil servidores cotistas do BRB e que dependem exclusivamente do banco.

 

“Quando você deixa um banco quebrar, você traz um cenário muito instável para o mercado financeiro. Então, acho que a responsabilidade não era de colocar uma negociação na mesa, a responsabilidade era institucional, pensando nos trabalhadores”, explicou a governadora do DF.
 

Ilha paradisíaca na Bahia ligada ao Banco Master já recebeu Daniela Mercury, Gianecchini e Brown
Foto: Divulgação

Um destino paradisíaco localizado ao norte de Candeias, Região Metropolitana de Salvador (BA), passou a receber todos os holofotes nos últimos dias após a ligação com o Banco Master.

 

A Ilha da Paixão, rebatizada com esse nome em meados de 2023, teve seu direito de ocupação vendido por R$ 1,3 milhão, em julho de 2023, à empresa RC Participações, Assessoria e Consultoria Empresarial S.A., segundo documento do cartório de Candeias obtido pela coluna de Milena Teixeira, do Metrópoles.

 

O local já recebeu diversas estrelas brasileiras para eventos voltados para a elite de Salvador, com ingressos que chegavam a ultrapassar R$ 500.

 

De acordo com a colunista, artistas como Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Reynaldo Gianecchini e Jau, chegaram a cantar no local, que recebeu a festa SIM, organizada pela produtora Diva Entretenimento.

 

A RC, atual proprietária da ilha, é uma sociedade anônima com capital de R$ 45,5 milhões que foi adquirida pelo Falcon Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, por meio de contrato celebrado em 18 de janeiro de 2023.

 

A publicação ouviu dez pessoas, que afirmaram que a ilha foi adquirida por Augusto Lima do empresário Eduardo Valente. Um documento da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostra que Valente repassou à RC o direito sobre o heliponto da ilha em julho daquele ano.

 

Ainda de acordo com as fontes da coluna, o ex-sócio de Vorcaro promoveu ampla reforma após a aquisição do local.

 

Augusto Lima foi procurado para falar sobre o caso, no entanto, a defesa do empresário informou que ele não irá se manifestar. 

Após escândalo do Master, crise de reputação do STF bateu recorde histórico, revela pesquisa Quaest
Foto: Edu Mota / Brasília

A crise reputacional do Supremo Tribunal Federal (STF) avança em ritmo acelerado, e pesquisas recentes mostram que mais da metade da população desconfia da atuação dos ministros da Corte, patamar inédito verificado pelos institutos. É o que revela a Coluna do Estadão, na edição do jornal paulista deste domingo (19). 

 

De acordo com a coluna, em meio ao escândalo do Banco Master e das revelações de envolvimento de magistrados com o banqueiro Daniel Vorcaro, um recorte da última pesquisa Genial/Quaest, feita com entrevistas de 10 a 13 de abril, mostra que pela primeira vez em uma série histórica iniciada em 2022, mais da metade da população desconfia do Supremo. 

 

O índice de brasileiros que afirmam não confiar nos ministros do STF é recorde e chegou a 53% em abril deste ano. A parcela que confia na Corte é de 41%. O restante não soube ou não respondeu. 

 

Para se ter ideia de como a credibilidade do Judiciário vem derretendo, segundo dados obtidos pela Coluna do Estadão, na primeira vez que o levantamento foi feito pela Quaest, 56% dos entrevistados tinham avaliação positiva do STF.

 

O cruzamento das linhas positiva e negativa e a tendência de queda mais acentuada da credibilidade do STF ocorreram entre agosto de 2025 e março de 2026, ou seja, justamente quando o escândalo do Master estourou. Em agosto do ano passado, a maioria (50%) confiava na atuação dos ministros e 47% não. 

 

A linha positiva começou a cair a partir de então e, em março, a descrença superou a avaliação positiva, chegando agora a 53% de desconfiança.

 

Os dados estratificados mostram que a percepção sobre os ministros do STF varia significativamente conforme a região e a renda do entrevistado. A maior taxa de rejeição à Corte está no Sul, com 62%, e no Sudeste, 59%. Há também a análise de que, quanto maior é a renda familiar do entrevistado, maior é a falta de confiança no Supremo. 

 

Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, 60% não acreditam no STF. Entre os que recebem até dois salários mínimos, o cenário é de empate técnico – 47% desconfiam e 45% não, aponta o recorte da Quaest divulgado pela Coluna do Estadão.
 

Escritório de advogados da Bahia entra na mira da PF sobre caso Banco Master
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Um escritório de advocacia com sede em Salvador passou a ser alvo de atenção da Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações relacionadas ao caso Banco Master.

 

De acordo com a Folha de S. Paulo, entre os 91 escritórios de advocacia que receberam, ao todo, R$ 543 milhões do banco ao longo de quatro anos, um deles deve ter tratamento prioritário nas apurações.

 

Trata-se do escritório Gabino Kruschewsky Advogados, apontado como o quarto que mais recebeu recursos do banco comandado por Daniel Vorcaro, com repasses que somam R$ 54 milhões entre os anos de 2022 e 2025. O escritório tem como um dos sócios Eugênio Kruschewsky, procurador do Estado da Bahia, e está sediado em Salvador, cidade que também é origem de um dos principais produtos do Banco Master, o Credcesta.

 

Em nota enviada à reportagem, o escritório informou ter atuado em 45 mil processos em favor do Banco Master, com mais de 30 mil ainda em andamento. No entanto, conforme certidão de distribuição do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), existem quase sete mil processos registrados em nome do banco.

 

Entre as ações judiciais movidas contra o Banco Master, se destacam duas ações coletivas propostas pela Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia. À época, a entidade era presidida por Carlos Kauark Kruschewsky. As ações teriam sido ajuizadas para questionar supostas irregularidades em empréstimos consignados do Credcesta, que pertenceu à Empresa Baiana de Alimentos [Ebal], cuja gerente jurídica era Luiá Kruschewsky.

 

Ainda segundo informações, a defesa do Banco Master nessas ações foi conduzida por Eugênio Kruschewsky, procurador do Estado da Bahia e primo de André Kruschewsky, então diretor jurídico da instituição financeira, responsável pela contratação do advogado.

 

Ao Bahia Notícias, o escritório encaminhou posicionamento para esclarecer alguns pontos relevantes. "O escritório não atua apenas no Estado da Bahia. Sua operação é nacional, com presença em 19 unidades da federação: AC, AP, AM, CE, PE, PI, TO, AL, RN, SE, RJ, PR, BA, PA, PB, ES, MA, RR e RO", diz a nota.

 

"Por essa razão, o volume de processos sob sua condução é significativamente superior aos cerca de 7 mil mencionados, número que se refere apenas ao estado de origem da banca", finalizou o escritório. 

Governo da Bahia nega transferência de recursos a associação vinculada ao Banco Master; entenda
Foto: Divulgação

O governo estadual da Bahia negou a realização de transferência de recursos à associação vinculada a Augusto Lima, ex-diretor do Banco Master. Em nota enviada à imprensa neste sábado (11), o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) alegou que os valores repassados à Associação dos Servidores da Saúde do Estado (Asseba) são referentes a descontos realizados na folha de pagamento dos funcionários associados, mediante autorização. 

 

O caso veio a público nesta sexta-feira (10), por meio de uma reportagem do Estadão. Segundo as informações obtidas pela reportagem, o governo da Bahia teria realizado uma transação financeira de R$ 140,1 milhões à associação de servidores controlada pelo ex-diretor do Banco Master, Augusto Lima. A partir desse pagamento, a entidade de Lima teria repassado o valor a empresas dele mesmo e ao próprio Banco Master.

 

Em nota, o governo destaca que “não é uma operação financeira, não é empréstimo consignado, não decorre do Credcesta, que não foi criado em 2018 como diz a matéria, mas, em 1996, pelo então governador Paulo Souto”, diz. 

 

A gestão estadual ainda aponta que “o desconto em folha de taxa associativa está permitido em lei e decorre obrigatoriamente da autorização do servidor”, e que, portanto, o pagamento seria um repasse e não um investimento. 

 

Considerando este formato de operação, o governo baiano destaca que os contratos entre os servidores e a instituição financeira mencionada são privados. “O Estado da Bahia não controla ou gerencia nenhuma associação de servidores, não podendo ser envolvido como responsável no destino dado por qualquer associação aos valores pagos por seus associados.” 

 

Confira o texto na íntegra: 

“Não é verdade que o governo “injetou” 140 milhões em uma associação de servidores controlada por Augusto Lima, que teria repassado recursos ao banco de Daniel Vorcaro. O governo da Bahia nunca investiu um centavo nas associações citadas pela matéria.

Os valores em questão se referem a descontos em folha de pagamento da taxa de associação autorizado pelos servidores associados. Näo é uma operação financeira, não é empréstimo consignado, não decorre do Credcesta, que por sinal não foi criado em 2018 como diz a matéria, mas, em 1996 pelo então governador Paulo Souto.

O desconto em folha de taxa associativa está permitido em lei e decorre obrigatoriamente da autorização do servidor. Trata-se de repasse. O Estado da Bahia não controla ou gerencia nenhuma associação de servidores, não podendo ser envolvido como responsável no destino dado por qualquer associação aos valores pagos por seus associados. 

Cabe esclarecer ainda que, esta situação sequer se coloca no mesmo enquadramento jurídico do crédito consignado, apesar de o estado, também neste caso, ser mero repassador de descontos autorizados por servidores para diversos bancos credenciados. O contrato neste caso também é entre privados, o servidor e a instituição financeira”

 

Governo da Bahia pagou R$ 140 mi a associação que repassou R$ 101 mi ao Master, diz relatório do Coaf
Foto: AL-BA

O governo da Bahia realizou um pagamento de R$ 140,1 milhões à associação de servidores controlada pelo ex-diretor do Banco Master, Augusto Lima. A partir desse pagamento, a entidade de Lima teria repassado o valor a empresas dele mesmo e ao próprio Banco Master. É o que aponta um dos relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que foi entregue à CPI do Crime Organizado. 

 

As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (11) pelo Estadão e o relatório expõe transações no período entre maio de 2024 e novembro de 2025, no governo de Jerônimo Rodrigues (PT). A associação vinculada a Augusto Lima é a  Associação dos Servidores da Saúde do Estado (Asseba).

 

O documento do Coaf diz que R$ 65 milhões foram transferidos diretamente pela secretaria estadual da Fazenda, e outros dois fundos de pensão de servidores públicos estaduais, geridos pelo governo da Bahia, realizaram o pagamento dos outros R$ 74,1 milhões, antes que os valores fossem repassados ao Master. 

 

A entidade, conforme destacou o Coaf, é gerida pelo Instituto Terra Firme, fundado por Augusto Lima e atualmente comandado pela sua mulher, Flávia Peres, ex-ministra da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL). O governo estadual e a equipe de Augusto Lima não se manifestaram sobre o assunto.

Gilmar Mendes também voou em aviões de Vorcaro; lista de viajantes inclui Moraes, Toffoli e Nunes Marques
Foto: Antonio Augusto/STF

O ministro Gilmar Mendes, de acordo com reportagem divulgada pelo jornal Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (9), aumentou a lista de magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF) que voaram em aviões pertencentes ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o Estadão, Gilmar voou de Diamantino (MT) até Brasília em um avião da Prime You, empresa da qual Vorcaro, era sócio. 

 

Além de Gilmar, revelações de veículos de imprensa nas últimas semanas mostraram que também utilizaram aviões ligados a empresas de Daniel Vorcaro os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. Moraes e sua esposa, Viviane Barci, foram um dos mais assíduos a utilizar os jatinhos, com oito viagens para os aeroportos de Congonhas e Catarina, em São Paulo. 

 

Sobre Gilmar Mendes, o Estadão revela que no dia 1º de janeiro do ano passado, o magistrado embarcou em voo de Diamantino (MT), onde seu irmão, Chico Mendes, tomou posse como prefeito. Gilmar teria ido da cidade até Brasília em um dos modelos operados pela empresa.

 

Ao Estadão, a companhia confirmou a viagem, por meio de sua assessoria. A empresa informou ainda que Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, tem uma cota da aeronave operada pela Prime, mas negou relação pessoal ou comercial do executivo com Vorcaro.

 

Registros de movimentação no Aeroporto de Brasília obtidos pela reportagem do Estadão indicam que o avião identificado pelo código PT-PVH saiu de Diamantino às 16h38 do dia 1º de janeiro de 2025 com destino a Brasília. O modelo, um Phenom 300 da Embraer, pertence à PT-PVH Administração de Bem Próprio, presidida por Marcus Vinícius da Mata, sócio da Prime You, que opera a aeronave.

