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daniel vorcaro
Uma nova pesquisa Datafolha prevista para ser divulgada na sexta-feira, 11, vai mostrar como está a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro a menos de um mês para o eleitor ir às urnas. Este será o primeiro levantamento realizado depois da crise no Supremo Tribunal Federal envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Neste cenário, além de atualizar os cenários de primeiro e segundo turnos, a pesquisa vai medir se os episódios envolvendo os ministros do STF deixaram eleitores em dúvida ou chegaram a fazê-los mudar de voto para presidente.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026. O instituto ouvirá 2.002 eleitores de todo o país entre os dias 8 e 11 de setembro em entrevistas pessoais realizadas em pontos de fluxo populacional. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A divulgação está prevista para sexta-feira, 11 de setembro.
O Datafolha fará inicialmente uma pergunta espontânea e, depois, apresentará dois cenários estimulados para a Presidência:
No primeiro, estarão Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara e Veterinário Wilson Grassi. O segundo repetirá a lista sem Pablo Marçal.
Depois da escolha, o instituto perguntará se o voto está totalmente decidido ou se ainda pode mudar. O questionário também investigará se o eleitor escolhe determinado candidato por considerá-lo mais preparado e com as melhores propostas ou principalmente para impedir a vitória de outro concorrente.
O 2° TURNO
O principal confronto de segundo turno colocará Lula diretamente contra Flávio Bolsonaro.
O Datafolha também testará o presidente contra Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Renan Santos e Augusto Cury. Em todos os cenários, o entrevistado poderá escolher um dos dois nomes, declarar voto branco ou dizer que ainda não sabe.
A inclusão de Cury permitirá medir seu desempenho em um confronto direto depois do avanço registrado pelo escritor nas pesquisas presidenciais das últimas semanas.
MAIOR REJEIÇÃO
O Datafolha voltará a perguntar em quais candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum no primeiro turno.
A lista inclui Lula, Flávio, Cury, Caiado, Zema, Renan e os demais nomes apresentados no cenário estimulado. Como a pergunta admite múltiplas respostas, cada entrevistado poderá rejeitar mais de um presidenciável.
CRISE DO STF
Um bloco específico do questionário será dedicado à crise no Supremo Tribunal Federal.
O instituto perguntará se os eleitores consideram que os ministros do STF têm poder demais, se veem a Corte como essencial para proteger a democracia e se acreditam que a confiança no tribunal diminui em relação ao ano passado.
Também medirá o grau de conhecimento dos brasileiros sobre o vazamento de mensagens de 2025 enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes e os entrevistados poderão dizer se estão bem, mais ou menos ou mal informados sobre o episódio.
MORAES
A pesquisa perguntará diretamente qual deveria ser a consequência para Alexandre de Moraes depois da divulgação das mensagens.
Na sequência, o Datafolha vai medir se a revelação das conversas não alterou nem deverá alterar o voto para presidente, se deixou o eleitor em dúvida ou se chegou a fazê-lo mudar de escolha.
MENDONÇA
O instituto também perguntará se os entrevistados tomaram conhecimento da suspeita levantada por Moraes contra André Mendonça, relacionada à condução de tratativas de delações premiadas e ao direcionamento de alvos de investigação por supostos motivos pessoais e políticos.
Assim como no caso de Moraes, os entrevistados poderão opinar sobre o que deveria acontecer com Mendonça: nada, afastamento temporário, renúncia ou impeachment.
O Datafolha também perguntará se o episódio não alterou o voto presidencial, se provocou dúvidas ou se levou o eleitor a mudar sua escolha.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou ter sofrido ameaças durante transferências realizadas após sua prisão e afirmou que as intimidações dificultaram sua tentativa de fechar um acordo de delação premiada. As informações foram reveladas pela revista Veja nesta sexta-feira (4), com base em depoimento prestado pelo empresário ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo Vorcaro, um dos episódios ocorreu durante o transporte de São Paulo para Brasília. Ele afirmou ter ouvido uma ameaça relacionada à possibilidade de revelar informações sobre uma pessoa apontada como “chefe”. “Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: ‘Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso’”, declarou.
Já durante uma transferência de helicóptero em Brasília, o banqueiro disse que voltou a ser intimidado. Conforme o relato, um dos agentes teria sugerido que seria mais fácil “jogar ele daqui”, enquanto a aeronave estava no ar. “Então, essa foi a outra oportunidade que eu temi ali pela vida. E foi durante todo o trajeto, durante todo o tempo, eu sofrendo esse tipo de intimidação”, afirmou.
O empresário associou as supostas intimidações à possibilidade de mencionar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, em uma eventual colaboração. Ele declarou que os dois mantinham uma relação e que Rodrigues teria participado de eventos ligados ao crescimento do Banco Master. Vorcaro também afirmou que tentava apresentar sua versão à PF havia cerca de nove meses, mas não conseguia avançar nas conversas.
Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República adotou uma postura diferente e teria demonstrado maior disposição para ouvi-lo. Na tentativa de acordo, o ex-banqueiro afirmou ainda que pretendia citar “pessoas relevantes do atual governo” e instituições com as quais manteve relações. De acordo com o relato, parte dessas relações teria envolvido situações que, na avaliação dele, ultrapassaram “linhas de moralidade” e de “ilicitude”.
Uma ala do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a defender que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não atue no caso sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O motivo é que o próprio Gonet foi citado nessas mensagens.
Segundo informações do Globo, para os magistrados que defendem essa posição, o ideal seria que o vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand, atuasse no lugar de Gonet como representante da Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso.
Gonet já tomou decisões sobre o processo. Mesmo tendo sido citado nas mensagens de Vorcaro, ele pediu a nulidade do relatório da Polícia Federal que detalha a relação entre o ex-banqueiro e o ministro Moraes.
As mensagens apreendidas pela Polícia Federal mostram que Vorcaro também mantinha relações com Gonet. Em uma conversa de março de 2025, o advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, pergunta ao banqueiro se poderia incluir Pedro Gonet, filho do procurador-geral, no grupo que participaria de um evento em Londres. Vorcaro confirma o convite e, segundo a mensagem, ficaria responsável por bancar a viagem do filho de Gonet até a capital inglesa.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) instaurou um procedimento interno para apurar mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso tramita no contexto das investigações relativas ao Banco Master e terá como relator o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino.
A abertura do processo atende a uma representação formalizada por parlamentares do Partido Novo após a divulgação de relatórios da Polícia Federal. Os documentos policiais revelaram diálogos e anotações de Vorcaro que mencionam autoridades públicas, incluindo Gonet e pessoas de seu círculo familiar, entre os registros, constam articulações para estreitar laços institucionais e o convite para um evento internacional direcionado a um parente do PGR.
No ofício enviado ao órgão de cúpula do MPF, a bancada do Novo solicita a designação de um subprocurador-geral da República independente para conduzir eventuais apurações que toquem a figura do PGR. Embora pontuem que a iniciativa não imputa conduta criminosa direta a Gonet, os deputados alegam a necessidade de preservar a integridade institucional do Ministério Público.
O rito interno prevê a oitiva de Paulo Gonet para prestar esclarecimentos sobre o teor das mensagens. Concluída essa fase preliminar, o relatório de Sanseverino será submetido ao plenário do CSMPF para deliberação, em data ainda a ser fixada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das funções de ministro. A informação foi confirmada pela jornalista Natura Nery, do Globonews, nesta quinta-feira (3).
O pedido foi feito em meio aos novos desdobramentos do caso Master. Na terça-feira (1°), Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Já nesta quinta, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça por supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No momento, ambos os pedidos estariam “na mesa” da presidência da Suprema Corte que, até o momento, pediu que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues se expliquem em 5 dias sobre investigações relacionadas ao Banco Master.
A equipe do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na noite desta quinta-feira (3) duas notas fiscais que teriam sido emitidas em nome de sua esposa, Janey Nagliatti Mendonça, pela alfaiataria Alegrete, loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos. As notas, segundo a assessoria do ministro, comprovariam que foi ele, e não o banqueiro Daniel Vorcaro, quem teria efetuado a compra de ternos.
Com o valor total de R$ 26.430, as notas emitidas pela alfaiataria foram apresentadas por Mendonça para rebater a suspeita de que ele teria recebido os ternos como um presente de Vorcaro. Essa suspeita surgiu após a revelação de áudios de conversa do banqueiro com o advogado baiano Ciro Rocha Soares.
Reportagem do site ICL Notícias revelou, a partir do vazamento de conversas retiradas do celular de Vorcaro, uma tentativa de aproximação do banqueiro com o ministro do STF. A aproximação foi articulada pelo advogado Ciro Rocha e pelo deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Mensagens retiradas do celular de Daniel Vorcaro mostram que Ciro Rocha Soares enviou uma fotografia ao lado de Mendonça, na loja do alfaiate de luxo Vasco Vasconcellos, conhecido por vestir empresários, executivos e figuras públicas.
“Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno", disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
No mesmo dia, porém, conforme mostra a nota fiscal, Mendonça teria pago o terno com nota emitida em nome de sua esposa, em um total de R$ 16,5 mil, à loja de Vasco. O valor foi gasto em camisas, ternos e conjuntos feitos sob medida.
Já em 28 de fevereiro, Mendonça pagou mais R$ 9.900 ao alfaiate, com a aquisição de blazers sob medida e acessórios. Novamente a nota do alfaiate foi emitida em nome da esposa do ministro.
Em nota à imprensa depois da divulgação da informação sobre o encontro, André Mendonça disse que recebeu Daniel Vorcaro apenas uma vez, por pedido do próprio banqueiro, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, ele afirmou que atendeu também o advogado do empresário e que mantém nos registros do gabinete os memoriais escritos sobre o encontro.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada, que os R$ 5 milhões doados em 2022 para campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Jair Bolsonaro (PL) teriam sido parte de uma negociação de propina. Segundo Vorcaro, foram destinados R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro. O relato foi revelado pelo UOL nesta quinta-feira (3).
Naquele ano, Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador das campanhas. O empresário afirmou que os valores seriam “contrapartidas financeiras” relacionadas a um suposto “ajuste indevido com Gilberto Kassab” para garantir a permanência do Credcesta no governo de São Paulo.
De acordo com o relato, Augusto Lima, sócio do Banco Master responsável pela expansão do Credcesta, teria buscado assegurar a continuidade do negócio diante da possibilidade de vitória de Tarcísio nas eleições daquele ano. Vorcaro disse ainda que o pagamento seria inicialmente feito integralmente em dinheiro.
Segundo ele, Kassab ou interlocutores teriam informado que era necessário cumprir compromissos com partidos aliados e que, nesse caso, as legendas aceitariam apenas doações oficiais. A proposta de colaboração, porém, foi rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.
O presidente do PSD afirmou que nunca tratou de doações com Vorcaro ou Augusto Lima e disse não ter qualquer relação com o ex-banqueiro. A defesa de Tarcísio também negou vínculo com Vorcaro. Em nota, afirmou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores, seguiu a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral.
