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alice moraes
Não há movimento que tenha tido sua "morte" decretada mais vezes que o Axé Music. Vai ano, vem ano, chega quinta-feira de Carnaval e depois a quarta-feira de cinzas, e a história é sempre a mesma: o Axé Music morreu.
O veredito, dado por quem acredita que o tempo do Axé já passou, não vale para quem tem o movimento identitário do Carnaval de Salvador como trabalho. É o caso de Milton Meneses, sócio da Cara de Urso Produções, que decidiu resgatar uma velha conhecida do público: a banda Levada Louca.
Em entrevista ao Bahia Notícias, o empresário revelou o motivo de resgatar o grupo, sucesso nos anos 2000, que agora volta sob nova direção e com Alice Moraes nos vocais.
"Temos parceiros no Brasil que ainda acreditam e apostam no Axé. Então, pegamos um produto que a gente já tinha em casa, uma marca que fez história, e investimos nele. Começamos a sondar e o mercado apoiou a ideia: a galera de Fortaleza, o pessoal do Pará, Rio Grande do Norte, Sergipe", contou.

Para Milton, o retorno não só da Levada Louca, mas de projetos que carregam o Axé na veia, é uma prova de como o movimento segue vivo e clama por renovação.
"A gente precisa renovar o mercado; a renovação é fundamental para a continuidade do Axé. Hoje, com esse movimento da nostalgia, o interessante é trazer o que fez sucesso e dar uma nova roupagem, misturar um pouco da música sertaneja com o axé e trazer um pouco do arrocha para aproximar o público do ritmo novamente."
Com 15 anos de estrada, a produtora comandada por Milton e Nelson Neto — que traz no catálogo nomes como Companhia do Pagode, É O Tchan, A Patroa, Samprime, Ygor Silva e a própria Levada Louca — entende que a sazonalidade do movimento e o crescimento do consumo no verão não devem ser impeditivos para continuar investindo no gênero ao longo de todo o ano.

De acordo com Milton, a própria procura de empresários de fora da Bahia por novas bandas de Axé fez com que a Cara de Urso investisse ainda mais no segmento.
"A aposta vem disso: voltou-se a consumir o Axé. Havia procura e a gente não tinha braço para cobrir a demanda. O empresário da Bahia precisa se movimentar para não deixar que falem 'Ah, o Axé morreu'. Para mim nunca morreu, e se depender da gente, vamos continuar dando sequência a esse trabalho."
O empresário também cita o fator nostalgia como combustível para impulsionar o mercado. Um levantamento feito pela empresa de pesquisa PiniOn indicou, por exemplo, que 56,8% dos brasileiros já realizaram compras motivadas por memórias do passado. Mas como isso se reflete na música e, em especial, no Axé?
"Hoje eu posso dizer que o É O Tchan, em 1995 e 1996, abriu portas para o Axé no país, e esse nosso mercado nunca caiu. Como faço muitos eventos com prefeituras de outros estados do Nordeste, percebo que a procura por bandas de Axé no período do São João, por exemplo, passou a ser maior do que a busca por bandas de forró no Carnaval."
Outro reflexo dessa força nostálgica é o retorno de labels históricas, a exemplo do Trivela, festa icônica do Asa de Águia comandada por Durval Lelys.
"Eu acompanho o É O Tchan ao redor do país e a gente vê a empolgação das pessoas, o carinho do público. Foi assim no Fortal, em Florianópolis, no Rio Grande do Norte e em diversos outros lugares. Como eu posso dizer que não vou dar continuidade a esse legado?", questiona o sócio da Cara de Urso.

No entanto, Milton entende que esse resgate não pode ser estático. Para o empresário, a proposta ao trazer a Levada Louca de volta é conectar o Axé com as novas gerações e com o cenário atual.
"Pelo que sinto no mercado, cada novo artista faz o movimento crescer. Precisamos fazer a célula do Axé continuar forte e presente em diversos ritmos. Se você olhar para o sertanejo, para o forró ou para o piseiro, vai encontrar muito da percussão da Bahia ali. É isso que estamos fazendo com a Levada Louca. Quando o Axé surgiu e estourou no Brasil, ele falava de amor. Acho que é exatamente isso que queremos transmitir", concluiu.
A banda Levada Louca volta a ativa em 2026 sob novo comando. Sucesso do Carnaval de Salvador nos anos 2000, o grupo que já teve nos vocais Paulla Cristinny e Moema Bartira, volta a estrada com Alice Moraes, aposta da Cara de Urso Produções para a nova etapa do grupo.
O grupo foi reapresentado ao público presente em um evento especial de lançamento realizado nesta quarta-feira (29), no bar Pirambeira, em Salvador.
Em apresentação, Alice contou de forma breve sua história com a música. Iniciada na igreja, a jovem decidiu dar continuidade a um legado iniciado pela mãe, que acompanhou de perto e se emocionou ao ouvir a filha se apresentar pela profissão vez como nova vocalista da Levada Louca.
“Eu comecei na Igreja com 11 e profissionalmente com 13. A minha família já é de músico, de produtores, minha mãe foi de banda e quando ela engravidou de minha irmã, ela decidiu parar. Aí eu nasci, e falei ‘vou continuar o legado dela’, e aqui estou eu!”, disse Alice.
Gleice Moraes, mãe de Alice, deixou a carreira na música para cuidar dos filhos e ao voltar, decidiu seguir como cantora na igreja. Para ela, o caminho trilhado por Alice é abençoado, e em casa, a filha pode contar com uma grande torcida.

