Artigos
Imprensa em Risco, Desde 2018
Multimídia
Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD
Entrevistas
Aleluia fala sobre revisão do PDDU, nega intriga pela presidência da CCJ e detalha arquivamento contra Hamilton Assis
augusto lima
Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master, teria operado um esquema de pagamento de propina para empresas com políticos como sócios ocultos. A Polícia Federal teria identificado que uma das empresas a receber dinheiro está no nome da esposa de um secretário de Estado com conexões com o PT baiano.
Segundo a coluna Andreza Matais, do jornal Metrópoles, dados obtidos a partir da quebra de sigilo de Daniel Vorcaro explicam a dimensão dos valores envolvidos na operação.
Relatos apontam que Lima operava um esquema de pagamento de propina, com malas de dinheiro distribuídas na sede do banco, em São Paulo, ou para empresas que teriam políticos como sócios ocultos.
Lima ficou preso por 11 dias, entre 18 e 29 de novembro de 2025, e foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O ex-CEO também é controlador do Banco Pleno.
Além da ligação com o PT, dados do Coaf indicam que uma empresa do ex-presidente de Salvador, ACM Neto (União Brasil), recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag. Segundo Neto, ele prestou serviço de consultoria ao banco.
A Prefeitura de Salvador concedeu exclusividade ao Banco Master para oferecer operações de “crédito no cartão rotativo” a servidores públicos municipais por meio de um decreto editado em 2021, durante o primeiro mandato do prefeito Bruno Reis (União).
A informação foi publicada nesta sexta-feira (13), pela jornalista Mariana Barbosa, no site UOL.
Bruno Reis foi vice-prefeito de Salvador entre 2017 e 2020 na gestão de ACM Neto (União), e um de seus principais aliados políticos. O decreto autorizou o modelo de crédito consignado vinculado ao cartão rotativo com exclusividade ao banco.
Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), revelados pelo jornal O Globo, indicam que o ex-prefeito de Salvador ACM Neto recebeu R$ 3,77 milhões do Banco Master e da gestora Reag. Os valores foram pagos à empresa A&M Consultoria, ligada ao ex-prefeito.
Em nota, a consultoria afirmou que os serviços foram prestados após ACM Neto deixar o cargo público. Segundo o comunicado, os trabalhos foram “relacionados à análise da agenda político-econômica nacional” e foram “materializados em diversas reuniões com o corpo técnico e jurídico dos contratantes”.
De acordo com as informações divulgadas, os pagamentos do Banco Master e da Reag ocorreram entre 15 de junho de 2023 e 3 de maio de 2024, por meio de 52 transferências. O montante corresponde a cerca de 60% da receita recebida pela consultoria no período.
Ainda durante o período em que ACM Neto ocupava a prefeitura, a empresa Consiglog obteve exclusividade na gestão da margem consignável da folha de pagamento municipal. A empresa atualmente pertence a João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, e também é associada ao empresário baiano Augusto Lima, apontado como ex-sócio do Banco Master.
Além disso, segundo informações obtidas pelo BN, para administrar a relação do consignado existia um sistema também pertencente a Augusto Lima.
Na Bahia, operações envolvendo empresas ligadas ao sistema de crédito consignado também ocorrem na esfera estadual. Tanto a Credcesta quanto a Consiglog operam com exclusividade junto ao governo do estado, administrado há anos por gestões do Partido dos Trabalhadores (PT).
O DECRETO
O decreto municipal nº 33.502, publicado em 4 de fevereiro de 2021, reservou 10% da margem consignável dos servidores públicos de Salvador ao Credcesta em uma modalidade classificada como “linha de crédito rotativo”.
De acordo com a norma, a categoria foi criada no âmbito da legislação estadual e municipal. O formato não aparece no decreto federal que regulamenta as consignações em folha de pagamento, que prevê três modalidades: crédito consignado tradicional, cartão consignado e cartão benefício.
A chamada “linha de crédito rotativo” prevê que o cliente utilize o rotativo do cartão, modalidade em que passam a incidir juros, além de encargos por atraso e multa. Procurada, a Prefeitura de Salvador informou, por meio de nota, que o modelo adotado também é utilizado por outras instituições públicas.
Ainda na nota, a gestão municipal afirmou que "não há qualquer irregularidade nos atos citados, visto que tiveram o crivo de órgãos de controle, e que seguiu todas as normas que tratam do assunto”.
