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Multimídia

“A política tem que voltar a conquistar as pessoas”, pede Grizenti sobre abstenção e votos nulos

“A política tem que voltar a conquistar as pessoas”, pede Grizenti sobre abstenção e votos nulos
Em entrevista concedida ao podcast Projeto Prisma, do portal Bahia Notícias, nesta segunda-feira (5), o cientista político Eduardo Grizenti avaliou o índice de abstenções e de votos brancos e nulos no primeiro turno das Eleições 2026, realizado neste domingo (4). Durante o programa, Grizenti argumentou que o debate sobre a obrigatoriedade do voto não é a questão central para explicar a ausência dos eleitores nas urnas.

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Artigos

Paulo Avena
O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia
Foto: Divulgação

O mar como indústria: uma oportunidade para a Bahia

Quando pensamos na vocação econômica da Bahia, é impossível ignorar o mar. Temos mais de mil quilômetros de litoral, clima favorável durante praticamente todo o ano, uma baía totalmente navegável e uma relação histórica com a navegação. Poucos lugares no Brasil possuem condições tão favoráveis ao desenvolvimento da economia náutica.

Entrevistas

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra

Entrevista Exclusiva: Ministra Rachel Barros detalha ações do MIR para a população negra
Nesta segunda-feira (10), a ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros, esteve em Salvador para participar do Colóquio Internacional Cultura, Relações Exteriores, Desenvolvimento e Reparação. O evento, que acontece nas cidades de Salvador e Cachoeira, integra as celebrações pelos 25 anos de fundação do FENEBA e desdobra as discussões iniciadas no 9º Congresso Panafricano, sediado em Lomé, no Togo.

Últimas notícias

Polícia Civil apreende quase 3,5 mil acessórios falsificados da marca Apple em Salvador
Fotos: Reprodução / Ascom da PC-BA

Uma operação integrada entre a Polícia Civil da Bahia e a Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) apreendeu, nesta quarta-feira (14), quase 3,5 mil acessórios eletrônicos falsificados em estabelecimentos comerciais de Salvador. Denominada "Operação Maçã", os agentes foram a pontos de venda de acessórios para telefones celulares que comercializavam produtos reproduzindo a marca Apple ilegalmente.

 

Durante as diligências, as equipes recolheram 2.419 capas, 742 cabos, 299 carregadores, 35 fones de ouvido e quatro fontes de alimentação. Todos os itens ostentavam os símbolos da fabricante sem a devida licença, o que caracteriza indícios de comercialização de produtos contrafeitos.

 

A fiscalização foi coordenada pela Delegacia de Defesa do Consumidor (DECON), unidade vinculada ao Departamento Especializado de Investigações Criminais (DEIC). O objetivo da intervenção foi verificar a regularidade das atividades comerciais, a procedência das mercadorias e o cumprimento das normas do Código de Defesa do Consumidor.

 

Durante as inspeções, policiais civis e fiscais do Procon vistoriaram tanto os artigos expostos nas vitrines e prateleiras quanto os itens armazenados nos estoques das lojas. Todo o material apreendido foi contabilizado e catalogado individualmente para instruir os procedimentos administrativos, investigativos e periciais.

 

Os responsáveis pelos estabelecimentos foram encaminhados à delegacia para prestar depoimento. As mercadorias recolhidas serão submetidas à perícia técnica.

Flávio Bolsonaro abre vantagem estreita sobre Lula em votos válidos para 2º turno, aponta Quaest
Fotos: Ricardo Stuckert | Charles Vieira

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) abriu uma vantagem apertada sobre o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (14) para o 2º turno das eleições presidenciais, considerando apenas os votos válidos.

 

Nesta pesquisa, o senador bolsonarista tem 51,1% dos votos válidos, contra 48,9% do atual presidente.

 

O levantamento entrevistou 2.154 pessoas aptas a votar, todas com no mínimo 16 anos, entre os dias 10 e 13 de outubro. A pesquisa trabalha com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%. A diferença entre os dois candidatos é de 2,2 pontos percentuais, portanto acima da margem de erro, o que indica uma vantagem real de Flávio, ainda que estreita. No Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o levantamento está registrado sob o número BR-08729/2026.

