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O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento decisivo em sua campanha, lidando simultaneamente com o risco de isolamento político e a necessidade de se defender de polêmicas financeiras. Enquanto esbarra em duras negociações com o partido Republicanos para garantir tempo de TV e palanques estaduais, o parlamentar precisou ir a público justificar a emissão de notas fiscais milionárias de seu escritório de advocacia para empresas ligadas a um banqueiro investigado.
IMPASSE COM O REPUBLICANOS
A campanha de Flávio corre o risco de ficar isolada, o que o deixaria com menos tempo de televisão do que seu principal adversário, Lula (PT). Para evitar esse cenário, o PL busca o apoio do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira. No entanto, Pereira condicionou a aliança nacional a um acordo nos estados de Mato Grosso e Roraima, governados pelo Republicanos, mas que atualmente enfrentam adversários do PL.
O Republicanos tem priorizado a eleição de seus oito pré-candidatos a governos estaduais e ameaça adotar a neutralidade na disputa presidencial (o apoio a Lula já está descartado). A sigla tem cacife eleitoral alto:
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São Paulo: Tarcísio de Freitas é favorito à reeleição. Segundo Pereira, "Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio".
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Minas Gerais: O partido aposta no senador Cleitinho, bem posicionado nas pesquisas, e avalia que Flávio também depende mais dele no estado do que o inverso.
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A vice-presidência: A economista Daniella Marques, cotada para ser vice na chapa de Flávio, é filiada ao Republicanos, o que aumenta o peso da legenda nas negociações.
Pereira, que já apresentou pesquisas internas apontando o crescimento de Lula, negocia diretamente com o senador Rogério Marinho (PL-RN). A expectativa é que um acordo seja selado até as convenções partidárias no início de agosto (dia 1º em SP, com a presença de Flávio, e dia 4 no âmbito nacional).
NOTAS FISCAIS E CASO MASTER
Enquanto tenta costurar sua base política, Flávio precisou se defender, em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira (22/7), sobre a emissão de notas fiscais por seu escritório de advocacia para empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos revelaram que, em abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., uma empresa de fachada suspeita de ser usada por Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas logo em seguida. No entanto, dois dias depois, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa e não foi cancelada.
O senador negou irregularidades e classificou a relação como estritamente profissional: "Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada. [...] Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen. [...] [Então] cancelei duas notas fiscais", afirmou Flávio, criticando a imprensa por tentar "marginalizar a advocacia".
As duas empresas envolvidas estão intimamente ligadas: o contador Rogério Lourenço Novo é dono da Contábil Correa e atua como único diretor da Copenhagen, além de conselheiro em outra empresa da rede de Vorcaro. A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com capital de apenas R$ 40, pertence a um fundo gerido pela Trustee DTVM, investigada pela Polícia Federal por ocultação de patrimônio do grupo do banqueiro.
As notas fiscais reforçam as conexões entre o presidenciável e o dono do Banco Master, que já havia financiado, anteriormente, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em vídeo publicado nesta quarta-feira (22), ter prestado serviços à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa apontada como de fachada no esquema de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A negativa, porém, não esclareceu por que o escritório de advocacia do senador emitiu notas fiscais em nome da firma para um serviço que ele próprio afirma não ter aceito executar.
Segundo apuração do Jornal Metrópoles, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu, em 7 de abril de 2025, duas notas fiscais no valor de R$ 500 mil cada em favor da Copenhagen. As duas foram canceladas na sequência. Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota fiscal de R$ 500 mil foi emitida pelo mesmo escritório, dessa vez para a Contábil Correa. O registro não apresenta cancelamento.
A Contábil Correa tem como único sócio Rogério Lourenço Novo, que também consta na Receita Federal como único diretor responsável pela Copenhagen e como membro efetivo do conselho fiscal da Ambipar, outra empresa ligada à teia de Vorcaro. A dupla presença de Novo nas duas firmas reforça a conexão entre as notas emitidas pelo escritório de Flávio e o mesmo núcleo societário.
Em vídeo publicado nas redes, o senador defendeu a legalidade de suas relações com outra empresa do mesmo universo. "Hoje o Metrópoles fez uma matéria criminosa querendo marginalizar a advocacia. Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada", afirmou.
Sobre a Copenhagen especificamente, Flávio disse ter recusado o serviço. "Em outra oportunidade, eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que supostamente foi usada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso", declarou. "Eu não quis trabalhar para essa empresa. Então cancelei duas notas fiscais", complementou.
ESQUEMAS DE VORCARO
A Copenhagen foi criada em novembro de 2024 com capital social de R$ 40. Apesar disso, tornou-se uma das dez empresas que mais receberam repasses do Banco Master, movimentando R$ 58 milhões. No papel, a firma pertence ao fundo de investimentos Estônia, administrado pela Trustee DTVM, gestora investigada pela Polícia Federal (PF) por movimentar e ocultar patrimônio do grupo de Daniel Vorcaro.
Os documentos analisados pelo Metrópoles indicam que os vínculos entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro superam o que já era conhecido no contexto da crise do Dark Horse. Antes das revelações sobre as notas fiscais, o que se sabia era que o senador havia obtido recursos do dono do Master para financiar um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Atendendo às manifestações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da Polícia Federal (PF), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de inquérito e o início de uma investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
No início do mês de julho, o ministro havia enviado à PGR um pedido feito pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) para a investigação sobre eventuais irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” por parte do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em resposta a Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, disse que há elementos suficientes para pedir a abertura formal de um inquérito que apure os repasses.
O pedido do deputado Lindbergh Farias ao STF foi feito após o site The Intercept Brasil revelar, no mês de maio, que Daniel Vorcaro repassou ao menos R$ 61 milhões para financiar o filme. A reportagem mostrou que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, pediu dinheiro para o ex-banqueiro.
A negociação inicialmente envolvia um valor maior, de R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”. Segundo Lindbergh, apesar de mensagens revelarem que Flávio pediu dinheiro para o filme, é preciso investigar para onde foram os recursos, quem os recebeu, quem os intermediou e se houve desvio de finalidade.
Na mesma linha, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pediu a abertura de investigação para apurar o envio de recursos de Daniel Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar o filme.
O caso era inicialmente relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, mas o presidente do STF, Edson Fachin, no final do mês de junho, redistribuiu o pedido para que ele fosse conduzido por André Mendonça. O motivo é que Mendonça já relata outros inquéritos com relação ao “Dark Horse”.
O Banco Master teria emprestado R$28 milhões a empresas de um ex-secretário de Mata de São João, após o município, na Região Metropolitana de Salvador, credenciar o banco de Daniel Vorcaro para operar um cartão de crédito exclusivo para servidores municipais, com desconto na folha de pagamentos.
Segundo informações do jornal Metrópoles, Joel Feldman, que atuava como secretário municipal de Desenvolvimento, foi um dos responsáveis pela negociação com o banco, em parceria com Augusto Lima. Na negociação com o banco do Credcesta, Feldman ficou com a rede de supermercados Cesta do Povo, que era o objeto do leilão promovido pelo governo da Bahia, e Lima com o produto bancário.
Um dos empréstimos, de R$19 milhões, foi formalizado 27 dias após a assinatura do termo de credenciamento. A reportagem, Feldman disse que os empréstimos foram dentro de padrões do mercado, para financiar a aquisição de nove lojas no estado e, depois, para rolar a dívida. “Não há qualquer relação entre as operações feitas com a varejista e minha atuação como secretário em Mata de São João”, alegou.
Sobre a relação com Lima, ele nega. “Eu era presidente da associação de supermercados. Nós não nos conhecíamos, ele não entendia nada de varejo, tinha um interesse no Credicesta, eu já tinha supermercados”, explicou.
No papel, quem arrematou em 2018 o Cesta do Povo, uma rede estatal de supermercados então com 49 lojas, foi a NGV Empreendimentos e Participações, empresa de prateleira fundada um ano antes com capital social de R$ 500, elevado para R$ 1 milhão pouco antes do leilão.
A NGV tinha dois sócios formais. Um deles, o espanhol Ignacio Morales, anunciado como o sócio capitalista do negócio. O outro era Joel Feldman, então presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase) e dono de uma pequena rede com lojas no litoral baiano e na região do Recôncavo. Na época, Feldman era secretário de Mata de São João.
Após dois leilões terminarem sem interessados, a gestão do então governador Rui Costa (PT), a partir do secretário de Desenvolvimento Econômico Jaques Wagner (PT), realizou alterações para o terceiro leilão: baixou o preço mínimo de R$ 80 milhões para R$ 15 milhões e deixou todo o passivo, estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, com o estado.
A 16 dias do certame, publicou decreto autorizando o arrematante a “modificar, ampliar, aperfeiçoar ou, por quaisquer mecanismos viáveis e juridicamente legítimos, diversificar as funcionalidades do cartão”.
Tão logo venceu o leilão como único concorrente, a NGV firmou contrato para ceder os direitos de Credicesta para uma empresa chamada PKL, que por sua vez foi comprada pelo Banco Máxima, que depois viraria Banco Master. Já a gestão Rui Costa baixou decreto a fim de conceder exclusividade à NGV para oferecer o cartão ao funcionalismo do estado, nos três poderes, por 15 anos, sem concorrentes, limite de até 45% de comprometimento de renda e juros abusivos.
MATA DE SÃO JOÃO
Joel Feldman, voltou ao cargo de secretário municipal em janeiro de 2021, nomeado pelo prefeito João Gualberto (PSDB). Ainda na segunda semana de gestão, Feldman anunciou a criação do “Cartão do Servidor”, a ser operado pelo Banco Máxima.
A ação cria um cartão de crédito e de empréstimo consignados, que só poderia ser utilizado nos estabelecimentos comerciais do município, com permissão para comprometer 30% da renda dos aposentados e servidores.
A operação, porém, só foi autorizada pela Câmara Municipal em março. A legislação foi promulgada em 31 de março e, cinco dias depois, foi publicado decreto para credenciar instituições bancárias.
Em 13 de agosto, o Master foi formalmente credenciado. Em 10 de setembro, o banco emprestou R$19 milhões, redondos, para a Quality Supermercados, que tem Joel Feldman como sócio-administrador. A transação foi listada pelo liquidante do Master em documento anexado a um processo judicial.