 

Procurado pelo jornal Estado de S.Paulo, Gilmar negou ter conhecimento sobre a relação da aeronave com a companhia de Vorcaro. O ministro disse ter aceitado uma carona oferecida pelo empresário Marcos Molina, presidente do Conselho de Administração da MBRF, grupo que resultou da fusão entre dois dos maiores frigoríficos do País, a BRF e a Marfrig.
 

Empresa de Leo Dias recebeu R$ 9,9 milhões do Master e outros R$ 2 milhões de firma ligada ao banco, diz Coaf
Foto: Reprodução / SBT

Uma empresa do jornalista Leo Dias recebeu ao menos R$ 9,9 milhões diretamente do Banco Master, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A informação é do Estadão.

 

Segundo o documento, a instituição financeira ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro realizou seis pagamentos à Leo Dias Comunicação e Jornalismo entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. Além disso, o jornalista recebeu outros R$ 2 milhões de uma empresa que teve aportes do Master como principal fonte de receita, conforme outro informe do Coaf.

 

Em nota, Leo Dias afirmou que os valores estão relacionados a um contrato de publicidade firmado com o Will Bank, que integrava o conglomerado do Banco Master e posteriormente foi liquidado pelo Banco Central.

 

“O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”, declarou.

 

De acordo com o relatório, R$ 34,9 milhões foram movimentados nas contas da empresa do jornalista ao longo dos 15 meses analisados pelo órgão. Os repasses do Banco Master correspondem a cerca de 28% do faturamento da Leo Dias Comunicação no período.

Coaf aponta repasse de R$ 27 milhões do Banco Master ao Metrópoles e movimentações para empresas ligadas a Luiz Estevão
Foto: Reprodução / SBT

O Banco Master repassou R$ 27,2 milhões ao site de notícias Metrópoles entre 2024 e 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O veículo é comandado pelo ex-senador Luiz Estevão. As informações foram reveladas pelo jornal Estadão.

 

De acordo com o documento, os pagamentos foram classificados como suspeitos. O relatório aponta que o Metrópoles realizou “débito imediato” de valores recebidos do banco para outras empresas da família de Luiz Estevão, o que, segundo o Coaf, “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.

 

O órgão também classificou os aportes como “inusitados” e destacou que a movimentação financeira do veículo seria “incompatível com o faturamento médio mensal”.

 

Procurado, Luiz Estevão afirmou que os repasses se referem ao patrocínio do Will Bank — que pertencia ao Banco Master — à transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, realizada pelo Metrópoles, além da venda dos naming rights da competição. Sobre as transferências para empresas da família, o ex-senador declarou que pode dar a destinação que considerar adequada aos valores recebidos.

 

Ao todo, o Banco Master transferiu R$ 27.283.800 à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA. No segundo semestre de 2024, foram realizados dois pagamentos que somaram R$ 838,8 mil. O restante dos valores foi repassado entre janeiro e outubro de 2025.

BRB comprou R$ 30,4 bilhões em ativos do Banco Master e manteve aquisições após identificar fraudes, apontam documentos
Foto: Agência Brasil

O Banco de Brasília (BRB) adquiriu R$ 30,4 bilhões em carteiras do Banco Master desde 1º de julho de 2024, segundo planilhas de prestação de contas obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI).

 

Além desse montante, outros R$ 10,8 bilhões foram incorporados por meio de operações classificadas como “substituições”. Nesse modelo, o BRB devolvia ao Master carteiras consideradas problemáticas do Credcesta e recebia novos ativos em troca.

 

As aquisições começaram em julho de 2024 e envolveram diferentes tipos de ativos, incluindo crédito de varejo, atacado, CDI, CRI e fundos. Em março de 2025, o BRB identificou que parte das carteiras adquiridas apresentava indícios de fraude.

 

Apesar disso, as negociações não foram interrompidas. Após a identificação das irregularidades, o banco realizou novas compras que somaram R$ 20,7 bilhões em produtos do Master.

 

Outro ponto mencionado nos documentos é a negativa do Banco Central do Brasil à tentativa de aquisição do próprio Banco Master pelo BRB, em setembro de 2025. Mesmo após a rejeição, o BRB repassou mais R$ 1,9 bilhão à instituição financeira.

 

Todas as informações são do Metrópoles.

Revista diz que Vorcaro não deve comprometer Lula nem Flávio e quer que delação "seja positiva para o país"
Foto: Reprodução Redes Sociais

Informações obtidas pela coluna Radar, publicada na edição desta sexta-feira (3) da revista Veja, afirma que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, até o momento, não indicou que na sua delação premiada irá apresentar provas contra os dois principais candidatos a presidente, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. 

 

Vorcaro, que está preso desde o dia 4 de março na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, está separando sua delação em blocos, e segundo a coluna Radar, o que teria aparecido até agora indica que nem Lula nem Flávio Bolsonaro devem ser incriminados. Já no capítulo sobre o Congresso Nacional, a delação do dono do Banco Master deve apresentar revelações sobre conexões dele com uma bancada multipartidária.

 

A revista Veja teria recebido informações de que o dono do Master vem concentrando as informações sobre pagamentos de propinas e negociatas com políticos num único capítulo da sua delação. Há também um bloco específico sendo preparado por Vorcaro para citações que envolvem empresários e outro para o mercado financeiro.

 

Vorcaro também está separando informações sobre o que pretende contar a respeito de suas relações com o Banco Central. Em mais esse anexo exclusivo, de acordo com a Veja, além de detalhar os fatos já conhecidos, Daniel Vorcaro deve revelar o envolvimento de novos personagens na rede de lobby do Banco Master.

 

Em relação às relações com ministros do STF e seus familiares, paira um grande mistério sobre que fatos serão revelados por Vorcaro na sua delação. A coluna afirma que se surgir alguma acusação consistente, será o plenário do Supremo que decidirá sobre a abertura de investigação contra integrantes da Corte.

 

Já em um outro anexo que está sendo montado pelo ex-banqueiro, serão apresentadas informações contundentes a respeito da trama que envolveu a tentativa de compra do Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A coluna Radar diz que as revelações de Vorcaro comprometerão o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, candidato ao Senado. 

 

Interlocutores do dono do Master afirmam que ele deseja, com a sua delação, “fazer uma coisa positiva para o Brasil”. O prazo estimado por esses interlocutores de Vorcaro é de que a totalidade da delação será apresentada ao ministro André Mendonça, no Supremo Tribunal Federal (STF) em até 45 dias. 
 

Jerônimo envia à AL-BA projeto para modificar empréstimo de R$ 200 milhões firmado em 2021 por Rui Costa com o BRB
Foto: Wuiga Rubini / GovBA

O cenário de instabilidade no Banco de Brasília (BRB) levou o governador Jerônimo Rodrigues (PT) a enviar um projeto de lei que altera a instituição financeira responsável por um empréstimo de R$ 200 milhões contratado em 2021, durante a gestão de Rui Costa. A proposta foi recebida nesta segunda-feira (1º) pela Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), sob solicitação de tramitação em regime de urgência.

 

O PL proposto por Jerônimo altera um artigo da lei aprovada na AL-BA em 2021 para realizar a modificação do BRB pelo Banco do Brasil. Na justificativa, o governador não cita as suspeitas de envolvimento do banco da capital federal nos escândalos do Banco Master e informa que as motivações para a contratação da operação de crédito foram mantidas.

 

“A presente proposição visa promover ajustes na Lei nº 14.391, de 14 de dezembro de 2021, que autorizou o Poder Executivo a contratar operação de crédito interno, aperfeiçoando sua redação para explicitar a contratação da operação junto ao Banco do Brasil S.A [...] permanecendo inalteradas as finalidades da operação de crédito autorizada”, escreveu o governador.

 

O pedido de alteração ocorre durante investigações contra o BRB, as quais apontam um envolvimento com o operações fraudulentas do Banco Master. A estatal é citada na aquisição de ativos irregulares.

 

No mercado financeiro, o BRB anunciou na noite de terça (31) que iria cumprir o prazo definido em lei para divulgar o balanço consolidado de 2025.

 

A legislação brasileira prevê que todas as instituições financeiras no país têm até o fim de março para divulgar suas demonstrações financeiras do ano anterior.  O BRB não informou uma data prevista para a divulgação dos dados.

Perícia encontra mais de 8 mil vídeos em celulares de dono do Banco Master
Foto: Divulgação/SEAP-SP

Peritos que analisam os celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, identificaram mais de 8 mil vídeos. O material foi extraído de nove aparelhos ligados ao banqueiro, obtidos em diferentes fases da investigação. Além dos vídeos, há grande volume de outros arquivos digitais sob análise.

 

Entre os registros, há conteúdos pessoais e profissionais, com arquivos antigos e recentes. Os peritos têm separado interações corriqueiras do material que pode ter relevância para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise exige tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, segundo pessoas com acesso ao caso.

 

Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades também estão sendo analisadas. A avaliação, porém, é que registros de presença em eventos ou encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades.

 

Por isso, o material tem sido tratado com cautela, sendo necessário cruzamento com outras provas para verificar eventual relevância.

 

Segundo o jornal O Globo, a avaliação de peritos é que, à medida que os arquivos forem examinados, novas frentes de investigação podem ser abertas, inclusive com base em elementos ainda não identificados.

 

Vorcaro está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília desde 19 de março, onde negocia um possível acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal.

Ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima aportou R$ 75 milhões em fundo em um único dia, indicam documentos
Foto: Paulo Mocofaya / Agência AL-BA

Documentos financeiros apontam que o empresário Augusto Lima, ex-CEO e ex-sócio do Banco Master, realizou um aporte de R$ 75,3 milhões em um único dia em um fundo de investimento estruturado.

 

Segundo os registros, publicados pelo Metrópoles neste sábado (28), a movimentação ocorreu em 17 de setembro de 2019, por meio do fundo 918 FI MM CP, classificado como veículo de investimento restrito e gerido pela WNT Gestora. O período coincide com a fase de expansão do Banco Master no mercado de crédito consignado.

 

De acordo com extrato de movimentação de cotistas, o valor integral foi aplicado na mesma data. A WNT Gestora, responsável pela administração do fundo, também é mencionada em investigações por sua proximidade com o grupo ligado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

 

Atualmente, Augusto Lima figura entre os alvos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), que apura um suposto esquema de fraudes bilionárias e pagamento de propinas.

 

A defesa do empresário afirma que todas as movimentações financeiras realizadas por ele são lícitas e devidamente declaradas aos órgãos competentes.

Ex-noiva de Vorcaro se pronuncia pela 1ª vez, nega conhecimento sobre esquema e relata “linchamento” após vazamentos
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A influenciadora e modelo Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, fez sua primeira manifestação pública sobre as investigações envolvendo o Banco Master. Em carta divulgada nesta sexta-feira (27), ela afirmou estar vivendo as “piores semanas” de sua vida e negou qualquer conhecimento prévio sobre os supostos esquemas.

 

“Não, eu não sabia. Soube exatamente como a maioria dos brasileiros: pela imprensa”, escreveu.

 

Na manifestação, Martha rebateu suspeitas de que teria participado ou se beneficiado de eventuais irregularidades. Segundo ela, se autoridades, órgãos reguladores e parceiros de negócio não desconfiavam das atividades de Vorcaro, não haveria motivo para que ela questionasse o então companheiro.

 

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A influenciadora também negou ter recebido bens ou participado de ocultação de patrimônio investigada pela Polícia Federal. De acordo com o relato, seu patrimônio é resultado de uma carreira internacional iniciada ainda na adolescência.

 

“Não faço parte de nenhum trust, nem recebi imóveis, carros ou barco, como estão dizendo irresponsavelmente”, afirmou.

 

Ela destacou ainda que o relacionamento com Vorcaro, que durou cerca de um ano e oito meses, ocorreu majoritariamente à distância, com ela residindo nos Estados Unidos e o banqueiro no Brasil, o que limitava seu contato com a rotina e os negócios do ex-companheiro.

 

Martha também criticou o vazamento de mensagens pessoais anexadas ao processo, classificando a exposição como uma tentativa de “vulgarização”. Segundo ela, os efeitos da repercussão atingiram diretamente sua família, incluindo a filha de 6 anos.

 

“Fui linchada, cancelada e vulgarizada. A quem interessa tudo isso?”, questionou.