“Gosto de política, mas nunca irei me candidatar a nada”, diz Aldinho Benevides em novo episódio do podcast Voz Própria
Fotos: Igor Barreto / Bahia Notícias

Estreia nesta quarta-feira (14), o décimo terceiro episódio do Podcast Voz Própria, que tem como convidado o apresentador e empresário Aldo Benevides, conhecido popularmente como Aldinho. Dentre diversos assuntos, Aldo revela no episódio em quem vai votar nas eleições de 2026 e explica suas motivações. O episódio vai ao ar às 19h no canal do youtube do Bahia Notícias.

 

 

Ainda no espectro político, o convidado revela que apesar de gostar muito de falar sobre política, jamais seria candidato a qualquer cargo político. Ele detalha que muitas pessoas ao verem sua imagem exposta em outdoors e leds, criam a suspeita de que ele está construindo uma carreira política, mas o apresentador promete jamais se envolver neste nível.

 

“Gosto de política, mas nunca irei me candidatar a nada. É uma promessa que eu faço. Não tenho esse sonho, eu quero mesmo é ser um empresário comunicador de sucesso”, conta Aldo ao longo do episódio. 

 

 

Aldinho também fala sobre sua infância e adolescência em Ilhéus e como chegou até Salvador, onde construiu seu nome como empresário e do orgulho de ter conquistado o título de cidadão soteropolitano concedido pela Câmara Municipal de Salvador.

 

Apresentado por Keila Xavier e Jordan Dafner, o Voz Própria é um projeto do Bahia Notícias que parte das histórias e experiências de seus convidados para promover conversas sobre temas relevantes da sociedade, reunindo personalidades de diferentes áreas em entrevistas que transitam entre trajetória pessoal, carreira e questões contemporânea.

Pesquisa Quaest: aprovação do governo Lula cresce 1% e chega a 45%
Foto: Ricardo Stuckert

A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu de 44% para 45%, enquanto a desaprovação recuou de 49% para 48%, segundo a primeira pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14).

 

O percentual de entrevistados que não souberam responder ou não opinaram permaneceu em 7%. O estudo foi encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo.

 

A pesquisa ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.

Defesa de Janones pede ao TSE liberação do canal “Exército do Lula” e cita desigualdade com Flávio
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A defesa do deputado federal André Janones (Avante-MG) pediu, nesta quarta-feira (14), ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, a liberação imediata do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, sem a necessidade de esperar o prazo de 48 horas estabelecido pelo próprio ministro.

 

A peça também afirma que o tribunal dá tratamento desigual às campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), ao manter restrições ao canal pró-Lula.

 

Na petição, os advogados citam canais de WhatsApp ligados à campanha de Flávio Bolsonaro, incluindo um mantido pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, segundo a defesa, divulgam propaganda eleitoral e materiais de mobilização política sem terem sido formalmente registrados perante a Justiça Eleitoral como instrumentos de campanha de Flávio.

 

Para Janones, o fato de essas ferramentas continuarem em funcionamento enquanto o “Exército do Lula” permanece sujeito a restrições compromete a igualdade de condições entre as candidaturas na reta final do segundo turno.

 

“O processo judicial não pode, sob pretexto fiscalizatório, converter-se em fator exógeno de assimetria na reta final do segundo turno”, afirmam os advogados no pedido.

43% dos eleitores temem reeleição de Lula e 43% receiam volta da família Bolsonaro ao poder, aponta Quaest
Fotos: Reprodução / Agência Brasil / Agência Senado

O eleitorado brasileiro está exatamente dividido quanto ao receio do resultado das eleições presidenciais. Segundo dados da pesquisa Quaest publicados nesta quarta-feira (14), 43% dos entrevistados afirmam ter mais medo da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto outros 43% declaram temer a volta da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao comando do país.

 

O resultado aponta para um empate numérico entre as duas opções. No levantamento anterior do instituto, divulgado em 21 de setembro, o receio da continuidade do governo Lula registrava 43%, ante 42% que temiam o retorno do grupo político de Bolsonaro.

 

Na pesquisa atual, 7% dos entrevistados afirmaram ter medo de ambos os cenários, enquanto 3% disseram não temer nenhuma das alternativas. Outros 2% não souberam ou não quiseram responder. A sondagem da Quaest expõe diferenças significativas nas respostas quando analisada por segmentos específicos do eleitorado:

  • Público feminino: 47% das mulheres afirmam ter mais medo do retorno da família Bolsonaro ao poder, contra 37% que citam a permanência de Lula no governo.
  • Beneficiários do Bolsa Família: A rejeição à volta do grupo bolsonarista atinge 57% entre os atendidos pelo programa social, enquanto 30% manifestam mais medo da reeleição do atual presidente.