Citado em um áudio do advogado baiano Ciro Soares, ligado ao PSD, o senador Otto Alencar confirmou a relação com o jurista. Apesar disso, o senador negou que tenha sido abordado sobre a possibilidade de se encontrar com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao Bahia Notícias, Alencar, que é o presidente estadual do PSD, ressaltou que Ciro Soares já trabalhou para o partido, “mas não pediu nada de Daniel Vorcaro.”.
Em um dos áudios vazados da conversa entre Soares e o dono do Banco Master, o senador baiano foi citado. Ciro diz que planejava levar o parlamentar ao encontro secreto entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.
“O André Mendonça disse que quer te receber junto comigo”, relatou Ciro a Daniel Vorcaro. “Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu contei. Ele já sabia que o Cezinha já tinha falado com ele.”.
No mesmo áudio, o advogado baiano revelou que, antes da reunião, em um momento ocorrido durante uma festa, o próprio Otto Alencar já havia perguntado a ele sobre Daniel Vorcaro.
Ao BN, Otto afirmou que Ciro advogou para sua sigla e que o considera um amigo e advogado. “Às vezes viajo com ele, de Salvador para Brasília, pessoa que tenho uma boa relação”, disse o senador.
Ele diz ainda que nunca pediu nada relacionado ao Vorcaro ou Banco Master a Ciro ou André Mendonça: “Ciro viajou comigo, mas não pediu nada de Daniel Vorcaro” e completa dizendo que, no período citado, nem esteve com o ministro do Supremo. “Não tive nem com André Mendonça nesse período. Estive mais por conta da indicação de Messias ao STF”, afirma. A indicação de Jorge Messias ao STF foi formalizada pelo Planalto em abril deste ano.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações, que teria sido utilizada para realizar repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar nesta quinta-feira (3), no jornal O Globo.
Freixo Júnior é operador do mercado financeiro e a sua delação seria a segunda acordada no caso Master. A primeira foi a de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que administrava os fundos usados por Vorcaro para esconder dinheiro, que já foi encaminhada para análise do ministro André Mendonça, relator do caso.
O grupo Entre é controlador da revista IstoÉ e da Entrepay, que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em março deste ano. Em janeiro deste ano, a empresa foi alvo de busca e apreensão em meio às investigações do caso Master.
Segundo Malu Gaspar, o acordo de Antonio Freixo Júnior conta com detalhes sobre os pagamentos que fez a pedido de Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. O filme se tornou amplamente conhecido após virem à tona mensagens do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em que ele cobra dinheiro de Vorcaro supostamente para a produção do longa-metragem.
Nos anexos entregues aos investigadores, o empresário detalhou remessas que fez ao exterior para o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
O acordo de Freixo Júnior já foi encaminhado para o gabinete de Mendonça, a quem caberá decidir se o homologa ou não. Não há prazo para Mendonça analisar o material e as cláusulas do acordo.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) teria entrado em contato com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para pedir que ele ajudasse seu advogado e ex-assessor de seu gabinete, Thiago Rodrigues de Faria. Nas mensagens enviadas no dia 30 de março de 2025, obtidas pelo ICL Notícias, o parlamentar chama o banqueiro de “Dani” e de “lindão” e diz que “quer ter mais proximidade” com Vorcaro.
Nas palavras do deputado bolsonarista, era necessária ajuda do dono do banco Master para liberar “um ativo de minério”. Em uma mensagem de áudio, Nikolas começa dizendo: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui, comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani, enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’”, explica Nikolas.
No mesmo áudio ele segue dizendo: “Ele [Thiago] falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”.
Fotos: Reprodução / ICL Notícias
Em resposta, Vorcaro responde com um áudio de visualização única. Na sequência, Nikolas agradece e envia o contato de Thiago Faria. Vorcaro então responde: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas escreve que vai “dar banho na pequena agora” e completa na sequência: “pra amanhã voltar pra guerra”. Daniel Vorcaro chega a dizer: “To em brasilia toda semana, Vamos marcar”.
A conversa termina com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”. O diálogo entre o parlamentar e o ex-banqueiro é retomado no dia 1 de abril de 2025, dia seguinte, com uma mensagem de Nikolas.
O deputado mineiro avisa que estará em Brasília e “qualquer horário ele estará disponível”. O banqueiro respondeu um dia depois dizendo: “Deixa comigo”. Pelos registros obtidos não há informações se Vorcaro ajudou no pedido do assessor de Nikolas.
Em defesa, o advogado Thiago Faria disse que “essas perguntas são nada a ver” e alegou que conhecia o ex-banqueiro pela proximidade geográfica, já que ambos são de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais.
Em um áudio enviado ao ICL Notícias, ele alega: “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, finalizou Faria.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a delação premiada que pretendia fazer tinha como objetivo denunciar pessoas ligadas ao “núcleo do atual governo”. A informação foi revelada pelo jornal O Estado de São Paulo e g1 nesta quinta-feira (3).
"Toda a minha colaboração, ela, no que tange a pessoas, são pessoas do núcleo do atual governo, que eu acabei fazendo relação para me proteger dos ataques que eu estava sofrendo. E aí, nesses momentos, teve uns casos que foram cruzadas linhas de moralidade, linhas de ilicitude, que esses eu pretendia relatar", disse.
Ainda em depoimento, o banqueiro não citou a possibilidade de contar sobre sua relação com demais autoridades políticas ou sobre a participação no financiamento da cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.
Segundo o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo envolvendo o caso Master no STF, o depoimento foi prestado a um juiz auxiliar que acompanha o caso, após um pedido dos advogados do ex-dono do Banco Master.
"O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar", diz o gabinete do ministro.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras. A PF estima que o esquema teria desviado ao menos R$ 12 bilhões no BRB, mais de R$ 40 bilhões no FGC e outras centenas de milhões em fundos de previdência de estados e municípios.
Nesta quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento de denúncias feitas por Daniel Vorcaro durante o depoimento e afirmou que o banqueiro não apresentou provas durante o depoimento.
"[...] constata-se que o declarante não noticiou fato concreto ou juridicamente delimitado capaz de impulsionar providências investigativas próprias, tampouco conferiu o mínimo elemento de verossimilhança às assertivas ali formuladas", diz a PGR.
Sem apresentar provas, Vorcaro fez leituras pessoais e desconectadas do devido processo legal até mesmo de sua prisão. No depoimento, Vorcaro ainda afirmou que teria desistido de seguir com a delação por se sentir ameaçado pelo que ele chamou de "pessoas do poder", que, segundo ele, o querem ver preso.
A Polícia Federal apreendeu R$ 510 mil em dinheiro vivo que estavam na bagagem de mão da advogada Valéria Rodrigues Linhares no dia 25 de agosto, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo. A advogada é esposa do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), que, segundo conversas obtidas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, teria articulado a reunião entre o dono do Banco Master e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.
A ação da PF contra Valéria voltou à tona após a revelação das novas conversas do deputado Cezinha e do ex-banqueiro. Na ocasião da apreensão, a esposa do parlamentar tentava embarcar em um voo com destino a Brasília. Os agentes identificaram os valores durante a inspeção por raio-x da bagagem.
Na ocasião, Valéria teria informado inicialmente que carregava R$ 400 mil, mas após a abertura da mala e a contagem do dinheiro, os policiais encontraram R$ 510 mil em espécie.
Foto: Divulgação / Polícia Federal
Com o conflito de informações, Valéria foi encaminhada ao plantão da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo para prestar esclarecimentos. Questionada sobre a origem da quantia, a advogada afirmou que apresentaria posteriormente a documentação fiscal necessária para comprovar os valores.
A Polícia Federal informou que os próximos procedimentos relacionados à apreensão serão conduzidos pela Justiça.
CEZINHA E VORCARO
A relação entre Cezinha de Madureira, marido de Valéria, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, foi exposta após a revelação de mensagens extraídas do celular de Vorcaro nesta terça-feira (1°). Os dados mostram que o deputado participou diretamente da articulação para aproximação com figuras públicas.
O caso mais emblemático é o encontro entre o dono do Master e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) em São Paulo no dia 14 de março de 2025.
VÍDEO: Alcolumbre rebate oposição e diz que “todo mundo esqueceu” pedido de R$ 130 milhões a Vorcaro
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), rebateu nesta quarta-feira (2) as críticas de senadores da oposição sobre sua atuação diante dos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a sessão do plenário, Alcolumbre afirmou que parlamentares teriam solicitado R$ 130 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Eu vou voltar para a pauta porque senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias. Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar, todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, disse Alcolumbre durante sessão do plenário do Senado.
A declaração foi direcionada a integrantes da oposição. Na véspera, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção, cobrou Alcolumbre sobre a tramitação dos pedidos contra Moraes. Segundo informações da revista piauí, além disso, veio a público um novo repasse de US$ 1,6 milhão para o longa-metragem, realizado em setembro de 2025, após Flávio cobrar o ex-banqueiro sobre parcelas atrasadas.
Alcolumbre foi questionado sobre o impeachment de Moraes por Flávio e outros três parlamentares de oposição entre terça (1º) e quarta-feira (2). As cobranças ocorrem após a divulgação de mensagens entre Moraes e Vorcaro. Os diálogos indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de uma operação da Polícia Federal que poderia ter Vorcaro como alvo.
ASSISTA:
O ex-CEO do Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento ao STF que sofreu pressão psicológica na cadeia. Investigadores da Polícia Federal e da Procuradoria dizem que a acusação é "teatro" para tentar forçar um acordo.
Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, Vorcaro declarou ter sofrido tortura psicológica e ameaças veladas enquanto estava sob custódia, com o objetivo de impedi-lo de citar nomes da Polícia Federal (PF) em um eventual acordo de delação premiada.
No depoimento gravado em vídeo, realizado diante de um juiz auxiliar e de um procurador da República, Daniel Vorcaro relatou episódios que considerou abusivos durante o período em que esteve preso:
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Maus-tratos e ameaças: Afirmou que teve os olhos vendados durante uma transferência de cela e que passou por calor extremo em um camburão.
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Citação ao diretor da PF: Disse que agentes de escolta teriam afirmado que ele "ficaria preso para sempre" caso mencionasse o nome do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
- Recusa de delação: Na avaliação de Vorcaro, a PF teria recusado sua proposta de delação premiada por três vezes justamente para evitar o envolvimento de integrantes da alta cúpula da corporação.
Em nota divulgada após a publicação das informações, o gabinete do ministro André Mendonça confirmou que o depoimento ocorreu a pedido urgente dos advogados de Vorcaro, que alegaram riscos à segurança do réu. O ministro destacou que a ouvida seguiu os trâmites regulares e contou com a presença do Ministério Público Federal.