 

Enquanto a influenciadora tenta se desvincular do caso, Vorcaro, que está preso, negocia os termos de uma possível delação premiada no âmbito das investigações, que podem alcançar outros núcleos do sistema financeiro.

 

Em entrevista recente, o advogado da modelo, Lúcio de Constantino, afirmou que a cliente enfrenta um “estado de choque e profunda decepção” após a prisão do banqueiro.

 

Leia a íntegra da carta de Martha Graeff:

“Aos meus familiares, amigos, parceiros de trabalho e voluntariado, às pessoas que me acompanham no dia a dia e a todos os cidadãos de bem interessados em entender o que está acontecendo em nosso país e não apenas em julgar e punir injustamente - esclareço informações inverídicas e caluniosas que circulam a meu respeito.

Em primeiro lugar, sobre tudo que veio à tona nas últimas semanas: Não, EU NÃO SABIA. Soube exatamente como a maioria dos brasileiros: pela imprensa. E, não, eu não desconfiava, assim como também não sabiam e não desconfiavam os órgãos reguladores e autoridades, parceiros de negócio, clientes e tantos outros. Não havia contra ele qualquer investigação conhecida, sequer acusações. Além disso, ele atuava em uma área fiscalizada, regulada, eu simplesmente não tinha qualquer razão para não acreditar.

As últimas semanas têm sido as piores da minha vida e não atinge só a mim, mas também à minha filha, uma menina de 6 anos, e a meus familiares. Minha vida privada foi invadida, conversas íntimas, que nada têm a ver com as investigações em curso, vazaram e foram expostas de maneira criminosa - e conveniente. Fui linchada, cancelada e vulgarizada. A quem interessa tudo isso?

Eu me apaixonei por um homem que era especial não apenas comigo, mas também com a minha família e com os meus amigos. Um pai e um empresário bem-sucedido, respeitado por pessoas respeitáveis, não apenas no Brasil, mas no exterior. Nosso relacionamento de cerca de 1 ano e oito meses sempre foi à distância, eu morando nos Estados Unidos, ele no Brasil. Por isso, falávamos muito por mensagens.

Sobre as acusações de ter sido beneficiada pela transferência de bens para o meu nome, também não são verdadeiras. Nunca me envolvi em negócios do meu ex-namorado, nem sabia de detalhes de sua atuação. Não faço parte de nenhum trust, nem recebi imóveis, carros ou barco, como estão dizendo irresponsavelmente. Trabalho desde os meus 14 anos, portanto, há 26 anos, dos quais, moro fora do Brasil há mais de 20 anos. Todo meu patrimônio foi construído por mim e está devidamente declarado.

Me sinto quebrada por dentro e por fora, mas não escrevo essa manifestação como vítima. Estou aqui como mulher, como mãe e como profissional, tentando superar essa imensa dor. E com o mesmo esforço, foco e determinação que sempre tive até aqui, pretendo passar por esse momento de cabeça erguida.

Martha Graeff, em 27 de março de 2026”

CEO do Grupo Fictor, Rafael Góis é alvo da PF em operação que mira fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal
Foto: Reprodução/Linkedin

Rafael Góis, CEO e sócio do grupo Fictor, e o ex-sócio da instituição financeira Luiz Rubini estão entre os alvos de uma operação conjunta da Polícia Federal (PF) e da Polícia Militar (PM), deflagrada na manhã desta quarta-feira (25), que apura a atuação de uma organização suspeita de fraudes bancárias contra a Caixa Econômica Federal.

 

Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal em São Paulo e são cumpridos em municípios paulistas - Rio Claro, Americana e Limeira - além de cidades no Rio de Janeiro e na Bahia. A decisão judicial também determinou o bloqueio e o sequestro de bens imóveis, veículos e ativos financeiros até o limite de R$ 47 milhões. Segundo as investigações, o volume das fraudes pode ultrapassar R$ 500 milhões.

 

Também foram autorizadas medidas cautelares para rastreamento de ativos financeiros, incluindo a quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

 

De acordo com a PF, a investigação que resultou na Operação Fallax teve início em 2024, após a identificação de indícios de um esquema estruturado voltado à obtenção de vantagens ilícitas. As apurações apontam que o grupo atuava por meio da cooptação de funcionários de instituições financeiras e da utilização de empresas para movimentação e ocultação de valores.

 

Ainda conforme a investigação, a organização utilizava empresas de fachada e estruturas empresariais para dissimular a origem dos recursos ilícitos. Funcionários inseriam dados falsos em sistemas bancários para viabilizar saques e transferências indevidas. Em seguida, os valores eram convertidos em bens de alto valor e criptoativos, com o objetivo de dificultar o rastreamento.

 

Os investigados poderão responder por organização criminosa, estelionato qualificado, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção ativa e passiva, além de crimes contra o sistema financeiro nacional. Somadas, as penas podem ultrapassar 50 anos de reclusão.

 

GRUPO FICTOR
A holding administrada por Rafael Góis enfrenta processo de recuperação judicial com compromissos estimados em cerca de R$ 4 bilhões. A empresa é conhecida no mercado financeiro, entre outros fatores, pela ligação com o Banco Master, após uma tentativa de aquisição da instituição em novembro de 2025.

 

Fundada em 2007 com a proposta de atuar como empresa de soluções tecnológicas, a Fictor passou a expandir suas operações ao longo dos anos. Em 2012, realizou a primeira operação em private equity, movimento que impulsionou o crescimento do grupo. A partir de 2016, ampliou o portfólio de atuação e, em 2018, passou a operar também nos setores de commodities e agronegócio.

 

O pedido de recuperação judicial marca o momento mais recente da empresa. Segundo informações apresentadas no processo, a medida foi motivada por uma crise de liquidez associada à tentativa de aquisição do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025.

 

Ainda conforme os dados informados pela companhia, até 17 de novembro daquele ano foram realizados aportes de aproximadamente R$ 3 bilhões por sócios. Um dia depois, com a liquidação do Banco Master, houve aumento nos pedidos de resgate. Até 31 de janeiro de 2026, esses pedidos alcançaram cerca de 71,38% do total inicialmente investido.

Oposição quer aproveitar prorrogação de CPMI do INSS para instalar a do Master, mas STF pode reverter decisão
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Animados com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de exigir do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que atenda o pedido de prorrogação da CPMI do INSS, um grupo de parlamentares quer agora garantir o mesmo benefício tanto para a instalação da CPI do Banco Master no Senado, quanto para a criação da CPMI do Master com deputados e senadores.

 

No Senado, há um requerimento para criação da CPI do banco Master que conta com 51 assinaturas. O documento foi protocolado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), no final do ano passado, e a instalação da comissão é cobrada insistentemente nas sessões plenárias por diversos parlamentares.

 

Um dos senadores que deve assinar o mandado de segurança a ser apresentado no STF é o atual relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo Vieira, o pedido será para que seja instalada a CPI apenas no Senado, já que para uma comissão mista é necessária a convocação de sessão do Congresso.

 

Parlamentares que defendem a instalação da comissão mista sobre o Banco Master também aguardam com expectativa se a decisão sobre a prorrogação da CPMI do INSS a será ratificada pelos demais ministros do STF. O presidente do Supremo, Edson Fachin, marcou para esta quinta-feira (26) o julgamento da decisão de Mendonça a respeito da CPMI.

 

Segundo o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), a mesma “omissão” de Davi Alcolumbre apontada pelo ministro André Mendonça para justificar a prorrogação valeria para a criação da outra comissão referente ao Master. Isso porque tanto a prorrogação da investigação sobre o INSS quanto a instalação da CPMI sobre o banco de Daniel Vorcaro dependem da realização de uma sessão do Congresso Nacional, que ainda não foi convocada neste ano por Alcolumbre.

 

Em reação à determinação do ministro André Mendonça sobre a CPMI do INSS, o presidente do Congresso Nacional pediu um parecer jurídico da Advocacia do Senado para saber se teria que cumprir a medida. Alcolumbre também deve aguardar o resultado do julgamento desta quinta no STF para decidir se procede à leitura do requerimento de prorrogação.

 

Apesar do entusiasmo da oposição com a possibilidade de prorrogação da CPMI do INSS e talvez instalação de CPI do Master no Senado ou conjunta, nos bastidores, já haveria um movimento para derrubar a decisão do ministro André Mendonça. Segundo o site do jornal Estado de S.Paulo, integrantes do STF avaliam que existe uma jurisprudência para garantir que as minorias tenham seus direitos contemplados na abertura de CPIs, entretanto, essa prerrogativa não teria valor para a prorrogação do prazo dos trabalhos de uma comissão parlamentar.

 

Segundo a avaliação de ministros do tribunal feita ao Estadão, a prorrogação seria um ato discricionário do presidente da Casa, ou seja, cabe a ele decidir se toma essa atitude ou não a partir de uma avaliação política das investigações. Caberia ao Supremo atuar apenas em caso de omissão do presidente da Casa na tomada de decisão.

Um dia antes da prisão, Daniel Vorcaro pesquisou quem era juiz responsável por investigação
Foto: Divulgação / Banco Master

Um dia antes de ser preso, em novembro do ano passado, o empresário Daniel Vorcaro realizou uma pesquisa na internet sobre o juiz responsável pelo inquérito que resultou em sua detenção. A informação consta em material extraído do celular do investigado, apreendido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

 

De acordo com os registros, Vorcaro buscou no Google quem era o titular da 10ª Vara Federal de Brasília, onde tramitava, à época, o inquérito sigiloso. O print da pesquisa integra o conjunto de dados compartilhado pela Polícia Federal com parlamentares da CPI do INSS.

 

Segundo apuração, a consulta foi realizada em 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, por volta das 22h, Vorcaro foi preso ao tentar embarcar em um jatinho com destino a Dubai, com escala em Malta, sob suspeita de tentativa de fuga do país. As informações foram publicadas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

 

Ainda conforme a investigação, o material reforçou, entre investigadores, a suspeita de possível vazamento de informações relacionadas à apuração. As autoridades apontam que o ex-banqueiro e outros envolvidos teriam acessado sistemas do Ministério Público e da Polícia Federal, obtendo dados de procedimentos sigilosos.

 

No mesmo dia da pesquisa, Vorcaro também registrou, em um bloco de notas no celular, a anotação: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”. Conforme revelado pelo jornal Estadão, o conteúdo teria sido enviado a um destinatário não identificado por meio de mensagem de visualização única, estratégia que, segundo as investigações, era utilizada para evitar o rastreamento das comunicações.

Maioria dos brasileiros defende que Dias Toffoli sofra impeachment por suas relações com o Banco Master
Foto: Arquivo STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deveria sofrer impeachment pelo Senado por conta das suspeitas de envolvimento com negócios escusos do Banco Master. Essa é a opinião de 49,3% dos entrevistados de uma pesquisa AtlasIntel/Estadão, divulgada nesta sexta-feira (20). 

 

De acordo com a pesquisa, outros 33,7% disseram acreditar que Toffoli só deveria ser afastado se houvesse comprovação de seu envolvimento no caso. Já 12,8% disseram que o ministro não deveria sofrer impeachment, e 4,1% não souberam responder.

 

A pesquisa ouviu 2.090 pessoas entre os dias 16 e 19 de março, por meio de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

 

As suspeitas de relações diretas entre o ministro do STF e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foram levantadas pelas investigações da Polícia Federal. Foi revelado que Toffoli recebeu um pagamento, junto com seus irmãos, pela venda do resort Tayayá o Fundo Arleen, cujo único cotista era o fundo Leal. Este, por sua vez, tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.

 

O resort também esteve envolvido em operação financeira milionária da empresa Maridt S.A., pertencente a Toffoli e sua família, conforme admitido em nota oficial. Além disso, em novembro de 2025, o ministro viajou em jatinho particular de Vorcaro para assistir à final da Libertadores da América.

 

O relatório da Polícia Federal aponta ainda telefonemas entre eles, um convite para uma festa de aniversário e conversas sobre pagamentos relacionados ao resort Tayayá, da família do magistrado. A PF descobriu ainda um convite de Toffoli a Vorcaro para um aniversário, que aponta para uma possível relação de intimidade entre os dois.
 

Ex-noiva de Vorcaro é convocada para depor na CPI do Crime Organizado na próxima semana
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A ex-noiva do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi convocada para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado Federal na próxima quarta-feira (25). A modelo Martha Graeff teve sua convocação aprovada para que os senadores possam questioná-la sobre as supostas conversas do banqueiro com o ministro  Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

 

De acordo com o Estadão, o requerimento apresentado pelo senador Marcos do Val (Podemos-ES) justifica que foram revelados “diálogos mantidos entre o Sr. Daniel Vorcaro e a Sra. Martha Graeff, nos quais teriam sido mencionadas tratativas e comentários envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes”.

