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Mensagens extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal revelam que o empresário se referia ao senador Otto Alencar (PSD) como seu “conselheiro” e “comandante”. As informações foram publicadas pelo Jornal O GLOBO neste sábado (19).
O material aponta que os recados e as tratativas eram intermediados pelo advogado Ciro Soares, que repassava mensagens, enviava fotos ao lado do parlamentar e tentava agendar reuniões presenciais entre o dono do Banco Master e o congressista baiano, que nega categoricamente ter conversado ou se encontrado com o empresário.
De acordo com o relatório da PF, o advogado Ciro Soares costumava avisar o banqueiro quando estava reunido com a autoridade e realizava chamadas telefônicas para transmitir os recados do parlamentar.
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Em uma das conversas analisadas pela perícia, ocorrida no dia 30 de maio de 2024, período em que Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Assuntos Econômicos (CAE), Soares enviou a seguinte mensagem a Vorcaro: “Otto queria falar com vc”. O banqueiro pediu “Me chama” e, após uma ligação perdida, mandou o abraço: “Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”.
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Foto: Reprodução / O Globo
As abordagens continuaram no final do mesmo ano, com a promessa de alinhamentos. Em 5 de dezembro de 2024, Soares voltou a abordar o dono do Master alegando a urgência da conversa: “Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”. Em resposta, o banqueiro justificou o não comparecimento afirmando: “Estou num momento muito complicado, amigo”.
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Foto: Reprodução / O Globo
Os diálogos seguiram ao longo de 2025, momento em que o senador assumiu a presidência da CCJ. Em 12 de novembro de 2025, Soares mandou novo recado do ambiente legislativo: “Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”. Vorcaro respondeu solicitando apoio: “Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”.
Na mesma troca de mensagens, em menção à aprovação da recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o advogado declarou: “Hoje ele (Otto) botou pra fuder na sabatina”.
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Foto: Reprodução / O Globo
O relatório da PF destaca também o uso de eventos sociais e chamadas informais para aproximar o empresário do senador. Em 19 de junho de 2025, após uma tentativa frustrada de ligação, Soares escreveu a Vorcaro: “Ottão está dizendo que está com saudades de vc”. O banqueiro respondeu no mesmo tom: “E eu tô dele”.
Em seguida, ao tratarem do patrocínio do Master a um evento em Londres, o advogado mencionou que tentava convencer o parlamentar a viajar, ao que o empresário concordou: “Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”. O advogado arrematou afirmando que “Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”.
O material coletado evidencia ainda repasses frequentes de fotos em compromissos sociais e desabafos sobre o cenário regulatório financeiro. Em março de 2025, durante o torneio de tênis Miami Open, Soares relatou ter conversado com o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto: “Tomei uma raiva desse cara (Campos Neto). Por conta da sacanagem que ele fez com a gente. O bom que o Otto o enquadrou. Mexeu comigo e com vc, o senador fica bravo. Vai pra cima”.
Apesar dos registros, as partes negam o alinhamento citado. À reportagem do Globo, senador Otto Alencar declarou que não é investigado e garantiu que nunca esteve com Vorcaro ou falou com o dono do Master.
Ciro Soares alegou que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas assegurou que não “houve almoço ou encontros” organizados por ele.
A defesa de Daniel Vorcaro não se manifestou, mas reforçou em ocasiões anteriores que o empresário está totalmente à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Uma fotografia encontrada pela Polícia Federal (PF) mostra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, em um momento de descontração ao lado do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master em Londres. Na imagem, Gonet aparece segurando um charuto em frente a uma mesa com copos de uísque. O registro foi enviado em junho de 2025 ao celular de Vorcaro pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor da instituição financeira, com a legenda: “PG me mandou”.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou a autenticidade do material, mas informou que não se manifestará oficialmente. A interlocutores, Gonet afirmou que a foto foi tirada em abril de 2024 e sustentou que a presença no local não sinaliza qualquer relação de intimidade com o empresário.
O documento integra a apuração tornada pública pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também envolve citações ao ministro Alexandre de Moraes. Mendonça submeteu o relatório ao plenário do STF para que os ministros decidam sobre a abertura formal de investigação contra integrantes da Corte. O julgamento, no entanto, foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Questionamento jurídico e trocas de mensagens
Em reação ao avanço do caso, Gonet pediu a anulação do relatório da PF. O chefe do Ministério Público Federal argumenta que a peça foi elaborada por iniciativa direta do relator, sem solicitação prévia da Polícia Federal ou do próprio MPF. Ele alega ainda descumprimento do rito legal, que exige autorização expressa do plenário do STF para a investigação de autoridades com foro na Corte.