Na primeira sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) após a retirada do sigilo de investigações sobre relações do banqueiro Daniel Vorcaro com autoridades da República, os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes participam dos julgamentos como se nada tivesse acontecido. A sessão desta quarta-feira (2) transcorre, desde o início, sem que tenha havido qualquer discussão entre ambos, mesmo com os dois se sentando lado a lado.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, não tocou no assunto da troca de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes em nenhum momento desde que abriu os trabalhos da sessão plenária. Mais cedo, Fachin havia dito que as revelações sobre a relação entre Moraes e o ex-banqueiro do Master configurariam um momento de "especial gravidade". Segundo ele, "medidas cabíveis" serão anunciadas nos próximos dias.
Edson Fachin iniciou a sessão plenária anunciando julgar o Recurso Extraordinário 1495108 sobre a cobrança do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) pelas imobiliárias ao transferir bens e direitos para incorporação em seu capital social. O processo tem repercussão geral reconhecida, e a tese fixada deverá ser aplicada a casos semelhantes.
Quando foi chamado a proferir o seu voto sobre o caso, o ministro Alexandre de Moraes saudou o presidente, o procurador-geral, Paulo Gonet, também presente à sessão, a ministra Carmem Lúcia e os "demais colegas", sem olhar para o lado, onde estava sentado o seu desafeto André Mendonça.
Apesar de Alexandre de Moraes e André Mendonça terem tido uma conversa "ríspida" e "dura" na última segunda (31), durante a sessão de hoje, não houve ainda qualquer animosidade entre ambos. O desentendimento teria ocorrido durante uma conversa, após Mendonça avisar Moraes que encaminharia o relatório da Polícia Federal à Procuradoria-Geral da República (PGR).
No relatório de 218 páginas, a corporação lista uma série de textos em que Vorcaro teria pedido ajuda a Moraes para “bloquear” as investigações contra o banco e até mesmo impedir a liquidação extrajudicial e a prisão do ex-banqueiro, além de diversos outros detalhes de relações até mesmo comerciais do banqueiro com a esposa do ministro.
Nesta terça (1º), André Mendonça tornou público o relatório e conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, e pediu que um pedido de investigação contra Alexandre de Moraes fosse julgado no plenário, em sessão aberta, "de forma pública e transparente".
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, teria se encontrado com o banqueiro Daniel Vorcaro, em março de 2025. A reunião foi revelada por meio de áudios e mensagens extraídas do celular de Vorcaro, com o advogado baiano Ciro Rocha Soares e o deputado federal Cezinha de Madureira, do PL de São Paulo. Segundo as informações divulgadas pelo ICL Notícias, nesta quarta-feira (2), a reunião ocorreu no dia 14 de março de 2025.
O encontro teria ocorrido em São Paulo e durou cerca de duas horas, no endereço de um instituto fundado pelo próprio magistrado. A aproximação foi articulada por Ciro e Cezinha com semanas de antecedência.
Em uma das mensagens mais explícitas, Ciro enviou a Vorcaro uma fotografia ao lado de Mendonça e afirmou que estava “trabalhando” para o banqueiro enquanto levava o ministro a uma alfaiataria. “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”, disse o advogado em áudio enviado em 8 de fevereiro de 2025.
O material mostra ainda que Ciro e Cezinha conversaram previamente com Mendonça sobre uma situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central.
Em outro áudio, o advogado disse ter deixado o ministro “balançado” com a situação relacionada aos problemas enfrentados pelo Master no Banco Central e afirmou que Mendonça queria receber Vorcaro.
Após a revelação das mensagens, o ministro André Mendonça se manifestou nesta quarta. Em nota oficial, o relator do processo do Banco Master no STF disse que “se limitou” a ouvir Vorcaro durante a reunião.
“Sobre a reportagem publicada nesta data, o ministro André Mendonça esclarece que recebeu o empresário Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do próprio empresário, e que se limitou a ouvi-lo. No mesmo mês, atendeu também o advogado do empresário, e ainda mantém, nos registros do gabinete, os memoriais escritos recebidos por ocasião do encontro”, afirma Mendonça em nota.
Na nota, Mendonça afirma que Vorcaro buscou interlocução com outros magistrados para tratar de precatórios, tema que estava sob análise do STF e interessava ao Banco Master.
“Em todas as ocasiões, o assunto tratado foi a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976, que estava sob julgamento do Supremo Tribunal Federal e que discutia créditos de precatórios de interesse do Banco, mas que se encontrava, na exata data da reunião, com pedido de vista de outro Ministro. Como já noticiado pela imprensa, o empresário buscou interlocução semelhante com outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto”, afirma.
O ministro relembrou que durante a tramitação do caso no Supremo, votou contra os interesses do empresário. “Registre-se, aliás, que a atuação jurisdicional do ministro foi contrária à posição defendida pelo empresário, em linha com sua posição historicamente defendida em casos semelhantes, conforme se pode verificar nos autos”, diz.
Disse ainda que não comentaria os diálogos revelados pelo ICL, que mostram o advogado de Vorcaro comentando encontros com o magistrado. “Por fim, o ministro não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor não lhe cabe confirmar. Sua atuação, pública e privada, é pautada pela legalidade e pela impessoalidade”, finaliza.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) afirmou, nesta terça-feira (1º), estar acompanhando com “atenção e extrema preocupação” a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. Em nota assinada pelo presidente em exercício do Conselho Federal da OAB, Délio Lins e Silva Jr., a entidade defendeu que os fatos sejam investigados de forma “rigorosa e isenta”, independentemente dos envolvidos.
A manifestação ocorre após a divulgação de informações sobre uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O conteúdo aponta para conversas sobre uma possível operação da Polícia Federal contra o banqueiro. Segundo as informações divulgadas, Vorcaro teria questionado Moraes sobre a possibilidade de ser alvo da PF antes de sua prisão, em novembro de 2025.
As mensagens também indicariam uma tentativa de encontro entre os dois. O caso também teria provocado um confronto entre Moraes e o ministro André Mendonça na entrada do plenário do STF nesta terça. Mendonça é relator de uma investigação que apurou a identidade do interlocutor de Vorcaro em conversas nas quais eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Na nota, a OAB ressaltou que qualquer apuração deve respeitar o devido processo legal, a ampla defesa e a presunção de inocência. A entidade também alertou para os efeitos da crise sobre o país, especialmente por envolver instituições consideradas essenciais à democracia em meio ao período eleitoral.
LEIA A NOTA COMPLETA:
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanha com atenção e extrema preocupação as notícias sobre a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras instituições da República. A OAB defende a apuração rigorosa e isenta de todos os fatos, em relação a quem quer que seja, asseguradas as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e da presunção de inocência. Esses princípios garantem a legitimidade da apuração.
A Ordem se preocupa com os impactos dessa crise para o Brasil, sobretudo por envolver instituições essenciais à democracia e por ocorrer durante o período eleitoral. A OAB seguirá cumprindo seu papel de defender a Constituição.
Délio Lins e Silva Jr
Presidente em exercício do CFOAB
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro efetuou uma nova transferência no valor de US$ 1,666 milhão para o financiamento do filme Dark Horse em setembro de 2025, dias após ser cobrado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o atraso em parcelas do projeto. As informações foram reveladas pelo jornalista Breno Pires, em reportagem da Revista Piauí divulgada nesta terça-feira (1º).
O novo repasse consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pela publicação. A operação junta-se a outros seis pagamentos de igual valor realizados até maio de 2025, elevando o total destinado por Vorcaro à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões (equivalente a mais de R$ 65 milhões na cotação da época).
Segundo as apurações jornalísticas, as transferências do controlador do Banco Master eram intermediadas pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a um aliado de Vorcaro. A firma repassava os valores para o fundo Havengate, sediado nos Estados Unidos e controlado por um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, de onde o montante seguia para a produtora do longa.
Diálogos inéditos obtidos pela revista mostram uma troca de mensagens do dia 22 de outubro de 2025 entre o banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, responsável pela captação de recursos da obra. Na ocasião, Miranda questionou: “Consegue liberar as parcelas do filme?”. Vorcaro respondeu afirmando ter liberado “mais uma hoje”, ao passo que o publicitário replicou: “Vou avisá-los. Flávio disse que iria te ligar tb”.
Caso a transação mencionada no diálogo tenha se concretizado nos mesmos moldes, o somatório desembolsado pelo empresário alcança US$ 14 milhões (cerca de R$ 72 milhões). Procurado pela piauí, Flávio Bolsonaro não se pronunciou e orientou que os questionamentos fossem direcionados à produtora do filme, a empresa Go Up.
“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. [...] Eu sei que você está passando por um momento dificílimo aí também, essa confusão toda, você sem saber exatamente como é que vai caminhar isso tudo. E apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá?”.
A apuração da Piauí desmente declaração dada por Flávio Bolsonaro à GloboNews, na qual o senador afirmava que os pagamentos efetuados pelo banqueiro teriam cessado em maio de 2025.
O senador Carlos Viana (PSD-MG) protocolou nesta terça-feira (1°) um novo pedido de impeachment por crime de responsabilidade contra o ministro Alexandre de Moraes. Viana foi o presidente da CPI dos Correios, e segundo ele, os parlamentares foram impedidos de ter acesso a informações que hoje são reveladas sobre as relações entre Moraes e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Em entrevista coletiva, Carlos Viana disse que iria cobrar do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo de impeachment contra Alexandre de Moraes. O senador mineiro afirmou que Alcolumbre não pode continuar se omitindo de cumprir a Constituição e investigar denúncias contra Moraes sob pena de ele mesmo sofrer processo por prevaricação.
"Quem usa a cadeira para blindar autoridade investigada perde a legitimidade para continuar sentado nela. Ou abre o procedimento contra Moraes ou responderá por escolher a omissão”, disse Viana.
A situação voltou a escalar após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de documentos de uma investigação da Polícia Federal que envolve Alexandre de Moraes. O material registra uma série de diálogos entre Daniel Vorcaro e o ministro do STF, com tratativas sobre dinheiro, pressão sobre autoridades, contratos privados e até mesmo conselhos a respeito de fuga do Brasil.
Além de Carlos Viana, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também afirmou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra o ministro. A senadora defendeu que Moraes se afaste voluntariamente do cargo até a conclusão das investigações.
No plenário do Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) exigiu que Alcolumbre abrisse um processo de impeachment, e disse que a omissão envergonha a casa.
"Esse Senado é frouxo, é o que eu mais escuto nas ruas. Quem vai parar esse Moraes?", questionou Malta. Alcolumbre não respondeu ao senador.
Mensagens de WhatsApp que integram relatório da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, mostram o empresário pedindo a um contato salvo em seu celular como "Geraldo Brazil Journal" que fosse incluída em matéria jornalística a informação de que "os 3 ministros do STF", Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, "se reuniram privativamente" com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair antes de um evento em Londres.
O material integra o inquérito que apura a atuação de Vorcaro e teve o sigilo retirado nesta segunda-feira (1), por decisão do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Segundo os registros, em 26 de abril de 2024, dia de um debate de Vorcaro com Tony Blair, realizado durante o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, o banqueiro escreveu ao contato: "Alexandre pediu se possível pra incluir que antes do evento ele se reuniu com os ministros do supremo. Toffoli, moraes e gilmar mendes."
