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A Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA) deu um passo decisivo para demitir e responsabilizar o auditor fiscal Olavo José Gouveia Oliva, que ocupava o cargo de coordenador de fiscalização de petróleo e combustíveis do Estado. O processo foi anunciado em portaria publicada no Diário Oficial ainda nesta quinta-feira (15), com a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar formalmente a conduta do servidor, que já havia sido preso na Operação Khalas, deflagrada em maio deste ano pela Força-Tarefa de Combate à Sonegação Fiscal da Bahia.
Durante essa ação policial, os investigadores encontraram cerca de R$ 250 mil em dinheiro vivo (incluindo notas de moedas estrangeiras) em posse do servidor. O caso é considerado um grande escândalo fiscal recente no estado da Bahia.
Momentos da busca e apreensão na casa de Olavo | Foto: Reprodução / MP-BA
RELEMBRE O ESQUEMA
Com a abertura do processo interno de demissão, novos detalhes sobre como o ex-coordenador agia por debaixo dos panos vieram à tona. O Bahia Notícias (BN) teve acesso ao procedimento do caso por meio de documento da Secretaria e despachos judiciais sobre o investigado.
Nos documentos, as investigações apontam três graves irregularidades cometidas por ele entre 2021 e 2025. Foram elas:
- Vazamento de dados sigilosos: O auditor usava o próprio e-mail de trabalho para enviar informações fiscais secretas para empresários e pessoas de fora do governo ligadas ao setor de combustíveis;
- Cobrança de propina: Ele é suspeito de cobrar e receber vantagens financeiras indevidas (a famosa propina) calculadas diretamente sobre o valor dos impostos que as empresas de combustíveis deviam ao Estado. Em troca do dinheiro, o coordenador atrasava ou simplesmente não realizava as fiscalizações tributárias;
- Dono de empresa "por baixo dos panos": Desde 2021, Olavo atuava como sócio-administrador de uma empresa privada, atividade que é expressamente proibida pela lei baiana para qualquer funcionário público.
INFLUÊNCIA NO PODER
Além dessas acusações graves que o auditor deve responder, há uma clara relação entre as ações policiais. Afinal, Operação Khalas não surgiu do nada: ela é um desdobramento direto da Operação Primus, realizada em outubro de 2025 para combater a sonegação fiscal no mesmo setor de combustíveis na Bahia.
As investigações da Primus revelaram indícios de que empresários e operadores continuavam atuando mesmo após as primeiras prisões. A partir desse material, os investigadores aprofundaram as apurações e identificaram a suspeita de participação de um servidor da Sefaz-BA, o então coordenador de fiscalização de petróleo e combustíveis, Olavo Oliva.
Foi nesse contexto que nasceu a Operação Khalas, voltada a apurar a suposta atuação de Olavo dentro do esquema. Segundo as investigações, ele teria usado o cargo para favorecer empresas do setor, mediante pagamento de propina, além de vazar informações fiscais sigilosas e retardar ou deixar de realizar fiscalizações tributárias.
A conexão entre as duas operações também aparece entre os investigados. Uma das rés da Operação Khalas foi presa e é apontada como esposa do empresário conhecido como "Jaú", preso durante a Operação Primus. Para os investigadores, isso indica que a organização criminosa permaneceu em atividade mesmo após a primeira fase da investigação, mantendo a atuação de empresários e, posteriormente, contando com a participação de um agente público.
Além dos crimes de colarinho branco, a polícia encontrou outra irregularidade durante as buscas na casa de Olavo Oliva. Os policiais apreenderam um revólver calibre .38 e 52 munições na residência de Olavo, localizada no nobre bairro do Itaigara, em Salvador. Na ocasião, ele alegou que mantinha a arma há dez anos apenas para proteção pessoal. Embora a Justiça tenha concedido liberdade para a acusação da arma, ele permaneceu na prisão devido ao mandado preventivo da Operação Khalas.