Além do registro fotográfico, o conjunto de mensagens inclui diálogos em que o ex-advogado do banco repassa declarações atribuídas a Gonet sobre a expectativa de participar da segunda edição de um Fórum Jurídico em Londres, financiado pelo Banco Master e posteriormente cancelado. Em um das mensagens, o procurador teria escrito: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”.
As investigações apontam que a primeira edição do evento, realizada em 2024 no George Club, custou R$ 3,2 milhões ao banqueiro e reuniu, além de Gonet, o ministro Alexandre de Moraes e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues
Pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta sexta-feira (18), indica a percepção do eleitorado sobre a presença de políticos de diferentes correntes ideológicas no escândalo envolvendo o Banco Master, investigado por suspeitas de fraudes e rede criminosa atribuídas ao ex-banqueiro e dono da instituição, Daniel Vorcaro.
Ao serem questionados sobre qual espectro político reúne a maioria dos envolvidos no caso, 34% dos entrevistados responderam ser a esquerda, enquanto 27% apontaram a direita. A opção de centro foi citada por 10% dos eleitores, e 13% avaliaram que políticos de todas as posições estão envolvidos. Não souberam responder 16% dos ouvidos, e a opção "nenhum" registrou 0%.
A Polícia Federal apura repasses e direcionamento de emendas efetuados por parlamentares ligados a Daniel Vorcaro. Os senadores Ciro Nogueira, Jaques Wagner e Flávio Bolsonaro negam a prática de irregularidades.
Em desdobramento recente do caso, o Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, na última terça-feira (15), a sessão que analisava mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes sem alcançar uma decisão, após o ministro Flávio Dino formular pedido de vista, com prazo de suspensão de até 90 dias.
O levantamento foi encomendado pela Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo. O Datafolha ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 15 e 16 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04029/2026.
A defesa de Henrique Vorcaro, pai do empresário Daniel Vorcaro, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (16) para solicitar a revogação de sua prisão preventiva. Os advogados argumentam que o investigado está detido há mais de 90 dias sem que a Corte tenha julgado os recursos apresentados contra a medida cautelar.
Segundo informações do g1, o pedido também cobra que o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, destrave o andamento do processo. Henrique Vorcaro foi preso em maio deste ano sob suspeita de integrar o chamado "núcleo violento" de uma organização criminosa ligada ao seu filho.
A custódia preventiva chegou a ser confirmada pelo STF em junho, no âmbito de operações que miraram grupos conhecidos como "A Turma" e "Os Meninos", apontados como responsáveis por práticas de coerção, intimidação, invasão de dispositivos e obtenção ilícita de dados sigilosos sob comando do dono do Master.
A tramitação das ações referentes ao caso foi paralisada por determinação de Fachin ao assumir a relatoria do processo que discute se o ministro Alexandre de Moraes deve ser investigado por suposto envolvimento com o banco Master.
Com a suspensão temporária e o pedido de vista do ministro Flávio Dino na sessão de terça-feira, a definição sobre quem relatará o caso permanece incerta. Diante desse impasse, a defesa sustentou que a Segunda Turma do STF é a instância adequada para analisar a situação de Henrique, destacando que as apurações contra ele não envolvem nenhuma autoridade com foro privilegiado.
O decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, discursou durante a sessão plenária da Corte nesta terça-feira (15) e apontou falhas processuais na condução do inquérito e quebras de sigilo do caso Master, sob a relatoria de André Mendonça. Em sua fala, o ministro acusou o colega de atuar de forma eleitoreira.
A acusação ocorreu quando o decano apontou que novas informações foram divulgadas aos ministros por meio do acesso ao celular de Daniel Vorcaro. André Mendonça pede a palavra e diz que não teve acesso a todo o material comentado e Gilmar responde: “Interessante, embora houvesse vazamentos que eram atribuídos ao gabinete de Vossa Excelência.”
Em seu posicionamento sobre o processo em julgamento, que é relacionado a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por contatos com Daniel Vorcaro, Gilmar diz que “a pergunta não é saber se esse ou aquele ministro deve ser investigado”. “A pergunta é se continuarmos a permitir que o rigor da persecução penal seja distribuído conforme a identidade do investigado”, disse.