 

A amostragem abrange a percepção pública após anúncios recentes do Executivo federal, como as restrições e proibição das empresas de apostas virtuais (bets) no país, formalizadas na última sexta-feira (25). A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 24 e 27 de setembro.

 

Encomendado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06520/2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.

Pesquisa Quaest aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno
Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales

A primeira pesquisa Quaest de intenção de voto para o segundo turno da eleição presidencial de 2026, divulgada nesta quarta-feira (14), aponta empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Contratado pelo jornal O Globo e pela TV Globo, o levantamento mostra Flávio com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

 

Outros 9% dos entrevistados afirmaram que pretendem votar em branco ou nulo, enquanto 1% disseram estar indecisos. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula teve 45,16%.

 

A pesquisa, que tem nível de confiança de 95%, ouviu 2.154 pessoas aptas a votar, com 16 anos ou mais, entre os dias 10 e 13 de outubro. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-08729/2026.

VÍDEO: "Não há a menor dúvida de que será aprovada hoje", diz Erika Hilton sobre PEC do fim da escala 6x1 no Senado
Fotos: Edu Mota / Bahia Notícias

A deputada federal Erika Hilton (PSOL), autora da Proposta de Emenda à Constituição que extingue a jornada de trabalho na escala 6x1 (PEC 221/2019), expressou convicção na aprovação definitiva da matéria pelo Plenário do Senado Federal em dois turnos de votação nesta quarta-feira (14).


Confira momento em vídeo:

 

Em declarações prestadas à imprensa no Congresso Nacional, a parlamentar destacou o percurso do texto desde a sua apresentação na Câmara dos Deputados e criticou as manobras da oposição para protelar ou alterar o teor do parecer original.

 

"Não há a menor dúvida de que essa matéria será aprovada hoje nos dois turnos necessários no Plenário do Senado da República. Muitos tentaram impedir que a nossa matéria andasse desde o momento em que ela foi protocolada na Câmara", alega Hilton, ressaltando o expressivo apoio obtido na votação em primeiro momento na Casa Baixa.

 

ARTICULAÇÃO NO SENADO

A deputada reconheceu que a proposta enfrentou um período de estagnação no Senado, mas elogiou o entendimento das lideranças partidárias e da presidência do Congresso para inclusão da matéria na pauta de deliberações.

 

"A matéria veio para o Senado, ficou parada um tempo […] nós tecemos crítica ao tempo que ficou parado […], mas hoje ela volta com a sensibilidade do presidente Davi Alcolumbre e dos líderes partidários. Ela será também aprovada com um número de votação tão surpreendente quanto foi a da Câmara dos Deputados", disse.

 

Hilton também rebateu as investidas de congressistas alinhados ao senador e candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que apresentaram requerimentos alternativos e emendas para modificar os prazos de transição da proposta.

 

"Os trabalhadores estão aguardando o fim da escala 6x1. Nenhuma manobra feita pelos aliados do Flávio Bolsonaro, inclusive a apresentação de requerimento, para tentar pautar a PEC das Horas Trabalhadas e as emendas tentando mudar o tempo de transição, todas elas também serão derrotadas", avisa a parlamentar.

Com gol de Endrick no final, Real Madrid vira contra Roma na Liga dos Campeões; confira resultados
Foto: Reprodução/Instagram (@realmadrid)

A segunda rodada da fase de liga da Champions League foi encerrada nesta quarta-feira (14). O Real Madrid conseguiu uma virada emocionante contra a Roma, jogando na Itália. O jovem brasileiro Endrick foi um dos destaques ao entrar no segundo tempo e empatar a partida na reta final. O zagueiro Antonio Rudiger marcou o gol da virada dos Madrilenhos.

 

No Estádio Olímpico de Roma, os donos da casa começaram melhor. Marten de Roon bateu de fora da área para abrir o placar aos 20’. Kylian Mbappé não deixou barato e empatou com um golaço em um chute da intermediária. 

 

Na segunda etapa, a Roma começou a todo vapor. Em seis minutos, Donyell Malen balançou as redes duas vezes e colocou os Lobos na vantagem por 3 a 1. Mas na reta final, os atacantes Endrick e Carlos Espí, que entraram durante o jogo, comandaram a reação dos espanhóis ao marcar um gol cada. Nos acréscimos, Rudiger subiu mais alto e cabeceou para fazer o tento da vitória do Real Madrid.