Os bastidores jurídicos da prisão de Olavo também chamam atenção. Inicialmente, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) não havia pedido a prisão preventiva do auditor fiscal, solicitando apenas medidas mais brandas, como o afastamento do cargo público e a proibição de que ele entrasse nos prédios da Sefaz-BA.
Sede do Sefaz-BA e Fórum da magistrada em Feira de Santana | Fotos: Reprodução / Google Maps
Contudo, a juíza da 2ª Vara de Feitos Criminais da Comarca de Feira de Santana decidiu agir por conta própria, o que no meio jurídico se chama de decisão "de ofício". A magistrada determinou a prisão preventiva de Olavo, alegando que o simples afastamento do cargo não seria suficiente para neutralizar a forte influência e o poder que ele exercia.
"Mesmo afastado, [Olavo] poderia influenciar subordinados, acessar pessoas ainda no exercício de funções e utilizar sua rede de relações construída ao longo dos anos no órgão fazendário. Ele [tem] capacidade concreta de interferência na produção probatória" e que o "afastamento funcional isolado não neutralizaria a rede de influência do investigado", estabeleceu a juíza.
DEFESA E FUTURO
A principal estratégia da defesa do auditor nos tribunais tem sido focar em sua saúde debilitada. Aos 69 anos, Olavo Oliva possui uma extensa lista de doenças graves e crônicas. Ele sofre de diabetes tipo 2 (com dependência diária de insulina), hipertensão, cirrose, doença arterial coronariana e hiperplasia prostática, fazendo uso contínuo de mais de dez medicamentos por dia.
A defesa vem tentando, de modo repetitivo, reverter a prisão em regime fechado para prisão domiciliar. Até o momento, no entanto, todos os pedidos foram negados pela Justiça baiana, que entendeu que o sistema prisional tem condições de oferecer a assistência médica e os remédios necessários para o tratamento do acusado.
No âmbito do governo, a Sefaz escalou uma comissão de peso para tocar o Processo Administrativo Disciplinar (PAD). O grupo é formado por três auditores fiscais de carreira: Eduardo Dutra Freitas (que preside a comissão), Eduardo Veloso dos Reis e Shimpei Yoshida. Eles têm o prazo de 60 dias (que podem ser prorrogados por mais 60) para concluir o relatório final.
Caso as acusações de corrupção, vazamento de dados e gerência de empresa privada sejam confirmadas ao final desse processo interno, Olavo José Gouveia Oliva perderá definitivamente o cargo público, ou seja, será demitido. Paralelamente, ele segue preso e respondendo ao processo criminal na Justiça de Feira de Santana por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
O Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão proferida no dia 21 de dezembro de 2025, publicada nesta quarta-feira (7), o ministro Alexandre de Moraes negou o pedido de Habeas Corpus que buscava revogar a prisão preventiva de Wesley Márcio Duda e outros investigados. O caso teve início na Bahia e envolve a investigação de uma organização criminosa dedicada à adulteração, armazenamento e distribuição clandestina de combustíveis, deflagrada a partir da Operação Primus.
A prisão preventiva foi decretada com base em uma representação do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco). A investigação aponta a existência de uma organização estruturada que utilizava empresas de fachada para manipulação de cargas, blindagem societária e patrimonial, além de uma rede de postos e transportadoras para dissimular a origem de recursos e manter a prática delitiva. A operação foi batizada de "Carbono" e, posteriormente, "Primus".
De acordo com a decisão, a manutenção da custódia tem relação com um lastro robusto de provas, obtidas por meio de interceptações telefônicas e telemáticas autorizadas judicialmente, laudos periciais que descrevem galpões clandestinos e adulteração de combustíveis, e diligências que identificaram caminhões-tanque em funcionamento irregular em 2025.
Além disso, dados financeiros levantados pelas autoridades revelaram movimentações no valor de R$ 34,45 milhões em apenas seis meses por empresas ligadas ao núcleo da investigação.