Outro empréstimo, de R$ 9,6 milhões, foi concedido em 25 de novembro de 2022 a outra empresa de Feldman, a Kasim Empreendimentos, que havia sido criada pouco antes, em julho. Em setembro, um decreto do prefeito João Gualberto havia ampliado de 72 para 120 meses o número máximo de parcelas que poderiam ser cobradas dos servidores de Mata de São João.
Como o serviço funciona como cartão de crédito, com pagamento mínimo da fatura em folha e juros sobre o saldo devedor, quanto mais longo fosse o contrato, também por mais tempo o Master conseguiria fazer seus descontos contínuos e abusivos na folha de um servidor, até um limite de 10 anos – antes eram seis. “Eu desconheço esse decreto, ele não tem qualquer relação com o empréstimo concedido à minha empresa”, rebate Feldman.
Vasconcelos renunciou ao cargo em 2023, depois de dois anos de mandato, em benefício do vice, Bira da Barraca (União), que se reelegeu em 2024. No fim do ano passado, após a liquidação do Master, a prefeitura resolveu descredenciar o banco. Entre os motivos alegados, está uma determinação para que o Master instalasse representante bancário na cidade, para resolver queixas dos servidores, que não conseguiam quitar a dívida. A agência foi criada e passou a servir como ponto de venda de mais crédito consignado.
A Cesta do Povo continua operada por Feldman, que, desde 2022, passou a ter um veículo de Augusto Lima como financiador. A rede tem, atualmente, 35 lojas, sendo 24 próprias e 11 operadas por terceiros.
O banqueiro Daniel Vorcaro foi questionado por seus advogados de defesa, nesta quinta-feira (16), a respeito da fotografia em que o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário".
Segundo informações publicadas pela coluna do jornalista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, os defensores mostraram a imagem a Vorcaro durante uma visita à Papudinha, estabelecimento prisional onde o dono do Banco Master encontra-se custodiado. De acordo com as investigações policiais em curso, "Sicário" atuava como chefe de uma milícia privada ligada ao banqueiro.
Ao ser confrontado com o registro, Vorcaro preferiu não se alongar nos comentários. De acordo com relatos obtidos pela coluna, o empresário afirmou a membros de sua equipe jurídica que não fazia ideia de onde a foto teria sido tirada.
Levantamentos divulgados nesta quinta-feira (16) revelam que, nas redes sociais, o senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sofreu o maior desgaste com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. E o engajamento negativo para o senador do PL não saiu apenas das tarifas, mas também da foto divulgada nesta quarta (15) em que ele aparece ao lado do “Sicário” de Daniel Vorcaro.
Segundo o site da revista Veja, desde que foram anunciadas as novas tarifas para os produtos brasileiros, mais de 21 milhões de menções e interações digitais foram feitas nas principais redes sociais. O tema do tarifaço imposto por Donald Trump ultrapassou o campo econômico e se transformou em uma disputa política sobre quem deveria ser responsabilizado pela crise.
Realizado pela Ativaweb DataLab para a revista Veja, o levantamento mostrou que o senador Flávio Bolsonaro concentrou o maior desgaste, impulsionado pela disseminação da expressão “TariFlávio”, utilizada nas redes sociais para atribuir à família Bolsonaro a responsabilidade pela aplicação de tarifas ao Brasil.
Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com o levantamento, levou vantagem em relação ao seu adversário ao ser associado à defesa da soberania nacional, do Pix e da reação brasileira às medidas adotadas pelo governo Trump.
A revista Veja destaca ainda que um outro ponto destacado pelo levantamento foi a transformação do Pix em um símbolo da soberania brasileira. A ferramenta de pagamentos passou a ser retratada nas redes como um patrimônio nacional e exemplo da capacidade brasileira de desenvolver infraestrutura pública própria.
Outro estudo, desta vez realizado pela empresa Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, mostrou que desde a última terça (14) o senador Flávio Bolsonaro vem sofrendo desgaste nas redes sociais, por conta da foto em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, mais conhecido como “Sicário”. A imagem foi divulgada pelo site ICL Notícias no início da tarde de terça.
Segundo o levantamento da nexus, as publicações sobre a imagem de Flávio ao lado do chefe da milícia privada de Daniel Vorcaro registraram 1.247.615 interações nas três redes entre 9h da terça (15) e 9h da quarta (16). O volume total representa um engajamento 22% superior ao das publicações sobre as novas tarifas norte-americanas, que somaram 1.020.184 interações no mesmo período em redes como X, Facebook e Instagram.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, nesta quarta-feira (15), que faz críticas frequentes ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), ao comentar as investigações sobre supostas relações entre integrantes do PT e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow News.
Ao responder a questionamentos sobre o tema, Flávio negou que evite abordar o caso e afirmou que costuma relacionar Wagner e Rui Costa às apurações envolvendo a instituição financeira. "Eu esculhambei ele. Eu falei da Bahia, eu falo de Rui Costa, eu falo de Jaques Wagner a todo momento. Ele subiu na tribuna para falar mal de mim, para responder. Não tem dificuldade, não", declarou.
Durante a entrevista, o senador voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Segundo ele, a comissão deveria ouvir Daniel Vorcaro e o empresário baiano Augusto Lima, apontado por Flávio como ligado a Wagner e Rui.
"Eu quero a CPI do Banco Master, sim. Quero o Augusto Lima e o Vorcaro sentados nessa CPI. O núcleo do PT inteiro está envolvido nessa sacanagem começando na Bahia, com esse Augusto Lima", afirmou.
Flávio também rebateu comparações entre o investimento do Banco Master na cinebiografia de Jair Bolsonaro e as suspeitas envolvendo integrantes do governo federal. Segundo ele, o aporte para o filme foi uma relação privada, enquanto classificou como "crime" uma suposta promessa de favorecimento ao banco atribuída ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao senador Jaques Wagner e ao ministro Rui Costa.
ASSISTA:
A maior parte dos brasileiros não sabia sobre as investigações envolvendo o senador baiano Jaques Wagner (PT) no âmbito da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, mas acredita que o petista agiu de forma errada. Isso é o que apontam os dados da pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15).
A pesquisa questiona inicialmente aos entrevistados sobre o domínio deles sobre o assunto. Na ocasião, 31% disseram que sabiam da investigação envolvendo o ex-governador e estavam bem informados, outros 15% responderam que sabiam mas não estavam bem informados sobre o tema. Por outro lado, a maioria dos entrevistados, 54%, disseram que não sabiam sobre o ocorrido.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, ocorreu no dia 18 de junho, no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, no âmbito do esquema de irregularidades do Banco Master no sistema financeiro nacional. Entre os alvos estavam o senador Jaques Wagner e o empresário Augusto Lima, no Congresso Nacional.
Quando questionados sobre a avaliação das ações de Jaques Wagner, a maioria dos brasileiros, cerca de 61%, disseram acreditar que Jaques Wagner agiu de forma errada na relação com o Master. Apenas 11% acreditam que ele não agiu de forma errada e outros 28% disseram não saber ou não responderam.
A pesquisa Quaest falou com 2.004 pessoas por meio de entrevistas face a face, possui uma margem de erro de dois pontos percentuais e uma confiança de 95%. A coleta ocorreu entre os dias 10 a 13 de julho. O público alvo foram brasileiros em idade eleitoral, ou seja, com 16 anos ou mais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-071181/2026.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do investigado.
Segundo a investigação, Thiago Miranda tinha uma passagem aérea comprada para os Estados Unidos com embarque previsto para a próxima segunda-feira (13). A decisão, que tramita sob sigilo, foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira (9), o publicitário já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão expedido por André Mendonça, no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A operação contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a PF, Miranda teria atuado ao lado de Daniel Vorcaro para intimidar pessoas consideradas “obstáculos” pela suposta organização criminosa investigada.
Durante a operação realizada na quinta-feira, os agentes apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos na residência do publicitário. Conforme a Polícia Federal, a apuração investiga uma suposta atuação coordenada em redes sociais com o objetivo de comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central. Thiago Miranda é proprietário da agência Mithi e ex-sócio do jornalista Leo Dias.
A Polícia Federal identificou mensagens que indicam que o empresário Daniel Vorcaro solicitou um levantamento de informações sobre o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, por considerá-lo um obstáculo aos seus interesses. O material, divulgado pelo Metrópoles, integra a investigação que resultou em busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a PF, Thiago Miranda era responsável por reunir dados sobre pessoas classificadas como "obstáculos" ao banqueiro do Banco Master. Entre os alvos estaria Milton Maluhy e sua esposa, para os quais teria sido preparado um relatório com informações pessoais e patrimoniais.
De acordo com as mensagens obtidas pelos investigadores, Vorcaro escreveu ao publicitário: "Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema". Em seguida, pediu ajuda, recebendo como resposta: "Deixa comigo".
Ainda conforme a investigação, Miranda informou posteriormente que o material já estava concluído, mas afirmou que pretendia divulgar as informações "por outro veículo" após o período do Carnaval.
O conteúdo faz parte da decisão do ministro André Mendonça que autorizou medidas de busca e apreensão no âmbito da apuração conduzida pela Polícia Federal. O caso segue sob investigação.
A atuação da jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo, teria sido alvo de discussões internas envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo mensagens obtidas pela Polícia Federal. Em meio às apurações sobre o Banco Master, interlocutores trataram da necessidade de “frear” a produção das reportagens.
Os diálogos também cita um documento intitulado “Carta Proposta Malu Gaspar”, que prevê salário de R$ 120 mil mensais e bônus de R$ 1,5 milhão mediante assinatura do contrato, como estratégia de aproximação com a comunicadora.
De acordo com o material, Vorcaro e o empresário Thiago Miranda teriam atuado para levantar informações pessoais sobre a colunista. Em um dos trechos, Miranda afirma que iria “revirar a vida dela” em busca de elementos que pudessem ser usados contra ela.
As apurações incluíram consultas a dados como processos antigos, histórico financeiro e multas de trânsito. Após as tentativas, um dos envolvidos concluiu que “não há absolutamente nada” relevante contra a jornalista.