 

Na Inglaterra, mais especificamente no Etihad Stadium, em Manchester, o PSG assombrou a noite dos donos da casa. Primeiro os parisienses abriram 3 a 0 com gols de Désiré Doué, Ousmane Dembélé e Vitinha com apenas 32 minutos de jogo. No segundo tempo, Erling Haaland marcou dois tentos para amenizar a derrota, mas contando com uma falha de Gianluigi Donnarumma, Maghns Akliouche ainda fez 4 a 2 para os franceses.

 

OUTRA REMONTADA ESPANHOLA
Na noite anterior, na terça-feira (13), foi a vez do Barcelona fazer a sua história com uma remontada. Jogando no Rams Park Stadium, em Istambul, na Turquia, o Barça viu os donos da casa, Galatasaray, abrir o placar com Aleksey Batrakov. Mas João Cancelo, Fermín López, Anthony Gordon e Karim Adeyemi marcaram os gols da virada catalã.

 

Amazônia registra menor área desmatada desde 1985

Por Redação

Amazônia registra menor área desmatada desde 1985
Foto: Reprodução / Magnific

A Amazônia registrou o menor índice de desmatamento da série histórica que abrange o uso da terra no Brasil entre 1985 e 2025, conforme o levantamento realizado pelo MapBiomas divulgado nesta quarta-feira (14). 

 

Em 2025 foram registrados 693 mil hectares de desmatamento, desse total, 639 mil hectares (cerca de 92%) correspondiam a vegetação primária (vegetação nativa), enquanto 54 mil hectares eram de vegetação secundária (que já sofreu alguma modificação por conta da ação humana).

 

Para o pesquisador do Imazon e do MapBiomas, Bruno Ferreira, o resultado está alinhado à tendência recente de diminuição no desmatamento, também observada nos dados oficiais do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

 

Apesar do menor índice anual da série, a análise aponta que o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa entre 1985 e 2025. Nesse mesmo período, a área destinada à agropecuária cresceu 440%, e a área acumulada de conversão da vegetação para usos humanos aumentou 492%, chegando a 74,6 milhões de hectares. 

 

Nos territórios localizados a até cinco quilômetros das vias identificadas pelo levantamento, a agropecuária ocupa 40,2% da área, o equivalente a 63 milhões de hectares. A participação da atividade diminui conforme aumenta a distância das estradas. Em um raio de 20 quilômetros, a agropecuária representa 26,7% da área.

 

Já a vegetação nativa corresponde a 56,7% do território localizado a até cinco quilômetros das vias e a 69,3% quando considerado o raio de 20 quilômetros.

Além das Manchetes: Moletom, engajamento e prosperidade

Por Malu Fontes

Além das Manchetes: Moletom, engajamento e prosperidade
Foto: Reprodução/ Redes sociais

Depois de Lula declarar em sua primeira fala pública após o primeiro turno que estava convencido de que iria vencer as eleições, o que parece é que seu eleitorado e parte dos indecisos ou ausentes, mas nem tão anti assim, compreenderam o contrário, projetado para o futuro: a direita bolsonarista vai vencer se não se fizer alguma coisa. Algo perto dessa percepção explica o que vem acontecendo do final de semana para cá nas ruas de várias metrópoles brasileiras.

 

As imagens da Avenida Paulista, da Praia de Copacabana, da Barra, de Recife ou da UnB, em Brasília, não são apenas a ilustração de uma campanha do segundo turno bem diferente da primeira, na rua. O telejornalismo, os feeds das redes, a imprensa estrangeira mostram uma reação que estremeceu e trincou o tom de vitória visto nos discursos da campanha de Flávio Bolsonaro. Antes deste final de semana Flávio se comportava como o quase eleito, falando de medidas, mudanças e nomes para seu governo, não como o candidato com votos a serem conquistados.

 

Como em tempos de redes todo mundo precisa de uma imagem do dia, da semana ou do fenômeno descrito, os movimentos de rua deram à campanha de Lula no domingo uma imagem e tanto para chamar de sua: o homem sem camisa e com uma calça de moletom sobre marquise de metrô na Avenida Paulista. De “muita massa magra” a “gostoso da campanha” e “meu homem, minha vida”, Israel Augusto (segundo informações que circulam nas redes esse é o seu nome) foi chamado de tudo e catapultado para o posto de dono da imagem indiscutível da campanha do segundo turno nas ruas. Além de muso indiscutível dos memes.