 

Nesse contexto, o senador afirma que “a oitiva da Sra. Martha Graeff mostra-se necessária para esclarecer o teor desses diálogos, o contexto em que ocorreram e eventuais fatos de seu conhecimento que possam contribuir para o avanço das investigações conduzidas por esta Comissão”.

 

A CPI entende que Graeff é “interlocutora frequente e destinatária de relatos feitos por Daniel Vorcaro ao longo de período relevante das apurações” de irregularidades cometidas pela instituição financeira.

 

Além da CPI do Crime Organizado, Graeff está convocada para comparecer no Congresso em oitiva na CPMI do INSS, na próxima segunda-feira, 23. O depoimento também deve tratar dos contatos de Vorcaro com Alexandre de Moraes e outras figuras do “alto escalão do Poder Judiciário”, segundo o requerimento.

 

“Na condição de pessoa de extrema confiança de Daniel Vorcaro, a Sra. Martha Graeff pode fornecer detalhes essenciais sobre a rotina, os contatos e a rede de influência que o Banco Master mantinha em Brasília, o que é crucial para entender se houve facilitação de negócios ou blindagem jurídica em relação às fraudes investigadas no sistema previdenciário”, diz o documento assinado pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).

Em palestra na OAB-RJ, André Mendonça diz que não é "salvador" e que "papel de um bom juiz não é ser estrela"
Foto: Reprodução Youtube

“Não tenho a pretensão de ser o salvador de nada”. A afirmação foi feita na manhã desta sexta-feira (20) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante uma palestra na Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro. O ministro é atualmente o relator dos casos mais polêmicos atualmente no Corte, como o escândalo do Banco Master e as fraudes no INSS. 

 

Antes de sua palestra, André Mendonça foi saudado pela presidente da OAB do Rio de Janeiro, Ana Basílio, como alguém que Deus havia enviado para que valores como ética e honra voltassem a prevalecer no país. O ministro abriu sua fala enfatizando que não tinha a pretensão de ser uma “esperança” de salvar a pátria.

 

“Não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido com algum dom ‌especial, não. Tenho só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos”, disse Mendonça.

 

O ministro concentrou seu discurso nos ideais que deveriam direcionar a carreira de um profissional do Direito, especialmente um advogado. “Que cada um de nós assuma a sua responsabilidade no dia a dia”, afirmou.

 

André Mendonça narrou a sua trajetória na vida pública e os valores com os quais buscou atuar, tanto na Advocacia-Geral da União (AGU) quanto no comando do Ministério da Justiça, durante o governo Jair Bolsonaro. Para o magistrado, a escolha pela advocacia deve resultar do desejo de pôr em prática os princípios reconhecidos pela Constituição Federal. 

 

“Que ganhar dinheiro não seja o objetivo. Que você ganhe muito dinheiro, mas como consequência de bons princípios postos em prática”, disse o ministro aos advogados presentes no encontro.

 

Em relação à carreira como juiz, Mendonça declarou que o papel de um bom juiz é simplesmente julgar de forma correta.

 

“Acho que este é o ‌papel de um bom juiz, o papel de um bom juiz não é ser estrela”, emendou ele, sob aplausos.

 

Na sua palestra, Mendonça não fez qualquer menção ao caso Master. O ministro agora está à frente da negociação para a delação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

 

O banqueiro foi transferido nesta quinta (19) de uma penitenciária federal para a ‌Superintendência da Polícia Federal ‌em Brasília em meio às discussões sobre uma delação. A defesa do banqueiro, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal assinaram um acordo de confidencialidade, pontapé inicial para tentar se firmar uma colaboração premiada.

Presidente da CPMI do INSS questionou STF sobre quem usava telefone funcional para conversar com Vorcaro
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou nesta quinta-feira (19) que enviou um ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) com questionamento sobre quem utiliza o número funcional que recebeu mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A conversa de Vorcaro com alguém do STF se deu antes do dono do Master ser preso. 

 

“O relatório oficial que nos foi enviado é que o número é do STF. Está confirmado oficialmente que o senhor Vorcaro tinha acesso a alguém do STF”, apontou Viana, ao dizer que a CPMI recebeu um relatório do Sistema de Investigação de Registros Telefônicos e Telemáticos (Sittel), que confirmou que o contato de Vorcaro se deu com um número funcional do STF. 

 

Viana disse que o relatório entregue pelo Sittel à CPMI do INSS indica que o número funcional do STF teria começado a operar no dia 22 de fevereiro de 2017. A data é exatamente um mês anterior à posse do ministro Alexandre de Moraes, indicado pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 6 de fevereiro de 2017. O Sittel é um sistema desenvolvido pelo Ministério Público Federal (MPF). 

 

“Não posso fazer uma afirmação de qual ministro é, uma vez que nós, naturalmente, vamos oficiar o STF para que nós tenhamos esta informação e a clareza de com quem estava o número no dia em que a comunicação feita”, explicou o presidente da CPMI do INSS.   

 

De acordo com reportagem publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, teria mandado mensagens ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, no dia em que foi preso pela primeira vez, em 17 de novembro de 2025. A conversa teria se dado por meio desse telefone funcional que agora a CPMI do INSS quer saber quem utilizava.

 

O jornal O Globo apresenta prints de conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes. A reportagem afirma que às 17h22 do dia 17 de novembro, algumas horas antes da operação da Polícia Federal que resultou na prisão do empresário, ainda no ano passado, Vorcaro teria mandado para Moraes: “Conseguiu bloquear?”.

 

A matéria do jornal O Globo afirma que a conversa atribuída aos dois foi encontrada pela PF no celular de Vorcaro.
 

Vorcaro é transferido para a superintendência da PF após autorização de Mendonça para delação premiada
Foto: Divulgação / Banco Master

O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal, na noite desta quinta-feira (19). A movimentação ocorre após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A expectativa é de que o banqueiro realize uma delação premiada.

 

Segundo o Metrópoles, Vorcaro embarcou em um helicóptero por volta das 18h50 e chegou na Superintendência da PF às 19h05.

 

Na quarta (18), o advogado de Vorcaro, José Luís Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, procurou a PF e o ministro André Mendonça para informar sobre o interesse do banqueiro em firmar um acordo de delação premiada.

 

Questionado pela TV Globo, o advogado de Vorcaro afirmou que não vai comentar o caso neste momento. Segundo ele, a decisão se deve à "sensibilidade do caso".

 

Daniel Vorcaro foi preso no início do mês durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal.

 

No dia 6 de março, ele foi transferido do Complexo Penitenciário de Potim (SP), no interior paulista, para a Penitenciária Federal em Brasília. 

Igreja Lagoinha Belvedere fecha em Belo Horizonte após prisão de pastor ligado ao Caso Master
Foto: Reprodução / Instagram / Globo News

A unidade da igreja Lagoinha Belvedere, localizada na região centro-sul de Belo Horizonte, encerrou as atividades menos de duas semanas após a prisão de Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, investigado no âmbito do chamado Caso Master, que apura um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras.

 

Zettel exercia a função de pastor da unidade e também integrava o quadro de sócios administradores da instituição. De acordo com a própria igreja, ele estava afastado das atividades pastorais desde novembro de 2025.

 

A assessoria de comunicação da Lagoinha confirmou o fechamento da unidade, mas não informou os motivos para a decisão.

Filho do ministro Nunes Marques, do STF, foi pago por empresa que recebeu R$ 18 milhões do Master e da JBS
Foto: Luiz Silveira/STF

O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu pagamentos que totalizam cerca de R$ 280 mil, por meio de uma empresa de consultoria que foi beneficiária de repasses de R$ 18 milhões do Banco Master e da JBS, controlada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

 

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (19) em reportagem do jornal Estado de S.Paulo. O jornal teve acesso a documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) referentes a movimentações do Banco Master.

 

De acordo com a reportagem, o banco de Daniel Vorcaro enviou R$ 6,6 milhões à empresa Consult Inteligência Tributária, e a JBS foi responsável por repasses de outros R$ 11,3 milhões, realizados entre agosto de 2024 e julho de 2025. 

 

As transações correspondem à totalidade do que foi recebido pela empresa Consult no período em que o Coaf analisou. A empresa declarou faturamento de R$ 25,5 mil.

 

Entre os pagamentos feitos pela consultoria no mesmo período, levantados pelo Coaf por amostragem, foram identificados 11 pagamentos, que totalizam R$ 281.630,00, ao advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, filho do ministro Nunes Marques. Os pagamentos foram recebidos por meio do escritório de Kevin Marques, do qual ele é o único responsável, segundo os registros da Ordem dos Advogados do Brasil.

 

O Estadão obteve do Coaf a confirmação de que as transações da empresa Consult teriam sido “incompatíveis com a capacidade financeira, indicando que alguns dos valores podem ter origem não formal”. Ou seja, o documento do órgão do Ministério da Fazenda aponta que o entra e sai de dinheiro não bate com o volume movimentado até ali e que os altos repasses repentinos poderiam representar uso da firma apenas para passagem de recursos.

 

Em resposta à reportagem do Estadão, o escritório de Kevin de Carvalho Marques afirmou que o pagamento seria lícito e decorrente do exercício regular da advocacia. “A atuação para a empresa mencionada foi voltada ao fisco administrativo”, disse a nota.

 

O advogado afirmou que “nunca defendeu nenhum caso” no STF e rechaçou o que chamou de “tentativas de criminalização da advocacia e de interferência no sigilo profissional”.

 

Já a Consult explicou ao Estadão que a empresa foi criada há quatro anos para “expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste”, mas que o grupo atua desde 2004, com outro CNPJ, atendendo mais de 300 empresas. Sobre os pagamentos feitos por Master e JBS, a empresa afirmou que “prestou serviços de auditoria e consultoria tributária, bem como de desenvolvimento e implantação de sistemas destinados à execução e ao processamento de dados para fins de auditoria tributária, além de serviços de migração de dados às empresas desses grupos”.

 

Em relação aos pagamentos feitos ao filho do ministro Kássio Nunes Marques, a empresa disse que o valor pago ao advogado era por uma “prestação de serviços técnicos e de assessoria jurídica para a Consult, entre 2024 e 2025”.
 

Moro ameaça convocar Rui Costa e Jerônimo Rodrigues na CPI e senador petista retira convocação de ACM Neto
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A pedido do senador Humberto Costa (PT-PE), a CPI do Crime Organizado do Senado retirou da pauta de votações o requerimento para convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). A comissão está reunida nesta quarta-feira (18) para votar diversas convocações de autoridades, além de quebras de sigilo e compartilhamento de informações.

 

O documento para convocação de ACM Neto foi contestado pelo senador Sérgio Moro (União-PR) no início da reunião. Moro disse não haver relação da atuação do ex-prefeito de Salvador com o foco de investigação da CPI, que é a atuação do crime organizado no Brasil. 

 

Para Moro, a tentativa do PT de convocar não apenas ACM Neto, mas outros nomes como o do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, caracterizava manobra política e eleitoral a partir da CPI. 

 

O senador paranaense disse que se a CPI fosse adentrar em investigações sobre relações do Banco Master com autoridades da Bahia, ele exigiria também a votação dos requerimentos que apresentou para convocação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. 

 

“Esse requerimento envolvendo o ex-prefeito ACM Neto, se nós formos verificar a questão do Banco Master na Bahia, a principal suspeito recai sobre o senhor Rui Costa, o ministro da Casa Civil. É conhecida essa história de que através do CredCesta, deram exclusividade ao Banco Master, e do outro lado ainda proibiram os servidores da Bahia que tivessem a portabilidade para escolher taxas de juros menores do que o consignado. Então a observação que faço aqui é que se vai investigar, investigue todo mundo, mas não se utilize essa CPI como instrumento para criação e exploração de fatos políticos que não têm nenhuma relação, ou que se faça uma seleção de alvos”, afirmou Moro.

 

“Se vamos adentrar na questão da Bahia, então vamos convocar o ministro Rui Costa e o governador Jerônimo Rodrigues, que deu continuidade a essa relação do governo baiano com o Master”, completou Sérgio Moro.

 

Na justificativa para a convocação de ACM Neto, o senador Humberto Costa afirma ser necessária para que ele esclareça na CPI se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre ele e o Banco Master. Costa citou relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que revelou que a empresa de consultoria de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024. 