Diante da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de desobrigar o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, de comparecer à CPMI do INSS, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), cancelou a sessão que seria realizada na manhã desta quarta-feira (11).
Augusto Lima havia sido convocado para prestar esclarecimentos sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro. Lima foi sócio de Daniel Vorcaro e controlador do Master até 2024.
Assim como vem fazendo com outros convocados a depor na CPMI, o ministro André Mendonça impôs o caráter facultativo à presença de Augusto Lima no colegiado. Na decisão, tomada na noite desta terça (10), o ministro afirma que o empresário, se decidisse comparecer à oitiva, poderia se manter em silêncio e não dizer a verdade, sem que pudesse por isso sofrer “constrangimentos físicos ou morais”.
Após cancelar a sessão para ouvir Augusto Lima, o senador Carlos Viana fez postagem na rede X criticando a decisão do ministro André Mendonça. Viana disse que a decisão se tratou de uma “interferência” do STF no trabalho do Congresso Nacional.
“Decisões monocráticas como essa acabam atrasando e dificultando o trabalho do Congresso Nacional na busca de respostas ao povo brasileiro sobre as graves irregularidades investigadas na Previdência Social”, afirmou o presidente da CPMI.
Viana já havia reclamado outras vezes de decisões de ministros do STF sobre o comparecimento de convocados pela CPMI. O senador também decidiu recorrer contra a decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu dezenas de quebras de sigilos bancário e fiscal aprovadas pelo colegiado, entre elas a de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Lula. O recurso foi apresentado pela Advocacia do Senado.
Está marcado para a manhã desta quarta-feira (11), na CPMI do INSS, o depoimento do empresário e ex-sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima. O empresário foi convocado para dar explicações sobre seu envolvimento nas irregularidades relacionadas à instituição financeira comandada por Daniel Vorcaro.
Augusto Ferreira Lima foi convocado a depor da CPMI após aprovação de requerimento apresentado pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). No pedido para a realização da oitiva, Izalci afirma que Lima teria idealizado operações do Banco Master voltadas ao crédito consignado, e acusa o empresário de ser figura central na trajetória operacional do Banco Master.
A CPMI do INSS tentou ouvir Vorcaro em 23 de fevereiro, mas o banqueiro descartou comparecer após uma decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que tornou facultativa a sua presença.
O ex-controlador do Master construiu sua trajetória no sistema financeiro a partir do crédito consignado e ganhou projeção ao se tornar sócio de Daniel Vorcaro. Seu nome passou a circular com mais intensidade no mercado após a liquidação do Master e, posteriormente, com a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que controlava.
Lima deixou a sociedade no Banco Master em maio de 2024. Como parte do rearranjo societário, ficou com o Banco Voiter e com a operação do Credcesta, cartão de benefício consignado. A transferência do controle do Voiter para Lima foi aprovada pelo Banco Central em julho de 2025, operação que ocorreu meses antes da deflagração da operação Compliance Zero pela Polícia Federal.
Além da atuação no setor financeiro, Augusto Lima manteve trânsito político e proximidade com figuras da direita à esquerda. Ele é casado com Flávia Arruda, ex-ministra no governo Jair Bolsonaro e ex-deputada federal pelo PL do Distrito Federal, além de se relacionar com parlamentares do PT da Bahia.
Em novembro de 2025, Lima foi preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que investiga as suspeitas de fraudes na venda de carteiras do Banco Master ao BRB. A prisão preventiva foi revogada menos de duas semanas depois.
Após assumir o controle do Banco Pleno, Augusto Lima tentou viabilizar a venda da instituição. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o banco chegou a ser oferecido a diversos investidores, em um modelo que previa atrelar a venda do Pleno à operação do Credcesta e a necessidade de aportes bilionários para estabilizar a operação. As negociações não avançaram.
Com o agravamento das restrições regulatórias, a dificuldade de captação e a perda de confiança do mercado, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno em 18 de fevereiro.
Em mensagens vazadas, o fundador do Banco Master e preso, Daniel Vorcaro, menciona uma suposta agressão do empresário baiano Augusto Ferreira Lima contra a esposa, Flávia Peres, ex-deputada federal e ex-ministra da Secretaria de Governo no governo Jair Bolsonaro (PL). O casal nega a acusação.