Uma das manifestações culturais que chamou atenção durante a caminhada do 2 de Julho, realizada nesta quinta-feira do Largo da Lapinha até o Campo Grande, fez referência ao senador Jaques Wagner (PT) e ao ex-banqueiro do Banco Master, Daniel Vorcaro. Além do parlamentar, o enteado dele, Eduardo Sodré, também aparece em cartazes, como "Dudu das Flores", ao lado do governador Jerônimo Rodrigues. A esposa de Sodré, atual secretário estadual de Meio Ambiente, aparece como beneficiária de um contrato com o Banco Master após ampliar a atuação de uma floricultura para a área de consultoria.

A manifestação ocorre duas semanas após a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso do Banco Master e teve Wagner entre os alvos. A operação gerou desgaste na imagem do senador e o levou a deixar a liderança do governo Lula (PT) no Senado.

Foto: André Carvalho/ Bahia Notícias
Veja registros em vídeo com cartazes críticos a Wagner e Eduardo Sodré:
(Atualizado às 09h03)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou nesta quinta-feira (25) a transferência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela na Papudinha, unidade que integra o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A mudança deverá ser realizada no prazo de 24 horas.
Vorcaro estava custodiado na Superintendência da Polícia Federal desde março, após obter autorização para permanecer no local enquanto mantinha tratativas para um possível acordo de delação premiada. No entanto, as propostas apresentadas pela defesa foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que consideraram insuficientes as informações oferecidas.
Segundo a decisão, a transferência não está relacionada diretamente às negociações frustradas. O pedido partiu da própria Polícia Federal, que argumentou que a unidade da corporação é destinada a presos provisórios de curta permanência, enquanto Vorcaro responde em prisão preventiva, sem prazo determinado.
Mendonça também determinou que a administração do presídio adote medidas para impedir a comunicação entre investigados da Operação Compliance Zero. Entre eles está o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que também está preso no local.
Apontado pela Polícia Federal como um dos principais alvos da investigação, Daniel Vorcaro é suspeito de liderar um esquema envolvendo organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e fraudes financeiras. As apurações indicam ainda que o grupo teria utilizado carteiras de crédito supostamente fictícias, avaliadas em cerca de R$ 12 bilhões, para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master.
A Polícia Federal (PF) está investigando as tratativas dos ex-sócios do Banco Master, Daniel Vorcaro e Augusto Lima, com os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Jaques Wagner (PT-BA). A suspeita é de que houve pagamento de propina em troca de uma atuação parlamentar que favorecesse os interesses dos empresários em projetos de lei no Congresso Nacional.
As investigações apontam que o grupo buscava alterações legislativas em temas ligados aos seus negócios, como energias renováveis, crédito consignado e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Entre as medidas de maior interesse estava a chamada “emenda Master”, que pretendia aumentar a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo a PF, essa mudança poderia "sextuplicar" os negócios do banco, mas o texto acabou sendo rejeitado após oposição do governo e de grandes instituições financeiras.
Além disso, a PF identificou movimentações relacionadas a projetos de transição energética e ao mercado de crédito de carbono. Um relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha como Vorcaro teria articulado para que seu motorista buscasse documentos em um endereço de Ciro Nogueira e os entregasse no Senado aos cuidados de um assessor do parlamentar. Para evitar a identificação, o ex-banqueiro teria orientado o motorista a apagar nomes de contatos no celular e a utilizar envelopes sem a logomarca do Banco Master.
No caso do senador Jaques Wagner, a investigação foca em uma medida provisória de 2022 que permitia operações de crédito consignado para beneficiários do BPC e do Auxílio Brasil. A PF alega que Augusto Lima teria procurado o senador para tratar do projeto. No entanto, a decisão judicial sobre o caso é considerada vaga quanto à atuação efetiva de Wagner, uma vez que a proposta foi aprovada rapidamente no Senado sem participação aparente do parlamentar, que na época era da oposição.
Jaques Wagner afirmou que a investigação cometeu um "erro grave" ao confundir uma emenda apresentada por ele com a ementa da medida provisória do governo anterior. Ele alega que sua atuação teve objetivo "estritamente social" e pediu a anulação das medidas de busca e apreensão. Além disso, Augusto Lima declarou que atua dentro da lei.
O Banco Master, que está no centro das investigações, é acusado de uma fraude bilionária ao sistema financeiro, tendo causado um prejuízo superior a R$ 57 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos após sua quebra.
Em meio a um debate interno na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre o melhor momento para a estreia do filme “Dark Horse”, se antes ou depois das eleições, a Paris Filmes, considerada uma das maiores distribuidoras cinematográficas do Brasil e da América Latina, recusou uma proposta para estar à frente da exibição mundial da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com informações obtidas pelo SBT News, a Go Up, produtora responsável pelo longa-metragem, afirmou que as negociações de distribuição “fazem parte da estratégia comercial do projeto e seguem em andamento”. Outras empresas do setor estão sendo procuradas, mas, segundo pessoas próximas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nenhum contrato foi fechado até o momento.
Após a publicação da matéria, a Paris Filmes confirmou ao SBT News que decidiu não avançar com a distribuição do filme.
“A Paris Filmes informa que, como distribuidora atuante no mercado cinematográfico brasileiro, é frequentemente procurada por produtoras nacionais e estrangeiras para avaliar oportunidades de distribuição de diversos projetos. Nesse contexto, a empresa foi contatada há um tempo para avaliar eventual interesse comercial na distribuição do filme Dark Horse”, diz o comunicado da empresa.
“Após análise interna, a Paris Filmes decidiu não avançar com a distribuição do longa. A distribuidora esclarece que não há negociação em curso, compromisso firmado ou contrato de distribuição relacionado ao filme”, finaliza a distribuidora internacional.
A princípio, o lançamento do filme “Dark Horse” estava previsto para acontecer antes das eleições presidenciais, marcadas para o início de outubro. Problemas financeiros na reta final da produção somados ao temor do impacto político na candidatura de Flávio Bolsonaro adiaram a data de estreia.
Segundo informações do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o temor de aliados do senador Flávio Bolsonaro é que a chegada da produção aos cinemas reabra as especulações sobre as relações entre o presidenciável e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro defende que o filme, exibido ao público pela primeira vez na semana passada, em Las Vegas, vai ajudar a eleger seu irmão.
Um aparelho celular foi apreendido na cela ocupada por Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo informações da rádio Itatiaia, a apreensão ocorreu na noite de segunda-feira (22), durante uma operação realizada por policiais penais.
A ação foi conduzida pelo Comando de Operações Penitenciárias Especiais (Cope), com acompanhamento da Superintendência do Sistema Prisional. Até o momento, as autoridades não informaram como o aparelho chegou à unidade nem se foi instaurado procedimento administrativo para apurar o caso.
Henrique Vorcaro está preso desde 14 de maio, quando foi alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As investigações apuram suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Segundo a Polícia Federal, ele é investigado por suposta atuação como operador financeiro em movimentações patrimoniais consideradas suspeitas, além de possíveis fraudes com títulos de crédito e ocultação de recursos por meio de contas e fundos ligados ao grupo investigado.
Em entrevista nesta segunda-feira (22) ao site Metrópoles, a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB-SP), disse que o senador Jaques Wagner (PT) deveria deixar o cargo de líder do governo. Candidata ao Senado pelo estado de São Paulo, Tebet classificou o escândalo do Banco Master como uma situação “escabrosa” e “vergonhosa”.
“Jaques Wagner tem que entregar a liderança do governo. Já tinha que ter feito isso. E, obviamente, deve estar esperando porque é assim que se faz, a primeira sessão legislativa do Senado, que deve ser amanhã”, afirmou Tebet em entrevista ao Metrópoles.
Na semana passada, o senador petista foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) relacionada ao caso do Banco Master. Para Simone Tebet, o escândalo do banco de Daniel Vorcaro trata-se do “maior esquema de corrupção do sistema financeiro do Brasil, quiçá do mundo”, e Jaques Wagner tem que sair do cargo para se defender.
“Como advogada, eu defendo que ele tenha ampla defesa, contraditório, que possa se defender, apresentar todas as suas alegações, como todos os envolvidos nesta denúncia”, defendeu a ex-ministra do governo Lula.
O senador Jaques Wagner aguarda uma reunião com o presidente Lula para decidir sua situação na Liderança do Governo. A reunião entre ambos deve acontecer nesta quarta (24).
Antes da reunião com Lula, entretanto, Jaques Wagner deve se reunir com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo reportagem da CNN, o objetivo do senador petista é o de agradecer a Alcolumbre pelo apoio após operação deflagrada pela Polícia Federal na semana passada.
Davi Alcolumbre foi um dos únicos dirigentes do centrão que declarou publicamente apoio explícito ao líder do governo no Senado, quando concedeu uma entrevista coletiva e defendeu a presunção de inocência do senador baiano.
O ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), admitiu ter visitado a residência do banqueiro Daniel Vorcaro, em Trancoso, no sul da Bahia, mas negou ter participado de festas realizadas no local. A declaração foi encaminhada à revista piauí, que publicou uma reportagem com relatos de ex-funcionários da propriedade sobre a movimentação de autoridades e convidados na casa.
Inicialmente, a assessoria de ACM Neto informou que ele nunca havia estado no imóvel, mas depois enviou uma nova manifestação esclarecendo que o político esteve no local apenas uma vez, em 2024. "Estive uma única vez na residência de Daniel Vorcaro no ano de 2024, mas nunca, jamais, participei de festa na casa dele", afirmou ACM Neto.
A reportagem também cita investigações que apontam que uma empresa ligada ao ex-prefeito recebeu R$ 3,6 milhões do banqueiro. Além disso, reúne depoimentos de um ex-funcionário que descreve festas com a presença de garotas de programa estrangeiras e regras que proibiam registros fotográficos na residência.
Um morador da região também relatou à publicação que era frequente a movimentação de seguranças, mulheres jovens e homens mais velhos na área de acesso à praia em frente ao imóvel.
O senador Otto Alencar (PSD-BA) manifestou publicamente apoio ao senador Jaques Wagner (PT-BA) nesta segunda-feira (22). Em publicação nas redes sociais, Otto destacou a trajetória política do colega e reafirmou sua parceria na atuação em defesa da Bahia.
Na mensagem, o parlamentar elogiou o legado de Wagner e escreveu: "Nada resiste ao trabalho. Vamos juntos, companheiro". A postagem foi acompanhada por uma fotografia dos dois durante uma cerimônia na Assembleia Legislativa da Bahia.