 

Outro pedido que foi retirado pelo senador Humberto Costa pedia a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do ex-prefeito de Salvador. O senador petista disse que iria pedir votação desses requerimentos em reuniões futuras. 

 

Uma terceira solicitação que teve sua votação adiada foi o pedido, também do senador Humberto Costa, que pedia a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa A&M Consultoria Empresarial. A empresa tem como administrador principal o ex-prefeito de Salvador, e recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024. 

Ex-sócio do Master: Empresário baiano Augusto Lima não deve fazer delação premiada apesar de temor do Planalto, diz colunista
Foto: Paulo Mocofaya / Agência AL-BA

A possibilidade de uma delação premiada envolvendo o empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, não deve se concretizar neste momento, segundo informações de bastidores. O cenário reduz a apreensão de interlocutores do Palácio do Planalto em relação ao caso.

 

De acordo com relatos, não está nos planos de Lima adotar a mesma estratégia que Vorcaro, que avalia colaborar com as investigações. A defesa do empresário sustenta que sua atuação ocorreu dentro da legalidade e destaca que ele se afastou do banco antes do agravamento da crise envolvendo a instituição. As informações são do colunista Caio Junqueira, da CNN Brasil.

 

A defesa, conduzida pelo escritório Figueiredo & Velloso Advogados — banca com histórico em casos de operações da PF desde 2010 —, evita tradicionalmente a utilização da delação premiada. O sócio Pedro Ivo Velloso conduz o caso e avalia que a situação de Lima difere da de Vorcaro.

 

Segundo pessoas próximas, os dois mantinham uma relação profissional distante. Fontes afirmaram à CNN Brasil que o próprio Lima solicitou sua saída da sociedade no Banco Master, em maio de 2024, após tomar conhecimento, por terceiros, de negócios conduzidos por Vorcaro.

 

Ainda conforme esses relatos, o estilo de atuação de Vorcaro também gerava desconforto. Lima é descrito como discreto e teria assumido o controle do banco Voiter, posteriormente rebatizado como Banco Pleno, que acabou sendo liquidado pelo Banco Central.

 

A estratégia jurídica adotada pela defesa de Lima é reforçar o desligamento da sociedade com o Banco Master como elemento central, ocorrido cerca de um ano antes da tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).

 

Entre os envolvidos no caso, Lima é apontado como o que possui maior proximidade com integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT). Essa relação teria se iniciado em 2018, durante a gestão de Jaques Wagner à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, no governo de Rui Costa.

 

Naquele período, Lima venceu a licitação para aquisição da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e criou o CredCesta, cartão de crédito consignado voltado principalmente a servidores públicos, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.

 

O modelo foi posteriormente replicado em outros estados. Em 2020, Lima ingressou na sociedade do Banco Master levando o CredCesta, que se tornou um dos principais ativos da instituição.

Empresa de nora de Jaques Wagner é encontrada em folha de pagamentos do Master, diz coluna
Foto: Reprodução / Redes Sociais | Divulgação

Uma empresa ligada à nora do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), aparece na folha de pagamento do Banco Master, em meio às investigações e controvérsias envolvendo a instituição financeira. As informações são da coluna Milena Teixeira, do Metrópoles.

 

A estudante de psicologia e formada em direito Bhonnie de Bonilha foi contratada, por meio de empresa própria, para atuar na prospecção de operações de crédito consignado para o banco, que tem como um de seus principais nomes o empresário Daniel Vorcaro.

 

Bonilha é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner. O contrato com o banco foi firmado por meio da BK Financeira, empresa fundada em 2021, na qual ela é sócia do advogado Moisés Dantas.

 

Em declaração, o sócio confirmou a relação comercial e afirmou que o serviço prestado não se trata de consultoria, mas de prospecção e indicação exclusiva de operações e convênios de crédito consignado. Segundo ele, todos os valores recebidos foram formalizados por meio de notas fiscais e estão disponíveis para eventual apuração por autoridades.

 

Procurada, Bhonnie de Bonilha informou que o sócio responderia pelos esclarecimentos. Já o senador Jaques Wagner declarou que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa e que cabe exclusivamente à companhia explicar suas atividades e contratos.

 

Além da BK Financeira, a nora do senador também é proprietária da empresa BN Representações, registrada com atuação em desenvolvimento e licenciamento de softwares não customizáveis. Documentos da Receita Federal indicam que, até janeiro deste ano, a empresa possuía outra razão social — “Vamos Florir Comércio de Flores Ltda” — e atuava no comércio varejista de plantas e flores.

 

No mesmo período, houve mudança no quadro societário, com a saída de Patrich Toaldo Bonilha, irmão de Bonnie, que deixou a sociedade, passando ela a assumir o controle individual da empresa.

CPI do Crime Organizado votará pedido de convocação de ACM Neto apresentado por senador petista
Foto: Gabriel Lopes / Bahia Notícias

Está marcada para as 9h desta quarta-feira (18) uma reunião administrativa da CPI do Crime Organizado, do Senado, na qual serão votados 37 requerimentos de convocação de autoridades, quebras de sigilo e compartilhamento de informações. Entre os requerimentos que serão apreciados está um apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE), que pede a convocação do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil). 

 

Na justificativa do requerimento, o senador petista afirma ser necessária a convocação para que ACM neto esclareça na CPI se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre ele e o Banco Master. 

 

Costa cita relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que revelou que a empresa de consultoria de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024. O senador lembra que o Banco Master, por sua vez, é investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero por um esquema de fraude bilionária no sistema financeiro, com conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC), o que, para ele, justificaria a investigação da CPI.

 

“O próprio sr. ACM Neto confirmou o recebimento dos valores, alegando se tratar de pagamentos por serviços de consultoria. No entanto, a natureza desses serviços e a razão pela qual uma empresa de consultoria recém criada por um político de projeção nacional foi contratada por um banco no epicentro de um escândalo de lavagem de dinheiro precisa ser  esclarecida”, afirma o senador petista. 

 

“É importante esclarecer que essa medida não exorbita os limites do plano de trabalho desta CPI, que estabelece como escopo o ingresso do crime organizado nos mercados aparentemente lícitos, fenômeno conhecido como novos ilegalismos”, conclui Humberto Costa.

 

Além da convocação de ACM Neto, pode ser votado também pela CPI outro requerimento de Humberto Costa que pede a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa A&M Consultoria Empresarial. A empresa tem como administrador principal o ex-prefeito de Salvador, e recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da empresa de investimentos Reag entre 2023 e 2024. 

 

Segundo afirmou o senador petista no seu requerimento, a quebra dos sigilos da A&M Consultoria permitirá à CPI do Crime Organizado rastrear o fluxo de recursos, verificar a origem e o destino dos valores recebidos, e apurar se os serviços de consultoria alegados são compatíveis com os pagamentos efetuados. 

 

“A análise dos dados bancários, fiscais e telemáticos é fundamental para determinar se houve tráfico de influência, lavagem de dinheiro ou outras irregularidades na relação entre a empresa de consultoria e o Banco Master”, afirma Humberto Costa.

 

A CPI do Crime Organizado é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), e tem como relator o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A comissão tem 11 membros, e para que seja aprovado um requerimento, são necessários seis votos.

 

Na semana passada, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, divulgou um vídeo em suas redes sociais com esclarecimentos sobre a divulgação de pagamentos do banco Master/ Reag feitos a uma empresa dele. O ex-prefeito afirmou que iria acionar o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria-Geral da República para pedir a apuração do que classificou como vazamento criminoso de dados sigilosos, e se colocou à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

 

“Ainda no dia de hoje, estamos dando entrada junto ao Supremo Tribunal Federal e à Procuradoria-Geral da República, com um requerimento, solicitando que se apure o vazamento criminoso de dados sigilosos, um vazamento manipulado que foi amplamente noticiado na imprensa. Neste mesmo requerimento, eu vou me colocar inteiramente à disposição desses dois órgãos para prestar qualquer tipo de esclarecimento", afirmou.

 

Na sua declaração, Neto levantou a hipótese de motivação política por trás da divulgação das informações. "É claro que esse vazamento que aconteceu faz com que a gente se pergunte se não tem política por trás disso. Nós sabemos que a gente está na boca de uma eleição, e é muito estranho isso acontecer", disse.

Ex-noiva de Vorcaro, que teve conversas íntimas expostas, nega ter recebido dinheiro ou imóveis do banqueiro
Foto: Reprodução Instagram

Após Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, ter emitido uma nota na qual diz estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, a direção da CPMI do INSS anunciou para a próxima segunda-feira (23) a realização de uma oitiva. A CPMI havia aprovado um requerimento convocando Martha Graeff, e por isso ela é obrigada a comparecer, desde que não receba um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) tornando compulsória a ida ao colegiado.

 

A nota da ex-noiva de Vorcaro, que mora no exterior, foi divulgada por seu advogado, Lucio de Constantino. O texto faz referência à denúncia de que ela teria sido beneficiada com a transferência de imóveis por parte do dono do Banco Master. 

 

“A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum Trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país”, afirma a nota.

 

O advogado de Martha Graeff critica ainda a exposição de conversas privadas entre ela e Vorcaro, e reforça a disposição da empresária de esclarecer as informações.

 

“A exposição de privacidade que vem sofrendo é uma violência, além de totalmente ilegal. Neste momento tão difícil de sua vida, seu objetivo é esclarecer os fatos e preservar sua família de todos esses ataques, principalmente sua filha, uma menina de apenas seis anos. A Sra. Martha se coloca à inteira disposição das autoridades brasileiras para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários”, conclui o advogado Lucio de Constantino.

 

A convocação de Martha Graeff atendeu requerimento apresentado pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP). O deputado justificou a oitiva destacando a informação de que a Polícia Federal apura uma transferência do patrimônio de Vorcaro para a ex-namorada, com o objetivo de blindar o ex-banqueiro.

 

A PF apura, entre outros fatos, uma possível compra de uma mansão localizada em Miami com valor em torno de R$ 450 milhões. Nas conversas entre Daniel Vorcaro e Martha, ela pergunta se não seria muita exposição e ele diz que “bolou um plano”. A conversa é de maio de 2024. 

 

Além do comparecimento à CPMI do INSS, Martha Graeff pode ter que dar explicações também na CPI do Crime Organizado, do Senado. Nesta quarta (18), a comissão se reúne para votar 37 requerimentos, e entre os itens da pauta está a convocação da ex-noiva de Daniel Vorcaro. 

Mendonça restringe acesso da CPMI do INSS ao celular de Vorcaro para “preservação do sigilo da vida privada”
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, suspendeu o acesso dos membros da CPMI do INSS aos dados do celular de Daniel Vorcaro que estavam na sala-cofre do Senado. A decisão foi proferida na noite desta segunda-feira (16).

 

Em sua decisão, Mendonça alega que a suspensão do acesso é necessária devido a “preservação do sigilo em relação a aspectos da vida privada” de Vorcaro. E suspendeu o acesso até que a Polícia Federa retire os dados pessoais do banqueiro.

 

“A Polícia Federal deverá, em colaboração interinstitucional com a Presidência da CPMI-INSS, retirar todos os equipamentos que estão armazenados no referido local para realizar uma nova e detida separação dos dados existentes, de maneira a que eventual conteúdo que diga respeito exclusivamente à vida privada do citado investigado não seja compartilhado com a referida Comissão Parlamentar”, diz a decisão.

 

Conforme apuração da GloboNews, Mendonça teria atendido uma solicitação interna do Supremo Tribunal Federal, visando evitar novos vazamentos dos conteúdos do celular do dono do Banco Master.

 

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já mandou trancar a sala-cofre e impedir o acesso. Segundo aliados, Viana fez isso por “responsabilidade”, já que havia o risco de vazamentos.

 

Desde a última sexta-feira (13), os dados do banqueiro estavam sendo indexados, de forma a facilitar as buscas dos parlamentares nas conversas e arquivos encontrados no telefone de Vorcaro.

 

A expectativa de deputados e senadores era de que uma busca mais detalhada fosse possível a partir desta terça-feira (17). Com a decisão de Mendonça, entretanto, o acesso não será mais possível.

 

Mais cedo, ao sair, da sala-cofre da CPMI do INSS onde estão armazenadas as informações sobre a quebra de sigilo de Vorcaro, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse à imprensa que o material não tem relação com as investigações da comissão.

 

“Do que vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPMI. Não vi nenhum documento que trate de crédito conciliado ou de desconto associativo do INSS. Existe um volume muito grande de informações. Uma parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo”, afirmou o deputado Paulo Pimenta a jornalistas.