O jornalista, então, pediu que Vorcaro esclarecesse onde e como a informação deveria entrar: "No post de ontem? [...] Ahhh, falar que ALEXANDRE SE REUNIU COM BLAIR? Ou TODOS os ministros se reuniram com Blair? Ou que os ministros fizeram uma reunião entre si? Não está claro pela tua mensagem."
Vorcaro respondeu ditando o texto que deveria ser publicado, associando o encontro dos ministros ao próprio debate com o ex-premiê britânico: "Antes do meu debate com o tony Blair, os 3 ministros do STF se reuniram privativamente com o ex primeiro ministro."
Um segundo trecho de mensagens, de 18 de abril de 2024, mostra Vorcaro tratando com o então ministro das Comunicações Fábio Faria sobre a lista de participantes do mesmo evento. Faria escreve: "Mas eu acho que [Alexandre] gosta que ele saiba que ele vetou. Ego dele. Mas a gente não precisa passar isso." Vorcaro responde: "No final ele vetou mesmo, ficou claro", e os dois combinam manter "a programação normal."

A Polícia Federal (PF) identificou, em relatório pericial, uma mensagem enviada pelo empresário Daniel Vorcaro ao contato cadastrado em seu celular como "Alexandre de Moraes BRASILIA", na qual o controlador do Banco Master pede que seja feita uma interlocução junto à direção da própria PF para adiar uma medida policial que, segundo ele, poderia levar a instituição à quebra.
O documento que estava em sigilo de justiça, obtido pelo Bahia Notícias (BN), registra a recuperação de uma imagem enviada por meio do recurso de visualização única do WhatsApp.
Na captura de tela, extraída pela perícia do aparelho de Vorcaro, aparece um texto redigido pelo empresário em seu bloco de notas em 16 de novembro de 2025: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco nao quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possivel" [a grafia original foi apresentada integralmente].
De acordo com o relatório da PF, a referência a "Andrei" diz respeito a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal. Na avaliação dos investigadores, a mensagem demonstra um pedido para que o destinatário tentasse sensibilizar a chefia da corporação a adiar o cumprimento de uma medida policial iminente contra o banco.
No próprio texto, Vorcaro afirma que o adiamento, somado ao feriado subsequente, no dia 20 de novembro, evitaria a quebra da instituição financeira.
ENTRE 25 SEGUNDOS
Para comprovar a autenticidade e a autoria da mensagem, os peritos cruzaram registros do sistema operacional do aparelho com vestígios deixados pelos aplicativos utilizados pelo empresário. Segundo o relatório, o intervalo entre a criação do conteúdo e o envio da imagem foi de apenas 25 segundos.
A cronologia reconstruída no texto pela perícia aponta:
- 16h56min40s (19h56min40s UTC): Daniel Vorcaro abre o aplicativo Bloco de Notas do iPhone e digita a mensagem.
- 16h57min22s (19h57min22s UTC): o empresário realiza uma captura de tela do conteúdo. O sistema iOS registra automaticamente o horário da ação.
- 16h57min26s (19h57min26s UTC): Vorcaro encerra o Bloco de Notas e abre o WhatsApp.
- 16h57min47s (19h57min47s UTC): a imagem é enviada, por meio do WhatsApp, ao contato identificado como "Alexandre de Moraes BRASILIA."
- 16h57min50s (19h57min50s UTC): o aplicativo é fechado no dispositivo.
Segundo os investigadores, o uso de uma captura de tela enviada por visualização única dificultava a preservação do conteúdo no histórico convencional das conversas. Embora o recurso apague a imagem do dispositivo do destinatário após a abertura, os peritos afirmam ter comprovado a transmissão por meio de duas frentes técnicas:
- Registros de conectividade (logs): o software de perícia forense IPED identificou o envio de dados pelo WhatsApp ao destinatário no exato momento registrado na cronologia do aparelho.
- Recuperação de arquivos temporários: a captura de tela gerou vestígios em áreas temporárias do sistema iOS. A equipe técnica conseguiu extrair a imagem original e seus metadados diretamente da memória do telefone de Vorcaro.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) revelam que o advogado baiano Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, atuou para que o banqueiro Daniel Vorcaro custeasse uma viagem a Londres para o filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em diálogos mantidos em março de 2025, obtidos pelo jornal Estadão e confirmados pelo jornal O Globo, o advogado questionou Vorcaro sobre a possibilidade de incluir Pedro Gonet na comitiva que participaria de um evento na capital inglesa, obtendo a confirmação do empresário.
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A informação integra um relatório sigiloso elaborado pela Polícia Federal a partir da análise do telefone celular de Vorcaro. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras na instituição bancária.
De acordo com o relatório, em 15 de março de 2025, às 14h13, Ciro Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado de Paulo Gonet. Em seguida, escreveu: “Liga aqui”, acrescentando que o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR) desejava conversar com o controlador do banco. A partir das 14h23, o aparelho registrou quatro chamadas de voz entre o advogado e o banqueiro, com durações de 57 segundos, 27 segundos, 17 segundos e três minutos e 49 segundos.
A Polícia Federal ressalvou no documento que não é possível confirmar se Paulo Gonet participou das chamadas ou se conversou diretamente com Daniel Vorcaro. Os registros comprovam apenas que as ligações foram efetuadas para o terminal telefônico de Ciro após o envio da fotografia.
A equipe de investigação identificou que não havia contato salvo em nome do procurador-geral no celular de Vorcaro, sendo as menções localizadas prioritariamente nas conversas com o advogado baiano.
Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou ao banqueiro três mensagens atribuídas ao chefe da PGR, entre elas os textos: “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”. Vorcaro agradeceu a felicitação, ao passo que o advogado declarou que o procurador “lhe adora” e iria a Londres com a comitiva.
No dia seguinte, Ciro Soares consultou o banqueiro sobre a inclusão do filho do procurador-geral na viagem: “Pode levar o Pedro?”. Vorcaro respondeu autorizando a presença: “Óbvio, né”.
Posteriormente, em abril de 2025, uma funcionária da instituição financeira consultou o controlador do banco sobre quais convidados teriam as despesas pagas pela organização do evento. Na ocasião, Vorcaro confirmou a cobertura dos custos tanto para o advogado Ciro Soares quanto para Pedro Gonet.
A Polícia Federal pontuou que o relatório não atribui conduta criminosa a Paulo Gonet. O levantamento atendeu a uma determinação do ministro André Mendonça para mapear personalidades citadas nos registros telefônicos do empresário e detalhar as interações associadas.
Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, sinaliza uma discussão a respeito da possibilidade de a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teria o ex-banqueiro como alvo.
O conteúdo foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo. A TV Globo teve acesso às informações.
No dia 15 de novembro de 2025, sábado, Vorcaro questiona Moraes. Quarenta e oito horas depois, na noite de 17 de novembro, segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF quando tentava embarcar em um jato particular.
“Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Questiona o ex-banqueiro.
Ele foi alvo de uma operação que mirava a venda de títulos de crédito falsos. A instituição emitia CDBs com a promessa de pagar ao cliente até 40% acima da taxa básica do mercado. No entanto, segundo as investigações na época, esse retorno era irreal.
Um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, no dia 16, Vorcaro mandou novo questionamento ao ministro pelo WhatsApp.
“Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Em outra mensagem, também no dia 16, Vorcaro sugere um encontro com Moraes:
"Às 14h então, na sua casa ou na minha?". Ele também diz estar "perplexo".
"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu", diz a outra mensagem.
Mensagens trocadas via WhatsApp entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelam que o banqueiro indagou o magistrado se deveria sair do país para escapar de uma eventual prisão. A mensagem foi enviada dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal quando tentava embarcar em um jato particular com destino a Malta e, depois, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Conversas reveladas pelo jornal Estado de S.Paulo nesta terça-feira (1º) mostram que em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro consultou Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, sobre sair do País para escapar da prisão. Na noite de 17 de novembro, uma segunda-feira, o banqueiro foi preso pela PF, em cumprimento de ordem expedida pela 10ª Vara Federal do Distrito Federal.
A investigação conduzida pela Polícia Federal busca analisar de o ministro do STF repassava a Daniel Vorcaro detalhes sobre o andamento inicial da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal. Uma das suspeitas nesse sentido está no fato de Vorcaro, no domingo, um dia antes de ser preso no Aeroporto Internacional de São Paulo, ter indagado o ministro pelo WhatsApp: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”.
Como lembra o Estadão, no momento em que Vorcaro se comunicava com Moraes, a ordem de prisão ainda não havia sido assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal do DF. O decreto de prisão preventiva do banqueiro foi assinado às 15h29 do dia 17 de novembro, horas antes de ele ser flagrado pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo.
Na mesma mensagem ao ministro em que sugere uma fuga ao exterior, em 15 de novembro, Vorcaro emendou três perguntas a Moraes: “Aquele mesmo juiz Ricardo? E o (Gabriel) Galípolo (presidente do Banco Central) tá sabendo? Conseguimos fazer algo?”. Já às 17h26 da segunda-feira, dia da prisão, Vorcaro perguntou ao ministro do STF se tinha “alguma novidade”. “Conseguiu ter notícia ou bloquear?”, enviou o banqueiro.
As mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela Polícia Federal revelam um padrão de comunicação em que os conteúdos eram enviados em modo de visualização única, por meio de capturas de tela de textos redigidos no aplicativo de notas do celular. Com esse procedimento, a extração permitiu à PF acessar apenas as imagens enviadas por Vorcaro, sem recuperar eventuais respostas e observações do ministro.
Essas e outras revelações sobre os contatos mantidos entre o banqueiro do Master e Alexandre de Moraes podem levar a uma abertura de investigação contra o ministro. Segundo a CNN, o ministro André Mendonça teria avaliado, em conversas com interlocutores, considerar graves as novas revelações que inclusive apontam que Moraes pode ter pedido ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, proteção a Vorcaro.
Nesse sentido, Mendonça estaria avaliando levar ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, um pedido formal de abertura de investigação contra Moraes. Por se tratar de um ministro do STF, só o plenário da Corte pode autorizar a abertura de investigação desse porte.
Além das mensagens, outra informação é considerada grave e passível de investigação: a de que Moraes teria manuseado o contrato de R$ 129 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, com o banqueiro. Mendonça, segundo fontes ouvidas pela CNN, já vinha alertando Fachin de que havia indícios de envolvimento direto de Moraes com Vorcaro.
O banqueiro Daniel Vorcaro aproveitou o depoimento prestado à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) para sinalizar intenção de fechar um acordo de colaboração premiada.
Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele respondeu a todas as perguntas dos delegados "de forma clara e consistente", sem deixar "qualquer indagação sem esclarecimento". Os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski também disseram que o banqueiro pode prestar esclarecimentos "mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".