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A partir deste argumento, o decano do STF passa a acusar Mendonça de atuação enviesada no processo. “Com toda a sinceridade, Presidente, e até as terras sabem que há um inequívoco viés político-eleitoral na forma como o tema foi conduzido nos autos desta PET”. Como exemplo, o ministro cita a escolha da data para a quebra de sigilo de Mendonça sobre parte do processo, no dia 7 de setembro, dia da Independência do Brasil.
Gilmar ressalta que Mendonça estaria “envolvendo essa Corte em campanha eleitoral”. André Mendonça interrompe o colega e diz que “Vossa Excelência [Gilmar Mendes] está sendo leviano”. Mendes então rebate: “Vossa Excelência [Mendonça] não tem a palavra”.
A discussão entre os ministros se intensifica quando Gilmar diz: “Evidente condução político-eleitoral e escolha do 7 de Setembro. Isto não se faz, pessoas decentes não fazem isso.”
Em resposta, Mendonça ressalta: “Não aponte o dedo para mim, ministro Gilmar. Não aponte o dedo, não está falando com qualquer um. Respeite esse Tribunal”. E o decano rebate: “Quem não se dá respeito não merece respeito.”
Ao seguir com sua fala, Gilmar volta a apontar inconsistências na ação de Mendonça: “Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos. E eu já tive a oportunidade de dizer a vocês e dizer ao presidente da República, que separem o Supremo das eleições e não tentem envolver o Supremo nas eleições. O contrário do que se faz aqui e se deram muito mal porque são aprendizes de feiticeiro.”
“Tentaram arrastar o Tribunal para este tipo de prática e pensaram que iriam ficar impunes”, sustentou o decano. Em sua fala, Gilmar menciona ainda que “em nome de Deus já se fez muita patifaria”.
Os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), discutiram, durante o julgamento desta terça-feira (15), sobre a atuação da Polícia Federal (PF) na condução das investigações do Caso Master.
A troca de farpas teve início logo após Luiz Fux afirmar que a PF cometeu diversos erros durante o processo. "Nunca se imaginou a polícia pegar e peitar o ministro do Supremo Federal. E era isso que estava acontecendo, sem prejuízo de ela instrumentalizar posições", pontuou o presidente da Segunda Turma.
Na sequência, Moraes solicitou que os julgamentos sobre ele e sobre o ministro André Mendonça sejam analisados conjuntamente. "Não há como julgar hoje sem julgar terça. Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na delação premiada?", questionou.
"Vamos trazer aqui, presidente, e chamar aqui testemunhas que eu vou indicar. Não só policiais, mas advogados. Testemunhas. Eu tenho testemunhas de que o ministro André, em reunião, disse: 'Peçam isso'", declarou Moraes.
"Isso é mentira. Podem chamar quem quiser, vão mentir", rebateu Mendonça.
O filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux trocou mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e chegou a se referir ao dono do Banco Master como “irmão”. A informação faz parte do conteúdo presente no celular do ex-banqueiro, que foi compartilhado com os membros da Corte nesta segunda-feira (14), e publicado pela jornalista Raquel Lopes, da Folha de S. Paulo, nesta terça-feira (15).
Nas mensagens, o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, possuía diversas conversas com Vorcaro, a quem se refere como "irmão". As mensagens revelam encontros presenciais e conversas entre o filho de Fux e Vorcaro. Rodrigo também teria articulado a participação do pai em um evento ligado ao banqueiro em Londres.
Em 17 de maio de 2024, por exemplo, o advogado inicia uma conversa com "Fala irmão. Tudo bem?"; em novembro, ao avisar que estava disponível para uma chamada, escreve "Vamos irmão? Liberei".
Em uma das mensagens, em 4 de dezembro de 2024, quando os dois tentavam combinar um encontro no escritório do filho de Fux, no Rio de Janeiro, Vorcaro disse que só conseguiria ir ao local às 14h, e Rodrigo afirmou que remarcaria outro compromisso para recebê-lo. Após confirmar o horário, escreveu: "Tapete vermelho irmão". Vorcaro respondeu: "Valeu irmao!.
Um mês antes, em novembro de 2024, o ex-banqueiro procurou o advogado e afirmou: "Quero te chamar pra me ajudar num caso". Rodrigo respondeu que seria um prazer ajudar e os dois marcaram uma videoconferência. Depois da conversa, Vorcaro enviou um documento, e Rodrigo afirmou que iria analisá-lo.
