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Entrevistas

"Não cabe mais fazer de qualquer jeito": Carol Melo detalha plano para tornar o Bahia potência sustentável no futebol feminino
Foto: Luíza Barbosa / Bahia Notícias

Desde 2023 no Esporte Clube Bahia, Carol Melo ocupa o cargo de gerente de futebol das Mulheres de Aço, equipe feminina do clube. Com passagens por clubes tradicionais do futebol feminino brasileiro, como a Ferroviária e o Atlético Mineiro, a dirigente acumula experiência na gestão da modalidade no país.

 

Paulista, Carol integra o grupo de profissionais responsáveis pelo dia a dia do futebol do Bahia. Desde que assumiu a função, participou de um período de crescimento esportivo do time feminino tricolor.

 

Em três anos de trabalho no clube, a gestora esteve à frente de momentos importantes da equipe, como a conquista do título da Campeonato Brasileiro Feminino Série A2 e a campanha histórica na Campeonato Brasileiro Feminino Série A1, com a primeira classificação do Bahia ao mata-mata da competição. Em 2025, o clube também alcançou o terceiro lugar na Copa do Brasil Feminina.

 

"Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube".

 

A entrevista integra uma série especial do Bahia Notícias durante o mês de março, em referência ao mês da Mulher, com profissionais que atuam nos bastidores do futebol do clube. O objetivo é mostrar como funciona o trabalho dessas mulheres no cotidiano do Bahia e o papel delas na construção do projeto esportivo desenvolvido junto ao City Football Group.

 

Em conversa realizada no centro de treinamento do clube, Carol abordou temas como estrutura, planejamento esportivo, desenvolvimento da base, relação com a torcida, integração com o Grupo City e perspectivas para o futuro do futebol feminino do Bahia.

 

1. O projeto e a estrutura


"Trata-se de um projeto onde haverá investimento, mas não apenas a curto prazo."

 

Carol Melo explica que sua chegada coincidiu com um momento de reformulação da modalidade dentro do clube.

 

"Minha chegada acontece a partir do momento de reestruturação do futebol feminino aqui do Bahia. Acho que, desde as primeiras conversas, houve um alinhamento de visão e valores entre o que o Bahia pensava para a modalidade e aquilo que eu penso. Trata-se de um projeto onde haverá investimento, mas não apenas a curto prazo. É um investimento que traz um trabalho de longo prazo e que passa também por uma questão de estrutura, de formação e de profissionais, tanto para dentro quanto para fora de campo. É um conjunto de fatores para que consigamos fazer o futebol feminino do Bahia evoluir. Como tínhamos esse alinhamento desde o começo, foi fácil chegar e dar andamento a essa visão".

 

Sobre sua função no clube, a dirigente define o cargo como um elo entre os diferentes setores.

 

"É uma função em que trabalhamos basicamente com todo mundo que está dentro do clube, desde as atletas até a diretoria; fazemos o 'meio de campo'. Minha função no futebol é garantir que tenhamos os melhores em seus postos: o melhor treinador, o melhor preparador físico... Tudo para assegurar que o trabalho corra da maneira que foi planejado, além de fazer a ligação com a diretoria. O dia a dia é contato com todos."

 

2. A construção do estafe próprio das Mulheres de Aço


"Todas as áreas que envolvem saúde e performance contam com um profissional dedicado exclusivamente à categoria".

 

A dirigente afirma que a criação de um estafe específico para o futebol feminino faz parte do processo de profissionalização da modalidade no clube.

 

"A montagem do estafe do feminino faz parte de uma visão de médio e longo prazo. Estamos aumentando a equipe e tendo pessoas dedicadas a todas as funções de saúde e performance. Temos um médico exclusivo para o feminino, fisioterapeuta... enfim. Todas as áreas que envolvem saúde e performance contam com um profissional dedicado exclusivamente à categoria".

 

Ela também destaca que alguns setores continuam compartilhados com o restante da estrutura do clube.

 

"Claro que existem áreas do clube que podem ter profissionais compartilhados. Por exemplo, alguém do financeiro servirá a todas as modalidades do clube. Mas todas as áreas que atendem diretamente o futebol acabam tendo uma pessoa dedicada ao feminino, entendendo as necessidades e o momento de crescimento que a modalidade vive — não somente dentro do clube, mas também fora dele."

 


Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

3. O que esperar do Bahia em 2026


"Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube".

 

Carol atribui o desempenho recente da equipe a um processo iniciado ainda em 2023.

 

"É uma construção. Esse salto qualitativo de desempenho que demos em 2025 é fruto de um trabalho que começou em meados de 2023, com uma reestruturação, e passou por um 2024 onde conquistamos a A2, nosso primeiro título nacional. Foi um momento de evolução dos nossos profissionais, do nosso estafe e das nossas atletas, que estavam conosco em 2023 e foram protagonistas na campanha histórica de 2025."

 

Ela também destaca os investimentos estruturais realizados no período.

 

"Esse processo de profissionalização e os métodos implementados — acreditando no funcionamento e tendo o apoio do clube — foram fundamentais. Tivemos um investimento em estrutura ao longo do caminho; hoje estamos sentadas em um espaço (academia, campo) construído nesse período. Tudo isso agrega para colhermos resultados."

 

Ao projetar o futuro, a dirigente afirma que o objetivo é manter o clube entre os protagonistas da modalidade no país.

 

"Acho que 2025 marca isso por ter sido na elite. Já tínhamos conquistado espaço na A2 e conseguimos aparecer como um dos clubes protagonistas no cenário nacional em 2025. Tivemos conquistas históricas: a primeira vez que avançamos ao mata-mata do Brasileiro e o terceiro lugar na Copa do Brasil. Esses passos foram planejados e trabalhamos para que, em 2026, mantenhamos esse nível. Queremos que o bom desempenho de 2025 não seja algo pontual, mas sustentável, crescendo ano a ano e enraizando o futebol feminino no clube, inclusive com os planos de um CT próprio. Esse trabalho de bastidores ajuda a colher resultados em campo."

 

4. Yanne e o status de ídola


"Isso é fundamental porque cria identidade com a torcida."

 

Carol também comentou sobre a importância de atletas que representem a identidade do clube, citando o exemplo da atacante Yanne.

 

"Quando pensamos e traçamos a estratégia para a montagem do elenco, levamos em consideração vários fatores: a questão técnica, a performance e também o que a atleta pode agregar ao todo. Procuramos atletas que melhorem nossa sinergia. A Yanne é de Salvador e, assim como as muitas baianas que temos aqui, representa muito bem o que são as 'Mulheres de Aço'. É extremamente importante, pois elas cresceram vendo o Bahia, sabem da história do clube e muitas são torcedoras."

 

"Quando conversamos com a Yanne lá atrás e mostramos o projeto, ela acreditou. Ela vem evoluindo junto com o clube; comprou a ideia e estamos colhendo os resultados juntos. Isso é fundamental porque cria identidade com a torcida. Ela conhece, sabe e acompanha o clube."

 


Carol observa treinamento das Mulheres de Aço. Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

5. Pituaçu e a relação com a torcida


"Pituaçu é um estádio simbólico, principalmente para o futebol feminino da Bahia."

 

A dirigente também comentou sobre a importância do Estádio de Pituaçu para o futebol feminino no estado.

 

"Temos planos. Pituaçu é um estádio simbólico, principalmente para o futebol feminino da Bahia. Ele pode se tornar a casa da modalidade — se já não for. Adoro jogar lá, a estrutura é excelente e somos sempre bem recebidos. Existem coisas que fogem ao alcance da gestão do clube, mas tentamos trabalhar para dar apoio. Se tudo der certo, voltaremos a jogar lá, pois é importante estar perto da torcida."

 

"Ter uma torcida cada vez maior é um dos pilares do nosso planejamento. No entanto, acredito que a ausência de Pituaçu não teve impacto direto nos resultados. Houve um foco muito grande e, em nenhum momento, faltou respaldo do clube. Por mais que fosse melhor estar próximo do torcedor, o impacto na performance foi minimizado por um bom trabalho interno."

 

"Temos uma torcida que nos acompanha in loco, mas também pessoas que assistem às transmissões e estão presentes de alguma maneira. É óbvio que em Pituaçu teríamos mais gente na arquibancada, e trabalhamos para que esse número cresça. Mas o mais importante é que essa falta de proximidade física não se traduziu em queda de desempenho."

 

6. Grandes públicos para assistir o futebol feminino do Bahia?


"É um trabalho de longo prazo."

 

Carol avalia que o crescimento do público nos estádios passa por diversos fatores.

 

"Acredito que, de forma geral — e não só no Bahia —, o trabalho para levar o torcedor ao estádio pode melhorar de várias maneiras. Uma parte cabe ao clube, outra à mídia, e a melhora do desempenho em campo também atrai público. Os grandes públicos ainda acontecem em momentos pontuais. Equipes como Corinthians, Internacional e Cruzeiro conseguem lotar estádios em campanhas específicas, mas, por exemplo, a final do Paulista Feminino não teve números tão expressivos."

 

"É um trabalho de longo prazo. Precisamos entender o perfil do torcedor que frequenta os jogos femininos e sua experiência para aumentar esses números. Se hoje levamos 3 ou 4 mil pessoas, queremos levar 5, 10 mil, até chegarmos ao momento de ter arenas cheias constantemente. É um esforço em várias frentes: clube, parceiros, mídia e formato das competições (evitando jogos em conflito de horário com o masculino, para não competirmos pelo mesmo público)."

 

7. A Copa do Mundo de 2027 pode ajudar com isso?


"A Copa do Mundo tem o potencial de ser um divisor de águas."

 

"A Copa do Mundo tem o potencial de ser um divisor de águas. A de 2019 provou isso, trazendo vários benefícios. Sendo no Brasil, a visibilidade será enorme. O futebol feminino estará na vitrine e surgirão oportunidades. Todos precisam ter um planejamento para aproveitar esse momento de hype e enraizar a modalidade, criando uma estratégia de crescimento sustentável para o pós-Copa. Que a competição deixe esse legado."

 

8. Integração com o Grupo City


"O Grupo City possui processos bem definidos que são implementados no futebol feminino da mesma forma."

 

"O Grupo City possui processos bem definidos que são implementados no futebol feminino da mesma forma. O que já funciona fora é aplicado aqui. Isso é evidente no departamento de saúde e performance. Tenho reuniões recorrentes com equipes de futebol feminino do Grupo. Embora cada clube viva um momento diferente, temos uma troca excelente de informações sobre atletas e mercado. Isso enriquece muito e nos ajuda a entender as demandas globais de performance e como somos vistos lá fora."

 


Foto: Luiza Barbosa / Bahia Notícias.

 

9. O desenvolvimento da base


"A base é o alicerce do projeto."

 

"A base é o alicerce do projeto. Hoje, atuamos de maneira pontual para competir e dar a melhor experiência possível às atletas, para que entendam o cenário e o comprometimento necessário. É gostoso jogar, mas exige dedicação diária. Em 2025, montamos as categorias Sub-17 e Sub-15. Há muito talento na Bahia que precisa de oportunidade. Dessas atletas, convidamos oito para a pré-temporada conosco para avaliarmos se conseguem acompanhar o ritmo. Elas estão se desenvolvendo bem e estamos organizando os bastidores para que continuem evoluindo."

 

"Para ter uma base permanente, há muitas necessidades estruturais. Não cabe mais fazer 'de qualquer jeito'. O Bahia é um dos únicos clubes do Brasil com uma profissional de salvaguarda (proteção à criança e ao adolescente). Estamos desenhando esse processo para implementar a base de maneira permanente e com as melhores condições."

 

10. O novo CT pode ajudar no desenvolvimento da base?


"O novo CT abrirá muitas portas nesse sentido."

 

"Acredito que o novo CT ajudará muito. Teremos um espaço maior para o feminino e estaremos mais próximos de Salvador. Hoje, a distância do CT atual é um fator: se a atleta treina de manhã e estuda à tarde, o deslocamento é exaustivo. Precisamos considerar o bem-estar da adolescente para que o futebol e os estudos andem de mãos dadas. O novo CT abrirá muitas portas nesse sentido."

 

11. A transição no comando técnico


"Buscamos no mercado um profissional que se encaixasse no que estava desenhado."

 

Carol também comentou sobre a transição no comando técnico da equipe, com a saída de Lindsey Camila e a chegada de Felipe Freitas.

 

"Foi uma transição tranquila. A busca por um novo treinador foca em alguém com a mesma visão e valores. Conversei bastante com o Felipe e deixei claro o que era o projeto. Buscamos no mercado um profissional que se encaixasse no que estava desenhado, e isso funcionou muito bem com ele. Estamos mantendo a base do elenco do ano passado, e ele é peça-chave para dar continuidade a esse trabalho."