Segundo o Poder 360, de acordo com mensagens trocadas por Vorcaro com a então namorada, Martha Graeff, em 29 de agosto de 2025, o banqueiro afirmou que um “governador” teria um boletim de ocorrência indicando que Augusto Lima teria agredido Flávia Peres no fim de semana de 23 a 24 de agosto.
“Governador tem um BO que augusto bateu na flavia esse final semana [sic]”, escreveu Vorcaro na conversa.

Foto: Reprodução / Poder 360
Procurada, Flávia Peres afirmou que o episódio “jamais” ocorreu e classificou as informações como falsas. “Reajo com indignação e afirmo de forma categórica que esse episódio jamais ocorreu e as informações são falsas, levianas e não correspondem à realidade”, declarou.
A defesa de Augusto Lima também negou o conteúdo das mensagens e afirmou que as declarações atribuídas a Vorcaro são “mentirosas” e “caluniosas”.
As conversas foram obtidas por investigadores da Polícia Federal (PF) no âmbito das apurações relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes financeiros envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
Segundo as mensagens analisadas pela PF, Vorcaro indicava manter proximidade com Augusto Lima e Flávia Peres. Em uma conversa de janeiro de 2025 com a namorada, ele afirmou que Lima teria ficado incomodado porque o casal não compareceu à festa de aniversário de Flávia.
Embora Vorcaro não tenha citado nominalmente o “governador” mencionado na conversa, a reportagem do Poder 360 procurou a assessoria do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), para questionar se ele gostaria de se manifestar sobre o conteúdo das mensagens. Não houve resposta até a publicação.

Foto: Reprodução / Poder 360
NOTA DE FLÁVIA PERES
“Repudio com veemência o teor das mensagens vinculadas a mim. Reajo com indignação e afirmo de forma categórica que esse episódio jamais ocorreu e as informações são falsas, levianas e não correspondem à realidade. Lamento profundamente este tipo de exposição pública baseada em informações inverídicas e irresponsáveis, especialmente quando propagadas sem qualquer verificação mínima dos fatos. Diante da gravidade das declarações, tomarei todas as providências cabíveis para a devida responsabilização pelos danos causados”, disse a ex-ministra.
NOTA DA DEFESA DE AUGUSTO LIMA
“A defesa de Augusto Lima afirma que o conteúdo mencionado pela reportagem é mentiroso. Augusto Lima jamais praticou qualquer agressão e nunca houve qualquer boletim de ocorrência. A afirmação é caluniosa. A defesa vem também repudiar o vazamento criminoso de mensagens privadas, cuja divulgação fora do contexto legal configura grave violação de direitos e afronta às garantias fundamentais. Diante da gravidade do ocorrido, a defesa informa que tomará todas as medidas cabíveis para apurar as devidas responsabilidades”, declarou o empresário.
A primeira reunião administrativa da CPI do Crime Organizado do Senado no ano de 2026, realizada na última quarta-feira (25), teve a aprovação de diversos requerimentos de convocações, convites e quebras de sigilo com objetivo de investigar a infiltração de organizações criminosas no sistema financeiro e em estruturas do Estado. Um dos nomes convocados a depor futuramente na CPI foi o ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro, o baiano João Roma.
Atual presidente do PL na Bahia, João Roma foi convocado a partir da aprovação de requerimento apresentado pelo líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). O senador justificou a convocação de Roma alegando que existem indícios que conectariam o ex-ministro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e também a Augusto Lima, ex-diretor do Master e proprietário do Banco Pleno.
Outro personagem que o líder do governo associa a João Roma é o de Ronaldo Bento, diretor do Banco Pleno, recentemente liquidado pelo Banco Central. O diretor também é investigado pela Polícia Federal sobre possível infiltração do crime organizado no sistema financeiro nacional e a lavagem de capitais por meio de instituições bancárias e gestoras de recursos.
“Importante destacar a proximidade do Sr. João Roma com o sr. Ronaldo Bento, tendo este substituído aquele no Ministério da Cidadania em 2022. É imperiosa a convocação do ex-ministro para que preste esclarecimentos sobre a incidência do crime organizado em estruturas institucionais, de modo que o presente requerimento alinha ao objetivo da CPI”, justificou Randolfe Rodrigues.