Jaques Wagner respondeu à manifestação agradecendo o gesto de solidariedade. "Obrigado pelo apoio e parceria, meu amigo. Estamos juntos!", escreveu o senador petista.
A declaração ocorre dias após Wagner ter sido alvo de busca e apreensão durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal, que aponta uma possível ligação entre o senador e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
CONFIRA:
A Polícia Federal identificou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que mencionam o senador Jaques Wagner (PT-BA) em conversas sobre um possível envio de recados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O material integra a investigação da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção e favorecimento envolvendo o Banco Master.
Segundo o Estadão, o diálogo ocorreu em julho de 2024 entre Vorcaro e um diretor do Banco Master. Após comentarem que o banco era visto como próximo ao governo federal, Vorcaro sugeriu que a informação fosse encaminhada ao presidente e à base aliada. Em resposta, o interlocutor afirmou que enviaria a mensagem para "tio Guiga e Jaques".
De acordo com a Polícia Federal, a referência seria ao publicitário Guilherme Sodré e ao senador Jaques Wagner. Os investigadores afirmam que as conversas indicam proximidade entre Vorcaro e pessoas com influência política na Bahia.
A PF também sustenta que o banqueiro mantinha contato direto com Wagner e que o senador teria atuado em pautas de interesse do Banco Master, como propostas relacionadas ao crédito consignado, ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e ao processo de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A investigação aponta ainda suspeitas de vantagens econômicas supostamente recebidas pelo parlamentar entre 2024 e 2025.
Na quinta-feira (18), Jaques Wagner foi alvo de mandado de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de pagamentos indevidos envolvendo a compra de um imóvel e repasses a uma empresa ligada a um familiar do senador.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, o senador Jaques Wagner reitera que não tem nenhuma relação com Daniel Vorcaro e não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi. Ele ainda afirma que não existiu intermediação e não existe relação.
Atualizada às 21h12 para adicionar posicionamento de Jaques Wagner
O presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.
O caso foi parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional e possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Em publicação oficial, Roma afirmou:
"Minha posição é a mesma de sempre: toda irregularidade deve ser apurada com seriedade, respeito ao devido processo legal e punição aos responsáveis. A lei não pode ter lado político. A Bahia merece verdade, transparência e respeito", diz o pré-candidato.
O ex-ministro do governo Bolsonaro também relacionou o episódio ao cenário político estadual e fez críticas à gestão petista na Bahia: "Em 2026, os baianos terão a oportunidade de decidir os rumos do nosso estado. Escolham com consciência. O futuro da Bahia está nas mãos de vocês. São 20 anos de PT na Bahia desse mesmo jeito", diz.
Roma reforçou o discurso de mudança política: "A Bahia cansou. O eleitor tem chance real de escolher representantes dignos, tanto para o Senado quanto para o governo. O futuro está na mão de vocês".
Foto: Moreira Mariz / Agência Senado
SENADOR NO MASTER
A operação contra Jaques Wagner (PT) ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao chamado Caso Banco Master. Para a Polícia Federal, há apurações sobre uma possível relação entre agentes públicos e integrantes do grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, Wagner teria feito lobby em favor do banco Master.
Wagner nega irregularidades e afirma que não recebeu vantagens indevidas. Segundo as decisões judiciais divulgadas pela imprensa nacional, os investigadores apuram supostos benefícios que teriam sido destinados ao senador e pessoas próximas a ele.
O STF autorizou as buscas com base em elementos considerados suficientes para aprofundar as investigações, ressaltando que a medida não representa condenação nem oferecimento de denúncia.
A repercussão do caso alcança diferentes setores da política nacional. Reportagens publicadas nos últimos meses apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) também teve seu nome mencionado em desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, assim como o senador Ciro Nogueira (PP), que nega qualquer irregularidade.
A operação contra um dos principais líderes do PT no Congresso adiciona novos elementos ao debate político nacional e estadual, especialmente diante das articulações para as eleições de 2026. Aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner é uma das figuras centrais do grupo político que governa a Bahia.
LEIA TAMBÉM:
- VÍDEO: Após ser alvo da PF, Wagner nega propina do Master e explica dólares e apartamento no Horto Florestal;
- Opinião: Wagner se explica e se complica nas relações pouco apropriadas com Augusto Lima e o caso Master;
- PT da Bahia sai em defesa de Jaques Wagner após operação da PF e diz confiar na conduta do senador.
O vice-líder petista no Senado Federal também pede afastamento de Wagner: "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", escreve o mineiro Rogério Correia.
Confira abaixo:
O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente.
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 18, 2026
Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua…
Depois de ter apresentado explicações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre suas relações com o Banco Master e os sócios Daniel Vorcaro, que o levaram a ser alvo, nesta quinta-feira (18), de operação da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner (PT-BA) seguiu atuando normalmente como líder do governo. Em entrevista à Band News, Wagner disse que Lula se solidarizou com ele e que vai continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem.
“A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim”, disse Jaques Wagner na entrevista.
Como líder, o senador Jaques Wagner protocolou, na noite desta quinta, um recurso ao projeto que eleva o piso salarial nacional de médicos e cirurgiões-dentistas de R$ 3.636 para R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais. No documento, o líder do governo pede que o projeto seja apreciado e votado no plenário do Senado.
O projeto, aprovado em 10 de maio na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, foi analisado em caráter terminativo, e caso não recebesse recurso de algum senador, seguiria diretamente para a Câmara dos Deputados. A proposta que aumenta a remuneração mínima de médicos e cirurgiões-dentistas, é considerada pelo governo federal uma das “pautas-bombas” em análise pelo Congresso.
A equipe econômica do governo apresentou uma estimativa de impacto de R$ 47 bilhões ao ano para as contas públicas caso o projeto seja aprovado também pela Câmara. Além de elevar o piso salarial, a proposta também prevê um aumento de 20% para 50% no adicional por trabalho noturno e as horas extras e estabelece um intervalo obrigatório de dez minutos de descanso a cada 90 minutos de trabalho.
O prazo para recurso ao projeto vencia nesta quinta (18), e o senador Jaques Wagner apresentou seu recurso às 21h04 da noite. A partir do recurso apresentado por Jaques Wagner, a Mesa Diretora decidiu abrir prazo para recebimento de emendas, que serão analisadas posteriormente por um relator de plenário a ser escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
A ação de Jaques Wagner como líder, na prática, retardou a tramitação do projeto tachado pelo governo como uma “pauta-bomba”. O projeto agora só deverá ter sua discussão retomada no início de julho, a depender de decisão do presidente do Senado.
O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), manifestou apoio público ao senador Jaques Wagner (PT) nesta quarta-feira (18), por meio de uma publicação nas redes sociais. Na mensagem, o chefe do Executivo estadual destacou a trajetória política do senador e reafirmou confiança em sua conduta.
O gestor afirmou ter se encontrado com Wagner para prestar solidariedade e classificou o parlamentar como uma liderança que honra a Bahia e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "A Bahia conhece Wagner e sabe que sua história e legado são motivos de orgulho e inspiração. Reafirmo a confiança no senador que honra a Bahia e lidera com compromisso o governo do presidente Lula", escreveu.
O governador também declarou que o senador tem sido alvo de perseguições políticas e disse acreditar que os fatos serão esclarecidos. "Não é a primeira vez que o perseguem; a verdade há de vencer. E nós, seus verdadeiros companheiros, não soltaremos sua mão, Wagner!", completou.
A manifestação ocorreno mesmo dia em que o senador foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga o "Caso Master".
Vice-líder do governo defende afastamento de Jaques Wagner da liderança do Senado: "Doa a quem doer"
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), vice-líder do governo na Câmara, defendeu nesta quinta-feira (18) que o senador Jaques Wagner (PT-BA) se afaste da liderança do governo no Senado após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Ao citar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o parlamentar afirmou a investigação precisa ser concluída "doa a quem doer".
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Em publicação nas redes sociais, Correia afirmou que Wagner deve concentrar esforços em sua defesa, sem abrir mão da presunção de inocência. "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", escreveu.
O parlamentar também destacou que a investigação demonstra a autonomia dos órgãos de controle durante o governo do Lula, afirmando que a Polícia Federal atua com independência. Apesar da manifestação do correligionário, Jaques Wagner afirmou que pretende permanecer no comando da liderança do governo no Senado e só deixará a função caso seja uma decisão do presidente.
CONFIRA A PUBLICAÇÃO:
O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente.
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 18, 2026
Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua…
O PT da Bahia divulgou, nesta quinta-feira (18), uma nota em defesa do senador Jaques Wagner (PT), alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Em manifestação, o presidente estadual da legenda, Tássio Brito, afirmou que o parlamentar possui uma trajetória pública pautada pela ética e disse confiar que as investigações confirmarão sua atuação dentro da legalidade.
Segundo o dirigente, Wagner tem uma carreira marcada pela "retidão e compromisso com o interesse público" e já apresentou esclarecimentos sobre os fatos investigados. "Tem total confiança minha e do PT. Não temos dúvidas de que as investigações provarão, mais uma vez, que o senador sempre se pautou dentro da legalidade", declarou.
Na nota, Tássio defendeu que a apuração siga com transparência e responsabilidade para identificar os responsáveis pelos fatos investigados. Ele também afirmou que Wagner não possui relação com os investigados no caso e criticou adversários políticos ao dizer que há uma tentativa de desviar o foco do escândalo envolvendo o Banco Master.
O presidente estadual do PT ainda atribuiu as críticas ao senador a uma estratégia da oposição. "O que vejo é uma tentativa desesperada da extrema direita de criar um massacre midiático contra o senador Jaques Wagner para tentar estancar o crescimento da nossa chapa na Bahia", afirmou.
Por fim, Tássio Brito destacou que foi durante um governo do PT que o Banco Central promoveu a liquidação do Banco Master e reiterou confiança na condução das investigações e na inocência do senador baiano.
O senador Jaques Wagner (PT) afirmou nesta quinta-feira (18) que recebeu um telefonema do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. Segundo o parlamentar, o chefe do Executivo manifestou solidariedade e reafirmou confiança em sua conduta.
Em entrevista à BandNews, Wagner disse que a conversa não tratou de uma eventual saída da liderança do governo no Senado. "O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos e, portanto, ele sabe qual é o meu jeito de agir", afirmou.