 

CONFIRA A ENTREVISTA COMPLETA:

 

 

 

Entre Seleção, futuro e idolatria, Yanne exalta orgulho de jogar no Bahia: "Não sei explicar, só sentir"
Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

Um dos grandes nomes do futebol feminino do Bahia, a goleira Yanne Lopes, de 22 anos, concedeu entrevista ao Bahia Notícias e falou sobre a carreira, os desafios no início, a chegada ao Esquadrão e os sonhos para o futuro. Responsável por atuações decisivas, como as classificações às semifinais da Copa do Brasil e às quartas de final do Campeonato Brasileiro, a atleta ressaltou o apoio que a equipe feminina recebe da diretoria tricolor.

 

“Acredito que o Bahia tem um diferencial muito grande nisso. Para o clube, a gente não é só mais uma, não é só por obrigação. O Bahia busca que a gente se sinta incluída de verdade”, afirmou e continuou.

 

“A gente [elenco feminino] não tem aquele receio de que, se as coisas não derem certo, o Bahia vai simplesmente acabar com o feminino. Hoje não existe mais esse medo, porque realmente nos sentimos parte. O clube demonstra de muitas maneiras que nós não somos o ‘feminino do Bahia’, mas sim o Esporte Clube Bahia. Não é o feminino ou o masculino: é o profissional do Bahia.”

 


Yanne defende pênalti nas quartas de final da Copa do Brasil. | Foto: Letícia Martins / EC Bahia

 

“SOU UMA ATLETA DE PANDEMIA”

Ao contar como decidiu seguir no futebol, Yanne lembrou o impacto da pandemia provocada pela Covid-19 na sua trajetória.

 

“Eu costumo dizer — e minha mãe até brinca comigo — que eu sou uma atleta de pandemia. Porque eu estava no meu último ano do ensino médio, foi quando se concretizou o que eu realmente queria para a minha vida. Mas, um pouco antes disso, com 16 anos, entre o segundo e o terceiro ano, eu fiz uma peneira. Fiz essa peneira como zagueira. Eu originalmente era zagueira, mas jogava futsal e gostava de atuar como ala esquerda. Então pensei: ‘Vou ficar na linha’. Fiz a peneira como zagueira, e a gente foi para uma competição. Nessa competição, fomos apenas com uma goleira. E aí eu falei: ‘Cara, eu sou doida, eu me jogo na bola’. Aí me testaram e, depois disso, nunca mais saí do gol. No início foi um pouco conturbado, porque eu estava no terceiro ano, tinha aula até às 15h e prova todo sábado. Então, não estava conseguindo acompanhar a rotina necessária para um atleta profissional, de treinos e jogos. Perdi alguns jogos por estar em prova", revelou.

 

"Por isso digo que sou uma atleta de pandemia. Porque, na pandemia, eu podia gravar as aulas que aconteciam à tarde, ia treinar, passava a tarde toda treinando e, quando voltava, assistia às aulas gravadas e colocava o conteúdo em dia. Foi um pouco difícil para minha família esse processo, porque eu não fui criada para ser jogadora de futebol, para ser atleta. Fui criada para seguir uma carreira de estudos. Mas eu acho que, quando o coração bate forte por algo, a vida te move para esse destino. Foi o que aconteceu.”

 

A boa campanha no Brasileiro Sub-17 abriu portas do futebol profissional feminino para Yanne.

 

“No final de 2020, fiz um excelente Brasileirão Sub-17. Nesse mesmo ano, fui chamada para a Ferroviária, para completar a equipe paulista Sub-17. Foi a primeira vez que a Ferroviária foi vice-campeã paulista Sub-17. Depois disso, me chamaram para integrar a equipe profissional, e foi quando realmente se concretizou. Ficou uma certa dúvida nos meus pais: ‘Ela vai acabar desfocando dos estudos’. Mas perguntaram: ‘É o que você quer?’. Eu falei: ‘Sim, é o que eu quero’”, contou.

 

“Meu pai foi comigo conhecer Araraquara, conhecer a estrutura. E hoje eles são os meus maiores fãs, sempre presentes, inclusive nas partidas fora de casa. Ano passado, por exemplo, eles foram para Ilhéus, uma viagem super cansativa. Quando a gente passou para a final da Ladies Cup, eles mandaram mensagem: ‘A gente comprou passagem, estamos indo para São Paulo’. Eu falei: ‘Quê?’. E eles: ‘É, estamos indo para São Paulo’. Eu respondi: ‘Então vem!’. Agora vamos disputar a Copa Maria Bonita e, se tudo der certo, eles também querem estar presentes nas fases finais. Hoje eles me acompanham em todas as partidas, tanto em casa quanto, sempre que possível, fora de casa. Infelizmente não puderam estar contra o Red Bull, mas falaram: ‘Se não tivesse acontecido tal coisa, com certeza estaríamos lá para torcer e vibrar por você’. Então, hoje eles realmente são meus maiores fãs, os que mais me apoiam, me incentivam e, ao mesmo tempo, pegam no meu pé para que eu continue mantendo a disciplina que tenho. Eles me auxiliam muito nisso.”

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.

 

A DECISÃO DE VESTIR A CAMISA DO TRICOLOR

Soteropolitana, Yanne relembrou como foram as conversas até fechar o contrato com o Bahia.

 

“Quando eu recebi a proposta, meu empresário falou comigo: ‘Ó, o Bahia está atrás de você’. Então busquei conhecer um pouco mais sobre a estrutura que o time oferecia. Eu já estava no centro do futebol feminino, justamente por ser uma equipe que se destaca muito. Meus pais foram conversar com a Carol [Diretora de Futebol Feminino do Bahia], que já tinha trabalhado comigo na Ferroviária. Então já havia uma relação, e a gente pôde ter uma troca muito legal, com ela me explicando quais eram as pretensões do Bahia, como era o projeto que estavam planejando, tanto a curto quanto a longo prazo. Naquele momento, eu já estava praticamente com tudo fechado para renovar [com a Ferroviária]. Mas, quando recebi a proposta, balancei um pouco. Liguei para o meu empresário e falei: ‘Cara, vamos para o Bahia. Meu coração está pedindo. Eu senti firmeza nas conversas. Eu até poderia ficar em São Paulo, mas acho que não seria a mesma coisa que estar no Bahia’”.

 

A goleira falou, que tinha planos de ir para uma equipe em que pudesse construir um legado e tornar-se ídola.

 

“Eu sempre quis muito ir para uma equipe e poder construir um legado junto com ela. E no Bahia tive essa oportunidade. O clube deixou claro desde o início que sempre haveria disputa pela titularidade, mas uma disputa saudável entre as goleiras. E eu falei: ‘Não, eu vou para o Bahia porque quero construir essa história’. Desde o início do ano passado, a gente vem construindo esse caminho. Foram muitos processos de amadurecimento, de gestão de grupo, de união. Eu acabo sendo um pouco líder ali dentro, busco compreender cada uma, para que a gente seja realmente uma unidade, uma família — que, para mim, é algo muito importante dentro de campo. Foi quando decidi: ‘Eu vou escrever minha história junto com o Bahia’. Fiquei muito feliz quando tudo deu certo. No futebol, nada é garantido, então, quando realmente se concretizou, a alegria foi enorme. Tive que guardar essa notícia por um tempo, não podia contar a ninguém. As pessoas perguntavam para onde eu ia, e eu não podia revelar. Nem mesmo na minha antiga equipe sabiam — só meus pais e meu empresário. Hoje, quando olho para trás, tenho ainda mais certeza de que fiz a escolha certa. Eu pude ajudar o Bahia a sair da Série A2, chegar na Série A1, ser campeão da A2 pela primeira vez depois de algumas tentativas, e ainda conquistar novamente o título baiano. Isso só reforça a felicidade de ter tomado essa decisão.”

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

RECONHECIMENTO DA TORCIDA E STATUS DE ÍDOLA

Sobre o carinho da torcida, Yanne ressaltou a identificação que criou mesmo em pouco tempo de clube e comentou a possibilidade de estar se tornando uma ídola do Bahia.

 

“Eu fico muito feliz porque busco muito poder realmente ser uma referência, tanto dentro de campo quanto fora. Pelo meu estilo de vida, pelo meu estilo de treino, de dedicação, eu sempre busco isso. Sou muito grata à torcida do Bahia, que desde a minha chegada me acolheu muito bem. Sempre esteve comigo, motivando, torcendo, sendo muito presente nas minhas redes sociais. Muitas vezes, quando vou à Fonte Nova assistir a uma partida da equipe masculina, os torcedores param, pedem para tirar foto… é uma coisa muito legal. É algo que eu sempre quis também: ter um pouco desse reconhecimento. Sobre a identificação, eu não sei explicar, só sei sentir. Foi uma equipe que me conquistou muito. A torcida me conquistou muito. E tudo o que faço é buscando trazer felicidade para eles.”

 

“Não é força de expressão, porque realmente sinto que, quando consigo trazer essa felicidade, ela retorna para mim. Então, a minha dedicação é sempre no sentido de dar alegria ao torcedor tricolor. Acho que eles merecem, até porque passamos por momentos muito difíceis, principalmente em 2023, naquele período de incerteza, de ‘vai cair, não vai cair’, e no fim conseguimos nos manter. Depois daquele momento, a equipe teve uma evolução muito grande. Essa conexão que tenho com o clube e com a torcida eu não consigo explicar racionalmente; foi algo muito natural, muito verdadeiro. Eu vibro muito com isso. Sou uma atleta que assiste aos jogos e fica brava quando as coisas não dão certo, eu xingo, reclamo, sofro junto. Estou ali o tempo todo vivendo intensamente.”

 

SELEÇÃO

Campeã Sul-Americana de base, a arqueira também abordou sobre o sonho de defender a Seleção Brasileira principal. Yanne revelou que está “bastante tranquila” quanto a isso.

 

“Com relação à Seleção Feminina, é um sonho, com certeza. Não só meu, mas de muitas outras atletas. É algo pelo que trabalho bastante, mas estou muito tranquila. Acredito que o trabalho sempre devolve de alguma forma. Tenho trabalhado muito e, no momento certo, pode ser que demore, mas sei que vai acontecer. Como eu falei, não quero atropelar as coisas. Temos muitas goleiras extremamente competentes no Brasil, e venho trabalhando todas as minhas falhas para que eu possa estar no mesmo patamar delas. Graças a Deus, venho fazendo boas partidas. Mérito também do meu preparador de goleiros, Felipe Andrade. A gente trabalha muito forte para corrigir o que precisa ser corrigido. Também faço acompanhamento com meu preparador físico, Jonathan Praxedes, buscando estar sempre no mais alto nível físico. Mas sei que isso não é tudo: é preciso ter também uma mente muito forte. Por isso, trabalho com o Patrick [psicólogo], que me ajuda a estar preparada. O futebol é uma montanha-russa de emoções, e a gente precisa aprender a lidar com todos os momentos para não se afundar. Esse aspecto mental é, para mim, muito importante. Tenho certeza de que, no momento certo, vai acontecer — não só para mim, mas também para algumas companheiras de equipe que merecem e estão sendo observadas. Acredito que tudo o que fazemos é muito bem visto e muito bem avaliado. Então, estou tranquila. As pessoas me perguntam: ‘E aí, a convocação vem?’. Eu respondo: ‘Estou tranquila, em paz. No momento certo vai acontecer’”.

 

“Pode ser hoje, pode ser daqui a alguns anos. Quero estar preparada para, quando chegar lá, agarrar essa oportunidade da forma que tem que ser. Não quero simplesmente chegar e sair. Quero ser uma referência na Seleção, uma presença constante. Posso citar a Lorena como exemplo: ela teve a oportunidade dela e soube agarrar. E é isso que quero para mim. Quero que, quando a oportunidade chegar, eu saiba aproveitá-la da melhor maneira, que eu esteja lá como uma goleira de alto nível, não só para defender, mas também para compartilhar o que sei, o que aprendo, e ajudar minhas companheiras a evoluir — assim como elas me ajudam a evoluir.”

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

PLANOS E FUTURO

Perguntada, Yanne falou sobre onde espera chegar nos próximos anos: uma referência dentro e fora de campo.

 

“Como falei no início, quero ser uma referência. Quando digo isso, é porque desejo que outras meninas, mulheres mais novas, possam olhar para mim e ver que também podem jogar bola, que também podem ser goleiras. Lembro que, quando era mais nova, nos raros momentos em que passava futebol feminino na televisão, eu via a Marta e pensava: ‘Eu também quero’. E é isso que eu quero ser no futuro: uma referência nesse sentido, de alguém que outras pessoas olhem e digam: ‘Eu quero ser goleira’. Até meninos também falarem para mim: ‘Eu quero ser goleiro também’”, revelou.