O ministro, ao analisar o caso, ressaltou a complexidade e a continuidade do esquema criminoso. Os relatórios apontam para um modus operandi sofisticado, com rápida substituição de sócios nas empresas envolvidas, uso de "laranjas" (como a sogra de Wesley Duda) e a tentativa de ocultação patrimonial, evidenciando, segundo a decisão, "alta capacidade de obstrução e dissimulação probatória se em liberdade". A decisão citou que o crime de integrar organização criminosa é considerado de natureza permanente, persistindo enquanto o agente mantém vínculo com o grupo.
Especificamente sobre Wesley Márcio Duda, a polícia o aponta como responsável pela administração e gestão logística da movimentação de caminhões de combustíveis e pela adulteração de cargas em um galpão clandestino, descrito como uma "batedeira de naftas". As investigações também o vinculam a manobras jurídicas para alterar a composição societária de empresas, numa clara tentativa de ocultar sua atuação direta.
Já sobre Robson Crispim Moreira Santos, identificado como contador, a decisão destaca que sua participação era "imprescindível" nas movimentações financeiras do grupo, atuando na ocultação de rastros e desempenhando um "papel estratégico na sustentação financeira e na ocultação patrimonial do esquema".
A defesa argumentou que a prisão seria desnecessária, uma vez que o Ministério Público, em momento posterior, não manifestou interesse na manutenção da segregação. No entanto, o relator citou que, em ação penal conexa (HC 1.060.585), o juízo de origem destacou que o Parquet se manifestou pela manutenção das prisões, considerando íntegros os fundamentos que as originaram.
A defesa alegou a ausência dos pressupostos para a prisão preventiva e argumentou que ele estava preso sem que o titular da ação penal (Ministério Público) tivesse interesse expresso na manutenção da prisão. O pedido foi inicialmente negado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e, posteriormente, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde um pedido de reconsideração também foi indeferido.
A decisão afirmou que em ação penal correlata, o TJ-BA destacou que o Ministério Público se manifestou pela manutenção das prisões cautelares. A autoridade judicial salientou que os elementos colhidos na "Operação Primus" reforçavam a necessidade da custódia para garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal, a aplicação da lei penal e a eventual reparação de danos.
Moraes manteve a prisão preventiva de todos os investigados, afirmando que diante da gravidade da organização e do poderio econômico do grupo, medidas cautelares alternativas se mostrariam inadequadas e insuficientes para conter os riscos de reiteração criminosa, obstrução da justiça e ameaça à ordem pública e econômica.
Durante o anúncio de um conjunto de novos investimentos e medidas para a segurança pública da Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues destacou, nesta segunda-feira (3), a necessidade de uma atuação mais ampla e equilibrada do Estado na área da segurança, para além da repressão policial.
O evento, realizado no Centro de Operações e Inteligência (COI) da Secretaria da Segurança Pública (SSP), no Centro Administrativo da Bahia (CAB), contou também com a entrega de novas viaturas para as forças de segurança.
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Em seu discurso, o governador defendeu que o Estado deve atuar como mediador e não como agente de violência.
“O Estado não pode ser um estado matador. Não pode. O Estado tem que mediar. Quando ficamos nessa disputa de quem está certo ou errado, de quem defende ou não o criminoso, perdemos o foco. O que as pessoas querem é o direito de ir e vir”, afirmou Jerônimo, numa referência à Operação Contenção, que deixou 119 mortos no Rio de Janeiro no último dia 21.
O governador ressaltou que a presença do Estado nas comunidades deve ir além da polícia e incluir ações sociais e estruturais.
“A força presente do Estado não é só da polícia. Queremos ver uma polícia forte e respeitada, mas precisamos também olhar para a escola, a creche, a UPA, a igreja, a quadra. Esses são equipamentos valiosos de cidadania”, disse.