O senador também declarou que Lula o incentivou a permanecer firme diante da investigação. "Ele só ligou para dizer: 'Fique firme, essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança'. Então, do meu ponto de vista, até agora, o que eu tenho do presidente Lula é a solidariedade ao ocorrido", disse.
CONFIRA:
A operação da Polícia Federal investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento a interesses ligados ao Banco Master. O senador foi alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das apurações, mas nega as suspeitas levantadas pela investigação.
O senador Jaques Wagner (PT) negou nesta quinta-feira (18) qualquer relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro, um dos alvos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. O parlamentar afirmou que teve apenas dois encontros com o empresário e rejeitou as suspeitas levantadas pela investigação.
"Minha relação com o Daniel Vorcaro é praticamente zero. Eu nunca tive maiores entendimentos com o Daniel", declarou em entrevista à BandNews.
Segundo Wagner, o primeiro encontro ocorreu quando Vorcaro passou a integrar um negócio envolvendo o empresário Augusto Lima. O segundo, disse ele, foi para apresentar o então ministro aposentado Ricardo Lewandowski, indicado para atuar na área jurídica de uma instituição financeira. "Foi a segunda vez que eu vi quando fui apresentar o ministro Lewandowski para ele. Só essas duas vezes, não tem nenhuma relação com o Daniel Vorcaro", afirmou.
ASSISTA:
As declarações foram dadas horas após a Polícia Federal cumprir mandado de busca e apreensão na residência de Wagner, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta suspeitas de que o senador teria atuado em favor de interesses ligados ao Banco Master no Congresso Nacional e recebido vantagens indevidas, acusações que ele nega ao afirmar que não possui relação com o banqueiro investigado.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (18), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manifestou solidariedade ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de operação da Polícia Federal devido às relações dele com o banco Master. Alcolumbre condenou a polarização política que leva políticos a serem condenados antes mesmo de serem julgados.
“Meu apoio, minha solidariedade integral a um colega senador da República. [...] Tenho a convicção de que, no decorrer do processo, as verdades do senador Jaques Wagner virão à tona e elas serão comprovadas. Um dia elas serão julgadas, é lá nesse dia que a pessoa pode ser condenada ou inocentada”, disse o presidente do Senado.
“Ninguém nesse país pode ser condenado antes do trânsito em julgado. E todos nesse país podem ser investigados. Isso é normal no Estado democrático de Direito, mas todos também têm que ter a presunção da inocência”, completou Alcolumbre.
As investigações da PF indicam que Jaques Wagner teria atuado no Congresso Nacional em favor de pautas relacionadas aos interesses do Banco Master. O Bahia Notícias teve acesso à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que oficializou a expedição dos mandados de busca e apreensão na residência do parlamentar nesta quinta (18).
No documento oficial, a Polícia Federal aponta que os indícios da relação entre Wagner e o banco de Vorcaro foram divididos em três eixos, que vão desde o favorecimento financeiro por meio de propinas e presentes até a atuação parlamentar como líder do governo no Senado.
Davi Alcolumbre, na entrevista, disse respeitar o papel das instituições, mencionando a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Justiça, “mas a gente precisa ter a compreensão de que esse mantra de que todo mundo é culpado até que se prove que é inocente está errado”.
O presidente do Senado disse ainda que o senador Jaques Wagner “é um colega, respeitado por todos, cuja trajetória política é admirada e que teve a legitimidade do voto popular”.
Na última terça (16), no plenário do Senado, após Alcolumbre se defender de acusações sobre envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro e negar que recebeu US$ 30 milhões em uma conta no exterior, Jaques Wagner manifestou sua solidariedade ao senador. Wagner disse que a revista Veja mentia e que se tratava de uma 'guerra de narrativas'.
“Eu já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da Federal que encontrou algo sobre V. Exa., na medida em que foi citado agora, ou sobre o meu comportamento e o comportamento do ex-governador Rui Costa”, afirmou o senador Jaques Wagner no plenário.
Antes de divulgar a nota de solidariedade, Davi Alcolumbre havia cancelado a realização de uma sessão do Congresso Nacional, marcada para a manhã desta quinta (18). Segundo Alcolumbre, a sessão foi cancelada por falta de acordo entre as lideranças e uma nova sessão deve ser agendada em no máximo 15 dias, antes do início do recesso parlamentar.
A sessão desta quinta havia sido agendada para analisar dezenas de vetos presidenciais pendentes de apreciação, além de projetos de lei nos quais o Executivo pede ao Congresso autorização para destinar créditos adicionais a órgãos públicos no Orçamento de 2026.
Na sessão plenária do Senado na última terça-feira (16), o líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA), disse que processaria a revista Veja por fazer ilações a respeito de ligações dele e do PT da Bahia com o dono do Master, Daniel Vorcaro. O senador disse também que procuraria o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para saber se havia alguma acusação contra ele ou declaração de alguém que o envolvesse em atividades suspeitas.
A fala do líder do governo se deu em uma manifestação de solidariedade ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Naquela mesma sessão, Alcolumbre negou informações divulgadas pela Veja de que teria recebido cerca de US$ 30 milhões de Vorcaro em uma conta no exterior. Jaques Wagner disse que a revista mentia e que se tratava de uma 'guerra de narrativas'.
“Do meu ponto de vista, meu advogado já está preparando a peça para processar, e eu quero saber a mesma verdade. Eu vou perguntar ao chefe da Polícia Federal, Dr. Andrei, se essa coisa pode chegar a alguém para me acusar, eu quero saber também para poder me defender”, afirmou o senador baiano.
No seu discurso na última terça, Jaques Wagner reiterou que não possuía qualquer vínculo com Daniel Vorcaro ou o Banco Master, e classificou as informações da revista como infundadas.
“Eu estou muito à vontade porque não tenho, como V. Exa. afirmou, nenhuma relação com ... Conheci esse senhor duas vezes, uma vez em Salvador e uma vez em São Paulo. Não tenho nenhuma relação com ele, não tenho nenhum negócio. Aliás, eu não tenho nem CNPJ, eu só tenho CPF - eu não tenho CNPJ. Então, eu quero me solidarizar com V. Exa. e antecipar que meu advogado já está preparando a peça para processar a revista”, reforçou o senador.
Jaques Wagner aproveitou ainda para criticar a forma como a delação premiada vem sendo utilizada dentro de um contexto de guerra política e voltada à difamação da classe política. Para o senador, há uma distorção no uso da delação, que, para ele, tem servido de instrumento para coerção e obtenção de elementos de acusação que posteriormente não se sustentam.
“Nós, acho, cometemos um erro, o Congresso Nacional. A lei de delação premiada, que foi aprovada ainda no tempo da presidenta Dilma, admitiu a delação premiada com as pessoas sob coação, com as pessoas presas. Na verdade, foi com essa delação, sob coação psicológica, ou real, que se arrancou um número infindável de acusações que levaram [...] Lula à cadeia. Talvez, naquele momento, a gente não tenha se dado conta da violência”, explicou o senador Jaques Wagner.
Além do discurso, o líder do governo publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que a informação da revista Veja sobre ele seria mentirosa e que foi proveniente de uma delação que não se concretizou.
“A capa da Veja trata de uma delação inexistente, já negada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A verdade sempre vencerá”, afirmou o senador do PT da Bahia, alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta (18) por relações suspeitas com o dono do Banco Master.
A 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18), resultou no cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre supostas irregularidades envolvendo o Banco Master no sistema financeiro nacional.
As ações, que abrangeram diferentes localidades, incluíram a casa do senador Jaques Wagner (PT), em Salvador. No entanto, em decisão judicial, o ministro André Mendonça indeferiu o pedido de medida de busca e apreensão em relação a Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré e vinculada à estrutura societária da BN Financeira, e Patrich Toaldo Bonilha, irmão de Bonnie.
A decisão, registrada nos autos, determina: “Indefiro a medida de busca e apreensão em relação a Bonnie Toaldo Bonilha e a Patrich Toaldo Bonilha".
PF aponta pagamentos a enteada e imóvel de R$ 2,5 mi no Horto Florestal como propina à Jaques Wagner
A Polícia Federal realiza uma ação de busca e apreensão na residência do senador Jaques Wagner, na manhã desta quinta-feira (18), no Corredor da Vitória, em Salvador. Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, do O Globo, as buscas visam aprofundar a investigação sobre indícios de que o líder do PT no Senado tenha recebido pagamentos do Banco Master.
Entre as formas de pagamento estariam os valores pagos durante anos pela empresa da enteada, viagens em jatinhos particulares de Daniel Vorcaro e ainda um apartamento avaliado em R$2,5 milhões de reais no Horto Florestal, bairro de luxo em Salvador.
Entre esses indícios desses pagamentos estão mensagens trocadas por Wagner e o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, além de documentos que mostram os pagamentos feitos à enteada do senador, Bonnie Bonilha, que recebeu cerca de R$11 milhões do Master por meio de um contrato de consultoria.
O marido de Bonnie Bonilha, Eduardo Sodré, que é secretário estadual do Meio Ambiente da Bahia, também foi um dos alvos da operação. A operação de hoje também coloca no centro das investigações o ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, que segundo as apurações era quem manejava boa parte das relações com políticos, em especial com o Congresso Nacional.
A suspeita da PF ainda inclui informações de que o senador petista teria feito lobby no governo pela aprovação da compra do Master pelo BRB e no Senado pela aprovação da “emenda Master”, que foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PI-PP). A emenda em questão propunha aumentar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito para investimentos em CDBs.
A emenda interessava diretamente ao Master porque seus negócios eram largamente lastreados em CDBs que rendiam acima das taxas médias do mercado.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou nesta quarta-feira (17) que viajou para Portugal em um avião particular do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e que teve parte da hospedagem custeada por ele durante a estadia em Lisboa.
A manifestação ocorreu após a retirada do sigilo de documentos da Polícia Federal relacionados à Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Vorcaro está preso preventivamente. Motta afirmou que participou da viagem em 2024 a convite do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e disse que, na ocasião, não havia conhecimento de irregularidades envolvendo o empresário.