A Polícia Federal (PF) já havia rejeitado duas propostas de delação apresentadas pela defesa de Vorcaro. Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) seguiu a mesma orientação da PF.
O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28), entre o fim da manhã e o início da tarde. Foi a primeira vez neste ano que ele fala à corporação, e também a primeira oitiva depois que a PF recusou duas propostas de delação premiada apresentadas pela defesa dele. O último depoimento anterior havia sido dado em dezembro do ano passado.
Segundo os investigadores, os anexos entregues pelo banqueiro nas propostas de delação careciam de provas e foram considerados "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações.
Vorcaro falou aos investigadores por videoconferência, a partir da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como "Papudinha", onde está preso preventivamente desde junho. A oitiva havia sido adiada duas vezes antes, uma porque a defesa do dono do Banco Master pediu mais tempo para acessar os autos do processo, e outra por problemas de sinal no sistema de videoconferência.
A expectativa antes do depoimento era que o banqueiro fosse questionado sobre uma possível articulação dele com ex-diretores do Banco Central (BC) para tentar impedir a liquidação do Master, que acabou ocorrendo em novembro de 2025. Segundo as investigações, dois ex-diretores do BC teriam atuado como "consultores" e "empregados" do banqueiro, orientando como ele deveria responder aos questionamentos feitos pela instituição.
Na época em que o banco foi liquidado, Vorcaro chegou a ser detido pela primeira vez, sob suspeita de tentar fugir do país, algo que ele nega. A liquidação extrajudicial foi decretada "em razão do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a atividade bancária e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil", segundo o ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.
O depoimento que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, daria à Polícia Federal nesta quinta-feira (27) foi adiado por problemas técnicos no sistema de videoconferência.
O banqueiro falaria aos investigadores da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecida como "Papudinha", onde ele está preso preventivamente desde junho. Uma nova reunião para o depoimento foi marcada para esta sexta-feira (28).
"A defesa aguardou até agora o restabelecimento do sinal estável para a realização da audiência virtual, o que não foi possível. Desta forma, será designada nova data, quando nosso cliente será ouvido sobre os fatos", disse em nota o advogado que representa o banqueiro.
O depoimento havia sido inicialmente agendado para a semana passada, mas um primeiro adiamento já havia ocorrido a pedido da defesa, sob o pretexto de que eles ainda não tinham acesso à íntegra dos autos.
O banqueiro Daniel Vorcaro vai prestar depoimento, nesta quinta-feira (26), à Polícia Federal (PF) no inquérito que apura possíveis fraudes cometidas pelo Banco Master. A oitiva será feita por videoconferência e está marcada para as 10 horas. Vorcaro deve falar aos investigadores da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecida como "Papudinha", onde ele está preso preventivamente desde junho.
O depoimento foi inicialmente agendado para a última quinta, mas foi adiado a pedido da defesa, sob o pretexto de que eles ainda não tinham acesso a todos os autos. Será o primeiro depoimento do banqueiro com a nova configuração de sua equipe de defensores. O criminalista Daniel Bialski foi contratado para atuar junto com o advogado Sérgio Leonardo, que é amigo do banqueiro.
Este também será a primeira oitiva oficial de Vorcaro após a PF recusar duas propostas de delação premiada feitas por sua defesa. Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações.
A proposta de acordo de delação premiada entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, traz em seus anexos citações a pelo menos dois políticos de peso: o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ACM Neto (União-BA), candidato a governador e ex-prefeito de Salvador. O documento, que possui 17 anexos detalhando suspeitas de crimes financeiros, está na fase de ajustes finais antes da assinatura.
No anexo que envolve o senador petista, Mansur relata que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pediu que ele comprasse ingressos — avaliados em R$ 63,3 mil — para o show da cantora Taylor Swift no Allianz Parque (hoje Nubank Parque) em 2023. Os bilhetes foram usados para presentear Jaques Wagner.
Procurado pelo UOL, Wagner disse que a compra foi "um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos". Disse ainda que "não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag."
Já em relação a ACM Neto, a delação aponta que ele é dono exclusivo de um fundo de investimento, o Seattle 95, que era gerido pela Reag até 2025. Através dele, fez uma aplicação no fundo Structure, de empréstimos consignados originados pelo Banco Master. O Seattle 95 aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, em quatro compras entre novembro de 2021 e julho do ano passado. Em fevereiro de 2023, o fundo chegou a ter 98,6% de todo o seu patrimônio nessa única aplicação.
ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em dez depósitos. O patrimônio chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, um ganho de R$ 4,01 milhões, rendendo em média 17% ao ano.
Também procurado, Neto disse que é cotista do fundo de investimentos Seattle, "criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita". Ele acrescentou: "Para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país. A rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade de mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade."
A Reag DTVM administrava também o Astralo 95, o Haena 808 — que pertence a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master — e o Whynot, de Valério Marega Júnior, gestor investigado no caso Jaques Wagner.
FOCO EM VORCARO E BANCO MASTER
Apesar das citações aos políticos, o alvo central da delação de Mansur é Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Pelo acordo, o executivo da Reag deve pagar R$ 40 milhões em multas, o equivalente ao que recebeu da empresa enquanto ela estava operando.
Mansur tentou, sem sucesso, fazer uma delação conjunta com Vorcaro quando os dois eram clientes do criminalista José Luís de Oliveira. As informações prestadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes pela PGR e pela Polícia Federal. Depois de Oliveira deixar o caso, o criminalista Aloísio Medeiros assumiu a defesa de Mansur.
Em sua delação, Mansur diz que a Reag atuava prestando serviços para o Master e Vorcaro desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco, estruturando operações com fundos de investimento. Segundo o executivo, fundos da Reag foram usados para desviar dinheiro do banco, com laranjas como beneficiários e uso de estruturas offshore. Mansur entregou à PGR extensa documentação sobre essas transações e detalhou negociações feitas diretamente com Vorcaro, afirmando que ficou claro que ele sabia dos desvios e estava por trás deles.
FALTA ASSINATURA
O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.
Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.
O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.
Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.
EXECUTIVO INVESTIGADO
No ano passado, Mansur foi alvo da Operação Carbono Oculto, em que a Reag, gestora e administradora de fundos depois liquidada pelo Banco Central, apareceu como suspeita de funcionar para lavagem de dinheiro do crime organizado. Os fatos relatados na delação de Mansur incluem o objeto desta operação: fundos da Reag usados por Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o Primo e Beto Louco, empresários do setor de combustíveis.
Depois, Mansur foi investigado pela relação com o Banco Master na Operação Compliance Zero, relatada no STF por André Mendonça. O executivo também está negociando com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), responsável pela investigação da Carbono Oculto.
USO DE FUNDOS
No anexo em que trata de Vorcaro, o ex-dono da Reag identificou laranjas que operavam como cotistas de fundos para o banqueiro. Um dos casos é do Jaguar Multimarket Fund Ltd, fundo registrado nas Ilhas Cayman para onde o Master mandou R$ 494 milhões. No papel, o beneficiário do Jaguar é Benjamim Botelho — parceiro de negócios do Master e ex-dono da Sefer, gestora investigada também na Compliance Zero —, mas Mansur afirma que o verdadeiro dono é Vorcaro.
COMO O DINHEIRO CIRCULAVA
Investigações do Banco Central e da PF apontam que o esquema funcionava da seguinte forma:
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O Master emprestava dinheiro a empresas recém-criadas, sem operação real;
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Essas empresas aplicavam os recursos em fundos administrados pela Reag;
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Em poucos minutos, o dinheiro passava por fundos ligados aos mesmos intermediários e era usado para comprar ativos de pouco ou nenhum valor de mercado;
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Esses ativos eram registrados nos balanços dos fundos por valores muito acima do real — inflando artificialmente o patrimônio informado aos cotistas e ao mercado.
Um exemplo concreto: o fundo High Tower "comprou" R$ 850 milhões em carteiras de crédito podres do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) — papéis sem valor prático — e os registrou como se valessem R$ 10 bilhões.
Assim, o banco conseguia tirar as dívidas podres do próprio balanço e transferi-las ao mercado de capitais, onde reapareciam "limpas" e supervalorizadas dentro de fundos de investimento.
Ao todo, seis fundos da Reag somavam R$ 102,4 bilhões em patrimônio informado — valor que reflete o tamanho da estrutura sob suspeita, não necessariamente o montante efetivamente desviado do Master. Segundo os investigadores, a triangulação teria começado entre 2023 e 2024, quando o banco enfrentava problemas de caixa.
Os gastos de R$ 75 milhões com o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, voltaram à ordem do dia em Brasília, depois de um longo tempo sem novas informações a respeito do tema. Nesta segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da Polícia Federal e autorizou que a corporação tenha acesso aos dados da operação contra a produtora do filme.
Pela decisão de Dino, a Polícia Federal poderá acessar informações obtidas após uma operação, realizada em junho pela Polícia Civil de São Paulo, contra Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. A ação da Polícia Civil mirou suspeitas de fraudes e desvios de recursos públicos.
Também nesta segunda (24), o senador Flávio Bolsonaro sinalizou à imprensa, por meio de interlocutores, que não vai apresentar a prestação de contas do que foi gasto para a realização do filme. Em maio, quando vieram à tona vazamentos da sua conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro e o pedido de R$ 61 milhões para fazer o filme, o senador do PL disse publicamente que apresentaria “em no máximo 30 dias” a prestação de contas sobre os recursos repassados a “Dark Horse”.
De acordo com a CNN, a justificativa dada por Flávio Bolsonaro é de que ele não tem acesso a todos os dados necessários para fazer a prestação de contas, já que o filme é feito pela produtora Go Up Entertainment.
Nos bastidores, a campanha de Flávio Bolsonaro admite que o candidato errou ao se precipitar em anunciar uma prestação de contas pública sem que fosse possível ter acesso aos dados. E que o candidato a presidente não tem ligação direta com a administração dos recursos e que uma eventual publicidade dos dados depende apenas da produtora.
Integrantes da campanha dizem ainda que a responsabilidade pela prestação de contas é e sempre foi da produtora, já que o contrato para a execução do filme foi feito por ela. Entretanto, foi Flávio Bolsonaro quem apareceu em áudios pedindo dinheiro para o filme, e falando com Vorcaro da necessidade de efetuar pagamentos aos atores, à equipe etc.
A Polícia Federal suspeita que os recursos possam ter sido destinados para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, já que o dinheiro dado por Vorcaro passou pela conta do advogado do ex-deputado. Um inquérito sob relatoria do ministro André Mendonça foi aberto em 21 de julho para apurar essas suspeitas.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a retirada de um vídeo produzido com inteligência artificial que associa o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão é do ministro André Mendonça, que estabeleceu o prazo de 24 horas, a contar da intimação, para a remoção do conteúdo.
A ordem é direcionada tanto à Meta (proprietária do Instagram) quanto ao administrador do perfil responsável pela publicação. Em postagem foi veiculada em 14 de agosto pela conta "Brasil Sátira do Poder", cujo autor ainda não possui identificação civil confirmada.