 

Segundo outras informações obtidas pelo site Metrópoles, o conteúdo sigiloso do celular do banqueiro Daniel Vorcaro conteria muitos vídeos íntimos do dono do Master e fotos de caciques políticos em momentos de descontração.

Celular de Vorcaro tem muitos vídeos íntimos, mas nada que se relacione com CPMI do INSS, dizem parlamentares
Foto: Reprodução CNN

Ao sair, na tarde desta segunda-feira (16), da sala-cofre da CPMI do INSS onde estão armazenadas as informações sobre a quebra de sigilo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) disse à imprensa que o material não tem relação com as investigações da comissão. Pimenta é um dos parlamentares da bancada governistas na CPMI. 

 

“Do que vi até agora, não vi absolutamente nada que tenha qualquer relação com o objeto da investigação da CPMI. Não vi nenhum documento que trate de crédito conciliado ou de desconto associativo do INSS. Existe um volume muito grande de informações. Uma parte dessas informações não tem nenhuma relevância do ponto de vista investigativo”, afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) a jornalistas.

 

Segundo outras informações obtidas pelo site Metrópoles, o conteúdo sigiloso do celular do banqueiro Daniel Vorcaro conteria muitos vídeos íntimos do dono do Master e fotos de caciques políticos em momentos de descontração. A maioria dos políticos que aparecem nas imagens, de acordo com parlamentares ouvidos pelo site, são de partidos do chamado Centrão que tinham relação próxima com o banqueiro.

 

Os parlamentares da CPMI do INSS estão podendo acessar os documentos que foram extraídos pela Polícia Federal do celular do dono do Banco Master. Os dados estão desde a semana passada guardados em uma sala-cofre no Senado, com monitoramento 24 horas. 

 

A medida foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), após episódios de vazamento de informações envolvendo o material sob investigação. O acesso ao local é restrito a deputados e senadores que integram o colegiado e a um assessor de cada parlamentar. 

 

Nesta segunda, além de Paulo Pimenta, também estiveram na sala-cofre os deputados Rogério Correia (PT-MG) e Alencar Santana (PT-SP), além dos senadores Izalci Lucas (PL-DF) e Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo relatos de parlamentares governistas, no material pesquisado não há menções a integrantes da gestão atual ou de filiados ao PT, mas haveria citações a nomes do governo Bolsonaro. O sigilo dos dados, no entanto, impede a verificação das declarações.

 

Para reforçar a segurança, foi instalado um detector de metais na entrada da sala-cofre da CPMI. Celulares e outros dispositivos eletrônicos são deixados por parlamentares ou assessores em envelopes lacrados, sendo permitida a entrada apenas com papel e caneta. 
 

Governo da Bahia realizou 207 pagamentos de precatórios ao Banco Master entre 2023 e 2026, diz colunista
Foto: Divulgação / GovBA

O governo da Bahia, sob gestão de Jerônimo Rodrigues (PT), realizou 207 pagamentos ao Banco Master entre 2023 e fevereiro de 2026. A informação foi publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, neste domingo (15).

 

Segundo a matéria, dados do Portal da Transparência do Estado apontam que os repasses somam R$ 49,2 milhões no período.

 

De acordo com as informações disponíveis, apenas em 2024 foram pagos R$ 47,4 milhões em operações relacionadas à antecipação de valores provenientes de precatórios do Fundef.

 

Além disso, neste sábado (14) o site Metrópoles publicou que o empresário baiano Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, teria operado um esquema de pagamento de propina para empresas com políticos como sócios ocultos. A Polícia Federal teria identificado que uma das empresas a receber dinheiro está no nome da esposa de um secretário de Estado com conexões com o PT baiano.

 

Ainda sobre os desdobramentos do caso, na semana passada, o jornal O Globo informou que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto foi contratado pelo Banco Master para um serviço de consultoria no valor de R$ 3,2 milhões.

Possível delação de Vorcaro ganha força após manutenção da prisão e mudanças na defesa; entenda próximos passos
Foto: Divulgação / Banco Master

A manutenção da prisão preventiva e mudanças na equipe de advogados de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aumentaram as especulações sobre a possibilidade de o banqueiro firmar um acordo de delação premiada no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

 

Vorcaro está preso preventivamente desde o dia 4 de março, na Penitenciária Federal de Brasília. A detenção ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura a suposta venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

 

A primeira fase consiste na manifestação de interesse da defesa em negociar um acordo. Nessa etapa inicial, a proposta formal é apresentada ao Ministério Público ou ao delegado responsável pela investigação. Os órgãos envolvidos registram o recebimento da proposta e mantêm termos de confidencialidade, atas e roteiro de audiência.

 

Na segunda etapa, o possível colaborador apresenta informações preliminares, como nomes, locais e documentos que possam contribuir com as investigações. Esse momento é conhecido como “teste de utilidade”, quando os investigadores analisam se o investigado possui elementos capazes de comprovar as informações fornecidas.

 

A terceira fase envolve a triagem da consistência das informações e a avaliação do interesse público na colaboração. Nesse estágio, a acusação confronta o conteúdo apresentado com as provas já existentes no processo.

 

Na sequência, ocorre a negociação das cláusulas do acordo. São definidos o objeto da colaboração, as obrigações do colaborador, a forma de entrega de documentos e dispositivos, os deveres de veracidade, regras de sigilo, consequências em caso de descumprimento e os benefícios pleiteados.

 

A quinta etapa corresponde à formalização do acordo por escrito e ao pedido de homologação judicial. O documento é submetido ao juiz competente, que analisa a regularidade, legalidade e voluntariedade do pacto. Conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF), o magistrado não avalia a veracidade dos fatos narrados, mas a validade do acordo firmado.

 

Após eventual homologação, inicia-se a fase de execução da colaboração. O investigado passa a prestar depoimentos formais e entregar materiais como mídias, aparelhos eletrônicos, planilhas e documentos, além de indicar contas, operadores financeiros, intermediários e fluxos de pagamento relacionados às investigações.

 

Em seguida, as informações entram na etapa de corroboração, quando as autoridades realizam diligências para verificar os dados apresentados. Esse processo pode incluir buscas e apreensões, perícias, quebras de sigilo, oitivas de testemunhas, cooperação internacional e cruzamento de informações.

 

A etapa final consiste na avaliação do cumprimento das obrigações assumidas pelo colaborador. Somente após essa análise é que podem ser concedidos os benefícios previstos no acordo, que dependem da eficácia das informações fornecidas e do cumprimento integral das cláusulas estabelecidas.

PF teria encontrado pagamentos de Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, para nome ligado ao Governo da Bahia
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, teria operado um esquema de pagamento de propina para empresas com políticos como sócios ocultos. A Polícia Federal teria identificado que uma das empresas a receber dinheiro está no nome da esposa de um secretário de Estado com conexões com o PT baiano.

 

Segundo a coluna Andreza Matais, do jornal Metrópoles, dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro explicam a dimensão dos valores envolvidos na operação. 

 

Relatos apontam que Lima operava um esquema de pagamento de propina, com malas de dinheiro distribuídas na sede do banco, em São Paulo, ou para empresas que teriam políticos como sócios ocultos.

 

Lima ficou preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025, e foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ex-CEO também é controlador do Banco Pleno.

 

Além da ligação com o PT, dados do Coaf indicam que uma empresa do ex-presidente de Salvador, ACM Neto (União Brasil), recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag. Segundo Neto, ele prestou serviço de consultoria ao banco.

Vorcaro teve surto, esmurrou parede da cela, gritou nomes de autoridades e recebeu atendimento médico, diz coluna
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O banqueiro Daniel Vorcaro passou por um surto na cela em que está preso na Penitenciária Federal de Brasília, e precisou receber atendimento médico. O dono do Banco Master se machucou após esmurrar as paredes da cela. 

 

A informação foi dada na noite desta sexta-feira (13) pela coluna Radar, no site da revista Veja. O surto de Vorcaro se deu no mesmo dia em que a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão de Daniel Vorcaro. 

 

De acordo com a coluna, interlocutores da defesa do banqueiro relatam que além de esmurrar as paredes, Daniel Vorcaro chegou a gritar nomes de políticos e autoridades que tiveram relacionamento financeiro com ele. Os xingamentos direcionados a essas autoridades seria porque não estariam atuando para tirá-lo da prisão. 

 

Daniel Vorcaro está desde a última sexta (5) na Penitenciária Federal de segurança máxima em Brasília. Nesta semana, o Daniel Vorcaro foi transferido da cela de isolamento para a ala de saúde da Penitenciária.

 

O novo espaço tem entre sete e oito metros quadrados e conta com monitoramento por câmeras durante 24 horas por dia, exceto na área do banheiro. Um vidro separa a cela do local onde ficam os profissionais de saúde, responsáveis por acompanhar o detento de forma permanente.

 

Ainda nesta sexta, Daniel Vorcaro passou a ser representado por nova equipe de defesa, o que indica que ele pode negociar uma delação premiada. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, passou o caso para o advogado José Luis Oliveira Lima. 

 

Bottini já vinha afirmando que não participaria de negociação para delação premiada no caso do ex-banqueiro. Em sua saída, ele alegou motivos pessoais para tomar a decisão. Já Oliveira Lima, conhecido como um dos criminalistas mais importantes do país, já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.
 

Vorcaro tem nova equipe de defesa e deve optar pela delação premiada, diz jornalista
Foto: Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem nova equipe defesa durante o processo de investigação da trama do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF) e indica que pode negociar uma delação premiada. Isso é o que diz a reportagem da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo. O advogado Pierpaolo Bottini, do escritorio Bottini & Tamasauskas, deixa o caso, e o advogado José Luis Oliveira Lima deve assumir o caso.

 

Bottini já vinha afirmando que não participaria de negociação para delação premiada no caso do ex-banqueiro. Em sua saída, ele alegou motivos pessoais para tomar a decisão. Já Oliveira Lima, conhecido como um dos criminalistas mais importantes do país, já conduziu delações premiadas delicadas, como a do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, no auge da Operação Lava Jato.

 

Ele ainda advogava para o Banco Master antes da liquidação da instituição pelo Banco Central, em novembro. Segundo fontes ligadas a Vorcaro, o ex-banqueiro já aventava a hipótese de fazer delação antes mesmo de ser preso, no dia 4 de março, por decisão do ministro do STF, André Mendonça.

 

Ele aguardava o julgamento da Segunda Turma da Corte para tomar a decisão final. Nesta sexta (13), foi mantido preso pelos magistrados. Ao determinar a prisão de Vorcaro, Mendonça entendeu que fatos contemporâneos mostrariam que o dono do Master quebrou as regras das medidas cautelares impostas anteriormente a ele.

 

O ex-banqueiro já havia sido preso em novembro, quando a instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central. Foi solto na sequência, mas tinha que usar tornozeleira e não podia sair da cidade de São Paulo. 

 

A decisão de Mendonça de prender novamente Vorcaro foi tomada também porque a Polícia Federal encontrou no celular do empresário mensagens que mostravam que ele mantinha uma milícia privada com o objetivo de coagir e ameaçar seus desafetos, conhecida como “A Turma”. 

Mendonça e Fux votam pela manutenção da prisão de Vorcaro; faltam os votos de Gilmar Mendes e Nunes Marques
Foto: Reprodução Redes Sociais

Poucos minutos depois de iniciado, às 11h desta sexta-feira (13), o julgamento no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro André Mendonça apresentou voto pela manutenção da prisão, em regime fechado, do dono do banco Master, Daniel Vorcaro. O julgamento ocorre na Segunda Turma do STF.

 

Logo depois do voto de Mendonça, que é o relator do processo na Segunda Turma, o ministro Luiz Fux seguiu o entendimento pela manutenção da prisão. Com isso, o julgamento já tem um placar de dois votos a favor de que Daniel Vorcaro siga preso na Penitenciária Federal de Brasília. 

 

Em um voto de 53 páginas, o ministro André Mendonça argumenta que a liberdade tanto de Daniel Vorcaro quanto do seu cunhado, Fabiano Zettel, comprometeria, de modo direto, a efetividade da investigação da Polícia Federal sobre as fraudes no Banco Master, além da própria “confiança social’ na Justiça.

 

“Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade. Sob outro prisma, há risco concreto de destruição de provas, pois os investigados demonstraram possuir meios de acesso a documentos sensíveis e a sistemas estatais, além do domínio de empresas instrumentalizadas para a prática de ilícitos de seus interesses”, anotou o relator do inquérito.