Em fevereiro de 2025, os dois voltaram a se encontrar em Brasília. Rodrigo estava no STJ e, ao deixar o tribunal, perguntou onde encontraria Vorcaro. Depois de uma ligação, afirmou que chegaria às 17h30. O banqueiro enviou então o endereço de uma casa no Lago Sul.
No dia 25 daquele mês, Rodrigo fez referência a outro compromisso. "Já está a par do encontro de hoje né?", perguntou. Vorcaro respondeu: "Sim! Vc é fera". "Será um grande dia", afirmou o advogado.
O ministro Luiz Fux, por sua vez, é mencionado em uma conversa no dia 11 de março. Rodrigo procurou Vorcaro para marcar uma reunião em Brasília. Disse que precisava "alinhar algumas questões" e afirmou que, antes, passaria pelo aniversário do ministro Luís Roberto Barroso. O encontro inicialmente seria realizado naquela noite, mas Vorcaro ainda estava em São Paulo à espera de um voo. Os dois decidiram então deixar a conversa para a manhã seguinte.
Rodrigo sugeriu 10h ou 10h30, e Vorcaro escolheu o segundo horário. "Fechado", respondeu o advogado. Às 10h12 do dia 12 de março, Rodrigo escreveu: "Bom dia. 10:30hs tô aí".
Poucas horas depois, às 13h29, Rodrigo voltou a procurar Vorcaro e perguntou: "Qual a data de Londres mesmo?". Em seguida, pediu que o material fosse enviado ao seu próprio email e acrescentou: "E para a Patrícia. Secretária do meu pai. Com cópia pra mim". O endereço informado pelo advogado tinha domínio institucional do STF. Vorcaro respondeu: "Vou pedir!".
O ministro Luiz Fux e o filho, Rodrigo, não se manifestaram publicamente até o momento. As informações são da Folha de S. Paulo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou um ofício à Corte, na noite desta segunda-feira (14), negando irregularidades na condução da investigação que envolve Alexandre de Moraes. Na manifestação enviada ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, Mendonça esclareceu que a determinação para a identificação das pessoas mencionadas no documento foi feita no âmbito da supervisão judicial da investigação, visando preservar o sigilo e a eficiência das apurações.
O ofício foi enviado às vésperas da sessão plenária desta terça-feira (15), que analisará o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e Alexandre de Moraes e decidirá se os elementos reunidos justificam a abertura de uma investigação contra o ministro.
A manifestação de Mendonça foi feita em resposta a um despacho de Fachin, emitido em 3 de setembro, quando o presidente da Corte determinou a coleta de informações sobre as condições em que o relatório foi elaborado e sobre a atuação da Polícia Federal.
Anteriormente, a Procuradoria-Geral da República havia se posicionado a favor da anulação do relatório, argumentando que Mendonça teria ultrapassado suas atribuições, contudo, Mendonça afirma que não realizou uma investigação contra Moraes, mas determinou aos policiais responsáveis pelo caso que apresentassem informações atualizadas sobre a identificação dos integrantes de uma suposta rede de influência e monitoramento mantida por Vorcaro.
Conforme Mendonça, ele determinou que os delegados encarregados apresentassem informações atualizadas sobre as investigações, porque as conversas continham dados que indicavam que Vorcaro buscava intervenção de autoridades públicas envolvidas nos "processos decisórios pertinentes".
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter em sigilo as quebras de sigilo bancário e fiscal de mais de 30 pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso Master, incluindo empresas do próprio Daniel Vorcaro.
Em março, a Polícia Federal (PF) pediu a Mendonça a retirada de dados do relatório do Coaf e, oito dias depois, enviou uma nova solicitação para as quebras de sigilo dos mesmos alvos. A segunda medida foi autorizada, e o ministro considerou que a primeira havia perdido a validade, já que os relatórios do Coaf são mais superficiais que as quebras de sigilo.
As quebras autorizadas afetam empresas como a Super Empreendimentos, investigada por supostamente facilitar pagamentos de Vorcaro a uma milícia e a agentes públicos, e a Moriah Asset, fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como seu operador financeiro.
Os dados também revelaram que a Igreja da Lagoinha, sob a gestão de Zettel, teve movimentação atípica de R$ 57 milhões entre 2014 e 2015, enquanto seu faturamento anual é de R$ 950 mil.