Jerônimo destacou ainda que a confiança exclusiva na atuação policial indica um desequilíbrio nas políticas públicas. “Quando a sociedade fica na expectativa de que só a polícia resolve, a situação não está bem. Precisamos respeitar todas as instituições que constroem a comunidade”, completou.
Em outro momento da solenidade, o governador citou ações recentes de combate ao crime organizado, como a Operação Primus, que mirou estruturas financeiras do tráfico.
“Há 20 dias, fizemos uma operação que foi direto no andar de cima do crime organizado. A comunidade da Serra do Rio Grande foi violada, mas o que está ali é a ponta do iceberg. Em algum lugar está a fonte financeira, e é lá que precisamos chegar”, declarou.
Jerônimo também reforçou a preocupação com o impacto da violência sobre as periferias e a juventude negra. “Quem paga a conta é a comunidade, são os nossos filhos negros, a nossa juventude. O que queremos é um ambiente de paz, onde meninos e meninas possam brincar, ir e voltar da escola com segurança”, afirmou.
O esquema de adulteração de combustíveis revelado pela Operação Primus foi descoberto a partir de batedeiras [depósitos clandestinos] de nafta [composto químico usado na mistura ilícita] em Conceição do Jacuípe, na região de Feira de Santana.
A informação foi divulgada ao Bahia Notícias pela diretora do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil da Bahia, delegada Haline Peixinho.
“No depósito em Conceição do Jacuípe, foram encontrados equipamentos de batedeiras de nafta, que já tinham sido identificado na Operação Carbono, realizada na Bahia em 2024”, disse ao BN em coletiva de imprensa nesta sexta-feira (17).
Ainda segundo a delegada, na investigação foi possível identificar a relação das empresas de Jailson Couto Ribeiro, o Jau Ribeiro, alvo principal da operação na Bahia, com companhias de fachada como também com a Copape, produtora de gasolina e pertencente a Mohamad Hussein Mourad, “o Primo”, peça-chave e foragido no âmbito da megaoperação Carbono Oculto, deflagrada em agosto passado.
“No decorrer da investigação, foi possível identificar o uso de ‘laranjas’ em estruturas societárias, tanto em empresas na Bahia quanto em São Paulo. A análise da vinculação de contadores e das alterações contratuais foi fundamental para correlacionar os envolvidos, além da utilização de notas fiscais vinculadas à Copape, que também foi alvo da Operação Carbona Ocúpito”, explicou Haline Peixinho.
POSTOS EM TODA BAHIA
A delegada também informou que a rede de postos afetados na Bahia está espalhada em todo o estado e não está vinculada a uma bandeira. “Não há uma bandeira específica. Os postos de combustível envolvidos apresentam diversidade. Anteriormente, havia uma maior atuação com a bandeira Shell, mas atualmente não há mais esse direcionamento. São diversas bandeiras”, relatou.
A delegada informou ainda que a apuração sobre o impacto financeiro e o prejuízo à arrecadação estadual será conduzida em uma investigação fiscal específica, desmembrada do inquérito principal.
“Essa é uma investigação que será desmembrada, com foco principal na investigação fiscal. Acredito que todo o material apreendido na operação que realizamos também será vinculado a essa investigação”, afirmou Peixinho.
O secretário de Segurança Pública Marcelo Werner afirmou nesta sexta-feira (17), que a Operação Primus, deflagrada pela Polícia Civil, desarticulou a atuação da facção PCC no esquema de adulteração e comercialização irregular de combustíveis na Bahia.
Questionado pelo Bahia Notícias sobre a ação ter confrontado diretamente o PCC, o titular da SSP apontou que a iniciativa foi uma resposta a liderança financeira da organização criminosa.
“Ao que tudo indica, sim. Logicamente as investigações continuam, mas queria destacar a importância dessa operação. Uma operação que começa a partir de denúncias de adulteração de combustível, que a partir do avanço delas parte para uma rede de ocultação e de lavagem de dinheiro, inclusive com uma associação direta com os principais operadores de lavagem de dinheiro em rede de combustível em São Paulo, da facção daquele estado”, revelou Werner.