AS IMAGENS
No vídeo em questão utiliza imagens sintéticas de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para simular situações fictícias. Em determinado trecho da montagem, ambos aparecem abraçados; em outras cenas, a imagem do candidato é associada a fardos de dinheiro, criando um vínculo visual entre o político e o banqueiro.
Ao analisar o caso, André Mendonça identificou indícios de deepfake, destacando que a reprodução fotorrealista confere aparência de autenticidade a fatos que não ocorreram na realidade. O ministro ressaltou que a simples classificação da publicação como sátira não exime o conteúdo do cumprimento das regras eleitorais vigentes sobre o uso de inteligência artificial, uma vez que imagens sintéticas e realistas foram aplicadas no contexto eleitoral sem a devida identificação de que foram produzidas artificialmente.
Além de determinar a exclusão do material, o ministro proibiu o responsável pela conta de voltar a divulgar a mesma peça por meio de compartilhamentos, reproduções ou impulsionamentos em quaisquer sites, perfis ou redes sociais sob seu controle.
O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, está pouco otimista quanto à possibilidade de uma nova delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo informações obtidas junto a integrantes de tribunais superiores, o chefe do Ministério Público Federal teria imposto três condições para admitir qualquer avanço nas negociações.
De acordo com a apuração, a primeira condição é que não haja filtro sobre quem seria delatado. Gonet quereria os nomes de todos os envolvidos, sem exceção. A segunda exige que Vorcaro detalhe o paradeiro do dinheiro das fraudes bancárias que teria orquestrado. A terceira determina que qualquer discussão sobre penas e benefícios fique para depois, apenas quando todas as informações já estiverem formalizadas.
Ainda segundo a apuração, nas duas tentativas anteriores de delação nenhuma dessas exigências foi atendida. Gonet acreditaria que, mesmo com a nova equipe de defesa do banqueiro, o cenário dificilmente mudaria. A avaliação é de que a Procuradoria-Geral da República deve manter a recusa enquanto as condições não forem cumpridas.
Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, negou nesta terça-feira (4) qualquer mudança na estratégia de defesa e descartou a possibilidade de uma delação no âmbito das investigações envolvendo o banco. A manifestação ocorreu após a saída do escritório Figueiredo e Velloso, que até então atuava na defesa do empresário.
Mais cedo, informações divulgadas pelo Portal Metrópoles apontaram que Lima teria manifestado o desejo de mudar a estratégia e falar sobre as investigações, o que teria sido seguido pela renúncia dos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e outros integrantes do escritório.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, a defesa constituída afirmou que a substituição dos advogados “não muda em absolutamente nada a estratégia” adotada no caso. Eduardo Toledo e Sebástian Mello também rejeitaram qualquer interpretação de que Lima estaria disposto a firmar um acordo de colaboração.
“Augusto Lima informa que a destituição do escritório Figueiredo e Velloso não muda em absolutamente nada a estratégia. A defesa constituída repudia de forma veemente qualquer ilação acerca de eventual delação e segue confiante que a inocência de Augusto Lima ficará provada no curso da investigação”, afirmaram os advogados.
As apurações envolvendo o Banco Master estão em andamento desde o fim de 2025 e investigam suspeitas relacionadas aos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Daniel Vorcaro, controlador do banco, também é alvo das investigações.
O ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima, decidiu mudar a estratégia diante das investigações que envolvem a instituição financeira. Segundo informações do Portal Metrópoles, o empresário manifestou, nesta terça-feira (4), o desejo de falar sobre o caso após permanecer em silêncio desde o início das apurações, no fim de 2025.
A mudança de postura foi seguida pela saída dos advogados que atuavam na defesa de Lima. Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e outros integrantes do escritório renunciaram à representação do empresário.
De acordo com a reportagem, o escritório é conhecido por adotar uma postura contrária a acordos de delação em outros casos e já teria deixado processos anteriormente por esse motivo. Em nota enviada ao Bahia Notícias, a defesa constituída negou a alteração e afirmou que a substituição dos advogados “não muda em absolutamente nada a estratégia” adotada no caso.
"Augusto Lima informa que a destituição do escritório Figueiredo e Velloso não muda em absolutamente nada a estratégia. A defesa constituída repudia de forma veemente qualquer ilação acerca de eventual delação e segue confiante que a inocência de Augusto Lima ficará provada no curso da investigação," diz a nota assinada pelos advogados Eduardo Toledo e Sebástian Mello.
As investigações envolvendo o Banco Master apuram suspeitas relacionadas aos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Atualizada às 21h20 para adicionar posicionamento da defesa de Augusto Lima.
A Polícia Federal identificou viagens de Jaques Wagner (PT-BA) e de pessoas próximas ao senador em aeronaves ligadas a empresários do Banco Master. Os episódios, registrados em 2023 e 2024, foram incluídos pelos investigadores como parte de uma relação de proximidade entre o parlamentar e os empresários Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro.
Segundo informações do Globo, um dos casos ocorreu em outubro de 2023, quando Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, mulher de Wagner, foi levada de helicóptero à chamada Ilha da Paixão, propriedade de Augusto Ferreira Lima no litoral de Candeias, na Bahia. O passeio foi combinado após o próprio senador confirmar a participação da esposa.
Em mensagem enviada a Lima, Wagner afirmou que Fátima provavelmente participaria da viagem. O empresário, então, disponibilizou um helicóptero e encaminhou o prefixo da aeronave. Após chegar ao destino, Fátima enviou mensagens de agradecimento ao empresário. Entre os registros encontrados no celular de Lima estão as frases “Chegamos”, “Tudo lindo !!!” e “A gente ama vcs”, conforme o relatório.
O Metrópoles também revelou que a PF encontrou mensagens de setembro de 2024 que indicam preocupação de Daniel Vorcaro com a discrição de outro voo envolvendo Wagner. Nas conversas, o banqueiro questionou o atraso da aeronave e recebeu a informação de que o senador já havia decolado com destino à Bahia.
Depois de saber que os passageiros haviam desembarcado, Vorcaro orientou que o avião fosse levado para um hangar reservado e retirado rapidamente do estado. Segundo as mensagens, o empresário recomendou que a aeronave fosse colocada em um espaço “que ninguém conheça”. A propriedade formal da aeronave não foi identificada pela PF, mas os investigadores apontam que Vorcaro exercia controle sobre o equipamento. As mensagens também indicam que quatro pessoas estavam a bordo durante o deslocamento, entre elas Wagner.
Para a Polícia Federal, os episódios fazem parte de um padrão em que o senador teria utilizado aeronaves privadas controladas por empresários ligados ao Banco Master sem registro de pagamento pelos deslocamentos. O relatório sustenta ainda que os benefícios estariam relacionados a uma suposta atuação política de Wagner em pautas legislativas e regulatórias de interesse da instituição financeira.
A investigação apura se os voos e outras vantagens integrariam um esquema de “contrapartidas recíprocas”. Os documentos vieram a público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo da investigação.
O deputado federal Kim Kataguiri (PSL) afirmou nesta quinta-feira (23) que existe um vídeo mostrando o senador Flávio Bolsonaro (PL) traindo a esposa em uma festa atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita durante participação no podcast Inteligência Ltda.
O conteúdo mencionado pelo deputado não foi divulgado publicamente. Até o momento, não há verificação independente sobre a existência ou a autenticidade do material.
????URGENTE - Kim Kataguri, do MBL, diz que vai vazar suposto vídeo de Flávio Bolsonaro traindo a esposa com autoridade da república
— SPACE LIBERDADE ? (@NewsLiberdade) July 24, 2026
“Sairá um vídeo do Flávio traindo a mulher. Não será suruba, sexo, será com beijinhos (…) ele está traindo a mulher com autoridade da república” pic.twitter.com/tbctagCU82
Kim não apresentou a gravação nem revelou como obteve a informação. Segundo ele, o vídeo mostraria o senador com uma "autoridade da República". Ao ser questionado pelos apresentadores do podcast, o deputado disse não poder oferecer mais detalhes por temer um processo judicial.
"Tem o vídeo, que deve ser a próxima coisa que vai passar do Flávio Bolsonaro, se não uma das próximas, em que ele está traindo a mulher", declarou Kim Kataguiri.
OUTROS VÍDEOS?
A afirmação do deputado ocorreu depois do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, declarar que possui 12 minutos de imagens da chamada "Noite das Astronautas", festa também atribuída a Vorcaro e supostamente realizada em Trancoso, na Bahia.
Conforme o ex-governador, as imagens mostrariam deputados, senadores, governadores e políticos que defendem publicamente valores familiares. Ao ser questionado sobre Cláudio Castro, Garotinho afirmou que o ex-governador do Rio apareceria nas gravações.
O ex-governador disse não ter divulgado o material porque ele estaria sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da repercussão, Garotinho declarou que Flávio Bolsonaro não aparece no vídeo que diz ter visto.
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento decisivo em sua campanha, lidando simultaneamente com o risco de isolamento político e a necessidade de se defender de polêmicas financeiras. Enquanto esbarra em duras negociações com o partido Republicanos para garantir tempo de TV e palanques estaduais, o parlamentar precisou ir a público justificar a emissão de notas fiscais milionárias de seu escritório de advocacia para empresas ligadas a um banqueiro investigado.
IMPASSE COM O REPUBLICANOS
A campanha de Flávio corre o risco de ficar isolada, o que o deixaria com menos tempo de televisão do que seu principal adversário, Lula (PT). Para evitar esse cenário, o PL busca o apoio do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira. No entanto, Pereira condicionou a aliança nacional a um acordo nos estados de Mato Grosso e Roraima, governados pelo Republicanos, mas que atualmente enfrentam adversários do PL.
O Republicanos tem priorizado a eleição de seus oito pré-candidatos a governos estaduais e ameaça adotar a neutralidade na disputa presidencial (o apoio a Lula já está descartado). A sigla tem cacife eleitoral alto:
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São Paulo: Tarcísio de Freitas é favorito à reeleição. Segundo Pereira, "Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio".
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Minas Gerais: O partido aposta no senador Cleitinho, bem posicionado nas pesquisas, e avalia que Flávio também depende mais dele no estado do que o inverso.
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A vice-presidência: A economista Daniella Marques, cotada para ser vice na chapa de Flávio, é filiada ao Republicanos, o que aumenta o peso da legenda nas negociações.
Pereira, que já apresentou pesquisas internas apontando o crescimento de Lula, negocia diretamente com o senador Rogério Marinho (PL-RN). A expectativa é que um acordo seja selado até as convenções partidárias no início de agosto (dia 1º em SP, com a presença de Flávio, e dia 4 no âmbito nacional).
NOTAS FISCAIS E CASO MASTER
Enquanto tenta costurar sua base política, Flávio precisou se defender, em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira (22/7), sobre a emissão de notas fiscais por seu escritório de advocacia para empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos revelaram que, em abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., uma empresa de fachada suspeita de ser usada por Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas logo em seguida. No entanto, dois dias depois, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa e não foi cancelada.