 

“Em relação à carreira, quero muito me consolidar no futebol. Quero que as pessoas conheçam o meu nome, assim como já conhecem o nome de muitas atletas — algumas, inclusive, que já trabalharam comigo. A Tarciane, por exemplo: hoje quem acompanha o futebol feminino sabe quem ela é. Ou a Angelina, que tem uma idade parecida com a minha e já conquistou espaço. Quero trilhar esse caminho de consolidação. Sonho em realizar grandes feitos com a camisa da Seleção Brasileira e também conquistas com a camisa do Bahia. Um dos meus maiores sonhos é levar o futebol feminino do Bahia para a Libertadores. Além disso, quero crescer cada vez mais na carreira e ter a oportunidade de disputar — e vencer — uma Champions League.”

 

“Lembro que, antes de jogar contra o Red Bull Bragantino [quartas de final da Copa do Brasil Feminina], revisitei um caderno que usava para anotar minhas sensações pré-jogo. Quando li aquelas anotações, percebi que a ‘eu’ de cinco anos atrás jamais imaginaria que hoje estaria aqui. Então, quero que a ‘eu’ de daqui a cinco anos também esteja vivendo os sonhos que tenho hoje. Quero conquistar coisas incríveis com o Bahia, alcançar feitos com a Seleção, me consolidar como referência e estar no meu mais alto nível. Sempre digo que não gosto de me comparar com ninguém; o que quero é ser 1% melhor do que fui ontem. É isso que me move: poder fazer a diferença na vida das pessoas. Quem sabe criar algum projeto para que meninas tenham contato com o esporte? Gosto muito de esportes no geral — vôlei, basquete, handebol. Quero usar isso para impactar positivamente. Não quero ser só mais uma. Quero realmente fazer a diferença.”

 

Confira abaixo a entrevista na íntegra:

 

Duelo olímpico: Hebert Conceição projeta duelo contra Yamaguchi Falcão no Spaten Fight Night
Foto: Reprodução/Agência InPress

A segunda edição do Spaten Fight Night, marcada para o dia 27 de setembro, terá como destaque um duelo de gerações do boxe brasileiro. No ringue, estarão frente a frente dois medalhistas olímpicos: o baiano Hebert Conceição e o capixaba Yamaguchi Falcão, que disputarão o cinturão nacional da categoria médio (74 kg).

 

Hebert, campeão olímpico nos Jogos de Tóquio 2020, segue invicto no boxe profissional e chega ao evento para defender o título conquistado em 2024, quando derrotou Esquiva Falcão, irmão de Yamaguchi, na decisão dos juízes. Recentemente, no dia 2 de agosto, ele manteve o cinturão após nova vitória no Boxing Pro Combat.

 

Do outro lado estará Yamaguchi, bronze nos Jogos de Londres 2012 e com longa trajetória na modalidade. O atleta voltou a lutar em julho deste ano, quando superou Sergio Dantas na Copa Touro Moreno, torneio em homenagem ao seu pai e ícone do boxe nacional. O triunfo marcou seu retorno após mais de um ano sem competir, desde a derrota para o cubano David Morrell, em Las Vegas, em disputa pelo título mundial em 2023.

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Hebert Conceição falou sobre sua preparação para o confronto, as diferenças de estilo em relação ao adversário e o papel da experiência no duelo.

 

Primeiramente, quero saber como está a sua preparação para essa luta no próximo dia 27 de setembro, contra o Yamaguchi Falcão.


Minha preparação está sendo feita há muito tempo, né? Eu estou Eu estou em ritmo de luta, então eu estou sempre treinando pensando em um próximo em uma próxima data, em um próximo combate. Eu lutei no dia 12 de agosto e tive que descansar um pouquinho e recomeçar. Então eu não estou numa fase de muita intensidade não, porque, digamos, que eu esteja em início de preparação, ainda que eu já esteja em preparação há muito tempo, mas é um recomeço para essa para essa nova data. Então, preciso recuperar o corpo e fazer a retomada.

Então, tô na fase de período de base, muita correção, muita repetição e preparando o corpo, como se eu tivesse preparando o corpo para intensidade que está vindo aí nas próximas semanas. Mas, como eu falei, a preparação é feita de um acúmulo de cargas, então eu já tô treinando há muito tempo, já tô lutando também. E a minha preparação é a tá sendo a melhor possível.

 

O Yamaguchi voltou ao ringue recentemente, e depois de mais de um ano parado, ele venceu Sergio Dantas. Esse período fora de combate pode ser um fator positivo para o seu desempenho no confronto de logo mais contra ele?


O Yamaguchi fez uma luta muito recente, acho que tem dois meses, um mês e meio, talvez, que ele fez uma luta lá no Espírito Santo, venceu, até para retomar o ritmo. Então, ele também já está treinando, já retomou a atividade após passar dois anos inativo. Isso conta sim, mesmo treinando o ritmo de luta é diferente, mas ele lutou. Então, vai chegar em ritmo de luta também para me enfrentar. Então aí já caiu por terra qualquer vantagem que eu poderia levar nesse quesito e agora o que ele vai levar para a luta dele é experiência, do tempo que ele tem de carreira e eu vou levar para o ringue a minha juventude, a diferença de idade, mas também um pouco de experiência que eu tenho no boxe profissional e no boxe olímpico também. Vai ganhar quem estiver melhor preparado. Por isso que eu tô me preparando muito para que o melhor preparado seja eu no dia 27 de setembro.

 

Você é um lutador que já tem anos de caminhada, não é inexperiente, mas por outro lado tem um adversário que é muito experiente também. Você acha que a questão da experiência pode ser um fator decisivo no resultado da luta?


Sim, com certeza, a experiência ela conta, ela faz diferença sim, mas ela faz diferença principalmente em um contexto de extremo equilíbrio, né? Onde a experiência conta, mas em uma luta onde não há tanto equilíbrio e se eu for muito superior, por exemplo, não, acho que a experiência não vai contar muito. Pode contar para ele conseguir se recuperar de algum golpe que ele tomar, vai sentir. O cara que sabe cadenciar ou até se ele acertar uma mão em mim, ele vai saber aproveitar aquele momento porque ele já é um cara experiente. Sabe quando tem que apertar, o ritmo, sabe quando tem que cadenciar, isso conta, isso faz a diferença. Mas não é só isso que ganha luta. Tem outros componentes que envolvem para que se decida uma luta.

Então, sei que ele tem essa vantagem, mas eu não sou um cara inexperiente, eu não sou dos mais jovens, eu já tenho 27 anos e tenho uma carreira também sólida no boxe olímpico. No boxe profissional ainda não não completei 10 lutas, mas eu tenho um light de treinamento muito grande também, passei para o boxe profissional em dezembro de 2021, assinei meu primeiro contrato profissional, então já vou completar 4 anos no final deste ano, treinando com com atletas profissionais, fazendo sparring Isso conta também. E eu tô numa fase muito melhor, né? Ele passou dois anos parado, voltou, fez uma luta, retomou o ritmo. Eu não fiquei parado tanto tempo, eu já fiz duas lutas esse ano. Então, a experiência dele conta, mas não faz tanta diferença porque não tem tanto contexto para ter extremo equilíbrio ali na nas possibilidades. Lógico que na luta pode fazer diferença em um momento ou outro, mas eu acho que não vai ser isso que vai decidir a luta.

 

Fazendo uma análise, qual característica de luta sua e do seu adversário que você considera um ponto importante? 


Bom, começando pelo meu adversário, ele é um cara que de ponto forte, ele começa a luta no ritmo muito intenso, né? Ele impõe intensidade, por mais que a luta seja muito longa, ele já começa num ritmo muito alto desde o início da luta. Isso é um ponto forte. Enquanto outros atletas preferem cadenciar um pouco mais no início para ir aquecendo o ritmo do ao decorrer dos rounds, o meu oponente não, ele já começa em um ritmo muito alto. Isso é um ponto forte dele. 

No meu caso, meu ponto forte eu acho que é esperar sempre o primeiro momento e aproveitar sempre os primeiros minutos da luta para poder sentir como que é o meu oponente, sentir um pouco da distância, e depois disso decidir qual o melhor estilo que eu vou boxear.

Lógico que eu tenho uma estratégia já pré-definida, mas eu tenho uma facilidade de ter a percepção do que que a luta tá pedindo ali naquele momento. E por isso sou um atleta bem versátil, eu tenho uma característica já pré-definida, mas eu sou muito versátil, eu consigo boxear em estilos diferentes. Se a luta tá pedindo que eu ataque para frente, eu consigo boxear andando para frente.

Se a luta pede que eu caminhe para trás e para os lados, eu sei boxear para os lados. Então eu sou um cara que eu tenho um timing muito bom no meio da luta, o que que a luta está pedindo e isso me ajuda até para que eu não perca um um possível round. Porque tem atletas que precisam chegar no corner, escutar o seu treinador, que tem que mudar alguma coisa e eu já consigo tirar de mim mesmo durante a luta e fazer essa transição.

"Não era o fim": Osvaldo fala em superação, Série A e continuidade no Vitória após aposentadoria
Foto: Maurícia da Matta/Bahia Notícias

Era para ser o fim. A idade, o desgaste natural de uma longa carreira e um diagnóstico médico assustador pareciam formar o cenário ideal para a aposentadoria. Mas Osvaldo, hoje com 38 anos, escolheu desafiar o roteiro óbvio. Em vez de encerrar a história, decidiu reescrevê-la — e fazer isso onde o coração fala mais alto: no Vitória.

 

Campeão da Série B em 2023 e do Campeonato Baiano em 2024, o atacante acumula 113 partidas pelo clube, com nove gols e 12 assistências. No entanto, o maior desafio veio fora das quatro linhas: o camisa 11 foi diagnosticado com tromboembolismo pulmonar e precisou passar por sua primeira cirurgia como jogador profissional.

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Osvaldo deu detalhes sobre os 136 dias longe dos gramados, entre outros assuntos, o duro processo de recuperação, o apoio da família e o papel de liderança que exerce dentro do elenco rubro-negro.

 

"Quando o médico falou que eu ia ficar de três a seis meses parado, quase pulei da maca. Eu só pensava no próximo jogo, na luta contra o rebaixamento. Mas Deus me deu uma nova chance", contou o atacante. Leia a entrevista completa na íntegra abaixo: 

 

 

A condição exigiu um rígido processo de reabilitação. O tempo fora dos gramados, por outro lado, permitiu uma reconexão com a família — algo raro após quase duas décadas de carreira.

 

"Foram 18 anos sem viver tanto tempo dentro de casa. Pude aproveitar meus filhos, minha esposa. Isso me deu força para voltar ainda mais forte."

 


Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

 

RETORNO COM GOL E NOVA FUNÇÃO NA EQUIPE
A volta aconteceu em janeiro deste ano, quando Osvaldo marcou na goleada por 4 a 1 sobre o Juazeirense, pelo Campeonato Baiano. O gol também marcou o início de uma nova fase, tendo sequência como titular — algo que não acontecia desde o problema de saúde.

 

Durante esse período, Osvaldo teve uma conversa franca com o ex-técnico Thiago Carpini, reconhecendo que ainda não conseguia atingir seu desempenho habitual. A resposta do treinador foi direta: "siga trabalhando, sua hora vai chegar". E chegou.

 


De pênalti, Osvaldo marcou o seu primeiro gol após 136 dias longe dos gramados | Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

 

Mesmo atuando como ponta — função "incomum" para jogadores próximos dos 40 anos — Osvaldo tem mostrado vitalidade, disciplina e inteligência tática. Ele reconhece que a explosão dos tempos de São Paulo e Fluminense já não é a mesma, mas valoriza a experiência e os cuidados com o corpo.

 

"Com 38 anos, fazer essa função de ponta é raro. Acho que no Brasil ninguém faz. Mas eu me cuido, suplemento, me alimento bem. Ainda consigo entregar."

 

IDENTIFICAÇÃO E PLANOS PARA O FUTURO
A identificação com o Vitória já é consolidada. O clube e a torcida o acolheram no momento mais difícil de sua história, e ele retribuiu com entrega e liderança. Hoje, é referência no grupo e ídolo para a torcida.

 

"Muita gente achou que minha vinda para o Vitória era o fim. Mas eu vim para mostrar que ainda tinha muito a entregar. E quero mais."

 


Com a frase "Sempre Contigo!", a torcida do Vitória homenageou Osvaldo em meio a sua recuperação, em um treino aberto da equipe, pelo Brasileirão 2024 | Foto: Hugo Araújo/Bahia Notícias
 

 

Mesmo ainda planejando atuar por mais um ou dois anos, Osvaldo já projeta o futuro fora das quatro linhas. Em conversas frequentes com o presidente Fábio Mota, discute a possibilidade de seguir ligado ao clube em uma função diretiva.