 


Ponte sobre rio Capiberibe, em Recife, tomada por apoiadores de Lula no último domingo (11) |
Foto: Paullo Almeida / Folha de Pernambuco

 

Até ontem nada se sabia, além deste nome, do personagem anônimo mais reproduzido da campanha eleitoral no segundo turno nacional. Mas em seu perfil nas redes, com raras publicações, já estava lá o @ da assessoria. De campanhas de marcas de moletom a sites gays e academias, o que não deve estar faltando são convites de todos os tipos econômicos e morais para o moço. Nem os recém-saídos do BBB durante o Carnaval, disputados por currais vips Brasil afora, jamais foram içados de modo tão rápido à fama nacional.

 

DE BARRIGA A VERBO
Mas como não só de barriga de tanquinho pode viver a crônica eleitoral, começamos a semana com um verbo disputado a tapa entre esquerda e direita: prosperar. Quando há algum tempo se falava em teologia da prosperidade em algumas denominações evangélicas, esse pacto com a fé que substituía o futuro bem-aventurado no reino dos céus pelo aqui e agora, não imaginaríamos que prosperar e prosperidade fossem alçados ao vocabulário dos palanques como hashtags valiosas.

 

Após tomar uma surra de votos dos pobres empreendedores que foram ridicularizados com a pecha de “CEO de MEI”, a esquerda fez muito rápido o contorcionismo no vocabulário. Agora, assume o comprometimento com a prosperidade de quem não quer estudar e passar o resto da vida numa sala de telemarketing ou sem chances de sair do emprego no comércio do bairro periférico onde vive.

 

Do seu até então conforto sobre os milhões de votos de vantagem no primeiro turno, Flávio também tem se contorcido e adotado novos pontos de vista, forçado pelas circunstâncias e pelo crescimento do engajamento de Lula nos últimos dias. Após defender a flexibilidade de as pessoas trabalharem e serem remuneradas por horas trabalhadas, foi atingido pela reação negativa e anunciou que vai votar a favor do fim da escala 6x1. Gente na rua e queda de engajamento produzem efeitos colaterais muito rápido quando se tem pouco mais de uma semana para ganhar ou perder uma eleição.

 

Seja por conta de um moletom sem camisa numa marquise, seja pela adoção forçada do tema da prosperidade ou da ideia de introduzir a remuneração por horas trabalhadas, o fato é que o embate Lula versus Flávio passou por uma transformação inesperada e desfavorável para a campanha bolsonarista. O engajamento da campanha de Lula quadruplicou em uma semana e o candidato ganhou duas vezes mais seguidores que seu concorrente no mesmo período. Até o dia 25, ninguém vai ter vida fácil. Nem nas ruas nem nas redes.

 

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora do Curso de Jornalismo da UFBA
@maluzes  [email protected]

Além das Manchetes: A Corte, os cortes, o Brasil partido e a imprensa com isso
Foto: Reprodução / TV Globo

No Brasil, todo mundo é técnico de futebol na Copa do Mundo, médico em epidemia e analista internacional diante de conflitos globais. Com as redes, nos tornamos também milhões de cientistas políticos, cada um com um diagnóstico para os números que saíram das urnas domingo. Entre os progressistas, a culpa, máxima culpa, é do lado oposto. Nunca ninguém no próprio campo cometeu erro algum, seja de avaliação, condução e, muito menos, de leitura de cenário. E se cometeu, ah, mas isso é hora de falar disso? 

 

Chegamos ao final do primeiro turno das eleições de 2026 com o país radicalmente dividido. Metade do eleitorado com ódio da outra e invocando de modo quase explícito a extinção de quem pensa e vota diferente de si. O real é que uma metade do Brasil não vai se livrar da outra, não é verdade que tenhamos no país mais de 50 milhões de nazistas, nem 50 milhões de burros. 

 

Imprensa e Cleitinho - Aqui, o ponto de partida de onde se observa o cenário, um Brasil cortado ao meio com uma fenda ideológica aberta por uma guerra mais cultural que política, é a imprensa. Do jornalismo profissional praticado pelas empresas de comunicação ditas tradicionais aos veículos ditos independentes, marcados cada um do seu lado por seu viés ideológico, como de um lado a revista Oeste e a Gazeta do Povo, e do outro, o ICL, a revista Fórum e o Intercept, como exemplos. Não se ignora aqui o protagonismo e a capacidade das redes de viralizar na mesma medida tanto fatos reais quanto versões avessadas destes. Só não confundimos redes com imprensa. 