O senador negou irregularidades e classificou a relação como estritamente profissional: "Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada. [...] Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen. [...] [Então] cancelei duas notas fiscais", afirmou Flávio, criticando a imprensa por tentar "marginalizar a advocacia".
As duas empresas envolvidas estão intimamente ligadas: o contador Rogério Lourenço Novo é dono da Contábil Correa e atua como único diretor da Copenhagen, além de conselheiro em outra empresa da rede de Vorcaro. A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com capital de apenas R$ 40, pertence a um fundo gerido pela Trustee DTVM, investigada pela Polícia Federal por ocultação de patrimônio do grupo do banqueiro.
As notas fiscais reforçam as conexões entre o presidenciável e o dono do Banco Master, que já havia financiado, anteriormente, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em vídeo publicado nesta quarta-feira (22), ter prestado serviços à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa apontada como de fachada no esquema de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A negativa, porém, não esclareceu por que o escritório de advocacia do senador emitiu notas fiscais em nome da firma para um serviço que ele próprio afirma não ter aceito executar.
Segundo apuração do Jornal Metrópoles, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu, em 7 de abril de 2025, duas notas fiscais no valor de R$ 500 mil cada em favor da Copenhagen. As duas foram canceladas na sequência. Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota fiscal de R$ 500 mil foi emitida pelo mesmo escritório, dessa vez para a Contábil Correa. O registro não apresenta cancelamento.
A Contábil Correa tem como único sócio Rogério Lourenço Novo, que também consta na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e como membro efetivo do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa ligada à teia de Vorcaro. A dupla presença de Novo nas duas firmas reforça a conexão entre as notas emitidas pelo escritório de Flávio e o mesmo núcleo societário.
Em vídeo publicado nas redes, o senador defendeu a legalidade de suas relações com outra empresa do mesmo universo. "Hoje o Metrópoles fez uma matéria criminosa querendo marginalizar a advocacia. Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada", afirmou.
Sobre a Copenhagen especificamente, Flávio disse ter recusado o serviço. "Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso", declarou. "Eu não quis trabalhar para essa empresa. Então cancelei duas notas fiscais", complementou.
ESQUEMAS DE VORCARO
A Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40. Apesar disso, tornou-se uma das dez empresas que mais receberam repasses do Banco Master, movimentando R$ 58 milhões. No papel, a firma pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, gestora investigada pela Polícia Federal (PF) por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro.
Os documentos analisados pelo Metrópoles indicam que os vínculos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro superam o que já era conhecido no contexto da crise do Dark Horse. Antes das revelações sobre as notas fiscais, o que se sabia era que o senador havia obtido recursos do dono do Master para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Atendendo às manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de inquérito e o início de uma investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No início do mês de julho, o ministro havia enviado à PGR um pedido feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) para a investigação sobre eventuais irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em resposta a Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.
O pedido do deputado Lindbergh Farias ao STF foi feito após o site The Intercept Brasil revelar, no mês de maio, que Daniel Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões para financiar o filme. A reportagem mostrou que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, pediu dinheiro para o ex-banqueiro.
A negociação inicialmente envolvia um valor maior, de R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”. Segundo Lindbergh, apesar de mensagens revelarem que Flávio pediu dinheiro para o filme, é preciso investigar para onde foram os recursos, quem os recebeu, quem os intermediou e se houve desvio de finalidade.
Na mesma linha, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pediu a abertura de investigação para apurar o envio de recursos de Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme.
O caso era inicialmente relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, mas o presidente do STF, Edson Fachin, no final do mês de junho, redistribuiu o pedido para que ele fosse conduzido por André Mendonça. O motivo é que Mendonça já relata outros inquéritos com relação ao “Dark Horse”.
O Banco Master teria emprestado R$28 milhões a empresas de um ex-secretário de Mata de São João, após o município, na Região Metropolitana de Salvador, credenciar o banco de Daniel Vorcaro para operar um cartão de crédito exclusivo para servidores municipais, com desconto na folha de pagamentos.
Segundo informações do jornal Metrópoles, Joel Feldman, que atuava como secretário municipal de Desenvolvimento, foi um dos responsáveis pela negociação com o banco, em parceria com Augusto Lima. Na negociação com o banco do Credcesta, Feldman ficou com a rede de supermercados Cesta do Povo, que era o objeto do leilão promovido pelo governo da Bahia, e Lima com o produto bancário.
Um dos empréstimos, de R$19 milhões, foi formalizado 27 dias após a assinatura do termo de credenciamento. A reportagem, Feldman disse que os empréstimos foram dentro de padrões do mercado, para financiar a aquisição de nove lojas no estado e, depois, para rolar a dívida. “Não há qualquer relação entre as operações feitas com a varejista e minha atuação como secretário em Mata de São João”, alegou.
Sobre a relação com Lima, ele nega. “Eu era presidente da associação de supermercados. Nós não nos conhecíamos, ele não entendia nada de varejo, tinha um interesse no Credicesta, eu já tinha supermercados”, explicou.
No papel, quem arrematou em 2018 o Cesta do Povo, uma rede estatal de supermercados então com 49 lojas, foi a NGV Empreendimentos e Participações, empresa de prateleira fundada um ano antes com capital social de R$ 500, elevado para R$ 1 milhão pouco antes do leilão.
A NGV tinha dois sócios formais. Um deles, o espanhol Ignacio Morales, anunciado como o sócio capitalista do negócio. O outro era Joel Feldman, então presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase) e dono de uma pequena rede com lojas no litoral baiano e na região do Recôncavo. Na época, Feldman era secretário de Mata de São João.
Após dois leilões terminarem sem interessados, a gestão do então governador Rui Costa (PT), a partir do secretário de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner (PT), realizou alterações para o terceiro leilão: baixou o preço mínimo de R$ 80 milhões para R$ 15 milhões e deixou todo o passivo, estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, com o estado.
A 16 dias do certame, publicou decreto autorizando o arrematante a “modificar, ampliar, aperfeiçoar ou, por quaisquer mecanismos viáveis e juridicamente legítimos, diversificar as funcionalidades do cartão”.
Tão logo venceu o leilão como único concorrente, a NGV firmou contrato para ceder os direitos de Credicesta para uma empresa chamada PKL, que por sua vez foi comprada pelo Banco Máxima, que depois viraria Banco Master. Já a gestão Rui Costa baixou decreto a fim de conceder exclusividade à NGV para oferecer o cartão ao funcionalismo do estado, nos três poderes, por 15 anos, sem concorrentes, limite de até 45% de comprometimento de renda e juros abusivos.
MATA DE SÃO JOÃO
Joel Feldman, voltou ao cargo de secretário municipal em janeiro de 2021, nomeado pelo prefeito João Gualberto (PSDB). Ainda na segunda semana de gestão, Feldman anunciou a criação do “Cartão do Servidor”, a ser operado pelo Banco Máxima.
A ação cria um cartão de crédito e de empréstimo consignados, que só poderia ser utilizado nos estabelecimentos comerciais do município, com permissão para comprometer 30% da renda dos aposentados e servidores.
A operação, porém, só foi autorizada pela Câmara Municipal em março. A legislação foi promulgada em 31 de março e, cinco dias depois, foi publicado decreto para credenciar instituições bancárias.
Em 13 de agosto, o Master foi formalmente credenciado. Em 10 de setembro, o banco emprestou R$19 milhões, redondos, para a Quality Supermercados, que tem Joel Feldman como sócio-administrador. A transação foi listada pelo liquidante do Master em documento anexado a um processo judicial.
Outro empréstimo, de R$ 9,6 milhões, foi concedido em 25 de novembro de 2022 a outra empresa de Feldman, a Kasim Empreendimentos, que havia sido criada pouco antes, em julho. Em setembro, um decreto do prefeito João Gualberto havia ampliado de 72 para 120 meses o número máximo de parcelas que poderiam ser cobradas dos servidores de Mata de São João.
Como o serviço funciona como cartão de crédito, com pagamento mínimo da fatura em folha e juros sobre o saldo devedor, quanto mais longo fosse o contrato, também por mais tempo o Master conseguiria fazer seus descontos contínuos e abusivos na folha de um servidor, até um limite de 10 anos – antes eram seis. “Eu desconheço esse decreto, ele não tem qualquer relação com o empréstimo concedido à minha empresa”, rebate Feldman.
Vasconcelos renunciou ao cargo em 2023, depois de dois anos de mandato, em benefício do vice, Bira da Barraca (União), que se reelegeu em 2024. No fim do ano passado, após a liquidação do Master, a prefeitura resolveu descredenciar o banco. Entre os motivos alegados, está uma determinação para que o Master instalasse representante bancário na cidade, para resolver queixas dos servidores, que não conseguiam quitar a dívida. A agência foi criada e passou a servir como ponto de venda de mais crédito consignado.
A Cesta do Povo continua operada por Feldman, que, desde 2022, passou a ter um veículo de Augusto Lima como financiador. A rede tem, atualmente, 35 lojas, sendo 24 próprias e 11 operadas por terceiros.
O banqueiro Daniel Vorcaro foi questionado por seus advogados de defesa, nesta quinta-feira (16), a respeito da fotografia em que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário".
Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, os defensores mostraram a imagem a Vorcaro durante uma visita à Papudinha, estabelecimento prisional onde o dono do Banco Master encontra-se custodiado. De acordo com as investigações policiais em curso, "Sicário" atuava como chefe de uma milícia privada ligada ao banqueiro.
Ao ser confrontado com o registro, Vorcaro preferiu não se alongar nos comentários. De acordo com relatos obtidos pela coluna, o empresário afirmou a membros de sua equipe jurídica que não fazia ideia de onde a foto teria sido tirada.
Levantamentos divulgados nesta quinta-feira (16) revelam que, nas redes sociais, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu o maior desgaste com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. E o engajamento negativo para o senador do PL não saiu apenas das tarifas, mas também da foto divulgada nesta quarta (15) em que ele aparece ao lado do “Sicário” de Daniel Vorcaro.
Segundo o site da revista Veja, desde que foram anunciadas as novas tarifas para os produtos brasileiros, mais de 21 milhões de menções e interações digitais foram feitas nas principais redes sociais. O tema do tarifaço imposto por Donald Trump ultrapassou o campo econômico e se transformou em uma disputa política sobre quem deveria ser responsabilizado pela crise.
Realizado pela Ativaweb DataLab para a revista Veja, o levantamento mostrou que o senador Flávio Bolsonaro concentrou o maior desgaste, impulsionado pela disseminação da expressão “TariFlávio”, utilizada nas redes sociais para atribuir à família Bolsonaro a responsabilidade pela aplicação de tarifas ao Brasil.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o levantamento, levou vantagem em relação ao seu adversário ao ser associado à defesa da soberania nacional, do Pix e da reação brasileira às medidas adotadas pelo governo Trump.