O chefe do órgão indicou ainda que foi constatada uma associação direta com operadores de lavagem de dinheiro em rede de combustível em São Paulo, fazendo com que 200 postos de combustíveis fossem investigados.
“Demonstramos que havia o vínculo direto entre eles. Cerca de 200 postos estão sendo investigados por adulteração ou por serem utilizados como lavagem de dinheiro. Isso indica e mostra a grandiosidade desse esquema que foi desvendado pela Polícia Civil. O valor de determinação judicial de sequestro é de R$ 6,5 bilhões de reais. Isso indica, sim, um grande combate, uma grande ação frontal contra um grande esquema de adulteração e de lavagem de dinheiro do nosso estado”, completou.
O diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), delegado Fábio Lordello, detalhou nesta quinta-feira (17) o andamento da investigação que desarticulou um braço da organização criminosa investigada na Operação Carbono Oculto, com atuação na Bahia. Segundo ele, a facção utilizava uma rede de mais de 200 postos de combustíveis, além de empresas de fachada, para movimentar recursos provenientes de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.
De acordo com Lordello, a operação identificou que o grupo mantinha relação direta com investigados em São Paulo, conhecidos entre si como “Primos”. Na Bahia, o esquema era liderado por Jailton Ribeiro, conhecido como Jailson Ribeiro, apontado como o principal articulador das atividades ilícitas no estado, subordinado ao empresário Mohamed, que continua foragido.
“O que acontece em uma investigação dessa é que a organização tem muito capital e precisa distribuí-lo. No estado da Bahia, ela encontrou, infelizmente, essa rede de postos capitaneada por Jau, que possibilitou o fluxo financeiro e a aquisição de nafta para adulteração de combustíveis, multiplicando os ganhos”, explicou o delegado.
Durante as ações de busca e apreensão, a Polícia Civil localizou galpões usados para armazenar e misturar nafta, substância empregada na adulteração dos combustíveis, nas cidades de Feira de Santana, Alagoinhas e outras da região. O produto era transportado por empresas ligadas a Mohamad Hussein Mourad, conhecido também como "O Primo".
A operação contou com a autorização judicial para bloqueio de R$ 6,5 bilhões, montante que revela, segundo o delegado, a dimensão da estrutura criminosa e seus impactos econômicos e sociais.
“Uma organização desse porte afeta todo o tecido social, desde o consumidor que abastece com combustível adulterado até a aquisição de armas e drogas, o que gera mais violência. O foco do Draco é descapitalizar e atingir o topo dessas organizações”, afirmou.
Lordello destacou ainda que o trabalho de investigação continua, visando identificar empresas e pessoas ligadas ao grupo. Segundo ele, o levantamento continua em andamento, e seria “prematuro falar em valores” de prejuízo fiscal causado pela evasão de impostos.
“Acreditamos que o montante perdido em arrecadação seja alto, mas ainda estamos aprofundando essa parte da apuração. Haverá desdobramentos fiscais de médio e longo prazo”, disse.
O delegado informou que os postos envolvidos operavam com e sem bandeira, sem distinção para a atuação do grupo. “Para a organização, o importante era realizar a adulteração e distribuir o combustível, independentemente da bandeira. O objetivo era dissimular e ocultar os recursos ilícitos”, explicou.
Na Bahia, os principais alvos da operação já foram presos, e os demais continuam sendo monitorados. Lordello reforçou que o Draco seguirá com novas etapas da investigação, que deve se expandir para identificar outros integrantes do esquema, incluindo os elos intermediários e de base.
Durante a apuração, a Polícia Civil apreendeu veículos de luxo em nome de Jailton Ribeiro. Segundo o delegado, somente dois automóveis ultrapassam o valor de R$ 600 mil, enquanto o investigado havia declarado apenas R$ 275 mil em bens à Justiça Eleitoral quando foi candidato em Iaçu, em 2024.