Em ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, Moraes destacou que Mendonça não havia tornado público o material do Coaf, que é essencial para o julgamento desta terça-feira (15). Na ocasião, o plenário se reunirá para discutir a crise na corte, após Mendonça expor mensagens que Vorcaro teria enviado a Moraes, indicando disposição para investigar o colega.
Fachin solicitou manifestação à Procuradoria-Geral da República (PGR), que defendeu a divulgação do documento por sua relevância. A decisão agora está com Fachin, que assumiu a relatoria do caso Moraes-Vorcaro e determinou o levantamento do sigilo do caso Master, exceto em diligências ainda em andamento.
Ele também ordenou que Mendonça enviasse os autos dos casos Master e INSS ao seu gabinete, o que paralisa as investigações e impede novas decisões do relator original. A PF ainda não apresentou o relatório de análise de movimentação bancária e financeira, levando o gabinete de Mendonça a considerar que o caso deve permanecer sigiloso.
A Polícia Federal entregou integralmente o conteúdo do celular do banqueiro Daniel Vorcaro aos gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (14). A entrega foi realizada após Zanin solicitar, no domingo (13), ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que enviasse uma cópia do material.
O aparelho foi apreendido em novembro, durante a Operação Compliance Zero. Zanin havia determinado que o conteúdo fosse entregue até as 23h deste domingo (13), mas o material foi recebido apenas nesta manhã.
Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes também participaram do processo. Zanin declarou que precisa ter acesso ao conteúdo completo para formar sua convicção antes do julgamento agendado para terça-feira (15). A decisão acontece em meio a divergências entre os ministros sobre o compartilhamento do espelhamento do dispositivo.
André Mendonça havia argumentado, em ofício, que a liberação de todo o conteúdo poderia “tumultuar” o julgamento e prejudicar o andamento das investigações. Segundo ele, os ministros já teriam recebido o material necessário para a análise. Zanin contestou essa afirmação, ressaltando que não há hierarquia entre os ministros do STF.
O ex-ministro das Comunicações, Fábio Faria, vai acionar a Justiça contra sites e personalidades que teriam usado as as mensagens trocadas com Daniel Vorcaro para, segundo a defesa, atribuir a ele condutas que não seriam verdadeiras. A informação foi divulgada neste domingo (13) pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
As mensagens entre Faria e Vorcaro foram encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro e parte delas foi revelada pela revista Piauí, na última sexta-feira (11). No histórico da conversa, ambos narram que Faria ajudou o ex-banqueiro a chamar autoridades para uma festa privada de Halloween em outubro de 2023, onde Daniel Vorcaro teria reunido 120 mulheres e 20 homens em uma boate em São Paulo.
Segundo a reportagem, advogados de Faria sustentam que ele apenas teria transmitido, a pedido do anfitrião, convites às autoridades citadas. Segundo o diálogo, estavam entre os convidados os senadores Davi Alcomumbre e Rodrigo Pacheco e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
A defesa do ex-ministro do governo Bolsonaro afirma que Faria conhecia Vorcaro há apenas 15 dias quando as mensagens foram trocadas. Dizem ainda que agendas publicadas em sites oficiais, registros de voos da FAB e informações sobre voos oficiais podem comprovar que nenhuma das autoridades citadas compareceu ao evento.
Interlocutores apontam que a decisão de processar os sites se deve a repercussão do que foi publicado sobre as mensagens, teria gerado "consequências graves para a família" do ex-ministro. O empresário é casado há 19 anos com a apresentadora Patrícia Abravanel, filha de Silvio Santos e uma das donas do SBT.
Faria determinou ainda aos advogados que façam o mapeamaneto de perfis que criaram memes ou ampliaram, por meio de impulsionamento pago, a circulação de postagens que, segundo ele, seriam falsas.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em ofício neste domingo (13), que incluir novos elementos e abrir a íntegra das informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro "somente contribuiria para tumultuar o julgamento" e "colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações".
A manifestação ocorre a dois dias do julgamento no plenário do STF, marcado para a próxima terça-feira (15), no qual os ministros devem analisar o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
"A inserção de elementos adicionais, que não constam dos autos até o presente momento, o que inclui a abertura de todas as informações contidas no celular do senhor Daniel Vorcaro, somente contribuiria para tumultuar o julgamento, bem como colocaria em risco todo o seguimento e êxito das investigações, dando ensejo à suscitação de questionamentos de toda ordem, para desviar o feito especificamente apregoado para julgamento de seu caminho natural", disse Mendonça.