O ex-ministro da Cidadania Ronaldo Bento também foi alvo de requerimento de convocação aprovado pela CPI. Bento, nascido em Salvador, é servidor de carreira do Executivo Federal, e em 2023 se filiou ao partido Republicanos.
Por meio de requerimento do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), a comissão aprovou a convocação de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. O relator justificou que a convocação de Lima seria fundamental para averiguar a incidência do crime organizado em setores da economia, assim como a falha sistêmica ou intencional dos mecanismos de Compliance e Prevenção à Lavagem de Dinheiro.
Ainda em relação a Augusto Lima, o senador Alessandro Vieira garantiu a aprovação de requerimento que solicita à Diretoria-Geral do Senado os registros de entrada e saída de Augusto Ferreira Lima nas dependências do Senado Federal.
Por fim, os membros da CPI aprovaram um requerimento apresentado pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE), que convida o ministro da Casa Civil, Rui Costa, a comparecer na comissão. Como a aprovação foi de um convite, Rui Costa não tem obrigação de depor no colegiado.
O senador de oposição justificou o convite a Rui Costa lembrando que o ministro esteve presente em uma reunião realizada em novembro de 2024, no Palácio do Planalto, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro, que contou também com a presença do hoje presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, não constou da agenda presidencial.
Para Girão, o ministro Rui Costa, na condição de ministro da Casa Civil, é o responsável pela coordenação política do governo e pela gestão da agenda presidencial, além organização, controle e formalização de compromissos institucionais do chefe do Poder Executivo. Desta forma, para o senador, seria necessário que a CPI obtivesse esclarecimentos sobre os critérios adotados para a realização da referida reunião, da forma como ela foi solicitada, autorizada e registrada.
“A oitiva do Sr. Rui Costa é, portanto, essencial para esclarecer se foram observados os protocolos institucionais adequados, se houve avaliação prévia de riscos administrativos e políticos e se a Casa Civil adotou providências posteriores diante da repercussão pública dos fatos. Trata-se de medida necessária para o completo esclarecimento das circunstâncias investigadas por esta CPI, bem como para a preservação da transparência e da integridade das instituições da República”, justificou o senador.
Ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima obteve seus bens bloqueados pela Justiça de São Paulo meses antes de ser um dos alvos da Operação Compliance Zero. O bloqueio foi efetuado no dia 29 de abril de 2025. Na época foram encontrados R$ 112 milhões aplicados em uma conta de Augusto na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.
O fundo foi liquidado pelo Banco Central na última quinta-feira (15). Segundo o Metrópoles, com informações da Justiça de São Paulo, o bloqueio ocorreu em uma ação de execução de dívida. A família, que era dona do Banco Voiter, solicitou liminar para bloquear bens dos banqueiros do Master no valor original da dívida, de R$ 470,5 milhões.
De acordo com a publicação, a 22ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) permitiu o bloqueio dos valores nas contas dos executivos. No entanto, a restrição durou apenas oito dias, já que as partes teriam fechado o primeiro acordo.
Dos valores encontrados na conta dele, R$ 484 mil estavam no Bradesco, R$ 317,4 mil no Santander, R$ 274,41 mil no Banco do Brasil, R$ 112,8 milhões na Reag Trust DTVM; R$ 2,3 mil no Master e R$ 0,44 no Pluxee IP.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) revogou a prisão dos presos na Operação Compliance Zero em decisão tomada nesta sexta-feira (28). Assim, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o seu ex-sócio, o empresário baiano Augusto Lima, devem ser soltos.
Além deles, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira e Angelo Ribeiro da Silva serão beneficiados pela decisão da desembargadora, Solange Salgado da Silva, do TRF-1. Contudo, além da soltura, também foi determinado o uso de tornozeleira eletrônica.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) quando tentava deixar o país pelo Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após anunciar a venda do Master para um consórcio de investidores globais liderado pela Fictor.
A PF apontou risco de fuga, dizendo que o banqueiro viajaria para Malta, na Europa, e o deteve na área de embarque na noite de 17 de novembro. A defesa de Vorcaro afirma que ele avisou ao Banco Central (BC) que viajaria para Dubai para concluir a venda do Master.