A revista Veja destaca ainda que um outro ponto destacado pelo levantamento foi a transformação do Pix em um símbolo da soberania brasileira. A ferramenta de pagamentos passou a ser retratada nas redes como um patrimônio nacional e exemplo da capacidade brasileira de desenvolver infraestrutura pública própria.
Outro estudo, desta vez realizado pela empresa Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, mostrou que desde a última terça (14) o senador Flávio Bolsonaro vem sofrendo desgaste nas redes sociais, por conta da foto em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, mais conhecido como “Sicário”. A imagem foi divulgada pelo site ICL Notícias no início da tarde de terça.
Segundo o levantamento da nexus, as publicações sobre a imagem de Flávio ao lado do chefe da milícia privada de Daniel Vorcaro registraram 1.247.615 interações nas três redes entre 9h da terça (15) e 9h da quarta (16). O volume total representa um engajamento 22% superior ao das publicações sobre as novas tarifas norte-americanas, que somaram 1.020.184 interações no mesmo período em redes como X, Facebook e Instagram.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (15), que faz críticas frequentes ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao comentar as investigações sobre supostas relações entre integrantes do PT e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow News.
Ao responder a questionamentos sobre o tema, Flávio negou que evite abordar o caso e afirmou que costuma relacionar Wagner e Rui Costa às apurações envolvendo a instituição financeira. "Eu esculhambei ele. Eu falei da Bahia, eu falo de Rui Costa, eu falo de Jaques Wagner a todo momento. Ele subiu na tribuna para falar mal de mim, para responder. Não tem dificuldade, não", declarou.
Durante a entrevista, o senador voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Segundo ele, a comissão deveria ouvir Daniel Vorcaro e o empresário baiano Augusto Lima, apontado por Flávio como ligado a Wagner e Rui.
"Eu quero a CPI do Banco Master, sim. Quero o Augusto Lima e o Vorcaro sentados nessa CPI. O núcleo do PT inteiro está envolvido nessa sacanagem começando na Bahia, com esse Augusto Lima", afirmou.
Flávio também rebateu comparações entre o investimento do Banco Master na cinebiografia de Jair Bolsonaro e as suspeitas envolvendo integrantes do governo federal. Segundo ele, o aporte para o filme foi uma relação privada, enquanto classificou como "crime" uma suposta promessa de favorecimento ao banco atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Jaques Wagner e ao ministro Rui Costa.
ASSISTA:
A maior parte dos brasileiros não sabia sobre as investigações envolvendo o senador baiano Jaques Wagner (PT) no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, mas acredita que o petista agiu de forma errada. Isso é o que apontam os dados da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15).
A pesquisa questiona inicialmente aos entrevistados sobre o domínio deles sobre o assunto. Na ocasião, 31% disseram que sabiam da investigação envolvendo o ex-governador e estavam bem informados, outros 15% responderam que sabiam mas não estavam bem informados sobre o tema. Por outro lado, a maioria dos entrevistados, 54%, disseram que não sabiam sobre o ocorrido.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, ocorreu no dia 18 de junho, no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no âmbito do esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional. Entre os alvos estavam o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, no Congresso Nacional.
Quando questionados sobre a avaliação das ações de Jaques Wagner, a maioria dos brasileiros, cerca de 61%, disseram acreditar que Jaques Wagner agiu de forma errada na relação com o Master. Apenas 11% acreditam que ele não agiu de forma errada e outros 28% disseram não saber ou não responderam.
A pesquisa Quaest falou com 2.004 pessoas por meio de entrevistas face a face, possui uma margem de erro de dois pontos percentuais e uma confiança de 95%. A coleta ocorreu entre os dias 10 a 13 de julho. O público alvo foram brasileiros em idade eleitoral, ou seja, com 16 anos ou mais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-071181/2026.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do investigado.
Segundo a investigação, Thiago Miranda tinha uma passagem aérea comprada para os Estados Unidos com embarque previsto para a próxima segunda-feira (13). A decisão, que tramita sob sigilo, foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira (9), o publicitário já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão expedido por André Mendonça, no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A operação contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a PF, Miranda teria atuado ao lado de Daniel Vorcaro para intimidar pessoas consideradas “obstáculos” pela suposta organização criminosa investigada.
Durante a operação realizada na quinta-feira, os agentes apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos na residência do publicitário. Conforme a Polícia Federal, a apuração investiga uma suposta atuação coordenada em redes sociais com o objetivo de comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central. Thiago Miranda é proprietário da agência Mithi e ex-sócio do jornalista Leo Dias.
A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o empresário Daniel Vorcaro solicitou um levantamento de informações sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, por considerá-lo um obstáculo aos seus interesses. O material, divulgado pelo Metrópoles, integra a investigação que resultou em busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Thiago Miranda era responsável por reunir dados sobre pessoas classificadas como "obstáculos" ao banqueiro do Banco Master. Entre os alvos estaria Milton Maluhy e sua esposa, para os quais teria sido preparado um relatório com informações pessoais e patrimoniais.
De acordo com as mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro escreveu ao publicitário: "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema". Em seguida, pediu ajuda, recebendo como resposta: "Deixa comigo".
Ainda conforme a investigação, Miranda informou posteriormente que o material já estava concluído, mas afirmou que pretendia divulgar as informações "por outro veículo" após o período do Carnaval.
O conteúdo faz parte da decisão do ministro André Mendonça que autorizou medidas de busca e apreensão no âmbito da apuração conduzida pela Polícia Federal. O caso segue sob investigação.
A atuação da jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, teria sido alvo de discussões internas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal. Em meio às apurações sobre o Banco Master, interlocutores trataram da necessidade de “frear” a produção das reportagens.
Os diálogos também cita um documento intitulado “Carta Proposta Malu Gaspar”, que prevê salário de R$ 120 mil mensais e bônus de R$ 1,5 milhão mediante assinatura do contrato, como estratégia de aproximação com a comunicadora.
De acordo com o material, Vorcaro e o empresário Thiago Miranda teriam atuado para levantar informações pessoais sobre a colunista. Em um dos trechos, Miranda afirma que iria “revirar a vida dela” em busca de elementos que pudessem ser usados contra ela.
As apurações incluíram consultas a dados como processos antigos, histórico financeiro e multas de trânsito. Após as tentativas, um dos envolvidos concluiu que “não há absolutamente nada” relevante contra a jornalista.
Uma das manifestações culturais que chamou atenção durante a caminhada do 2 de Julho, realizada nesta quinta-feira do Largo da Lapinha até o Campo Grande, fez referência ao senador Jaques Wagner (PT) e ao ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro. Além do parlamentar, o enteado dele, Eduardo Sodré, também aparece em cartazes, como "Dudu das Flores", ao lado do governador Jerônimo Rodrigues. A esposa de Sodré, atual secretário estadual de Meio Ambiente, aparece como beneficiária de um contrato com o Banco Master após ampliar a atuação de uma floricultura para a área de consultoria.

A manifestação ocorre duas semanas após a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso do Banco Master e teve Wagner entre os alvos. A operação gerou desgaste na imagem do senador e o levou a deixar a liderança do governo Lula (PT) no Senado.

Foto: André Carvalho/ Bahia Notícias
Veja registros em vídeo com cartazes críticos a Wagner e Eduardo Sodré:
(Atualizado às 09h03)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela na Papudinha, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A mudança deverá ser realizada no prazo de 24 horas.
Vorcaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal desde março, após obter autorização para permanecer no local enquanto mantinha tratativas para um possível acordo de delação premiada. No entanto, as propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que consideraram insuficientes as informações oferecidas.
Segundo a decisão, a transferência não está relacionada diretamente às negociações frustradas. O pedido partiu da própria Polícia Federal, que argumentou que a unidade da corporação é destinada a presos provisórios de curta permanência, enquanto Vorcaro responde em prisão preventiva, sem prazo determinado.
Mendonça também determinou que a administração do presídio adote medidas para impedir a comunicação entre investigados da Operação Compliance Zero. Entre eles está o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que também está preso no local.
Apontado pela Polícia Federal como um dos principais alvos da investigação, Daniel Vorcaro é suspeito de liderar um esquema envolvendo organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes financeiras. As apurações indicam ainda que o grupo teria utilizado carteiras de crédito supostamente fictícias, avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões, para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
A Polícia Federal (PF) está investigando as tratativas dos ex-sócios do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, com os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). A suspeita é de que houve pagamento de propina em troca de uma atuação parlamentar que favorecesse os interesses dos empresários em projetos de lei no Congresso Nacional.
As investigações apontam que o grupo buscava alterações legislativas em temas ligados aos seus negócios, como energias renováveis, crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre as medidas de maior interesse estava a chamada “emenda Master”, que pretendia aumentar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a PF, essa mudança poderia "sextuplicar" os negócios do banco, mas o texto acabou sendo rejeitado após oposição do governo e de grandes instituições financeiras.
Além disso, a PF identificou movimentações relacionadas a projetos de transição energética e ao mercado de crédito de carbono. Um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha como Vorcaro teria articulado para que seu motorista buscasse documentos em um endereço de Ciro Nogueira e os entregasse no Senado aos cuidados de um assessor do parlamentar. Para evitar a identificação, o ex-banqueiro teria orientado o motorista a apagar nomes de contatos no celular e a utilizar envelopes sem a logomarca do Banco Master.
No caso do senador Jaques Wagner, a investigação foca em uma medida provisória de 2022 que permitia operações de crédito consignado para beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil. A PF alega que Augusto Lima teria procurado o senador para tratar do projeto. No entanto, a decisão judicial sobre o caso é considerada vaga quanto à atuação efetiva de Wagner, uma vez que a proposta foi aprovada rapidamente no Senado sem participação aparente do parlamentar, que na época era da oposição.
Jaques Wagner afirmou que a investigação cometeu um "erro grave" ao confundir uma emenda apresentada por ele com a ementa da medida provisória do governo anterior. Ele alega que sua atuação teve objetivo "estritamente social" e pediu a anulação das medidas de busca e apreensão. Além disso, Augusto Lima declarou que atua dentro da lei.
O Banco Master, que está no centro das investigações, é acusado de uma fraude bilionária ao sistema financeiro, tendo causado um prejuízo superior a R$ 57 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos após sua quebra.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Tânia Scofield
"Na verdade, o que a gente encontra hoje na rua de Salvador é uma faixa de veículo assim, bem acima do necessário. Esse acima do necessário permite inclusive que um carro ultrapasse, porque às vezes tem 3 metros e meio, 3 metros, às vezes 4 metros".
Disse a presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), Tânia Scofield, durante entrevista nesta terça-feira (8) ao programa Bahia Notícias no Ar, ao comentar a preocupação de parte dos motoristas com a redução do espaço para os carros nas obras de requalificação da Avenida Lafayette Coutinho, popularmente como Avenida Contorno é uma "percepção um pouco equivocada".