“A sociedade pode ter certeza de que todos os envolvidos sofrerão a ação repressiva da Polícia Civil. Nosso foco é desarticular o topo, o meio e a base dessa estrutura criminosa”, concluiu Lordello. (Atualizado às 13h29)
Além de Jailson Couto Ribeiro, o Jau Ribeiro, de 57 anos, foram presos durante a Operação Primus, dois filhos, um cunhado e um irmão dele. A ação, que apura um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro com indícios de ligação com a facção PCC, cumpriu nesta quinta-feira (16) oito mandados de prisão, seis deles na Bahia.

Jau Ribeiro chegando a Feira de Santana / Foto: Ed Santos / Acorda Cidade
Principal alvo da investigação, Jau Ribeiro foi localizado em um hotel de luxo, em Lençóis, na Chapada Diamantina. Em Feira de Santana, foram detidos Wesley Márcio Duda, Gilvan Couto Ribeiro, Diego do Carmo Santana Ribeiro e Pedro Henrique Ramos Ribeiro. No Rio de Janeiro, foi preso Israel Ribeiro Filho, e em São Paulo, Mário Kadow Nogueira, informou a TV Subaé. O oitavo preso na operação não teve o nome revelado.
Ex-candidato a prefeito por duas vezes em Iaçu, no Piemonte do Paraguaçu, Jau Ribeiro costumava exibir uma vida de luxo nas redes sociais, com viagens internacionais para destinos como Itália, Luxemburgo, Emirados Árabes e Espanha. Em 2022, Jau apoiou a candidatura do deputado federal Dal Barreto (União), que foi alvo da sexta fase da Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última terça-feira (14).
Ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, o advogado Joari Wagner, que representa quatro dos investigados, afirmou em entrevista que ainda não teve acesso ao processo e que seus clientes foram surpreendidos pela ação. “Nesse momento eu vou ocultar os nomes, porque está em sigilo. Eu não vou expor as pessoas, mas até aqui são seis que estão aqui. Desses seis, fui procurado por quatro e vou me habilitar nos autos para verificar o que de fato ocorreu. Não tivemos acesso a nada, não sabemos por que a operação foi deflagrada nem os fundamentos da decisão judicial que decretou as prisões. [Eles] estão perplexos, estão surpresos, não sabem ainda. Estamos aguardando o desenrolar da investigação e as informações após termos acesso aos autos do processo”, declarou.

Advogado de investigados / Foto: Ed Santos / Acorda Cidade
Conforme a Polícia Civil, a operação visa desarticular um grupo criminoso que atua no setor de combustíveis. Na Bahia, mandados de prisão e busca e apreensão foram cumpridos em Feira de Santana, Salvador, Conceição do Jacuípe, Alagoinhas, Morro do Chapéu, Itaberaba e Iaçu.
Durante as ações, foram apreendidas três pistolas, uma submetralhadora, carregadores, munições e cerca de dez veículos de luxo. As investigações também apuram irregularidades em cerca de 200 postos de combustíveis suspeitos.
O Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD), responsável pelo caso, solicitou à Justiça o bloqueio de bens móveis e imóveis, além do bloqueio de valores dos investigados, que somam aproximadamente R$ 6,5 bilhões.
Sete acusados já foram presos durante a Operação Primus, deflagrada nesta quinta-feira (16). Segundo a Polícia Civil, o principal alvo da ação foi capturado em um hotel de Lençóis, na Chapada Diamantina. Outros três suspeitos foram presos em Conceição da Feira e Feira de Santana.
Alvo principal de ação contra adulteração de combustíveis é preso em Lençóis; delegado aponta indícios de ligação com PCC pic.twitter.com/dA0MMmQQff
— BN Municípios (@BNMunicipios) October 16, 2025
Na última foram detidos o empresário e ex-candidato a prefeito de Iaçu, Jau Ribeiro, e um filho dele. A operação, conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD), também cumpriu mandados nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo.