“Eu agora canto para Cristo, e ela seguiu o rumo dela porque Deus também está permitindo e abençoou essa jornada. É muita emoção ver tudo isso acontecer.”
Ao Bahia Notícias, a artista falou sobre o desafio de assumir uma banda de Axé e afirmou que a carreira da mãe a inspirou a aceitar o convite.
“Para mim tá sendo fácil porque eu sou louca por axé, eu sou ligada no 320 não é nem 200, (risos), então eu acho que hoje eu canto a minha verdade. Eu falo de quem eu sou, eu me identifico com axé, minha mãe já foi cantora de axé, então, agora eu tô dando esse continuidade a esse legado, e eu tenho certeza que quando a gente trabalha com a verdade, quando a gente fala sobre a verdade a gente tem uma conexão muito maior com o público muito mais bonita.”
Um dos grandes sucessos da banda, que leva o nome de um hit da Banda Eva na época de Ivete Sangalo, é a faixa ‘Me Dá um Beijo’, composição de Dorgival Dantas, e que vem com uma nova levada para 2026, assim como todo repertório do grupo.
Segundo Alice, a ideia é mesclar sua identidade com a Levada Louca. “Já naveguei por vários ritmos, já fiz sertanejo, pagonejo, arrocha, o sertanejo foi um ritmo presente na minha vida, agora eu venho para esse desafio”, disse.

Antes de assumir a Levada, Alice já tinha vivido um grande momento com o Axé e uma de suas figuras mais emblemáticas, Ivete Sangalo. Ao BN, a artista relembrou quando fez uma “serenata” para a artista em pleno circuito Dodô (Barra-Ondina), que se tornou sua lembrança favorita da festa.
“O dia mais marcante do Carnaval para mim foi quando eu cantei para Ivete Sangalo em 2020, antes da pandemia. Do nada o povo gritando ‘Ivete, Ivete’ e quando eu olhei para frente a mulher tava ali, eu peguei a guitarra e fiz ‘Quando a Chuva Passar’, foi muito marcante e foi inesquecível”, disse.
Para Milton Meneses, sócio da Cara de Urso, produtora responsável pela gestão da banda, o retorno da Levada Louca marca mais um ponto de renovação da música baiana. O empresário afirma que o diferencial está no que Alice e a banda é capaz de fazer no palco.
"Estamos vivendo um momento de renovação, mas sem perder a essência que sempre fez parte da história da Levada Louca. O público pode esperar um show cheio de energia, emoção e muitas surpresas. Esse retorno representa um novo capítulo para a banda e estamos muito felizes.”
O momento de reestreia foi de forte emoção para Alice. A artista teve a oportunidade de estar no trio elétrico ao lado de Claudia Leitte durante o Fortal.
“Foi uma experiência inesquecível. Cantar ao lado de Claudia Leitte, uma artista que sempre admirei e me inspirou, foi uma grande honra e um incentivo para seguir dando o meu melhor nessa nova fase da minha carreira com a Levada Louca”, afirmou Alice.
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Na última terça-feira (28), a banda gravou o primeiro audiovisual da nova fase. O registro aconteceu na Ponta do Humaitá, na região de Monte Serrat, um dos cartões-postais de Salvador.
O audiovisual vem na proposta do "Axé de Mesa", pensado para celebrar as raízes do gênero e criar uma atmosfera de encontro e conexão entre artista e público.
“Esse audiovisual representa um recomeço muito especial para a Levada Louca. Pensamos em cada detalhe para homenagear o Axé, respeitando sua história e, ao mesmo tempo, mostrando a nossa identidade. Gravar em Salvador, cercados por tanta beleza e simbolismo, tornou esse momento ainda mais emocionante”, afirmou a cantora.
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O lançamento do novo projeto será feito em breve, como forma de apresentar a banda a uma nova geração e reaproximar o público da Levada Louca.
“A gente espera para o calor do verão um repertório muito gostoso, uma energia muito maravilhosa. Tô cheia de gás aqui, tô querendo que acenda o meu fogete pra gente ir”, afirmou a artista.
A cantora Alice Moraes, marcada como uma possível inovação no MPB e sofrência, também marcou presença na saída do circuito Dodô (Barra-Ondina) no fim da tarde desta terça-feira (04), com alegria e puxando alguns foliões com suas clássicas músicas no trio JAKE.
Veja o momento da saída da artista:
VÍDEO ? Cantora Alice Moraes realiza participação no circuito Barra-Ondina pic.twitter.com/e0C1fCIsqW
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) March 4, 2025
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.