 

O que a imprensa noticiou nas últimas semanas atingiu, sim, as campanhas eleitorais, à direita e à esquerda. Entretanto, o que parte da opinião pública não consegue é separar o que são os fatos reais que constituem as notícias, seu impacto no eleitorado e a distância entre a responsabilidade da imprensa em informar e a “culpa” do jornalismo pelas performances eleitorais de A ou B. 

 

Estamos hoje em um ecossistema informativo em que o jornalismo talvez seja a fonte pela qual só um percentual ínfimo do eleitorado leve em consideração o que lê na imprensa quando se trata de decidir em quem votar. E não diga que alguém acredita que a população de Minas Gerais levou em consideração a imprensa ao eleger com uma votação estrondosa o ex-verdureiro Cleitinho. O autoengano dos cientistas políticos do zap impressiona. 

 

Geni e a desaplaudida - Antes, durante e depois da já histórica reunião do STF, o que se via era uma Corte metendo os pés pelas mãos e comprometendo o futuro institucional do país, desmentindo a máxima de que “as instituições estão funcionando”. A Suprema Corte ofereceu voluntariamente os  melhores cortes, o mais valioso produto eleitoral da vez, para que a nova e extrema direita construísse castelos de voto. No entanto, tanto para a extrema direita como para os progressistas, a culpa de todos os prejuízos de reputação de seus totens é da imprensa. A Globo, por exemplo, é a grande Geni nacional, atacada pelos dois lados. 

 

O que os caçadores dos votos perdidos precisam é decidir se a imprensa tem ou não poder. Na hora dos debates, por exemplo, o argumento é o de que a imprensa perdeu o protagonismo de agendar a esfera pública. Quem é o neandertal que precisa de debate na TV para decidir voto? Vamos então às redes, às mensagerias privadas, aos youtubers. Entretanto, quando faltam votos nas urnas, quem provocou o sumiço destes? A imprensa e os jornalistas malintencionados. Que paradoxo é esse? Como pode a imprensa, essa desaplaudida, ser tão poderosa para promover ou fazer debandar milhões e milhões de votos, se ninguém a consome? Vejo professores se orgulhando de não assinar jornais, não terem (mais) TV em casa e se recusarem a ver um telejornal. Mas o veredicto destes para a ressaca eleitoral é a condenação do jornalismo. No máximo dividem a sentença com os pastores. O futuro já chegou. 

 

Malu Fontes é jornalista, doutora em Comunicação e Cultura e professora do Curso de Jornalismo da UFBA - @maluzes / [email protected]

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
O primeiro turno das eleições apresentaram aos políticos que é tempo de recomeçar. Ou ao menos reatar o que estava adormecido, como no caso do Soberano, que reatou com os Bolsonaro, apoiando o 01 do Capitão. Fez questão de levar os apoiadores para não dizerem que vai só leva um voto. Melhor dividir a responsabilidade mesmo... Além disso, por falar em recomeçar e resgatar o tempo perdido, veja Regis Redondo: passou a agonia de eleição e já voltou a vida fitness. Suspeito que esteja querendo que eu volte a chamá-lo de Sandrinho Light. Siga firme que penso em seu caso.

Pérolas do Dia

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
Foto: Charles Vieira / Campanha de Flávio Bolsonaro

"Eu conversei com ele [Jair], tá bem humorado, tá satisfeito com o trabalho que vem sendo feito, tá esperançoso que o Brasil vai mudar. É óbvio que ele dá algumas dicas aqui, mas não vou ficar externando, porque pode ser interpretado de forma maldosa e ser revertido contra ele". 


Disse o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), está "satisfeito" com o resultado do primeiro turno das eleições 2026. Na ocasião, o primogênito do ex-chefe do Executivo terminou a disputa com 47,03% dos votos, enquanto o atual presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alcançou 46,16%.

AjorProjor

Podcast

Projeto Prisma recebe o cientista político do INCT.DD Eduardo Grizenti nesta segunda

Projeto Prisma recebe o cientista político do INCT.DD Eduardo Grizenti nesta segunda
O pesquisador trará um panorama detalhado do mapa eleitoral desenhado pelas urnas, o peso das redes sociais na definição dos votos nas disputas majoritárias e proporcionais, além dos cenários e tendências políticos para a Bahia e o Brasil nos próximos anos.

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