Segundo o deputado, Vorcaro pagou duas diárias no hotel onde ficou hospedado. O relatório da Polícia Federal, no entanto, aponta que o ex-banqueiro teria arcado com cinco diárias, enquanto uma fatura analisada pelos investigadores registra cobrança referente a sete dias de hospedagem.
Os documentos também revelam mensagens em que Vorcaro trata da reserva de quartos para "Ciro e Hugo" em um hotel de luxo na capital portuguesa. Para a PF, as conversas, somadas aos comprovantes obtidos durante a investigação, reforçam que os pagamentos foram destinados à hospedagem de Hugo Motta e Ciro Nogueira.
Além da viagem, o relatório cita conversas entre Motta e Vorcaro sobre a liberação de um empréstimo de aproximadamente R$ 22 milhões para uma empresa ligada à cunhada do presidente da Câmara. Questionado, Motta não respondeu se atuou para viabilizar a operação, mas afirmou que o financiamento ocorreu dentro da legalidade.
Em nota, o presidente da Câmara declarou defender uma investigação "isenta e imparcial". Até a divulgação do relatório, Ciro Nogueira não havia se manifestado sobre o caso.
O ex-diretor do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, alertou ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que o mercado financeiro responsabilizaria o dono do conglomerado e do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, pela “emenda Master”. A emenda foi uma proposta apresentada em 2024 pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar de R$250 mil para R$1 milhão a cobertura de investimentos garantidos pelo FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
A proposta foi rejeitada no Senado. Segundo informações da Folha de S. Paulo, o texto da emenda foi produzido pelo Banco Master e reproduzido na íntegra pelo parlamentar. A proposição foi chamada de “emenda master” pois a instituição de Daniel Vorcaro tinha como estratégia vender CDBs (Certificados de Depósito Bancário) com alta remuneração, usando a cobertura do FGC como atrativo.
O objetivo era aumentar a captação de dinheiro por meio desse instrumento, o que poderia dar uma sobrevida à instituição. Segundo análise do material apreendido pela Polícia Federal, um trecho de conversa via WhatsApp no dia 13 de agosto de 2024, mostra uma conversa de Vorcaro com ex-diretor jurídico do banco Luiz Rennó, que disse: "Vc [sic] sextuplica seu negócio. Bora".
O material também traz trechos de uma conversa entre Paulo Sérgio e Vorcaro via WhatsApp em 14 de agosto de 2024, após a apresentação da emenda no Senado. "Mercado colocando a conta dessa MP em você [Vorcaro]", disse o ex-diretor do BC, que também questionou sobre repercussão ainda maior após o episódio.
O dono do Master, por sua vez, afirmou tratar-se de uma emenda e que tinha "muita gente achando positivo", à exceção dos grandes bancos. Ele achava difícil que o caso reverberasse ainda mais.
Adiante, Vorcaro afirmou: "Não fui eu quem pedi". Em resposta, Paulo Sérgio continuou: "Estão jogando também no Roberto. É amigo do senador e esteve com ele numa festa recente", em provável referência a Roberto Campos Neto, então presidente do BC.
Em nota, a assessoria de Campos Neto disse que o Banco Central atuou institucionalmente contra a emenda por determinação do próprio presidente. "Roberto Campos Neto somente tomou conhecimento da existência da tal emenda por meio do diretor Renato Gomes e, imediatamente, determinou que houvesse uma força-tarefa de diversas áreas do banco para que fundamentassem uma manifestação técnica contra a proposta, na mesma linha do que havia sido defendido pela Febraban [Federação Brasileira de Bancos]", disse.
Ainda de acordo com a assessoria, a atuação do BC para a elaboração de fundamentos técnicos contra a proposta foi alinhada à do FGC, que chegou a trabalhar de forma emergencial.
As investigações indicam que Paulo Sérgio prestava consultoria estratégica a Vorcaro, orientando sobre a atuação do BC em processos administrativos, sugerindo argumentos para reuniões e revisando relatórios que seriam enviados à autarquia. Procurada, a defesa de Paulo Sérgio ainda não se manifestou formalmente sobre o caso.
Um relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) detalha a estreita relação de proximidade entre o ex-banqueiro e dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o senador Ciro Nogueira (PP). Os dados foram tornados públicos nesta terça-feira (16) pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso, logo após o ministro Gilmar Mendes pautar o julgamento sobre a prisão de Henrique e Felipe Vorcaro (pai e primo de Daniel, respectivamente).
De acordo com os investigadores, o vínculo entre ambos "transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo".
O documento indica que Vorcaro teria financiado despesas de Ciro Nogueira em viagens e jantares de luxo, além de realizar repasses mensais de, no mínimo, R$ 300 mil ao longo de aproximadamente 20 meses, totalizando ao menos R$ 6 milhões.
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira | Foto: Reprodução / Relatório da PF
A apuração estava sob sigilo até então. Ciro Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão da PF no início de maio deste ano.
Senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro | Foto: Reprodução / Relatório da PF
A Polícia Federal identificou registros fotográficos no celular de Daniel Vorcaro que comprovam a convivência frequente entre o ex-banqueiro e o parlamentar. Em uma das imagens, de maio de 2024, ambos aparecem a bordo de uma aeronave privada durante viagem para o fórum de investimentos LIDE, em Nova York.
CUSTOS PELO MUNDO
Outras fotos registram uma viagem a Courchevel, nos Alpes franceses, onde despesas do senador e de sua companheira teriam sido pagas pelo empresário. A perícia da PF aponta que Ciro Nogueira recebeu pelo menos R$ 468.721,78 em hospedagens e refeições custeadas por Vorcaro em quatro países:
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Paris (França): Desembolso de US$ 1.981,12 (R$ 10.175,82) no restaurante GIGI, em 13 de abril de 2024.
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Nova York (EUA): Pagamento de seis diárias no Hotel Park Hyatt New York, de 12 a 18 de maio de 2024, no valor total de US$ 47.779,80 (R$ 245.153,37).
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Lisboa (Portugal): Reserva de cinco diárias em uma suíte júnior no Hotel Four Seasons, em junho de 2024, totalizando R$ 91.280,59.
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Courchevel (França): Gastos de R$ 122.112,00 nos restaurantes La Soucoupe (R$ 63.600,00) e Le Tremplin (R$ 58.512,00), nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025.
O relatório ressalta que esses montantes não incluem os custos de voos privados feitos em pelo menos três viagens internacionais de ida ou volta ao Brasil e em dois deslocamentos internos nos Estados Unidos.
A PF também localizou planilhas com repasses de "valores vultosos" destinados a um beneficiário identificado apenas como "Ciro". Embora os investigadores ponderem que a informação demanda cautela devido à possibilidade de homônimos, afirmam que os registros reforçam o cenário de fluxo financeiro associado ao senador.
Além do suporte financeiro, a PF aponta indícios de uma atuação conjunta no Poder Legislativo em benefício do ex-banqueiro. Mensagens de novembro de 2023 revelam que Vorcaro teria ordenado a retirada de envelopes na residência de Ciro Nogueira contendo minutas de projetos de lei.
A PF classificou a dinâmica como "pouco usual", destacando que propostas legislativas de interesse de um particular eram retiradas da casa de um parlamentar, analisadas externamente por terceiros e depois reintroduzidas formalmente no Congresso.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve por maioria nesta terça-feira (16) a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro. O julgamento voltou à pauta após o ministro Gilmar Mendes devolver o pedido de vista na manhã desta terça.
Em voto divergente, Gilmar Mendes afirmou que o caso Master se transformou em uma investigação de forte repercussão midiática e alertou para os riscos da espetacularização de operações policiais. Para o ministro, o caso se tornou um processo "rumoroso" que há meses ocupa o noticiário de forma "cada vez mais espetaculosa e sensacionalista".
Ao analisar a situação de Henrique Vorcaro, Gilmar observou que a Polícia Federal apresentou indícios de contato do investigado com integrantes do suposto esquema ligado ao filho, mas ponderou que não foram apontados elementos concretos capazes de demonstrar que ele teria solicitado diretamente a prática de atos ilícitos.
Em discurso no plenário, na abertura da sessão deliberativa desta terça-feira (16), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), negou que tivesse recebido cerca de US$ 30 milhões em um depósito no exterior feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi publicada pela revista Veja na edição que foi às bancas na última sexta (12).
Demonstrando indignação com a menção ao seu nome feito pela revista, Alcolumbre disse repudiar “com veemência” o conteúdo da matéria publicada pela revista Veja.
"Jamais recebi aqueles valores, ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja. São alegações inteiramente falsas, com a única e aparente intenção de arrastar para a lama meu nome, minha honra, minha reputação. Vou repetir: jamais recebi quaisquer valores em contas no Brasil ou no exterior. Isso nunca aconteceu”, afirmou o presidente do Senado.
De acordo com a matéria assinada pelo jornalista Robson Bonin, a operação do suposto envio de US$ 30 milhões a Alcolumbre em uma conta no exterior teria sido conduzida por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, como pagamento pelo apoio a uma demanda de interesse do Master. O valor equivale a aproximadamente R$ 153 milhões e, segundo a reportagem, foi depositado em uma conta secreta no exterior, conforme teria sido revelado por Daniel Vorcaro em sua proposta de delação premiada.
No seu pronunciamento no plenário, Davi Alcolumbre disse considerar “espantoso” e “revoltante” que uma acusação dessa gravidade seja publicada pela imprensa sem provas ou evidências que a comprovem.
“O mal já está feito. Nos resta, agora, investigar a fundo os fundamentos dessas alegações. Se elas de fato constarem do acordo de colaboração, se elas de fato partiram do colaborador e de sua defesa, tomaremos todas as medidas cabíveis para nos defendermos dessas acusações”, garantiu o senador amapaense.
Em outro ponto do seu pronunciamento, o presidente do Senado expressou sua preocupação com vazamentos seletivos feitos para atingir a imagem de um chefe de poder, e falou também sobre a possibilidade de a informação ter sido veiculada de forma leviana para prejudicá-lo.
“Se esse fato sequer constar de um acordo de colaboração, se não tiver sido dito pelo colaborador, por sua defesa ou pela autoridade responsável pela condução desse procedimento, então estaremos diante de uma situação muito mais grave. Porque não estaremos diante apenas de uma acusação falsa contra o Presidente do Senado Federal. Estaremos diante da invenção de um fato inexistente e da tentativa de atribuir esse fato a um procedimento oficial para lhe conferir aparência de verdade”, afirmou Alcolumbre.