Nos últimos dias, os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e o próprio Alexandre de Moraes acionaram a presidência da Corte para cobrar o acesso integral ao espelhamento do aparelho — um iPhone apreendido pela PF nas apurações ligadas ao Banco Master.
Zanin e Gilmar argumentaram que os magistrados precisam de todo o contexto para decidir, enquanto Moraes pontuou que "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao Colegiado para realizar seu julgamento".
No documento deste domingo, Mendonça rebateu as cobranças e assegurou que todos os integrantes do tribunal têm acesso ao mesmo material que ele próprio utilizará.
"Reitero que todo o material utilizado para o julgamento da próxima terça-feira encontra-se disponível, na íntegra, a todos os ministros deste tribunal. Para tal fim, este ministro dispõe exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão", escreveu.
Ao citar o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, Mendonça concluiu afirmando que "como bem enfatizou o eminente Presidente, 'a gravidade dos fatos não autoriza atalhos', mas também não tolera subterfúgios ou desvios de rotas, rumo a outros interesses que não os da Justiça".
PEDIDO DE EXPLICAÇÕES A DELEGADOS DA PF
No mesmo despacho, Mendonça solicitou a Fachin que determine a quatro delegados da PF a prestação de informações, no prazo de 24 horas, sobre como se deu o envio de relatórios e mídias ao seu gabinete em março de 2026.
Mendonça solicitou que os policiais esclareçam as circunstâncias da entrega do material e informem se sofreram eventuais "constrangimentos sofridos ao longo das investigações".
IMPASSE PRÉ-JULGAMENTO
A manifestação de Mendonça é mais um capítulo da crise e da troca de ofícios que se intensificou no STF às vésperas da sessão de terça-feira (15).
No sábado (12), Fachin havia concedido prazo de 24 horas para que a Polícia Federal esclarecesse a situação do celular de Vorcaro e a integridade da cadeia de armazenamento das provas.
Na manhã deste domingo (13), a PF respondeu que o aparelho e a extração originais permanecem guardados com segurança na corporação e que tem plenas condições técnicas de remeter cópias idênticas a todos os gabinetes que requisitarem.
A PF pontuou ainda que o arquivo repassado ao gabinete de Mendonça em março era uma cópia, atendendo a uma solicitação formal do relator.
Mendonça, por sua vez, já havia argumentado anteriormente que mantinha os arquivos lacrados e criptografados em seu gabinete como contraprova de segurança, sem tê-los manuseado.
Enquanto isso, a ala de Moraes no Supremo articula levantar questões preliminares e nulidades processuais na sessão de terça-feira, apontando supostas irregularidades na confecção e no direcionamento do relatório de Mendonça e a falta de acesso prévio a todo o celular de Vorcaro.
Seria uma tentativa de barrar a abertura de uma apuração contra o ministro. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também já opinou pelo arquivamento do relatório com base em vícios de tramitação.
A Polícia Federal encontrou uma lista com "nomes" de deputados e prováveis "valores" em um conjunto de documentos que estava na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI). A informação foi divulgada pelo g1, com base nos documentos publicados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após queda de sigilo das peças relacionadas ao Caso Master na sexta-feira (11).
Segundo o relatório da PF, a lista foi encontrada durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão em maio deste ano, na 5ª fase da Operação Compliance Zero. Os agentes relataram que ao chegarem na residência, localizada no Lago Sul em Brasília, uma funcionária do senador disse ter sido orientada por Ciro a queimar os documentos encontrados na churrasqueira por serem velhos.
"Na churrasqueira da residência, foram localizados documentos que, segundo a funcionária Débora, haviam sido entregues pelo investigado para serem queimados, sob a justificativa de serem 'antigos ou sem serventia'. Tais papéis seguirão para análise contextualizada pela equipe de investigação", escreveram os investigadores.
Entre os documentos encontrados, está um papel que traz uma lista intitulada como "Câmara", com primeiros nomes acompanhados de números que, segundo a PF, "provavelmente" são "valores". A lista contém os seguintes nomes e números:
Arthur, 40;
Hugo, 10;
Elmar, 10;
Luizinho, 10;
Adolfo, 10;
Isnaldo, 10;
Diego, 5;
Altineu, 5;
Netinho, 5.