 

Além da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, também está em julgamento na Segunda Turma a manutenção da detenção em regime fechado de Fabiano Campos Zettel, cunhado do banqueiro, e de Marilson Roseno da Silva, apontado como líder da suposta milícia privada de Vorcaro, conhecida como "A Turma".

 

Como o ministro Dias Toffol se considerou suspeito de participar do julgamento, faltam portanto dois votos para completar o placar. Ainda precisam apresentar seus votos no plenário virtual os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques. 

 

O julgamento tem duração prevista de uma semana, e está marcado para acabar às 23h59h da próxima sexta (20). Caso algum outro ministro acompanhe a posição do relator, estaria confirmada a manutenção da prisão de Daniel Vorcaro e seu cunhado.

 

Entretanto, se os ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques votarem contra a decisão de André Mendonça e estipularem outro tipo de prisão, como a domiciliar, por exemplo, o placar se encerraria empatado em 2 x 2, o que beneficiaria Daniel Vorcaro. Com o empate, Vorcaro poderia sair da prisão em regime fechado, já que a lei prevê que prevalece a posição mais favorável ao investigado.

Centrão se articula para liberar Vorcaro e evitar delação no caso Master, diz site
Foto: Divulgação/SEAP-SP

Políticos do centrão se mobilizam para tentar garantir a libertação de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, no processo que tramita na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso é o que apontam as informações da jornalista Andréia Sadi, do g1. Nos bastidores, parlamentares temem que, o avanço das investigações, Vorcaro escolha conceder uma delação premiada.

 

Neste caso, Vorcaro seria obrigado a contar o que sabe e poderia mencionar outras pessoas envolvidas, incluindo políticos, em troca de benefícios, como uma eventual redução de pena, em caso de condenação. Ao g1, nesta quinta-feira (12), a defesa do banqueiro negou que ele esteja negociando uma delação.

 

No entanto, grupos no Congresso especulam que se ficar muito tempo preso, Vorcaro decida fazer uma colaboração e revele a extensão dessas relações políticas e financeiras. A tentativa de liberação do banqueiro, por sua vez, passa pela contagem de votos na Segunda Turma. 

 

A Segunda Turma do Supremo começa a julgar nesta sexta-feira (4), se Vorcaro deve ou não continuar preso. Daniel Vorcado foi preso na última quarta-feira (4), por ordem do ministro André Mendonça, que está na relatoria do caso Master após a saída de Dias Toffoli  no processo. Atualmente, o banqueiro está isolado numa cela em um presídio federal de segurança máxima em Brasília.

 

Na votação desta sexta, os ministros vão analisar a decisão de Mendonça, que apontou risco para a ordem pública e as investigações. Informações do g1 apontam que  interlocutores políticos começaram a mapear votos dentro da Segunda Turma e a operar nos bastidores para tentar construir uma maioria favorável à soltura do banqueiro.

 

Na Segunda Turma estão os ministros Gilmar Mendes, Nunes Marques e Luiz Fux, além de Mendonça e Dias Toffoli, este último tendo se declarado, na última quarta-feira (11), suspeito para analisar decisão. Assim, com quatro votos na disputa, a conta do centrão considera um eventual empate, que favoreceria o réu e libertaria Vorcaro. 

 

Como o ministro André Mendonça é o relator e autorizou a prisão, a esperança do grupo recai sobre nos demais ministros.
 

Defesa de Daniel Vorcaro desmente que ele esteja negociando delação e aguarda julgamento que pode reverter prisão
Foto: Divulgação Senapen

A defesa do empresário Daniel Vorcaro negou informações divulgadas pelo site Uol, nesta quinta-feira (12), sobre uma eventual intenção do dono do Banco Master de fazer uma delação premiada. A reportagem afirma que a Procuradoria-Geral da República estaria negociando uma delação de Vorcaro.

 

O dono do Banco Master está preso na Penitenciária Federal de Brasília há uma semana. Daniel Vorcaro foi alvo na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes financeiras cometidas pelo banco.

 

Advogados do banqueiro afirmaram ser inverídicas as notícias relacionadas a uma suposta tratativa de delação premiada com a PGR. 

 

“Essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso, e sua divulgação tem o único objetivo de prejudicar o exercício da defesa nesse momento sensível”, diz nota divulgada pelos advogados de Vorcaro.

 

A defesa avalia que neste momento o foco do banqueiro é no julgamento que começa nesta sexta (13) na Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal. Os ministros vão analisar a decisão do relator, André Mendonça, que determinou a prisão do banqueiro.

 

Como o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito para julgar o caso, a decisão de manter ou não a prisão será avaliada por André Mendonça, Gilmar Mendes (presidente da turma), Kassio Nunes Marques e Luiz Fux.

 

O dono do Banco Master recebeu na última terça (10), na Penitenciária Federal de Brasília, a visita de um de seus defensores. O advogado Sérgio Leonardo afirmou que esteve com o banqueiro por cerca de uma hora. 

 

Segundo o advogado, a direção da penitenciária assegurou que a conversa não fosse gravada, em cumprimento à decisão do ministro André Mendonça, do STF. Dessa forma, durante a visita, as câmeras foram mantidas desligadas e cobertas.
 

Com caso Master em alta, Bahia já registrou ao menos 17 instituições sob intervenção ou liquidação do BC
Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

O escândalo envolvendo o Banco Master levou o Banco Central a atingir, em fevereiro deste ano, o milésimo “regime de resolução” decretado pela instituição desde sua criação, em 1966. O instrumento é utilizado em situações consideradas graves, quando o órgão precisa intervir para evitar riscos ao sistema financeiro.

 

Dados obtidos pela Fiquem Sabendo, agência de dados independente, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que, ao longo das últimas décadas, instituições sediadas na Bahia também já foram alvo desse tipo de medida.

 

Segundo planilha do Banco Central, ao menos 17 bancos, financeiras, corretoras ou cooperativas com sede no estado foram submetidos a regimes especiais como intervenção, liquidação extrajudicial ou administração temporária. Os casos foram registrados entre 1975 e 2019.

 

Hoje, o BC mantém 14 regimes de resolução ativos no país, a maioria em fase de liquidação extrajudicial, mecanismo que interrompe o funcionamento da instituição e inicia o processo de retirada do mercado.

 

Além disso, o caso Master já resultou na liquidação ou administração temporária de pelo menos nove instituições financeiras, entre elas os bancos Master, Will Bank, Pleno e Letsbank.

 

HISTÓRICO NA BAHIA
Entre os episódios mais conhecidos envolvendo instituições baianas está o do Banco Econômico, que sofreu intervenção do Banco Central em agosto de 1995 e entrou em liquidação extrajudicial. Em 2022, o BTG Pactual concluiu sua aquisição e o Banco Econômico saiu da liquidação e passou a se chamar Banco BESA S.A.

 

Fundado em 1843, em Salvador, o Econômico enfrentou problemas quando a intervenção foi decretada. Ente eles, dificuldades de liquidez, reconhecimento indevido de receitas, concentração de operações de crédito e insuficiência patrimonial.

 

O levantamento do Banco Central também aponta medidas para empresas ligadas ao antigo Banco do Estado da Bahia (Baneb) e outras instituições do sistema financeiro local, incluindo financeiras, corretoras e cooperativas de crédito.

 

Em 1999, o Baneb foi extinto e comprado pelo Bradesco com leilão de privatização. À época, outras privatizações de bancos estaduais foram realizadas, e o governo baiano ficou com os créditos e dívidas da instituição.

 

Também aparecem na lista nomes como:

Baneb Crédito Imobiliário S.A.
Baneb Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento
Baneb Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários
Catedral Corretora de Câmbio e Títulos Mobiliários
JN-Maxi Corretora de Câmbio Ltda.
Cooperativa de Crédito Rural do Vale do Subaé
Cooperativa de Crédito Rural de Itapetinga
Conslar Administração de Consórcios, entre outras.

 

Nos registros do Banco Central, todos os processos já aparecem encerrados, após etapas como liquidação final, falência, incorporação ou regularização da situação.

 

REGIMES DE RESOLUÇÃO
Segundo informações obtidas no site do Bacen, quando uma instituição financeira apresenta grave comprometimento do seu patrimônio ou dificuldade de honrar seus compromissos, o Banco Central (BC) pode determinar aos seus controladores que aportem os recursos necessários, transfiram o controle, reorganizem a sociedade ou adotem medidas de recuperação.

 

Essas ações são também conhecidas como solução de mercado.  Conforme a evolução e gravidade dos problemas, o BC pode intervir diretamente na instituição por meio de um Regime de Resolução: Liquidação extrajudicial, Intervenção ou Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

 

Quando um regime de resolução é decretado os controladores perdem o poder de gestão da instituição, que passa a ser administrada por um liquidante, interventor ou conselho diretor, nomeado pelo BC, conforme o tipo do regime.

 

O regime a ser adotado vai de acordo com o problema apresentado pela instituição, o impacto no sistema financeiro e demais situações analisadas caso a caso. Os regimes de resolução são pautados pelo interesse público, pela preservação da estabilidade financeira e pela não interrupção do funcionamento de funções críticas para a economia real.

 

LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A liquidação extrajudicial é o regime de insolvência que se destina a interromper o funcionamento da instituição e promover sua retirada do Sistema Financeiro Nacional (SFN). É adotado quando a situação de insolvência é irrecuperável e a interrupção do funcionamento da instituição não compromete a estabilidade financeira. 

 

INTERVENÇÃO
A intervenção é adotada quando se vislumbra alguma possibilidade de recuperação. As atividades são suspensas temporariamente. A intervenção dura até doze meses. Conforme o caso, a intervenção cessará se houver a retomada da normalidade ou, não havendo, pela decretação da liquidação extrajudicial ou da falência. 

 

REGIME DE ADMINISTRAÇÃO ESPECIAL TEMPORÁRIA (RAET)
O RAET não afeta as atividades normais da instituição. É adotado quando a instituição, em razão do seu porte ou complexidade operacional, desempenha funções críticas para a economia real ou a quando a paralisação abrupta do seu funcionamento possa causar riscos à estabilidade financeira.

 

O RAET será encerrado se houver normalização da atividade ou solução de mercado para a instituição. Não havendo solução de mercado, a União pode assumir o seu controle. Havendo possibilidade de adoção de medidas para preservação das funções críticas e da estabilidade financeira, o RAET poderá ser encerrado pela decretação da Liquidação extrajudicial.

Internautas resgatam vídeo de 2024 de Daniel Vorcaro em que o banqueiro faz rasgados elogios ao Poder Judiciário
Foto: Reprodução Youtube

Viralizou nos últimos dias na internet e nas redes sociais um vídeo de 2024, em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fez uma série de elogios ao Supremo Tribunal Federal (STF). No video no escritório de advocacia Warde Advogados, Vorcaro afirma que o Judiciário é o guardião da democracia brasileira. 

 

“Temos visto com muito louvor e muito orgulho nosso Judiciário nos últimos anos, cumprindo esse papel de maneira exemplar. O Judiciário e a Suprema Corte existem para defender as leis e a nossa Constituição, e precisa estar à parte das opiniões populares das grandes massas”, afirma o dono do Banco Master. 

 

Daniel Vorcaro destaca no vídeo de 2024 que o Judiciário toma milhares de decisões diariamente, que não pode se deixar pela pressão popular e que por isso sempre irá “desagradar” um certo grupo da sociedade. Apesar disso, o banqueiro fez rasgados elogios inclusive aos “juízes de qualidade” do Judiciário brasileiro.

 

“Não é qualquer tipo de decisão que se toma, e o Judiciário toma milhares de decisões diariamente e sempre vai desagradar um certo grupo da sociedade. O importante é que a gente tem hoje mecanismos muito fortes de controle em todas as esferas do Judiciário, a gente tem um processo de acesso ao Judiciário muito bem formatado, a gente tem juízes de qualidade em todas as esferas, e isso acaba gerando uma estabilidade para o Brasil”, afirmou o banqueiro. 

 

Em perfis que postaram o vídeo, os internautas fizeram diversas ironias sobre a opinião de Vorcaro. Leia abaixo alguns comentários retirados de páginas na rede X e no Instagram.

 

“Tá elogiando o produto que comprou”.

 

“Lendo o texto que o Moraes escreveu pra ele”.

 

“Xande, Toffoli, Dino e Gilmar ficaram orgulhosos de você, Vozcaro”. 

 

“Ele está defendendo o seu escritório jurídico”.

 

“Garoto propaganda do Judiciário será porque?”