“A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional? Quem se beneficia de tentar usar a imprensa para intimidar o chefe do Poder Legislativo? Descobriremos as respostas a todas essas perguntas”, concluiu o senador Davi Alcolumbre, ao questionar os motivos da inclusão de seu nome como um dos beneficiários de pagamentos feitos pelo dono do banco Master.
Após seu pronunciamento, Davi Alcolumbre recebeu a solidariedade de diversos senadores, entre eles o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), a rejeição da segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a manifestação, o Ministério Público Federal alinha-se ao posicionamento da Polícia Federal (PF), que já havia recusado formalmente a colaboração do investigado na semana passada. As informações foram confirmadas pelo G1.
Segundo a avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos demais procuradores responsáveis pelo caso, os termos propostos pela defesa de Vorcaro não apresentaram elementos novos ou provas inéditas além daquelas que já foram obtidas no decorrer do inquérito policial.
Outro fator determinante para a recusa foi a ausência de um compromisso efetivo por parte do ex-banqueiro para a devolução dos recursos desviados. O Ministério Público considera o ressarcimento financeiro um requisito central e inegociável para o avanço de qualquer tratativa de colaboração.
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva em Brasília. Ele é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema de fraudes financeiras bilionárias cujos desvios estimados podem alcançar a cifra de R$ 12 bilhões.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a possibilidade de transferir o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao Complexo Penitenciário da Papuda. Segundo a Folha de S. Paulo, a Polícia Federal solicitou sua remoção após rejeitar pela segunda vez sua proposta de delação.
Vorcaro, que é investigado por fraudes financeiras bilionárias, o dono do Banco Master está em prisão preventiva na superintendência da PF (Polícia Federal) em Brasília. A decisão cabe a Mendonça, mas interlocutores afirmam que só deve deliberar sobre a transferência na próxima semana, depois de ouvir a opinião do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O ex-banqueiro ainda negocia um acordo de colaboração premiada com a própria PGR. Porém, caso o órgão negue a proposta, o empresário responderá à investigação sem qualquer tipo de benefício.
A avaliação de investigadores da PF é a de que Vorcaro não entregou informações adicionais àquelas que já foram obtidas de forma independente, como os dados e as conversas localizadas nos celulares do ex-banqueiro.
Além disso, o empresário teria tentado justificar os crimes que cometeu, e não propriamente reconhecido seus erros e os prejuízos causados, por exemplo, aos aposentados, diante das fraudes em empréstimos consignados. A delação, por definição, pressupõe que o colaborador assuma a culpa.
Por esses motivos, Mendonça tem sinalizado a pessoas próximas que está cético quanto à viabilidade de homologar uma eventual delação. O ministro também afirma a auxiliares que o ressarcimento integral dos prejuízos é um requisito inegociável.
O relator costuma lembrar que, desde que Vorcaro iniciou as negociações, em 19 de março, houve pelo menos cinco novas fases da Compliance Zero, o que demonstra que a investigação é capaz de "caminhar com as próprias pernas" e que a delação é dispensável.
A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro incluía informações sobre repasses feitos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo informações publicadas pela revista Veja, nesta quinta-feira (11), o fundador do Banco Master teria repassado US$ 30 milhões ao senador, o equivalente a R$155 milhões na cotação atual.
A proposta de Vorcaro foi oficialmente rejeitada pela Polícia Federal na quarta-feira (10). Na avaliação da PF, a nova proposta de delação continuou sem trazer fatos inéditos ou elementos considerados relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Conforme divulgado pela Veja, o valor repassado pelo ex-banqueiro ao presidente do Congresso teria sido depositado em uma conta secreta no exterior e, posteriormente, transferido a Alcolumbre como contrapartida pelo apoio do parlamentar a uma demanda de interesse do Banco Master. A operação, ainda segundo a proposta de delação, teria sido intermediada por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.
Em nota, Alcolumbre respondeu a acusação. Por meio de assessoria, o senador diz que as informações “são absolutamente falsas, não procedem” e que serão “enfrentadas com a máxima firmeza”.
“O senador Davi Alcolumbre jamais recebeu valores, no Brasil ou no exterior. Diante da gravidade das acusações e dos danos causados à sua honra e à sua trajetória pública, serão adotadas todas as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, para que os responsáveis pelas acusações respondam por suas afirmações e apresentem as provas que dizem possuir”, diz trecho da nota.
A segunda proposta apresentada por Vorcaro também menciona supostos pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia.
Rueda nega irregularidades e afirma não ter relação pessoal com Vorcaro, embora reconheça que seu escritório de advocacia prestou serviços ao Banco Master.
A Polícia Federal rejeitou a segunda proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Investigadores apontaram que o material apresentado pela defesa acrescentava pouco ao que já havia sido levantado pela PF e que a impressão era de que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
Vorcaro está preso em Brasília, acusado de chefiar um esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.
A primeira proposta de delação já havia sido rejeitada no mês passado pelos mesmos motivos. O acordo segue sendo negociado conjuntamente com a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O site The Intercept revelou, nesta terça-feira (9), que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro possuía uma tabela com o cronograma de pagamentos a serem realizados ao fundo Havengate Development Fund, que seria responsável pelo financiamento do filme biográfico de Jair Bolsonaro, "Dark Horse".
O documento divulgado pelo site é uma planilha intitulada “Funding Schedule”, enviada em 7 de agosto de 2025 pelo empresário Thiago Miranda a Daniel Vorcaro. O cronograma previa 14 desembolsos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. As duas primeiras parcelas foram de 2 milhões de dólares cada, inicialmente previstas para 20 e 25 de janeiro de 2025, mas efetivamente pagas em 13 de fevereiro e em 24 de março, segundo a planilha.
As outras 12 foram fixadas em 1,66 milhão de dólares cada. A primeira delas também foi paga em 24 de março, outras duas em 25 de abril e mais uma em 29 de maio. Ao final do cronograma, o total recebido indica uma soma de 10,6 milhões de dólares.

Foto: Reprodução / The Intercept
Na mensagem, o empresário teria escrito, segundo o intercept, “Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto”. Miranda recebeu uma resposta curta de Vorcaro: “Segunda fazemos duas”.
Ainda de acordo com a reportagem, Vorcaro volta a discutir o tema com o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do banqueiro. Mensagens divulgadas apontam que Vorcaro encaminhou o documento a Zettel e deu orientações: "precisa me ajudar controlae isso” e “tem que pagar a segunda e a terceira”.

Foto: Reprodução / The Intercept
COMPROVANTE DE PAGAMENTO
O Intercept divulgou ainda um comprovante de uma operação financeira que teve como remetente a Entre Investimentos e Participações Ltda. O pagamento . O pagamento teria sido processado por meio do Banco BS2 e destinado a uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank.
Segundo a reportagem, o extrato seria referente a primeira transferência internacional para financiar “Dark Horse”.

Foto: Reprodução / The Intercept
O banqueiro Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada que cita pagamentos ao presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, e a integrantes do PT da Bahia. A informação foi divulgada pelo jornal Metrópoles nesta quarta-feira (10).
Os documentos que elaboram a nova versão da delação premiada de Vorcaro foram entregues pela defesa à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana passada. Os órgãos agora analisam o material.
À coluna do jornalista Igor Gadelha, fontes que tiveram acesso ao material informaram que em relação ao PT baiano, a proposta de delação de Vorcaro menciona pagamentos que teriam sido realizados como contrapartida à operação do programa Credcesta pelo Banco Master no estado.
O Credcesta é um cartão de benefício consignado voltado para servidores públicos ativos e aposentados e cujos pagamentos das faturas são descontados diretamente em folha. O Banco Master passou a operar o Credcesta na Bahia entre os anos de 2018 e 2022.
Na época, o estado era governado por Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil no terceiro mandato de Lula. O ex-governador já negou publicamente ter relações próximas com Vorcaro. Ele disse que esteve com o banqueiro apenas uma única vez em agenda institucional e defendeu as investigações sobre o Caso Master.
Já a citação ao presidente do União Brasil inclui supostos repasses milionários que teriam sido feitos pelo Banco Master, por meio do escritório de advocacia ligado ao cacique partidário.
Antônio Rueda é considerado um dos responsáveis pela indicação da antiga diretoria do Rioprevidência, fundo dos servidores do estado que fez aportes bilionários em papéis e fundos ligados ao Banco Master. Publicamente, Rueda nega qualquer irregularidade, mas já admitiu ter prestado serviços advocatícios para o Banco Master por meio de seu escritório.
OUTROS MENCIONADOS
Ainda de acordo com o jornal Metrópoles, a delação de Vorcaro também cita supostos pagamentos ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e ao ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).
Na nova proposta, o banqueiro aderiu às versões da PF e passou a tratar as benesses pagas por ele a Ciro e a Castro como propina, e não mais apenas como amizade, como sustentava até então.
Mais de 65% dos brasileiros afirmam que Flávio Bolsonaro errou ao pedir dinheiro para Daniel Vorcaro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) errou ao pedir dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa foi a visão da grande maioria dos entrevistados da nova pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10).
De acordo com a pesquisa, 65% disseram que o candidato a presidente do PL errou ao pedir cerca de R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme. Já para 17% dos entrevistados pela Genial/Quaest, Flávio Bolsonaro acertou em pedir o financiamento e não viram nada demais na situação.
Em outro questionamento da pesquisa, 60% disseram que, pelo que foi ouvido até aqui, consideraram suspeitas as conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Outros 19% acreditaram que as relações entre o senador e o banqueiro foram “normais”, e 21% não sabem ou não responderam.
A Genial/Quaest também perguntou aos brasileiros se o presidenciável Flávio Bolsonaro poderia estar escondendo algum tipo de envolvimento ilegal no caso do Banco Master. Para 58%, Flávio poderia sim estar escondendo informações e ilegalidades, enquanto 27% negaram que ele estivesse envolvido em algo ilegal.
A percepção de que o senador Flávio Bolsonaro “errou” na sua relação com Vorcaro foi majoritária entre lulistas (76%), esquerdistas não lulistas (87%), independentes (67%) e direitistas não bolsonaristas (53%). Entre os bolsonaristas, houve empate entre quem considerou que o pré-candidato devia ter evitado pedir financiamento e quem não viu nada de mais na negociação: 42%.