"A equipe policial encontrou um rascunho em que consta o nome 'CAMARA', seguido por vários nomes, possivelmente de parlamentares, a exemplo de 'ARTHUR' (provavelmente Arthur Lira), 'HUGO' (provavelmente Hugo Motta), 'ELMAR' (provavelmente Elmar Nascimento), 'LUIZINHO' (provavelmente 'Doutor Luizinho'), 'ADOLFO' (provavelmente Adolfo Viana), 'ISNALDO (provavelmente Isnaldo Bulhões), dentre outros passíveis de identificação", escreveu a PF.
"Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento", continuou a equipe policial.
O QUE DIZEM OS CITADOS
Ao g1, a assessoria do deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que o ex-presidente da Câmara "desconhece as anotações mencionadas e não pode responder por esse registro" encontrado pela PF.
A assessoria de Hugo Motta (Republicanos-PB) afirmou que o atual presidente da Câmara não vai se manifestar. Já o deputado baiano Elmar Nascimento (União Brasil-BA) disse repudiar "completamente" qualquer menção ao nome dele, sobretudo em uma anotação que classificou como "apócrifa".
"Estamos vivendo um momento policialesco, que está voltado à classe política. E que deveria estar voltado à conduta de maus policiais. Nunca tive qualquer relação que possa implicar que meu nome esteja em uma coisa dessas", declarou.
Ciro Nogueira, Dr Luizinho e Isnaldo Bulhões não se manifestaram.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, responsável pelo extinto Banco Master, declarou em depoimento que informou ao Banco Central (BC) ter encontrado uma alternativa para a venda da instituição financeira na manhã do dia 17 de novembro de 2025, data em que foi preso pela Polícia Federal.
Durante oitiva realizada em agosto, Vorcaro relatou ter viajado ao menos três vezes aos Emirados Árabes Unidos em busca de investidores privados. As tratativas para a venda da instituição ganharam força após o fracasso das negociações para a aquisição do Master pelo Banco de Brasília (BRB), ocorrido em setembro de 2025.
As declarações integram o acervo de documentos tornados públicos após o Supremo Tribunal Federal (STF) levantar o sigilo das investigações relativas ao caso. Conforme o relato de Vorcaro, após a negativa da operação com o BRB, a instituição formalizou junto ao Banco Central um pedido de prazo de até 180 dias para apresentar uma nova proposta de reestruturação. O empresário alegou que conseguiu estruturar o modelo em dois meses.
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (11) que o ministro André Mendonça levante o segredo de justiça das investigações do caso Master no prazo de 24 horas, após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). O presidente do Supremo foi pressionado por outros membros da corte a revelar o processo na íntegra.
A material deverá ser remetido em um HD próprio. A medida é mais uma que o presidente da casa busca em colocar ordem na crise do poder judiciário. Dessa vez, a medida visa garantir o acesso total dos magistrados e das partes aos documentos do processo antes do julgamento agendado para a próxima terça-feira (15). As informações foram reveladas pelo G1.
O próximo julgamento é considerado inédito no STF por envolver a possibilidade de investigação de um integrante da própria Corte e pode ter repercussão pelo envolvimento direto do candidato Flávio Bolsonaro (PL) com financiamento do Dark Horse. Nos bastidores, há seis votos considerados mais definidos: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Zanin são apontados como favoráveis a Moraes, enquanto Mendonça teria o apoio de Fux e Nunes Marques.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, no qual cita uma "escolha seletiva" na retirada do sigilo, por André Mendonça, dos inquéritos e procedimentos ligados ao Banco Master.
Moraes pediu a derrubada imediata de todo e qualquer sigilo dos documentos. O ministro também solicitou o julgamento conjunto de duas petições que tramitam no tribunal sobre o caso:
- a que trata das mensagens trocadas por Daniel Vorcaro com o próprio Alexandre de Moraes;
- e a que reúne representações que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".
"O julgamento fracionado das PETs 16.704 e 16.662 (...) somado à escolha seletiva do levantamento somente de parte dos procedimentos e o direcionamento subjetivo de um dos interessados de quais documentos de cada PET deverão ser entregues aos Ministros julgadores, com a supressão de 180 (cento e oitenta) documentos, obstaculiza gravemente a análise probatória", escreveu Moraes.
No ofício a Fachin, Moraes anexou uma tabela comparativa detalhando a diferença entre as peças disponibilizadas e as registradas no sistema eletrônico do tribunal.