 

"O Fábio sempre diz que serei um braço direito dele. Isso me deixa muito honrado. Quem sabe eu possa encerrar minha carreira aqui e seguir ajudando o Vitória de outra forma."

 

PRESSÃO POR RESULTADOS
Enquanto o futuro é desenhado com cautela, o presente exige reação. O Vitória vive momento delicado na temporada, após a eliminação para o Confiança por 1 a 0 na semifinal da Copa do Nordeste — terceira queda precoce em 2025, após as saídas na Copa do Brasil e Sul-Americana.

 

Osvaldo foi titular na partida, realizada na última terça-feira (8), mas o time não conseguiu reagir. O resultado selou a saída de Thiago Carpini, que deixou o cargo após 14 meses.

 


Foto: Maurícia da Matta/Bahia Notícias

 

Neste sábado (12), o Leão volta a campo para enfrentar o Internacional no Beira-Rio, pela 13ª rodada do Brasileirão. A partida marca a estreia do técnico Fábio Carille. No elenco, reforços importantes: Ronald (renovado), Fabri (recuperado de lesão) e os recém-chegados Renzo López, Rubén Rodrigues e Thiago Couto.

 

Mesmo com as frustrações recentes, Osvaldo mantém a confiança no grupo e reforça sua responsabilidade como líder.

 

"A gente reconhece as dificuldades, mas também sabe do potencial do grupo. Nossa luta é para manter o clube onde ele merece estar."

 

Questionado sobre o que espera do futuro do clube, ele mantém os pés no chão: "Não dá pra planejar o futuro sem garantir o presente. Nosso objetivo é entregar o Vitória na Série A. O clube está crescendo muito em estrutura, e nós temos a responsabilidade de acompanhar esse crescimento dentro de campo."

Fernanda Lanza conta detalhes para superar Maratona de Boston e projeta futuro no esporte
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

A baiana Fernanda Lanza esteve entre os 592 brasileiros que completaram a tradicional Maratona de Boston, realizada no dia 21 de abril, nos Estados Unidos. A atleta cruzou a linha de chegada em 3h21min, ficando com a posição 10.348 da classificação geral, depois de enfrentar temperaturas baixíssimas e um percurso desafiador.

 

Considerada como um dos maiores palcos do mundo das corridas, a 129ª edição  da Maratona de Boston contou com 31.941 inscritos. Em 2025, atletas de 129 nações diferentes representaram seus países.

 

Em 2013, a corrida passou por um episódio triste. O atentado à Maratona de Boston aconteceu a poucos metros da linha de chegada do trajeto, ocasionando a morte de três vítimas e deixando mais de 200 feridos.

 

A maratonista soteropolitana está escrevendo sua caminhada no esporte. Além da maratona de Boston, Lanza completou outras corridas, em Salvador e no Rio de Janeiro. A capital baiana serviu como laboratório para que ela se preparasse para o capítulo nos Estados Unidos.

 

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Fernanda falou sobre o início da sua trajetória nas corridas, a preparação para a prova mais importante da carreira e os próximos planos.

 

 

Foto: Alana Dias/Bahia Notícias
 

 

Você começou a correr com o objetivo de se tornar uma atleta profissional?
Comecei a correr na pandemia, como muita gente. Com tudo fechado, correr era a única atividade física possível. Inicialmente foi por estética, para perder peso, mas fui vendo minha evolução e me empolgando. Um professor de CrossFit me viu correndo e ofereceu ajuda com planilhas de corrida. A partir daí comecei a fazer distâncias maiores, até que corri meus primeiros 42 km por conta própria, antes mesmo da volta das provas oficiais. Com meu treinador atual, Choquito, já fiz cerca de seis maratonas. Rio, Salvador, outras locais e agora Boston.

 

Como foi o processo de preparação especificamente para a maratona Boston?
A preparação começou em janeiro e durou pouco mais de três meses. É um volume muito maior do que em outras provas. Foi difícil porque em Salvador é verão, tem carnaval, calor, e eu estava treinando praticamente sozinha. A diferença climática era o meu maior medo. Uma semana antes da prova, chegou a nevar em Boston. No dia da maratona estava muito frio. Foi tão difícil que fui direto para o posto médico depois da linha de chegada. Quase tive uma gastroenterite de tanto frio. Foi a prova mais difícil que já fiz.

 

Você imaginava passar por tudo isso durante a prova em Boston?
Não. Fiz a primeira metade bem, mas depois o frio aumentou, a sensação térmica caiu e parecia que o corpo travava. Cruzei a linha de chegada tremendo. Fui direto para ser aquecida com botas térmicas, bebidas quentes e roupas secas. Não fiz meu melhor tempo, mas terminar Boston já foi uma conquista. Foi incrível. Não fiz meu melhor tempo, mas terminar Boston já foi uma conquista. Foi incrível.



 

Você pensa em correr outros percursos majors?
Com certeza. Já tenho índice para Boston e Chicago. As outras são por sorteio. Talvez tente uma dessas no ano que vem. Agora quero focar em provas de 21 km. Gostaria de correr Berlim, Tóquio ou Londres. Tóquio talvez seja a mais difícil por conta do fuso e da adaptação. Tenho o objetivo de completar as provas majors e conquistar a mandala. Há um ano eu nem pensava nisso, mas veio após a Maratona do Rio, quando consegui o índice, eu lutei para estar lá. Mas há um ano atrás eu nem sonhava com isso.

 

Foto: Divulgação

 

Você acredita que teremos mais brasileiros na maratona de Boston?
Com certeza. Eu acho que a maratona de Boston de todas as Majors é a mais desejada pelos corredores. Vem se popularizando muito, tanto que nesse ano, para se inscrever além do tempo de qualificação, tem um tempo de corte. Não basta ter o tempo de qualificação para conseguir a inscrição. Nesse ano, fora o ano que voltou da pandemia, que foi uma quantidade reduzida de inscrições, esse o tempo de corte foi mais alto por conta disso. Antes os tempos de corte eram de 2 minutos e pouco, 3 minutos e pouco. Esse ano foi 6 minutos e pouco. Então, muita gente ficou de fora por questões de segundos. Na minha opinião, a tendência é que esse tempo de corte aumente. Tanto que para o ano que vem os tempos de qualificação já diminuíram. 

 

De alguma forma, o atentado que ocorreu na linha de chegada da Maratona de Boston em 2013 te deixou receosa?
Em relação à lembrança do atentado de Boston em 2013, não senti nenhum receio. A prova tem uma segurança impecável. Há policiamento por toda parte. Me senti segura o tempo todo. Hoje é uma prova muito bem organizada, uma segurança onde você olha e tem alguém da polícia. 

 

Qual mensagem sobre a prática esportiva você passa para as pessoas?
O esporte muda vidas. Você começa por estética ou saúde, mas descobre que vai além: melhora a mente, a autoestima. É uma prova de que você é capaz de fazer o que achava impossível. Correr virou parte de mim, uma terapia. O pódio é consequência da disciplina. Não é só questão de competir, de ganhar troféu, de ir para pódio, é a questão de estar ali se superando, fazendo coisas difíceis que você acha achou que nunca faria. 

Basquete, vôlei, trabalho com a SAF e mais: Emerson Ferretti detalha projetos e desafios para 2025
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

Presidente da Associação do Esporte Clube Bahia, Emerson Ferretti concedeu entrevista exclusiva ao Bahia Notícias para falar sobre os principais temas relacionados ao clube, que agora vive caminhos distintos do futebol. Entre os assuntos tratados na entrevista, novos esportes, manutenção das atuais modalidades e prestações de contas da SAF foram os mais abordados pela reportagem.

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.

 

Emerson começou realizando uma avaliação do primeiro ano do clube associativo pós-closing do negócio com o Grupo City, que comanda o futebol do Tricolor. “Foi um ano bastante desafiador por ser a primeira gestão pós-closing com a entrega do futebol ao Grupo City. A gente precisou iniciar um trabalho, ainda estamos iniciando um trabalho para além do futebol, dando vida a esse Bahia, que antes era um clube que só tinha futebol e que agora não tem mais futebol e que precisa ter vida de outras formas”, disse Ferretti.

 

O presidente destacou os principais objetivos que a nova gestão precisou organizar para dar início ao trabalho. “Entramos primeiro para entender isso tudo, entender a relação com a SAF e com o Grupo City, que é uma das nossas funções e responsabilidades, de fiscalizar esse contrato e o trabalho que está sendo feito na SAF, mas também de começar a estudar o cenário das outras modalidades esportivas, para que o Bahia pudesse iniciar o trabalho que seja perene e que se mantenha além da gestão atual e que sirva de base para que o Bahia se torne uma potência olímpica, nesse primeiro momento na região nordeste, esse é o grande objetivo”, continuou.

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.

 

Emerson ainda falou que o primeiro ano foi mais de estudo para entender como funciona o meio esportivo local. “Foi um ano de muita conversa e muito estudo com muita gente para entender como é o esporte aqui da Bahia nas outras modalidades, conhecendo as outras que fazem o esporte local, para fazermos escolhas já que neste momento não podemos abraçar todos os esportes”, concluiu.

 

Dos esportes já desenvolvidos pelo clube, o presidente confirmou a manutenção das quatro modalidades para a temporada de 2025: “A gente conseguiu iniciar quatro modalidades: o rally, com o título baiano; o futevôlei, que ficamos em 4º lugar na liga nacional; a corrida de rua, que foi um sucesso com mais de 3 mil tricolores nas ruas; e também o MMA, que já fizemos uma seletiva para montar a equipe do Bahia. Essas quatro modalidades já são uma realidade e serão mantidas para 2025.”

 

Projetando um trabalho mais a fundo no esporte baiano, o clube pretende atrair jovens atletas criando uma espécie de “categoria de base” para o desenvolvimento de jovens e adolescentes no clube.

 

“No futevôlei estamos estruturando um projeto de escolinhas do clube para serem implementadas. Na corrida de rua já temos duas programadas para esse ano e o MMA, provavelmente até abril teremos um novo evento de MMA aqui em Salvador”, declarou.

 

“Em outras modalidades já estamos com projetos prontos já em fase de captação de patrocínio para que a gente possa ter viabilidade econômica”, completou.

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.

 

Um dos principais clamores da torcida para com a associação é a criação de uma equipe de basquete para que o Bahia dispute a principal competição nacional da categoria, o Novo Basquete Brasil (NBB). Emerson revelou ser um desejo do clube também, que já houve tratativas, mas que, neste momento, o Bahia esbarra no fator financeiro.

 

“Um dos grandes limitadores nossos é o fator financeiro. O Bahia Associação não é um clube rico. Então, tem limitações financeiras e o basquete adulto, esse basquete que se joga na NBB é um esporte que realmente precisa ter um investimento bem grande. A vontade de estar na NBB existe, eu já tive duas reuniões na NBB para tentar entender essa possível entrada do clube e as condições que precisam para entrar. Tudo depende da captação de patrocínio e de verba. Seja através de leis de incentivo ao esporte ou de patrocínio direto para poder montar a equipe de basquete e estar disputando a NBB. O desejo existe, os contatos já foram feitos e para ser bem sincero, falta o dinheiro para pôr isso em prática”, revelou o mandatário.

 

Outro esporte queridinho da torcida, o vôlei, é mais um que está sendo desenvolvido pelo Bahia.  No primeiro momento, o clube vai investir somente no vôlei de praia, abrigando ambos os gêneros e fazendo uma prospecção de talentos desde o Sub-15. Além disso, Emerson revelou já ter um projeto pronto para o vôlei de quadra ser desenvolvido no clube.

 

“Vamos iniciar o vôlei de praia em fevereiro, já estamos finalizando os últimos ajustes para poder iniciar as atividades com o vôlei de praia. Estamos com um projeto pronto para o vôlei de quadra e vamos iniciar as atividades, num primeiro momento com os times de base, mas com a ideia de chegar e disputar uma competição profissional, queremos chegar à Liga Nacional. Num primeiro momento a Liga C, pois temos que começar por baixo, mas já estamos com o projeto pronto e conversando com patrocinadores… E eu acho que em pouco tempo a gente já deve iniciar as atividades, tanto no feminino quanto no masculino, assim como o vôlei de quadra, que vamos ter os dois gêneros”, disse.

 

“Todas as categorias. A ideia é, já neste ano, disputarmos o circuito nacional e ter todas as categorias de base: Sub-21, Sub-17, Sub-15. E aí é fazer a prospecção de novos talentos aqui e a gente imagina que vai acabar mexendo um pouco no cenário dos jovens e adolescentes que gostam do vôlei de praia e vão ter oportunidade de se mostrarem e serem escolhidos pelo Esporte Clube Bahia. Mas a ideia é ter todas as categorias e iniciá-las já este ano”, afirmou.