Foto: Divulgação / Polícia Civil
Durante as ações, foram apreendidas três pistolas, uma submetralhadora, carregadores, munições e cerca de dez veículos de alto padrão. Segundo as investigações, o grupo é suspeito de comandar uma rede criminosa de adulteração e comercialização irregular de combustíveis. A Polícia Civil também apura o envolvimento de cerca de 200 postos de gasolina e já solicitou à Justiça o bloqueio de R$ 6,5 bilhões em bens e valores ligados aos investigados.
Segundo o delegado-geral adjunto da Polícia Civil baiana, Jorge Figueiredo, há indícios de ligação dos investigados com a facção criminosa PCC. “A investigação identificou cerca de 200 postos vinculados a um grupo criminoso que atuava na adulteração e comercialização irregular de combustíveis, com conexões interestaduais e indícios de ligações com PCC”, disse o agente.
VÍDEO: Delegado aponta indícios de ligação de investigados em adulteração de combustíveis com PCC
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) October 16, 2025
Confira?? pic.twitter.com/W1hFhZZTEK
AÇÕES EM OITO CIDADES BAIANAS
As operações foram realizadas em oito municípios da Bahia, incluindo Feira de Santana, Conceição do Jacuípe, Alagoinhas, Morro do Chapéu, Itaberaba, Iaçu, Lençóis e Conceição da Feira, além de São Paulo e Rio de Janeiro.
Ainda de acordo com a polícia, o objetivo da Operação Primus é desarticular uma organização criminosa que usava o setor de combustíveis para lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial.
O empresário Jailson Couto Ribeiro, conhecido como Jau da Lubrijau ou Jau Ribeiro, foi preso na manhã desta quinta-feira (15) em Feira de Santana durante a “Operação Primus”, deflagrada pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco-LD).
Jaú Ribeiro é dono de uma rede de postos de combustíveis e ficou conhecido por ser um dos maiores revendedores da Shell na América Latina. O filho do empresário, que não teve o nome informado, também foi detido na operação.
Em 2020 e 2024, Jau Ribeiro concorreu ao cargo de prefeito de Iaçu, no Piemonte do Paraguaçu, perdendo nas duas ocasiões para Nixon Duarte (PSD).
A Operação Primus visa desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar na adulteração e comercialização irregular de combustíveis, além de praticar lavagem de dinheiro.
Conforme a Polícia Civil, o grupo teria criado uma estrutura empresarial complexa para ocultar patrimônio e movimentar valores ilícitos. As investigações apontam que cerca de 200 postos de combustíveis estariam vinculados à rede comandada pelos suspeitos.
Diante da dimensão financeira do esquema, o Draco-LD pediu à Justiça o bloqueio de bens, imóveis, veículos e valores pertencentes aos investigados, em um total de R$ 6,5 bilhões. A operação cumpre mandados judiciais de forma simultânea na Bahia, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Até o momento, seis pessoas foram presas, sendo quatro delas em território baiano.
EMPRESÁRIO INFLUENTE
Natural de Iaçu, Jau Ribeiro é radicado em Feira de Santana, onde recebeu o título de cidadão honorário em 2022. Jau Ribeiro e o filho foram levados à sede da Polícia Civil em Feira de Santana, onde seguem detidos à disposição da Justiça, conforme informou a TV Subaé. (Atualizado às 8h13)
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Kiki Bispo
"A gente pede que a oposição tenha responsabilidade com os fatos, até porque me causa estranheza a questão da competência. A Câmara não tem competência para acompanhar um fato desse episódio".
Disse o vereador e líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador (CMS), Kiki Bispo (União), disse não ter “clima” para a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal de Salvador (CMS) após ações do Ministério Público contra o vereador George Gordinho da Favela (PP).