 

“Qual cartão precisa para ter esse acesso, Vorcaro?”

 

“Patrão defendendo os empregados”.

 

"STF tem ministra com peleleca cabelo blanco".

 

“O guardião da democracia na verdade tem uma mulher que possuía um contrato de 129 milhões, e que está perto de ir para a prisão!!”
 

Toffoli se declara suspeito em ação sobre CPI do Banco Master e STF escolherá novo relator
Foto: Ascom / STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, se declarou suspeito e não será mais relator da ação da Câmara dos Deputados que cobra a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Nesta quarta-feira (11), Toffoli tinha sido sorteado para relatar o processo.

 

Em decisão desta quarta-feira, Toffoli alegou “foro íntimo” e não entrou em detalhes. Ele citou apenas um trecho do Código de Processo Civil que afirma que “poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem necessidade de declarar suas razões”.

 

Na nota desta quarta, Toffoli fez questão de ressaltar, contudo, que não foi considerado suspeito ou impedido de relatar a Operação Compliance Zero, sobre fraudes no Master. Em fevereiro, ele deixou a relatoria das investigações que levaram á primeira prisão do dono do Master, Daniel Vorcaro, após desgastes ao ser apontado como um possível amigo do banqueiro.

 

Na época, o STF emitiu a seguinte nota: “A pedido do Ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua Relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição”.

Barroso diz que STF vive ‘momento difícil’ com crise envolvendo Banco Master e defende mandato fixo para ministros
Foto: Gustavo Moreno / STF

O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso afirmou que a Corte enfrenta um “momento difícil” em meio à crise envolvendo o Banco Master. Em entrevista ao programa do jornalista Roberto D’Ávila, exibido pela GloboNews, Barroso reconheceu a existência de uma “percepção crítica” da sociedade em relação ao tribunal, mas ponderou que é necessário aguardar o avanço das investigações antes de qualquer conclusão.

 

“Há uma percepção crítica real. Eu leio jornal, eu vou à farmácia, eu tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados”, declarou.

 

De acordo com o O Globo, o caso envolvendo o Banco Master atingiu dois ministros do STF: Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Foram reveladas mensagens atribuídas a Moraes e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do banco, no dia em que ele foi preso pela primeira vez. Moraes nega ter recebido as mensagens. Já Toffoli deixou a relatoria do caso após revelar que é sócio de uma empresa que vendeu participação no resort Tayayá, no Paraná, a fundos ligados a Vorcaro.

 

Barroso afirmou que nunca tinha ouvido falar de Vorcaro antes do caso e disse preferir aguardar o desfecho das investigações antes de fazer qualquer juízo de valor. Segundo ele, ainda que algo venha a ser considerado criticável, não é possível antecipar conclusões. O ex-ministro também elogiou a condução do caso pelo presidente do STF, Edson Fachin, e pelo relator do processo, André Mendonça.

 

Durante a entrevista, o jornalista Roberto D’Ávila perguntou, em tom de brincadeira, se Barroso apagava mensagens do celular. O ex-ministro respondeu que não. “Não percebi a maldade da sua pergunta”, disse. Barroso afirmou ainda que costuma ser alvo de ataques nas redes sociais, mas que mantém o histórico de conversas. “Como eu tenho má memória, tenho mensagens de trocentos anos atrás”, completou.

 

Na mesma entrevista, Barroso defendeu a criação de mandatos para ministros do Supremo. Para ele, o ideal seria um período de 12 anos, inspirado no modelo alemão, em substituição ao atual sistema de permanência até a aposentadoria compulsória. Barroso, que ficou no STF por exatos 12 anos, afirmou que a exposição pública prolongada pode se tornar desgastante para os magistrados e seus familiares.

 

“A exposição pública, ao longo do tempo, ela vai se tornando insuportável. Ela é pessoalmente insuportável, mas sobretudo porque afeta muito as pessoas que você gosta”, afirmou.

 

O ex-presidente da Corte também disse ver com simpatia a criação de um código de ética para os ministros do STF, embora tenha avaliado que o momento para discutir a proposta pode não ter sido o mais adequado. Barroso anunciou sua aposentadoria em outubro de 2025, após mais de uma década no tribunal.

Ex-prefeito de Salvador, ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, diz Coaf
Foto: Reprodução / Giro Ipiaú

Uma empresa do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master, que tem como proprietário o banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi revelada através de um relatório do Banco Central, por meio do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). 

 

Segundo O GLOBO,  os valores teriam sido repassados ao vice-presidente do União logo após as eleições de 2022, no mês de em dezembro e entre março de 2023 e em maio de 2024. De acordo com a publicação, Neto confirmou que recebeu os pagamentos e afirmou que os valores são de serviços de consultoria prestados. 

 

Conforme a reportagem, o político baiano seria sócio da empresa A&M Consultoria Ltda., ao lado de sua esposa. A entidade foi constituída em 28 de dezembro de 2022, tendo um capital social de R$ 2 mil. Informações do Coaf mostraram ainda que, de junho de 2023 a maio de 2024, a empresa do ex-deputado federal recebeu R$ 1,5 milhão em 11 repasses da Reag e R$ 1,3 milhão em nove repasses do Master, um total de R$ 2,9 milhões. Durante 1 ano, ACM ganhou da sua própria empresa R$ 4,2 milhões distribuidos em 14 repasses.

 

Já em março de 2023 e junho de 2023, a instituição  recebeu R$ 422,3 mil do Master e R$ 281,5 mil da Reag. Dados da Receita Federal indicaram que a empresa é registrada como atividade principal em prestar serviços “de consultoria em gestão empresarial” e uma atuação “de apoio à educação” como atividade secundária. 

 

 

Por meio de nota,  Neto se manifestou e explicou ao Bahia Notícias, que quando já não exercia cargo público, constituiu a empresa. Nesta ocasião, ele prestou serviços a alguns clientes, a exemplo do Banco Master e a Reag.

“No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”, disse Neto ao BN. 

 

Veja a nota na íntegra

No final do ano de 2022, quando não mais exercia qualquer cargo público, constituí a empresa A&M Consultoria LTDA. A partir de então, prestei serviços a alguns clientes, dentre eles o Banco Master e a REAG. Isto sempre ocorreu com contratos formais, com o devido recolhimento de impostos e trabalhos de consultoria efetivamente executados, notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional, e materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes. 

 

Importante destacar que, no período do contrato, não existia nada que desabonasse as empresas citadas, sendo ambas atuantes em segmento empresarial rigidamente regulado.  Os serviços por mim prestados não envolveram qualquer tipo de irregularidade e não têm correlação com os temas que se noticia estarem sob investigação. 

 

Os honorários recebidos, os rendimentos declarados e os dividendos distribuídos são inteiramente compatíveis e congruentes, uma vez que, no mesmo período, foram prestados serviços de consultoria também a outros clientes. Vale frisar que tão logo cessou a prestação dos serviços, os contratos e pagamentos foram finalizados. 

 

Estou totalmente seguro em relação a estes fatos, haja vista não existir nada de errado. De todo modo, não posso deixar de registrar o estranhamento que causa o vazamento seletivo e fragmentado de um documento que condensa informações protegidas por sigilo bancário e fiscal, ao qual não tive acesso e estou tendo notícia da existência pela imprensa, razão pela qual sequer posso fazer algum juízo acerca da conformidade e legalidade desse documento.

 

Atualizado às 09h35 com a nota oficial

Ministro do STF desobriga Augusto Lima de depor na CPMI do INSS e sessão é cancelada; Senador critica "interferência"
Foto: Divulgação Banco Master

Diante da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de desobrigar o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, de comparecer à CPMI do INSS, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), cancelou a sessão que seria realizada na manhã desta quarta-feira (11). 

 

Augusto Lima havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e controlador do Master até 2024.

 

Assim como vem fazendo com outros convocados a depor na CPMI, o ministro André Mendonça impôs o caráter facultativo à presença de Augusto Lima no colegiado. Na decisão, tomada na noite desta terça (10), o ministro afirma que o empresário, se decidisse comparecer à oitiva, poderia se manter em silêncio e não dizer a verdade, sem que pudesse por isso sofrer “constrangimentos físicos ou morais”.

 

Após cancelar a sessão para ouvir Augusto Lima, o senador Carlos Viana fez postagem na rede X criticando a decisão do ministro André Mendonça. Viana disse que a decisão se tratou de uma “interferência” do STF no trabalho do Congresso Nacional.

 

“Decisões monocráticas como essa acabam atrasando e dificultando o trabalho do Congresso Nacional na busca de respostas ao povo brasileiro sobre as graves irregularidades investigadas na Previdência Social”, afirmou o presidente da CPMI.

 

Viana já havia reclamado outras vezes de decisões de ministros do STF sobre o comparecimento de convocados pela CPMI. O senador também decidiu recorrer contra a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu dezenas de quebras de sigilos bancário e fiscal aprovadas pelo colegiado, entre elas a de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Lula. O recurso foi apresentado pela Advocacia do Senado.
 

Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Banco Master, foi convocado a depor nesta quarta-feira na CPMI do INSS
Foto: Agência AL-BA

Está marcado para a manhã desta quarta-feira (11), na CPMI do INSS, o depoimento do empresário e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. O empresário foi convocado para dar explicações sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. 

 

Augusto Ferreira Lima foi convocado a depor da CPMI após aprovação de requerimento apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). No pedido para a realização da oitiva, Izalci afirma que Lima teria idealizado operações do Banco Master voltadas ao crédito consignado, e acusa o empresário de ser figura central na trajetória operacional do Banco Master.

 

A CPMI do INSS tentou ouvir Vorcaro em 23 de fevereiro, mas o banqueiro descartou comparecer após uma decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que tornou facultativa a sua presença.

 

O ex-controlador do Master construiu sua trajetória no sistema financeiro a partir do crédito consignado e ganhou projeção ao se tornar sócio de Daniel Vorcaro. Seu nome passou a circular com mais intensidade no mercado após a liquidação do Master e, posteriormente, com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que controlava. 

 

Lima deixou a sociedade no Banco Master em maio de 2024. Como parte do rearranjo societário, ficou com o Banco Voiter e com a operação do Credcesta, cartão de benefício consignado. A transferência do controle do Voiter para Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, operação que ocorreu meses antes da deflagração da operação Compliance Zero pela Polícia Federal. 

 

Além da atuação no setor financeiro, Augusto Lima manteve trânsito político e proximidade com figuras da direita à esquerda. Ele é casado com Flávia Arruda, ex-ministra no governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal, além de se relacionar com parlamentares do PT da Bahia. 

 

Em novembro de 2025, Lima foi preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga as suspeitas de fraudes na venda de carteiras do Banco Master ao BRB. A prisão preventiva foi revogada menos de duas semanas depois. 

 

Após assumir o controle do Banco Pleno, Augusto Lima tentou viabilizar a venda da instituição. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o banco chegou a ser oferecido a diversos investidores, em um modelo que previa atrelar a venda do Pleno à operação do Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para estabilizar a operação. As negociações não avançaram. 

 

Com o agravamento das restrições regulatórias, a dificuldade de captação e a perda de confiança do mercado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em 18 de fevereiro. 
 

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O Pernambucano aproveitou pra traçar um plano B caso não consiga sua vaga no Senado. E enquanto tem gente pensando no futuro, parece que outros não desapegam do passado. Mas bom mesmo é o clima no grupo do Cacique. Inclusive, lembrando que ontem foi dia do beijo, já deixo aqui uma homenagem. Enquanto isso, o Galego está descobrindo um dos motivos pro Correria estar à frente nas pesquisas. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Papa Leão XIV

Papa Leão XIV

“A Santa Sé já conversou com os bispos alemães. A Santa Sé deixou claro que não concordamos com a bênção formalizada de casais — neste caso, casais homossexuais — ou de casais em situações irregulares, além do que foi especificamente permitido pelo Papa Francisco, ao dizer que todas as pessoas recebam a bênção”.

 

Disse o Papa Leão ao manter o posicionamento da Igreja Católica contra a formalização de bênção a casais homoafetivos, nesta quinta-feira (23). O momento ocorreu durante entrevista à imprensa em um voo de retorno ao Vaticano, após viagem do religioso à Guiné Equatorial, na África. 

Podcast

Projeto Prisma entrevista deputado estadual Antonio Henrique Júnior nesta segunda-feira

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O deputado estadual Antonio Henrique Júnior (PV) é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira (27). O programa é exibido ao vivo no YouTube do Bahia Notícias a partir das 16h.

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