 

“Estamos andando, mas sempre com os pés no chão, pois é como eu falei no início: estamos com a responsabilidade de montar uma base olímpica, com projetos que se sustentem a médio e longo prazo, nada de curto prazo. Para montarmos uma base forte, um alicerce olímpico forte, a gente primeiro precisa estudar bem para dar os passos certos”, completou.

 


Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias.

 

Ferretti também falou sobre a possibilidade de firmar uma parceira com o Comitê Brasileiro de Clubes, o CBC, para o desenvolvimento de outras modalidades dentro do clube.

 

“O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) é uma instituição que está dentro do sistema nacional de esportes, ele recebe recursos públicos para serem distribuídos para os clubes esportivos que são formadores de atletas olímpicos. Então ele é o principal fomentador do esporte olímpico brasileiro. Já que os clubes fazem esse trabalho, ele é o principal fomentador. Então uma das primeiras ações que a gente fez foi simplesmente filiar o Bahia ao CBC, já que o clube não era filiado. E a gente tem uma relação muito próxima, o CBC realmente tem essa capacidade de transferir receitas que transformam a realidade dos clubes, o Flamengo é um deles. Logicamente que existem requisitos a serem preenchidos e como o Bahia está iniciando um programa olímpico, estamos apenas engatinhando, vamos dizer assim, mas muito em breve a gente já vai ter condições de ter esses recursos do CBC, como qualquer outro clube brasileiro que preencha os requisitos”, explicou.

 

Emerson revelou uma possível parceira futura com o CBC para a criação do Boxe do Bahia, aproveitando que a Bahia é um dos polos que mais fornecem atletas olímpicos para o país na modalidade.

 

“A gente já tem uma conversa mais estreita com o CBC no sentido de investir em uma modalidade que é muito forte aqui e que é um desejo do CBC de fomentar essa modalidade, e aqui temos os talentos, que é o boxe. Há uma conversa mais próxima de fazer esse trabalho em conjunto nessa modalidade que é o Boxe do Bahia, que ainda não iniciou, mas que existe essa vontade mútua de desenvolver o Boxe aqui na Bahia”, declarou.

 

Confira outros pontos abordados na entrevista:

 

Como tem sido as prestações de conta da SAF?
Temos uma série de obrigações mútuas no contrato, isso a gente tem acompanhado de perto, todo o trabalho que a SAF faz e todas as obrigações do contrato precisam ser respeitadas. Entre elas a prestação de contas, principalmente para mim, que sou membro do conselho de administração da SAF, mas está tudo dentro do previsto, dentro do programado. Nos primeiros anos é normal ter mais investimentos que receitas na SAF, já estava previsto e é natural. Tudo está dentro do que o contrato reza.

 

Como anda as conversas para a criação das sedes (esportiva e cultural) do clube?
Ambos os projetos estão em andamento e ambos dependem do setor público e de recursos públicos, e isso infelizmente não anda tão rápido como a gente imagina. Mas em ambos já demos início, mas ainda não estão formatados. Mas a gente continua trabalhando em cima. A ideia é ter uma sede cultural no Pelourinho para realizarmos projetos sociais e culturais e também a nossa casa, nosso centro olímpico, para termos os nossos atletas e as nossas equipes treinando.

 

Existe uma parceria entre o clube e os poderes públicos?

Num primeiro momento a conversa foi no sentido de que o trabalho do Bahia associação é investir nos esportes olímpicos e isso não precisa nem dizer a prefeitura e ao Governo do estado o quão importante e transformador isso pode ser. O Bahia entrando com força nessas modalidades, acredito que acaba estimulando outros clubes a fazerem o mesmo. Os talentos baianos acabam tendo um clube aqui para se desenvolver e não precisar sair da Bahia para poder continuar a carreira. Esse é um dos grandes objetivos, ter um clube aqui para poder absorver esses talentos e fazer com que a Bahia comece a ser um polo de retenção e não de exportação de atletas. Eles entenderam e logicamente, dentro das possibilidades de Governo e Prefeitura, se colocaram à disposição para ajudar, mas efetivamente ainda não temos nenhum projeto em conjunto a não ser os dois que falei: Centro Cultural a gente tem dialogado muito com o Governo do Estado e o Centro Esportivo com a Prefeitura.

 

Pôquer aparece como uma nova modalidade no clube?

A gente também está com um projeto de pôquer, que foi agora em novembro reconhecido como esporte da mente, assim como o xadrez. Então deixa um pouco de ser marginalizado. E a gente está também montando um projeto e quando falamos em pôquer a gente descobre um mundo que já é bem difundido e com muitos adeptos.

 

Existiu alguma possibilidade do clube desenvolver o E-Sports?
Pensamos desde o início, mas, no contrato com o Grupo City, essa responsabilidade de exploração ficou com o Bahia SAF.

Diretora da FBF, Taíse Galvão comenta retorno da Copa Governador e possibilidade de torcida mista no Ba-Vi
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

Os clubes de destaque do futebol baiano, após o fim do Campeonato Brasileiro, cravaram uma campanha histórica ao ficar entre os onze melhores times do país. Na temporada 2024, o Bahia ficou com a 8ª colocação, e garantiu a tão sonhada vaga para a Copa Libertadores 2025, após 35 anos de jejum. Já o Vitória, depois de sete anos sem disputar um campeonato internacional, assegurou a 11ª colocação e a vaga para a Copa Sul-Americana da próxima temporada.

 

Na diretoria de competições da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Taíse Silva Galvão acompanhou a evolução e o avanço das equipes do estado, desde a base até o profissional. A comandante, que conta com o único nome diante dos cargos mais altos da entidade, em entrevista exclusiva para o Bahia Notícias, falou sua rotina na Federação, a possível volta da torcida mista nos Ba-Vis e as expectativas para a possibilidade de ter Salvador como Cidade-Sede na Copa do Mundo Feminina de 2027. 

 

 Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

 


No final de novembro, o Ministério Público da Bahia projetou o final da torcida única nas disputas entre Bahia e Vitória em 2025, até por conta do duelo de número 500. Quais são as últimas atualizações sobre o tema? Qual o posicionamento da FBF quanto a isso?

A Federação acredita que é importante sim que tenha ambas as equipes, mas que para isso a gente precisa desse apoio. É imprescindível. Em todas as nossas competições, nós temos um parceiro que é a Polícia Militar. Então, a Polícia Militar é que tem esse conhecimento para poder entender se esse retorno seria um retorno positivo, se há garantias de que teríamos segurança, afinal de contas, infelizmente nós tivemos muitos fatos que levaram a essa essa definição por torcida única. Então assim é um entendimento do Ministério Público e a Federação certamente deverá ser chamada em reunião, como ocorre sempre. São reuniões que envolvem não só as torcidas de Bahia e de Vitória, como também a presença do Ministério Público, da Federação e da Polícia Militar. Então, em reunião certamente vamos chegar a uma conclusão de qual será o melhor caminho. Nós estamos com a Polícia Militar, se disseram que garante a segurança com relação a essas partidas, a esse retorno, a Federação, ela vota junto com a Polícia. 

 


Como é sua rotina como diretora de competições da Federação Bahiana de Futebol?

Eu atuo na organização e no planejamento das competições organizadas pela Federação Bahiana de Futebol, tanto as competições profissionais, de base e futebol feminino. Então, o meu trabalho não começa no ano, se inicia no ano anterior.  Eu planejo o calendário de competições com base no calendário nacional. Vou fazendo um planejamento de como é que seria a nossa competição com base nas datas que temos disponíveis para realizarmos as nossas competições. No primeiro semestre, normalmente, começamos o ano com a Série A, depois vem Série B, sub-20 e as demais competições. 

 

No Conselho Técnico do Campeonato Baiano, em novembro, foi conversada a ideia de uma competição para os clubes baianos em 2025, que começaria de 15 a 20 dias após o Baianão e ainda valeria uma vaga para a Copa do Brasil 2026; o que já tem definido? 

Para 2025 vamos retomar a Copa Governador do Estado. Foi algo decidido na reunião do Conselho Técnico, então, para 2025, após o Campeonato Baiano vai acontecer a Copa Governador, que tem a intenção de fazer com que esses clubes que não vão passar para a semifinal, possam estar atuando assim como os demais. Essa competição vai valer vaga para uma competição nacional que é a Copa do Brasil. Os clubes da Série D também vão poder participar da competição e utilizá-la como preparação para a própria Série D.

 


Qual a avaliação da temporada 2024 como um todo e quais novidades podemos esperar para a temporada 2025?

Fechamos com o Intermunicipal agora, em meados de novembro, e nós terminamos com um saldo extremamente positivo. Nós tivemos, no primeiro semestre, o Campeonato Baiano que trouxe uma final que não acontecia desde 2018, que foi o Ba-Vi, que mostrou a força das duas torcidas, Mesmo que não se encontrem ainda em campo, mas todo o apoio e amor que a torcida tem, quando se fala em Ba-Vi. Envolve não só o estado como também todo mundo que está acompanhando pelo Brasil e pelo mundo afora.  Além disso nós também tivemos uma série B extremamente disputada, tivemos clubes extremamente é tradicional, mas também tivemos a participação de clubes estreantes, que no caso foi o SSA, que já atuava na base, e o Porto, que conquistou, através do bom desempenho deles, de todo o elenco, conquistaram uma vaga na elite e esse ano já estão entre os clubes que vão estrear na série A de 2025. Tivemos as competições de base, sub-15, sub-17 e sub-20, que são extremamente disputadas. Também tivemos de novidade o futebol feminino adulto com a obrigatoriedade da participação dos clubes da série A, e com isso a gente teve um olhar mais atento a esses clubes. Chegou o momento de estar investindo também nessa modalidade.

 

Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

 

Quais são as expectativas para a Copa do Mundo de 2027 que vai acontecer no Brasil e, possivelmente, ter Salvador como cidade-sede?

Enxergo como um divisor de águas para o futebol feminino. É um momento, não só na cidade onde tem um investimento, uma infraestrutura e o turismo, como também mostrar que o torcedor Baiano, até mesmo pela tradição com futebol, em especial com o futebol feminino, não é de agora. Tantos talentos já saíram daqui da Bahia e ainda estão aí na vitrine no futebol mundial como por exemplo Rafaelle Leone. Ela atuou muito pelo Campeonato Baiano e hoje ela está há muito tempo aí na seleção dando sua contribuição. Então, com certeza vai ser algo super positivo. O momento é esse de chamar mais mulheres para poder trabalhar com futebol. Permitir que tenhamos mais competições Para que essas meninas possam estar mais preparadas e sejam bem aproveitadas, não só na Copa, mas pós Copa, porque vai ter legado dessa Copa. Temos que entender que isso é uma oportunidade única que todo mundo deve se juntar para se unir e abraçar.

 


Dentre os nomes da diretoria da Federação a senhora é a única mulher. Como é trabalhar em um meio predominantemente masculino. Sente isso afetar no dia a dia? 

Há um tempo atrás isso realmente existia. Era uma resistência, por eu ser mulher e pelo meio ser majoritariamente masculino. Tinham olhares de desconfiança, mas eu acho que com trabalho e mantendo o tempo todo buscando conhecer e mostrando isso, na prática, que você não está ali a passeio. Que você está ali buscando somar, afinal de contas o futebol, não é só um esporte. É uma paixão nacional e Mundial, então quando uma mulher se propõe a estar num ambiente extremamente masculino, ela precisa se preparar para aquilo e eu acredito que até muito mais do que um homem. Porque ela tem que provar a todo o instante que eu estou aqui por mérito, por capacidade, porque eu entendo. Não estou aqui por que alguém me indicou. Hoje eu fico feliz que, embora na Federação, eu seja a única na diretoria, lá nós temos muitas mulheres extremamente capacitadas atuando em várias áreas, na arbitragem, na contabilidade, em vários setores. Mas eu também vejo e fico feliz que hoje, diferente do início, eu vejo mais mulheres nos estádios. Eu vejo mulheres como repórteres, vejo mulheres como membros das comissões técnicas. Cargos e funções que eram extremamente voltadas para homens. Hoje eu vejo mulheres como técnicas também e em diversas áreas. Em breve espero que esse número aumente e que entendam que se for da vontade e do esforço delas, as mulheres também podem conquistar o seu espaço. 

 

Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

 

Como a Federação encara a questão do calendário visto que Bahia e Vitória irão começar o Campeonato Baiano com equipes alternativas por conta do pouco para pré-temporada?