O banqueiro é acusado de fraude de R$ 12 bilhões envolvendo carteiras de crédito vendidas ao Banco de Brasília (BRB), que anunciou a compra do Master em março deste ano — a aquisição foi barrada pelo BC, que decretou a liquidação do banco de Vorcaro semana passada.
A trama envolvendo a rede estadual de supermercados Cesta do Povo (ex-empresa pública da Bahia), o Banco Master e o empresário Joel Feldman ganhou novo capítulo, agora sob a luz de negociações previamente em curso que foram abruptamente interrompidas após a prisão de Guga Lima — fato que, segundo fontes de mercado, deixou o processo paralisado.
O CENÁRIO
A rede Cesta do Povo — tradicional no Estado — enfrentava graves problemas financeiros. Fontes apontam que o Banco Master teria assumido aproximadamente 55% da empresa.
Segundo reportagem recente, o ex-diretor do Banco Master possuía forte articulação no Estado da Bahia, inclusive com negócios vinculados à Cesta do Povo.
Paralelamente, há registros de que Joel Feldman, empresário com atuação no varejo, arrematou parte dos ativos da Cesta do Povo em leilão promovido pelo Governo da Bahia. ? Em especial, em 2018/2019, o processo de privatização de ativos estaduais como a empresa de alimentos (Empresa Baiana de Alimentos – Ebal) já havia sido debatido.
A “joint-venture” negociada. Fontes afirmam que o acordo em curso envolvia a divisão da rede. O Banco Master ficaria com as lojas da capital baiana (Salvador e entorno) da Cesta do Povo e Joel Feldman assumiria as lojas do interior do Estado, sob nova identidade/brand.
Essa reestruturação vinha sendo tratada como estratégica para reorganizar operações, marcas e dívidas da rede. Entretanto, com a prisão de Guga Lima — figura até então envolvida nos negócios de crédito consignado e vínculo com o banco — o processo parou.
GUGA LIMA, CREDCESTA E O ELO FINANCEIRO
Guga Lima (algumas fontes o identificam como Augusto Lima) teve papel de destaque no banco de varejo/consignado chamado Credcesta, que esteve ligado à Cesta do Povo e ao Banco Master. Reportagens apontam que Lima se tornou sócio do Banco Master para conduzir a área de crédito para o varejo popular.
Sua prisão, portanto, teria gerado “stop” automático na negociação maior com a Cesta do Povo — pelas incertezas jurídicas e regulatórias.
O vice-presidente do União Brasil, ACM Neto, e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), utilizaram um helicóptero do sócio do Banco Master, o empresário baiano Augusto Lima, para cumprir uma agenda no município de Conceição do Coité na última sexta-feira (14). A viagem ocorreu três dias antes da prisão de Augusto em operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) por suspeita de cometer fraude bancária.
A viagem de Neto e Bruno Reis para Conceição do Coité foi realizada para acompanhar o Natal Luz do município. Por lá, eles encontraram o prefeito de cidade, Marcelo Araújo (União), o prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União), o presidente do PL-BA, João Roma, o secretário de Governo de Salvador, Cacá Leão (PP) e o deputado federal Arthur Maia (União).
Conforme a coluna Andreza Matais, do Metrópoles, o uso da aeronave de Augusto Lima por ACM Neto e Bruno Reis expõe uma certa relação de proximidade entre as partes. Além da prisão do empresário baiano, a operação da PF também alcançou o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, que foi detido no aeroporto de Guarulhos (SP), enquanto tentava embarcar em um jatinho privado.
Daniel Vorcaro comprou três jatos pelo valor total de R$ 258 milhões em apenas dois anos e meio. As aquisições foram feitas entre fevereiro de 2022 e agosto deste ano. Nenhuma delas está alienada a bancos, o que indica que foram compradas e quitadas à vista, sem financiamento.
Deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (18), a Operação Compliance Zero cumpriu mandado de prisão contra Augusto Lima, empresário baiano que também é sócio do Banco Master.
Além dele, a PF também prendeu Daniel Vorcaro proprietário do Banco Master, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (GRU). Segundo informações confirmadas pela corporação, ele tentava deixar o país em um avião particular quando foi abordado.
A ação tem o objetivo de combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
Policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Solange Almeida
"Cuidar de mim".
Disse a cantora Solange Almeida ao surgir com um novo visual nas redes sociais e chamou atenção dos seguidores. A mudança feita pela cantora veio através de um procedimento estético.