Outro recorte da pesquisa mostrou que 62% dos entrevistados acreditam que o senador do PL sabia que Vorcaro estava envolvido em corrupção, e mesmo assim pediu dinheiro a ele para o filme. Para outros 26%, Flávio Bolsonaro não sabia que Vorcaro seria corrupto.
O instituto Genial/Quaest ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, a pesquisa foi registrada junto à Justiça Federal sob o número BR-07661/2026.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para processar e julgar fatos relacionados a Daniel Vorcaro e o Banco Master.
Segundo a defesa do senador, o impedimento se justifica pela suposta relação entre Moraes e o empresário, que está preso em Brasília e negocia uma delação premiada com autoridades.
O pedido foi embasado por dados da Receita Federal, que apontaram transações bancárias em que o Master pagou R$ 80 milhões ao escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, pela prestação de serviços advocatícios.
Informações do G1 destacam que os advogados de Flávio afirmam que não estão fazendo qualquer juízo de valor sobre a relação entre os dois, mas tentando garantir a observância das regras processuais e regimentais.
A ação de Flávio Bolsonaro foi apresentada após Moraes enviar para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
O petista solicitou que sejam apuradas supostas ligações entre Daniel Vorcaro e o senador, no que diz respeito ao financiamento, pelo banqueiro, da cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada "Dark Horse".
O Atlético Mineiro aprovou nesta segunda-feira (24) um aporte de R$ 530 milhões na SAF alvinegra, movimento que reduz significativamente a participação acionária de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master e atualmente preso pela Polícia Federal.
A decisão foi tomada pelo Conselho Deliberativo do clube em reunião realizada presencialmente na Arena MRV, na última segunda-feira (25). Apenas um conselheiro votou contra a operação. Além do aporte, também foram aprovadas as contas da associação referentes ao último exercício.
Com a nova injeção financeira, a composição societária da SAF atleticana sofreu alterações importantes. O grupo liderado por Rubens Menin e Rafael Menin ampliou sua participação de 41,8% para 83,5%, enquanto a fatia vinculada ao Galo Forte FIP — fundo ligado a Daniel Vorcaro — caiu de 20,2% para 6,5%.
A associação do clube também teve redução percentual, passando de 25% para 10%.
Segundo o CEO do Atlético, Pedro Daniel, cerca de 90% do valor aprovado será destinado ao pagamento de dívidas bancárias do clube.
"Um dia bem importante. A aprovação do aporte de R$ 530 milhões é basicamente para pagar dívidas bancárias. Quase 90% do valor. Uma pequena parte para os investimentos que já fizemos, seja nas últimas janelas, mas principalmente para o ecossistema do futebol", afirmou o dirigente.
Parte do investimento — aproximadamente R$ 94 milhões — foi realizada por meio do FIGA (Fundo de Investimentos do Galo), mecanismo criado para participação de investidores minoritários ligados ao clube.
O cenário ocorre em meio à repercussão envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, investigado pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O empresário teve prisão preventiva decretada novamente pelo STF após investigações apontarem supostas fraudes bilionárias, manipulação de balanços, lavagem de dinheiro e criação de um grupo de intimidação conhecido como “A Turma”.
Vorcaro já estava afastado do conselho de administração da SAF atleticana antes da votação desta segunda-feira.
O levantamento do instituto Datafolha divulgado nesta sexta-feira (22) mostrou uma superioridade de 9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas simulações para a eleição presidencial de 2026.
No principal cenário de primeiro turno, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 31%. Na rodada anterior da pesquisa, os dois estavam mais próximos, com 38% para o petista e 35% para o senador. Já no cenário de segundo turno, Lula soma 47% contra 43% de Flávio. Na pesquisa passada, ambos apareciam empatados com 45%.
A nova rodada da pesquisa foi realizada após a divulgação das denúncias envolvendo o financiamento do documentário “Dark Horse”, produção ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o levantamento, 64% dos entrevistados disseram conhecer o caso e o mesmo percentual avaliou negativamente a atuação de Flávio no episódio.
Apesar da queda nos números, o senador segue como principal nome da oposição ao governo federal nas simulações apresentadas pelo instituto. No primeiro turno, nomes como Ronaldo Caiado (PSD-GO, 4%) e Romeu Zema (Novo-MG, 3%) aparecem atrás dos dois líderes.
Empatados, Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP), surgem também com 3%. O Datafolha também simulou um cenário com Michelle Bolsonaro (PL) na disputa. Nesse caso, Lula teria 48% em um eventual segundo turno, contra 43% da ex-primeira-dama.
A Polícia Federal rejeitou, nesta quarta-feira (20), a proposta de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi comunicada aos advogados do banqueiro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master.
Segundo o g1, o acordo estava sendo negociado pela defesa de Vorcaro junto a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) conjuntamente. Após a rejeição na Polícia Federal, a proposta ainda pode ser analisada individualmente pela Procuradoria.
Segundo investigadores, o material apresentado pela defesa acrescentava pouco em relação ao que já foi levantado pela PF e que a impressão é que Vorcaro agia para proteger pessoas próximas.
A Polícia Federal apreendeu, no âmbito da Operação Compliance Zero, mais de oito celulares de Daniel Vorcaro e, até o momento, a perícia de parte deles já revelou desdobramentos importantes de um esquema de fraudes financeiras, envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
VORCARO NA PF
Após pedido da Polícia Federal, Daniel Vorcaro foi transferido, nesta terça-feira (19), para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Até então, ele estava em uma sala com estilo de "sala de Estado-maior", mesmo espaço usado para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.
Em uma cela comum, o acusado ficará submetido às regras internas da PF para, por exemplo, receber visitas dos advogados.
O governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), endureceu o discurso sobre os desdobramentos do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro durante participação na Marcha dos Prefeitos, em Brasília, nesta quarta-feira (20). Sem citar diretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), Caiado afirmou que “político contaminado por Vorcaro não pode ser presidente do Brasil”.
A declaração acontece após a divulgação de áudios que mostram o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro cobrando recursos do dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-chefe do Executivo.
Durante a fala, Caiado afirmou que o empresário teria influência sobre diferentes setores do poder público e criticou o cenário político nacional. “Você não sabe em quem acredita”, declarou o governador, ao mencionar instituições como Congresso, Supremo Tribunal Federal e Presidência da República.
Apesar da repercussão, o pré-candidato do PSD negou que a declaração tenha sido direcionada especificamente a Flávio Bolsonaro. Segundo ele, não costuma fazer “indiretas” e defendeu que é necessário ter responsabilidade para disputar o comando do país.
ASSISTA:
????????????? Em indireta para Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado diz que políticos “contaminados” não têm autoridade moral:
— Brasil Alternativo (@bralternativo_) May 20, 2026
“A pessoa que está contaminada não tem estatura para sentar na cadeira da presidência, não tem autoridade moral para chamar atenção de ministro do Supremo e nem do… pic.twitter.com/iAMYIxaB0y
O filme 'Dark Horse', que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, está sendo alvo de uma representação enviada à Procuradoria-Geral da República, que pede a abertura de investigação sobre os recursos usados na produção do longa, financiado por parte da fortuna desviada por Daniel Vorcaro.
As informações são da coluna de Lauro Jardim, do jornal 'O Globo'.
A PGR confirmou o recebimento da representação, que pede para que o órgão adote medidas cautelares para bloquear eventuais receitas de bilheteria do longa no Brasil, e informou que o caso foi encaminhado à Assessoria de Controle Extrajudicial para análise preliminar.
A justificativa para o pedido é que o investimento feito no longa pode ter sido de recursos hoje investigados pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, já que o Banco Master está sendo acusado de cometer uma fraude bilionária.
De acordo com a publicação, o argumento central da representação é o de que o aporte feito por Vorcaro no projeto, de R$ 61 milhões, poderia configurar tentativa de ocultação ou circulação de patrimônio em meio às investigações sobre o rombo do banco.
No documento, são mencionados ainda as apurações que miram a recuperação de cerca de R$ 50 bilhões atribuídos ao colapso do negócio de Vorcaro, incluindo recursos ligados ao Fundo Garantidor de Créditos e a fundos previdenciários estaduais.
Na última terça-feira (19), o longa foi alvo de denúncias de más condições de trabalho durante as gravações realizadas em São Paulo. Ao menos 15 profissionais procuraram o Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado de São Paulo (Sated-SP) relatando agressões físicas, assédio moral, atrasos salariais e revistas pessoais consideradas constrangedoras nos bastidores da produção.
Já no início da semana, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de uma investigação sobre o financiamento do longa 'Dark Horse', que conta a história de Jair Bolsonaro, para impedir o lançamento da produção antes das Eleições 2026.
O advogado Eugênio Aragão anunciou nesta terça-feira (19) que não integra mais a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), investigado no caso envolvendo o Banco Master. A saída acontece enquanto Costa negocia um possível acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-dirigente do banco está preso no Complexo da Papuda, em Brasília.
Em nota divulgada à imprensa, Aragão afirmou que atua apenas em “iniciativas jurídicas pautadas pela absoluta seriedade, confiança profissional e responsabilidade”. O advogado, no entanto, não detalhou o motivo concreto do rompimento com o cliente.
No comunicado, ele também declarou que uma eventual colaboração premiada só deveria ocorrer diante da existência de “provas consistentes e inequívocas”, além de respeito à legalidade e às instituições.
Paulo Henrique Costa foi preso em 16 de abril, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura supostas fraudes relacionadas ao Banco Master e a tentativa de aquisição da instituição pelo BRB, banco público vinculado ao Governo do Distrito Federal.
Segundo os investigadores, Costa teria acertado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, valor que seria repassado por meio de imóveis. A defesa do ex-presidente do BRB nega as acusações.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Valdemar da Costa Neto
"Isso é uma loucura, eu acho que o Trump tá, ele perdeu um pouco o rumo nisso aí, e espero que ele estabeleça uma linha melhor, porque o Brasil sempre foi um grande parceiro dos Estados Unidos".
Disse o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto ao criticar a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incluir o Brasil no pacote de tarifas norte-americanas. O dirigente classificou a medida como uma "loucura" e defendeu a negociação diplomática entre os dois governos como caminho para reverter as tarifas.