A gente entende que a cada momento os clubes vão se destacando. Com isso, eles vão tendo que participar de mais competições. Por isso, se há mais competições, utiliza-se mais datas , então as datas vão se espremendo. Também existem várias competições simultâneas acontecendo ou uma concluindo e a outra já iniciando. Então não tem outra saída. As alternativas que a gente encontra é a que seja a melhor possível. Acho que não é um desejo do Bahia nem do Vitória iniciarem uma competição sem o time principal, mas a pré-temporada precisa ser respeitada. Nós encaramos isso de forma normal. 
 

Ricardo Caldeira e Evandro "Vovô" lançam podcast para fomentar Jiu-Jitsu e MMA na Bahia
Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

Caminhando diariamente para apoiar o crescimento do jiu-jitsu, Ricardo Caldeira e Evandro "Vovô" Nascimento seguem na missão de elevar ainda mais o esporte na Bahia, conciliando competições e gestão de projetos. Com o novo podcast "Vida no Tatame", os dois atletas e responsáveis por gerir a Federação de Jiu-Jitsu migram da rádio para o YouTube, visando ampliar o alcance da modalidade na Bahia, trazendo mais interação com o público e prometendo debates mais 'acalorados' nos programas.

 

Com mais de 20 anos de carreira, Evandro e Ricardo utilizaram as artes marciais como uma válvula de escape para mudar de vida. O objetivo de ambos era inicialmente diferente, mas tinham o mesmo propósito: competir e auxiliar na busca pelo crescimento do esporte e capacitação de mais profissionais. Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, Caldeira e "Vovô" iniciaram falando sobre a história de ambos, e como criaram afeto com o jiu-jitsu e desenvolveram afinidade com o esporte em geral.

 

Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

 

"Sempre gostei de esporte de luta e praticar esporte. Comecei a treinar jiu-jitsu na época que eu estava com sobrepeso. Estava um pouquinho pesado e achando que tinha que cuidar melhor da saúde. Quando eu vi meu filho mais velho, que hoje tem 27 anos, pensei: "Tenho que me cuidar se não eu não vou ver ele crescendo". Comecei a treinar e fui tomando gosto, participei de competição, de evento, e ai uma coisa puxou a outra. Com os eventos grandes acontecendo, começamos a ter ideia de poder fazer evento aqui. A gente se conheceu, éramos da mesma equipe e nos juntamos pra criar a Federação de Jiu-Jitus, estamos a frente até hoje, já são 15 anos. Conhecemos o presidente da Federação de Mhuay-Thay, que nos pediu ajuda por conta do esporte ser realizado de maneira amadora, assumimos e estamos nessa guerra para organizar as coisas.", relembrou Ricardo.

 

"Começou tem 30 anos. O jiu-jitsu veio como uma espécie de lazer e condicionamento físico até a coisa ir ficando séria. Fui competindo até a gente criar nossa própria equipe e formar vários professores faixas pretas. Num segundo momento veio a ideia de criar a Federação de Jiu-Jitsu e de MMA, que já tem 15 anos. É com esse trabalho que a coisa se ampliou e a gente toca aqui, administra a Federação muay thai tradicional. Fomos procurados pela Confederação e a Federação de Kick Boxing", resumiu Evandro. Confira a entrevista completa:

 

Como é conciliar as competições com a gestão dos projetos?

Ricardo: Não é fácil, né?. A gente tem uma vida muito corrida e cuidar da gestão do esporte é talvez mais complicada e mais difícil do que você ser atleta competidor que é uma vida bem regrada de sacrifício. Eu já tenho 53 anos, então hoje eu participo de competição, luto e tudo, mas é por amor. A gente consegue achar uma brecha entre um trabalho e outro a gente acha uma brecha para treinar. É a minha vida, né? Eu vivo disso. Eu dou aula, eu pratico atividade como um atleta e profissionalmente eu vivo da academia.

 

Evandro: A gente tem uma atividade principal, que é a nossa gestão então, diria que uma atividade empresarial. Gerimos não só uma entidade, mas mais de várias entidades. A gente também dá suporte a outras federações. Nós temos essas parcerias e competir acaba sendo mesmo uma válvula de escape. Faz um treinamento, faz interação social durante as viagens e busca trazer a as novidade para a Bahia também. É uma forma da gente enxergar as tendências e ver como é que tá funcionando os eventos fora do país.

 

Com unir esse esporte de alto rendimento com a idade um pouco mais elevada?

Ricardo: A gente pratica esporte há muitos anos e pra mim, eu me considero bem de saúde, sinto que estou bem. Estou melhor do que quando eu tinha 30 anos e, apesar da idade mais jovem,  eu cometia alguns excessos. Com a idade a gente passou a cuidar mais da saúde. Tem essa questão de querer competir e isso nos dá objetivos específicos: me faz treinar mais e cuidar da alimentação. Lógico que não vou me comparar com um jovem diz de 20 anos, né? Mas pra minha idade eu me sinto bem.

 

Evandro: Considero que já estive no meu auge. Quando eu competia - e sempre competi- conquistei todos os principais títulos numa fase mais focada. Eu não consigo mais ter esse foco. Como eu falei, minha motivação não é continuar em atividade, ver as tendências e estar dentro desse processo. Não me considero estar na minha melhor fase hoje, acho que já passou.

 

Com surgiu a ideia do novo projeto de podcast, "Vida no Tatame"?

Ricardo: O "Vida no Tatame" começou como um programa de rádio. A gente pensou ele para um programa de rádio que era ao vivo todos os sábados. Aqui a gente pensou de poder ter um espaço. A gente sabe que o esporte amador é meio fraco de cobertura. Apesar da gente ter o Bahia Notícias, que ajuda bastante, a gente tem dificuldade de divulgar os trabalhos que são feitos com as modalidades que a gente pratica e está à frente. É uma forma também de divulgar o trabalho dos esportes de lutas de arte marciais que são realizados na Bahia, tem um potencial muito grande. A gente tem campeões olímpicos de boxe, com campeões mundiais de tudo quanto é modalidade. A gente começou com cobertura de UFC, com cobertura dos eventos, dando oportunidade para os professores poderem divulgar o seu trabalho e os seus projetos para os atletas buscarem patrocínio, e patrocinadores precisam de mídia. É um negócio muito corrido, antes era puxado pra gente porque era ao vivo todo sábado. A gente tem muita participação do público, de vez em quando rolam umas briguinhas intencionais ou não intencionais nos debates mais acalorados, mas faz parte sim. A gente veio com a ideia do podcast porque a gente consegue atingir um público muito maior em determinados horários. O programa ficou mais interativo, então a ideia de podcast também foi aproveitar esse crescimento absurdo da internet.

 

Foto: Alana Dias / Bahia Notícias


Como estão avaliando o crescimento do Jiu-Jitsu na Bahia?


Evandro: Ele tem crescido muito. É uma disputa voraz de mercado com a lei geral do esporte, que propicia você abrir quantas federações forem necessários. São muitos eventos e muitas federações e a gente tá nessa guerra pelo público, que é muito grande não só na capital, mas também no interior. A gente tem buscado ser a vanguarda, sair na frente para poder tentar se manter nessa mesma crescente. Eu vejo o jiu-jitsu de uma forma muito capilarizada em todos os locais e em todos os bairros. Ele tá em bairros ricos, pobres, projetos sociais e de todo tipo. O esporte é muito democrático.

 

Foto: Alana Dias / Bahia Notícias

 

Como o atleta consegue lidar com a frustração de não ser reconhecido?

Ricardo: No jiu-jitsu, o cara que é campeão mundial é considerado o maior. O momento internacional conta muito, porque como a gente falou, tem essa questão dos mundiais de jiu-jitsu, existe um genérico e um oficial. Eles têm sucesso na carreira profissional também, são atletas reconhecidos e muito bem pagos pelo que eles fazem nas competições. As vezes não dá um retorno financeiro de imediato, mas o status de ser campeão mundial oferece a eles oportunidades de estarem ministrando cursos, seminários, de terem equipes, de vender equipamento e de fechar patrocínio ganhando muito bem, a gente tem muito isso. Entre os campeões mundiais não existe ninguém com dificuldade financeira, tenho certeza disso. É por isso que o jiu-jitsu é uma modalidade diferente, ela tem um mercado próprio que consome muito aqui no Brasil, ainda mais que 95%/98% dos campeões mundiais são brasileiros, né? A gente tem poucos estrangeiros que já conseguiram chegar lá.

Três anos após voltar à ativa, Federação Baiana de Arco e Flecha traz duas competições nacionais para o estado
Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

Com apenas três anos de fundação, a Federação Baiana de Arco e Flecha já consegue dar passos de gente grande. A entidade trouxe duas competições nacionais para serem disputadas na Bahia neste ano, ambas no segundo semestre. A primeira é o Brasileiro Field marcada para o dia da Independência do estado, 2 de Julho, em Mata de São João, enquanto a segunda será o Campeonato Open Brasileiro programado para setembro, no estádio de Pituaçu, em Salvador. Quem anunciou foi Renata Barros, presidente da federação, em entrevista exclusiva concedida no estúdio do Bahia Notícias.

 

A dirigente, de 34 anos, começou a atirar suas primeiras flechas em 2012 e teve uma rápida ascensão desde que começou a participar de competições profissionais há dois anos. Os bons resultados, levaram a bióloga de formação, que trabalha no setor administrativo na área de Recursos Humanos, à seleção brasileira da modalidade para representar o país em competições internacionais. "Sempre tive o sonho de viajar para competir". Além de contar sua trajetória no esporte que foi praticamente uma paixão à primeira vista, ela também fala da luta para trazer a Federação Baiana à ativa, da criação do seu próprio clube, e analisa o cenário do Tiro com Arco no estado e no Brasil, além de projetar a possibilidade de algum brasileiro trazer uma medalha dos Jogos Olímpicos de Paris-2024, que acontecem entre os dias 26 de julho e 11 de agosto.

 

Foto: Divulgação

 

Fala um pouco como foi que você começou no Tiro com Arco, que não é uma modalidade muito comum no Brasil e na Bahia. Como foi seu início e suas inspirações?

Gosto de brincar que quando eu comecei tudo ainda era mato, porque realmente não tinha o esporte quando comecei. Exista um grupo que fazia atividades medievais e dentro dessas atividades tinha o arco e flecha, mas era de forma recreativa. Eu conheci justamente esse grupo num evento de cultura pop japonesa e me apaixonei. Fui ao encontro deles, que nesse dia ia ter arco e flecha, ainda cheguei atrasada, porque errei o local. Já que eu cheguei atrasada, me deram o arco de qualquer jeito, tipo "se vira aí, perdeu a instrução". Eu atirei, fui péssima, era a pior da turma. Só que eu era apaixonada por essa cultura nerd, essa coisa de elfo e tal. E eu queria ser elfo, me imaginava um elfo. Só que para os padrões elfos que são altos, magros, eu era totalmente fora dos padrões. Na época, que foi em 2012, era muito fechado a gordofobia e essas coisas eram muito fortes, aí eu não poderia ser elfo, porque estava fora dos padrões. Eu pensei: "É? Então está bom, vou atirar melhor do que os elfos". Aí comecei a treinar bastante. Só em 2018 me profissionalizei mesmo, comecei a me apaixonar. Fui para Maceió fazer um curso de instrutor pela Confederação Brasileira e lá as portas foram se abrindo para o esporte propriamente dito. Aí eu vi como é que era e depois que conheci a atividade, queria atirar de longas distâncias. Depois fiz o curso 2 e comecei a competir e levar de forma mais profissional.

 

Qual foi o custo neste início com o material?
Então, na época eu ganhei do meu atual técnico, Paulo Merlino, que me deu o primeiro arco de presente. Na verdade, aqui na Bahia a gente recebeu um senhor chamado Mauri, que já era atleta de anos e veio para cá, porque ele é engenheiro e veio fazer uma obra. Ele procurou nosso grupo de atividades medievais, porque queria implantar essa semente esportiva aqui. Aí as primeiras aulas dele nos guiando para o mundo do esporte foi graças a ele que trouxe equipamentos, tudo de doação. A partir disso que eu fui para Maceió fazer o curso. Depois ganhei meu próprio equipamento de presente do meu técnico e comecei a me dedicar, participar das primeiras competições. No início era difícil, porque a gente ficou meio autodidata. Tinha ajuda de Mauri, mas ele não estava disponível para dar aula para a gente. Então, fomos buscando, estudando. Fomos ao Rio de Janeiro para a Confederação Brasileira para verificar formas de nos profissionalizarmos aqui na Bahia. E foi assim o surgimento da Federação Baiana que sou a fundadora e atual presidente.

 

A fundação da Federação foi em que ano?
A Federação Baiana, a gente só conseguiu formalizar mesmo em 2021. Mas desde 2014 que estávamos tentando fazer isso, porque já existia uma federação que era fantasma e ninguém sabia quem era. A gente lutou desde essa época até 2021 para quebrar e assim formar uma federação que fosse realmente ativa.

 

E as competições daqui como eram nessa época "do mato" e como ficaram depois que a federação foi fundada por você?
Existem duas entidades, a Field, que é a IFAA, entidade que é mais família, menos burocrática e temos a World Archery, que é quem organiza os Mundiais e Olimpíadas. Nessa época, a gente não podia fazer torneios ligados à World Archery, porque não tinha federação, então fazíamos os torneios pelas Field, que é essa outra entidade menor, mas que qualquer um hoje pode fazer um polo. Então, a gente fazia esses campeonatos mais amadores até a fundação. Antes da gente conseguir fundar, tivemos o apoio do pessoal da Federação do Maranhão e da Federação de Sergipe. Então, nos federamos no Maranhão, inclusive temos o campeão brasileiro que é o meu técnico, pelo Maranhão. Infelizmente, porque a gente queria estar representando a Bahia. Também nos federamos por Sergipe. Aí depois a gente conseguiu, tanto que na nossa camisa da Federação, temos o apoio da Federação do Maranhão e de Sergipe.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

Em termos de calendário de competições aqui na Bahia como está?
Hoje nosso foco é justamente os campeonatos da Confederação Brasileira, já que fomos federados, né? Nós temos dois tipos de modalidades, o Indoor e Outdoor. O Indoor temos competições determinadas pela World Archery, pela Confederação Brasileira, que é a Brasil Arco. Por exemplo, vai ter uma competição sábado no país todo, que falamos que é competição indoor, uma competição de 18 metros de distância, que é uma distância curta dentro de uma quadra, um local fechado sem interferência de vento, o alvo é menor. Temos a modalidade Outdoor, que são 30 metros para quem está iniciando, 50 e 70 metros. Temos também categoria de 40m para criança. Nessa categoria a gente define o calendário. A Federação fez um calendário para durante o ano, que também é válido para o campeonato nacional. A gente vai fazendo as provas e os pontos vão gerando para o ranking nacional também, assim como para o baiano.

 

Quais os projetos da Federação para desenvolver o esporte no estado?
Hoje, nós apoiamos o projeto Menina Zeferina, que antes era um projeto da Federação, mas conseguimos apoiar os instrutores. Colocamos eles para fazerem o curso de instrutor e hoje o projeto anda sozinho, mas com nosso apoio. O projeto fica lá na Barragem do Cobre, no São Bartolomeu, e abarca crianças, adolescentes e adultos da região também. Além disso, ainda está em confecção, mas estamos com muita vontade de fazer um projeto com pessoas com deficiência. Já temos apoio e só estamos mesmo em busca de locais para conseguirmos fazer esse projeto com pessoas com deficiência. Mas projeto mesmo, estamos apoiando esse projeto social.

 

Quais são as novidades você pode nos trazer?
Nesse ano, a Federação vai sediar dois eventos nacionais aqui na Bahia. O primeiro vai ser no dia 2 de julho em Mata de São João, que será o Brasileiro Field, que é um campeonato numa trilha lá na Reserva do Sapiranga. Nesse campeonato, são vários alvos durante a trilha e os arqueiros vão em grupo fazendo esse percurso. É muito interessante e é um campeonato que não é muito visto aqui, e queremos que a partir desse, seja mais difundido. É uma caçada e a pessoa não sabe quantos metros vai estar o próximo alvo, se ele é de 40 ou de 20 centímetros, se vai estar no topo ou se vai estar inclinado. Mas é um alvo normal, não é de animal, nem nada disso, mas simula como se fosse uma caçada, porque é uma trilha. Melhor ainda será em setembro que vamos sediar o Campeonato Open Brasileiro, que é o mais importante do ano e será o 50º campeonato. Vai ser um evento comemorativo e eles escolheram a Bahia para sediar. Vai ser no estádio de Pituaçu e vai trazer os grandes atletas do país todo. Inclusive, o número 1 do mundo, que é brasileiro, Marcus D'Almeida. A gente pensa que o Brasil é o país do futebol, mas a gente tem o melhor do mundo do Tiro com Arco, apesar dos coreanos serem as grandes referências da modalidade, mas o melhor do mundo é brasileiro.

 

Voltando um pouco para Renata atleta. Como foi sua caminhada nas competições, sua estreia, e também hoje em dia que você foi convocado para a seleção para disputar o Pan-Americano?
Quando eu comecei a ir para o Campeonato Brasileiro pela primeira vez que foi lá em Maricá, fui por experiência mesmo. Lembro de ver a corda do arco vindo até mim, porque a gente puxa e traz a corda até a gente, tremendo. Fui péssima e fiquei em último lugar, porque era a minha primeira vez e eu estava muito nervosa. Eu saí dessa primeira competição com outra visão do mundo do tiro, conheci várias pessoas. Quando eu voltei, falei: "Eu vou mudar isso aqui, melhorar meu equipamento e treinar mais". Nesse mesmo ano, fui campeã da Copa Nordeste que foi na Paraíba. Desde então, comecei a me dedicar, treinar mais e vim galgando no ranking nacional. O ranking é gradativo, as pessoas vão somando as pontuações que são enviadas e ele vai sendo atualizado. Tanto que no ano passado cheguei a ficar em terceiro lugar por um período do ranking, mas depois fui caindo e fiquei em nono lugar, que era a minha expectativa de ficar. Nesse ano, eu pretendo ficar em pelo menos entre as cinco. Aí eu sempre tive o sonho de viajar para competir. Sempre falei: "Um dia vou juntar dinheiro e viajar para fora para competir, não importa o que seja, mas vou bater no peito e dizer que estou indo para competir". Aí esse sonho veio muito antes do que eu achava que aconteceria e melhor, representando o Brasil. Quando vieram falar comigo e me convidar para fazer parte, eu não acreditei. Para mim foi um felicidade, porque eu queria muito ser da seleção, mas eu pensava que seriam daqui a uns dois anos. Mas veio muito antes e para mim foi incrível, voltei da viagem com outra visão. Ainda mais que eu fui com uma expectativa que "ah, não sei se vou fazer bem". Quando cheguei lá consegui bater meu próprio recorde, me saí muito bem e fui pau a pau com a melhor do mundo. Eu perdi para ela na quartas de final, mas quando acabou as pessoas falaram: "Cara, você botou medo nela?". Claro que falando de brincadeira que eu tinha colocado medo nela, porque é a melhor do mundo, mas o pessoal ficou impressionado e eu fiquei mais ainda. Nunca pensamos que a gente pode. E agora voltei com gás acreditando mais em mim. Quero me manter na seleção, que é algo anual. Não é assim, uma vez na seleção e sempre será da seleção. É uma coisa anual, cada ano tem seus parâmetros e eu pretendo me manter.

 

Sua primeira competição pela Confederação Brasileira como atleta foi em que ano?
Foi em 2022.

 

É pouco tempo no caso.
É, por isso que falei que achava que poderia viajar para competir daqui a dois anos.

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

A viagem foi bancada pela Confederação?
Não. Quando eles fizeram o convite para eu participar, deixaram bem claro que os custos seriam arcados pelo próprio atleta. Eles iriam auxiliar com algumas coisas. Aí entrei em contato com a Sudesb pedindo passagens e eles me atenderam prontamente cedendo as passagens e eu tive ajuda de amigos e alguns empresários e consegui juntar a grana para fazer essa viagem, porque não é só a passagem, tenho que me manter lá também. Mas graças a Deus, não precisei tirar nada do meu bolso, a ajuda que consegui foi suficiente. É muita coisa que um atleta precisa, principalmente se for pensar em atleta olímpico, que vive para isso. Ele tira seis horas do seu dia para poder treinar. Quem hoje tem seis horas no dia para academia e tiro? Não tem, porque precisa trabalhar para pagar as contas. Por isso que estou em busca tanto do FazAtleta quanto do Viva Esporte do Município, porque aí, conseguindo isso, o céu é o limite. Sei que vou melhorar bastante. Eu consegui esse índice treinando capengamente. Então, tenho fé que quando eu conseguir, vou melhorar bastante.

 

Como foi que você fundou seu clube de tiro?
Desde quando me profissionalizei como instrutora, sempre dei aula. A gente tem outros clubes em Salvador e sempre dava aula para os outros, porque eu não tinha condições de comprar equipamento e tal, mas sempre me sentia presa, porque sempre tive minhas ideias de como daria a aula, de como conduzir, mas sempre tinha que seguir as regras de outros locais. Então, por isso que coloquei o nome [no clube] Asas, porque para mim são asas da liberdade (risos). Aí eu pensei em fundar o clube, guardei dinheiro e de pouquinho em pouquinho fui comprando equipamento sozinha. Eu ficava brincando que eu mesma era a menina do marketing, das compras, a instrutora, eu era tudo. Depois que consegui um sócio Gabriel Trettin e Cláudia Cardozo veio fazendo assessoria de mídia, o mundo se abriu. As coisas no clube saíram de 8 para 80, melhorou muito graças as essas ajudas, porque sozinha, realmente seria muito difícil.

 

E o clube funciona aonde?
Atualmente nossa sede fica em Brotas, mas já estamos nos mudando para o Clube Espanhol. O contrato com o Espanhol já está assinado.

 

Sua categoria é a barebow, que não faz parte do programa olímpico. Você tem o sonho de mudar de categoria para disputar uma Olimpíada um dia?
Eu entrei nessa modalidade, porque foi onde tudo começou. O barebow é uma categoria simples, porque a gente não usa mira, não usa estabilizador, é o arco cru, como o arco começou. A gente fica até brincando: "Poxa, era para ser o arco olímpico, porque é cru". Mas o arco olímpico já é cheio de apetrechos, o que é diferente. Eu sou apaixonada pelo barebow, não tenho pretensão de mudar de categoria, porque realmente sou apaixonada por essa categoria e que está em ascensão. Tem um movimento de um dia virar categoria olímpica. Então, eu pretendo continuar, porque além de eu ter destaque nela, quando virar olímpica, para mim já seria um pezinho para estar nas Olimpíadas. Então, não pretendo mudar por conta disso.

 

Além de você, tem outros atletas baianos que estão disputando o circuito nacional?
Tem, tem.

 

Como está o nível deles?
Tem o meu técnico Paulo Merlino. Ele está entre os 10 no masculino e também é o diretor técnico da Federação Baiana. Infelizmente ele não... Porque o índice masculino é maior para ser da seleção, mas ainda assim, ele poderia ter sido da seleção. Ainda cogitaram chamá-lo, mas por conta do calendário pessoal, ele não pôde ir. Tem Morena Saito, que hoje não está no cenário para ser uma atleta da seleção, mas juntamente comigo, foi uma das primeiras daqui da Bahia a ter destaque. O engraçado é que por mais que tenha mais homens, aqui as mulheres tiveram destaque primeiro. Eu e Morena sempre estivemos lado a lado, ela no arco olímpico e eu no barebow. Na entidade AIFA, que é diferente da World Archer, ela já tem recordes, já participou de competições internacionais da modalidade e teve bastante destaque. Ela atira na distância de 70 metros, a categoria dela é olímpica. A grande diferença do barebow para a olímpica são os apetrechos e também a distância. Ela atira a 70 metros e eu atiro a 50m, além das diferenças de um ter mira, estabilizador...

Foto: Igor Barreto / Bahia Notícias

 

Como você vê o nível do Brasil para os Jogos Olímpicos de Paris?
O Brasil tem crescido muito. A Brasil Arco tem feito um ótimo trabalho, mas hoje a nossa grande promessa mesmo é Marquinhos D'Almeida, que pode trazer realmente uma medalha. Tanto a possibilidade de ele trazer medalha no individual quanto na dupla mista.

 

Na Bahia, tem Morena Saito da categoria arco olímpico. Você acha que ela tem potencial para chegar nas Olimpíadas um dia?
Todo mundo tem potencial de chegar onde quiser, mas tem aquela questão. Hoje, Morena é mãe, então ela não tem o tempo que um atleta olímpico precisa para se dedicar. Acredito que se ela tivesse a mesma oportunidade de um atleta que hoje está na seleção, se dedicando para isso, sim. Mas infelizmente como ela não tem, porque estuda e trabalha, por conta disso, ela não tem condição, porque precisa se dedicar para isso. Potencial para isso ela tem, mas falta tempo para se dedicar.

 

Para quem sonha em entrar no esporte aqui na Bahia, qual é o passo a passo para começar?
Muita gente conhece o esporte através de série e de filme, se empolga e acha que o primeiro passo é comprar o equipamento. Eu nunca indico comprar, porque 98% das pessoas que compram o equipamento compram errado. Sempre quando vem alguém, eu falo: "Gente, o primeiro passo é procurar um clube, procurar um profissional". Porque no clube você não vai precisar num primeiro momento, gastar com equipamento. Você vai usar o equipamento do clube, vai aprender, ver com o que se identifica e a partir daí o instrutor indicar qual equipamento comprar. Então, o primeiro passo é procurar um clube e se matricular. Depois que tiver o próprio equipamento, porque o arco é muito pessoal. Para início, pode usar o da escola, mas depois que for pensar competir, aí vamos indicar qual comprar, o que vai precisar fazer. Depois, quando começar a pensar em competir, se federa para participar dos campeonatos estaduais e depois se confedera para disputar os nacionais.

 

Quanto custa um arco em média?
Depende muito da finalidade. Se for pensando só em se divertir, sem competir, você acha arco de até R$ 600. Mas se for pensando em algo mais estável, numa competição de longa distância, você vai achar arcos de R$ 1,8 mil, R$ 2 mil e até R$ 10 mil. Vai realmente do seu objetivo. Meu arco hoje, se for avaliar o conjunto arco mais flechas, porque eu não uso mira e nem estabilizador, acho que gastei em média uns R$ 3 mil. Mas são peças que você vai trocando, começa com uma peça inferior e depois vende. O bom do Tiro com Arco é que o material se você tiver cuidado, ele não perde muito valor. Então, você consegue vender por um preço parecido e assim vamos fazendo esse rodízio, porque também tem a questão da potência. Você começa com uma potência baixa. São as lâminas do arco que definem a potência. Aí você tem o meio, centro do arco que é seu e as lâminas você vai trocando. "Ah, quero uma lâmina mais potente, aí você vende as lâminas anteriores e pega lâminas novas. A gente faz esse rodízio dentro do clube também. Um aluno que compra a primeira lâmina levinha, aí quando vai passar para a próxima ele vai vender para quem está querendo começar a competir, então vai fazendo essa troca para não ser tão dispendiosa, vamos fazendo esse rodízio.

Focado nas Olimpíadas, Arthur Elias explica preparação da Seleção Feminina: "Estamos aqui para criar um entrosamento maior"
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Após um período vitorioso pelo Corinthians entre os anos de 2016 e 2022, Arthur Elias, treinador da Seleção Brasileira Feminina, quer resgatar o bom futebol da equipe na preparação para as Olimpíadas de Paris. Ele soma em seu currículo títulos emblemáticos pelo seu ex-clube, entre eles estão quatro Libertadores, cinco Brasileiros, três Paulistas, uma Copa Paulista, uma Copa do Brasil e duas Supercopas. 

 

Foto: Rodrigo Gazzanel / Ag. Corinthians

 

Com o desejo de dar oportunidade para as atletas e as colocarem no melhor nível possível, o técnico almeja um futuro vencedor com a amarelinha, montando uma base forte de jogadoras e dando todas as oportunidades possíveis. Atualmente o Brasil Feminino disputa a Copa Ouro, último torneio antes das Olimpíadas, onde venceu a primeira partida contra o Porto Rico pelo placar de 1 a 0.

 

Sobre o inicio na Copa Ouro, Arthur Elias analisou a vitória do Brasil contra a Seleção Porto Riquenha e falou sobre o momento atual da equipe convocada.
 

 

“Ainda falta um pouco de entendimento e entrosamento, isso é natural porque tenho aberto a Seleção para muitas jogadoras. O tempo que tivemos com essas atletas foi resumido a apenas um treino”, pontuou o treinador em entrevista ao Bahia Notícias.

 

“Sabemos que vão haver inconsistências nesse início de competição, mas estamos aqui justamente para isso. Estamos aqui para criar um entrosamento maior, tirar essa inconsistência nos momentos do jogo e jogar cada vez mais partidas melhores”, completou.

 

Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

 

Questionado sobre a forma de como a Seleção Brasileira Feminina jogava quando comandada por Pia Sundhage, Arthur não fugiu das perguntas e explicou de qual maneira pode fazer as atletas desempenharem um melhor futebol. O treinador também explicou sobre o planejamento para preparar atletas experientes, como Marta e Cristiane, para a disputa das Olimpíadas. Confira a entrevista completa:
 

Como você avalia a estreia da Seleção Brasileira na Copa Ouro?
Foi um jogo em que tivemos bastante dificuldade por conta do adversário que vem treinando há muito tempo e tem uma marcação muito forte. Perdemos muitas oportunidades de gol e é claro que isso torna o jogo um pouco mais nervoso. É uma coisa que eu já identificava e agora que estou próximo, tenho tentado fazer o grupo ficar cada vez mais confiante para jogar dentro do melhor potencial delas. Ainda falta um pouco de entendimento e entrosamento, isso é natural porque tenho aberto a Seleção para muitas jogadoras. O tempo que tivemos com essas atletas foi resumido a apenas um treino. Sabemos que vão haver inconsistências nesse início de competição, mas estamos aqui justamente para isso. Estamos aqui para criar um entrosamento maior, tirar essa inconsistência nos momentos do jogo e jogar cada vez mais partidas melhores.
 

Foto: Leandro Lopes / CBF

 

Sabendo que existem algumas seleções no radar que propõem perigo ao Brasil. Marta e Cristiane fora da Copa Ouro preocupam?

Nosso próximo adversário é a Colômbia e sabemos que elas vivem um grande momento, nos últimos dois anos a seleção colombiana evoluiu bastante e com atletas jogando em nível alto e internacionalmente em grandes clubes. São jogadoras que a gente conhece muito bem pela atuação na Libertadores e no Campeonato Colombiano, que tem aumentado o seu nível. O próximo adversário é uma equipe que considero estar no nível do Brasil, assim como os Estados Unidos e Canadá, que são grandes seleções. Acredito que essas quatro equipes são as mais fortes da competição, mas o futebol tem mudado muito, todo mundo tá bem preparado, como pudemos ver na Copa do Mundo. O jogo de ontem foi um jogo em que encontramos uma equipe muito bem organizada, não teremos jogo fácil e é claro que na teoria as quatro equipes que citei são as mais fortes.

 

A gente vai fazer de tudo para que a Marta, a Cris e todas as atletas que a gente tem monitorado cheguem muito bem para as Olimpíadas, essa é a nossa meta. A gente tem que entender o melhor planejamento para cada jogadora para que elas cheguem no mais alto nível para as Olimpíadas daqui a 4 meses. Marta e Cristiane foram duas atletas que a gente entendeu seria muito importante fazerem a pré-temporada completa pelos seus clubes. Esse é um momento de preparação e a atleta consegue treinar bastante, adquirir capacidades físicas necessárias para a temporada, ritmo de jogo em relação aos seus clubes. Marta já está adaptada ao treino intenso do Orlando Pride e a Cris se transferiu para o Flamengo, precisa de uma adaptação ao novo clube e a uma ideia de jogo. O pensamento é de que elas fazendo a pré-temporada nos clubes beneficiária a Seleção Brasileira, claro que isso deixa aberta a oportunidade de avaliar outras jogadoras, como tenho feito. Foram 7 novas convocadas que eu não havia chamado para uma competição longa e oficial. O desafio é a gente abrir a Seleção Brasileira para muitas jogadoras, tentar monitorar e contar sempre com o apoio dos clubes. Teremos um período pequeno depois do grupo fechado para as olimpíadas, mas suficiente para termos uma uma equipe muito bem organizada e equilibrada taticamente com as atletas em seu mais alto nível.

 

 

Que cara você dá para essa Seleção que disputa a Copa Ouro ?

Cara de uma seleção que procura resgatar uma identidade brasileira, uma confiança para se jogar futebol, resgatar o prazer de defender a Seleção Brasileira em todas as competições e de ter o apoio do torcedor. A Seleção Brasileira vem de resultados ruins nas últimas Olimpíadas e Copas do Mundo, a gente não pode esconder isso, mas a minha confiança é total no grupo de atletas. Eu vejo que existem situações que podemos viver aqui na Copa Ouro, que vão preparar o grupo que irá disputar, as outras atletas que não estão conosco, também irão se preparar nos seus clubes. Eu não estou preocupado agora com o grupo que vai para as Olimpíadas, estou preocupado em realmente fazer o melhor por cada jogadora que temos convocado e adquirir mais consistência nessa competição, mais entendimento de modelo de jogo que temos implantado, que é algo que eu acredito muito. Tenho certeza de que com esse grupo iremos fazer uma grande Olimpíada.

 

Meu foco na Seleção Brasileira é em fazer uma nova história com uma dimensão ainda maior (do que feita no Corinthians), a minha maneira de pensar futebol é ofensiva e é de querer ter um jogo de imposição e mostrar a sua identidade jogando. Eu vou sempre pensar o futebol de forma ofensiva, querendo criar muitas chances de gol.

 

Em relação ao trabalho anterior, acredito que foi um trabalho com uma treinadora muito experiente e vitoriosa no futebol. Pia não teve um bom resultado mas teve muitas coisas positivas, não podemos olhar só o resultado, foi construido dentro de 4 - 5 anos com a Pia uma consistência defensiva, uma organização das atletas por maior parte do jogo. Sempre tivemos dificuldade de sincronia com as equipes Brasileiras, eu acho que a Pia fez o trabalho dela com aquilo que ela acreditava, o que eu penso de futebol é bastante diferente e não cabe a comparação nesse sentido. O que precisamos pensar é que a seleção brasileira precisa ter um resultado melhor e essa é a minha missão aqui.

 

 

O Brasil é um dos países que disputam a sede para a Copa do Mundo. O atentado ao ônibus do Fortaleza  pode mudar a decisão da FIFA ?

Em relação à decisão da FIFA, eu, os brasileiros, as atletas e todas as pessoas que trabalham com o futebol feminino estamos bastante ansiosos com a decisão final, com expectativa e otimismo de que a Copa do Mundo possa vir para o nosso país. O país tem totais condições disso e acredito que é um grande momento do futebol feminino, daqui há 3 anos com certeza o crescimento será ainda maior e estaremos num patamar melhor. Estamos muito orgulhosos pela nossa candidatura, temos o apoio da CBF e do Governo Federal para que isso possa se concretizar. Esperamos uma resposta da FIFA, existe uma concorrência alta, mas acredito que chegou a hora do Brasil fazer uma grande competição e uma grande Copa do Mundo. Será um orgulho pra gente e uma motivação a mais dentre tantas que temos para defender a Seleção Brasileira e o nosso país, seria espetacular. 

 

Em relação ao atentado, é claro que é sempre ruim um país que tem violência, mas sabemos que infelizmente no mundo inteiro tem acontecido tragédias. Estamos num mundo com guerras acontecendo e eu acho que o que ocorreu não será determinante para a FIFA mudar a sua decisão em relação à Copa do Mundo, a gente lamenta mas acredito que não teremos interferência nenhuma.

 

 

A Seleção Masculina foi eliminada no Pré-Olímpico. A pressão pela Seleção Feminina ser a única a disputar as Olimpíadas é maior?

De maneira alguma, a gente tem muito orgulho de defender a Seleção Brasileira, acho que quem coloca mais pressão são as próprias atletas. Eu como treinador, me pressiono para conseguirmos o resultado, quando recebemos críticas construtivas nós absorvemos e refletimos, mas quando chegam situações que não tem nada a ver com o nosso contexto e situações que passamos aqui, não damos nenhuma bola sobre isso. Não estamos preocupados com uma pressão em relação à cobrança de resultados, a gente tem um objetivo e é ele que nos une e que nos motiva, é o que vai fazer a Seleção Brasileira conseguir aumentar as suas chances de terem uma grande performance nas grandes competições e assim será nos Jogos Olímpicos. Nós ficamos tristes pela não participação do masculino, temos um país apaixonado pelo futebol e sabemos que a Seleção Masculina assim como a Feminina em Copas do Mundo não tiveram um resultado expressivo, mas nós vamos sempre pensar no futebol brasileiro e naquilo que é melhor. Tenho certeza que nós vamos voltar a ser campeões no masculino e tenho certeza que o feminino voltará a ser protagonista e quem sabe ser merecedor de um título.

 

 

Por conta da idade elevada, dá pra sonhar com Marta e Cristiane na próxima Copa do Mundo?

A participação da Marta e da Cris na Copa do Mundo, por conta da idade eu acredito que seja muito difícil, mas nada é impossível, isso depende muito delas e do planejamento de carreira. É difícil ser atleta de alto nível como elas são, eu não sei quais são os planos delas exatamente para a próxima Copa, não conversei com elas, mas estamos focados em deixar elas no melhor nível para terem oportunidade de participar das Olimpíadas. Obviamente a concorrência é grande, a gente tem um leque de atletas bem grande no país, então o foco é prepará-las para as Paris. A Copa do Mundo tem quer ser pensada temporada a temporada, tempo a tempo e que seja algo natural.

 

Foto: Stuart Franklin / FIFA
 

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