- Inquérito 5026: 61 peças pendentes (1.025 disponibilizadas de 1.086);
- PET 15556: 54 peças pendentes (504 disponibilizadas de 558);
- Reclamação (RCL) 88121: 35 peças pendentes (413 disponibilizadas de 448);
- PET 15198: 23 peças pendentes (1.049 disponibilizadas de 1.072);
- PET 15978: 7 peças pendentes (392 disponibilizadas de 399).
Segundo o ministro, das 4.514 peças constantes no sistema para os 15 procedimentos listados, apenas 4.334 foram tornadas acessíveis.
Ele pediu ainda que a Diretoria de Tecnologia da Informação (TI) do STF certifique a quantidade exata de procedimentos existentes relacionados à investigação.
JULGAMENTO CONJUNTO COM MENDONÇA
Moraes também criticou o fato de ter sido pautada apenas a análise da PET 16.662, deixando de fora a PET 16.704.
Esta última reúne representações que apontam suposta quebra de imparcialidade e suspeitas de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça na condução das operações "Sem Desconto" e "Compliance Zero".
Entre os pontos citados por Moraes contra Mendonça na comunicação original de 3 de setembro estão:
- Usurpação da direção das investigações policiais com quebra da cadeia de custódia;
- Condução irregular de tratativas de colaboração premiada;
- Suposto direcionamento de alvos (incluindo o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre) por motivações pessoais e políticas
CRISE MASTER NO STF
O embate ocorre após André Mendonça retirar, na quinta-feira (10), o sigilo das principais apurações envolvendo o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido de Fachin.
Contudo, a liberação manteve em segredo outras frentes, como apurações ligadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao financiamento do filme "Dark Horse" — produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro que colocou sob apuração da Polícia Federal conversas entre Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A disputa expôs divergências públicas entre integrantes da Corte, a Procuradoria-Geral da República e a direção-geral da PF.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, solicitou nesta quinta-feira (10) o levantamento do sigilo das investigações relacionadas ao caso Master que tramitam na Corte. A medida prevê a manutenção apenas das informações cuja divulgação possa comprometer diligências ainda em andamento.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator da investigação original, após Fachin incluir uma ação derivada do caso na pauta de julgamento do plenário extraordinário de 15 de setembro. O presidente determinou ainda que os procedimentos relacionados sejam encaminhados aos gabinetes dos demais ministros.
A movimentação ocorre em meio à crise provocada por um relatório da Polícia Federal que apontou uma suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento foi produzido a pedido de Mendonça e terá sua validade discutida pelo plenário na próxima terça-feira (15), quando os ministros devem avaliar se há elementos para abertura de uma investigação contra Moraes.
O julgamento é considerado inédito no STF por envolver a possibilidade de investigação de um integrante da própria Corte. Nos bastidores, há seis votos considerados mais definidos: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Zanin são apontados como favoráveis a Moraes, enquanto Mendonça teria o apoio de Fux e Nunes Marques.
Em meio aos desdobramentos das acusações envolvendo supostos repasses irregulares do Banco Master, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) rebateu as informações divulgadas a partir da proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro e afirmou ser alvo de um “vazamento seletivo”.
Durante coletiva de imprensa, convocada nesta quinta-feira (10), o candidato ao governo da Bahia, questionou a divulgação do conteúdo da proposta de colaboração, que, segundo ele, já havia sido rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). ACM Neto argumentou que a exposição das informações teria um “objetivo e um propósito específico”, sugerindo uma tentativa de provocar desgaste político.
O ex-prefeito também contestou a consistência e a origem das declarações atribuídas a Vorcaro, classificando o material divulgado como uma “coisa apócrifa”. Segundo ele, não há elementos suficientes para estabelecer as circunstâncias em que as supostas afirmações foram feitas. “Não se sabe quando isso foi dito, se realmente foi dito, em que contexto isso aconteceu”, afirmou.
Ao comentar o caso, Neto também declarou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. De acordo com ele, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal (STF) já foram informados, desde março, de sua disponibilidade para responder a eventuais questionamentos relacionados ao caso.
O ex-prefeito afirmou que sua intenção é colaborar com as autoridades competentes, fornecendo esclarecimentos e respondendo formalmente a qualquer dúvida que possa surgir durante as investigações.
Confira a resposta de ACM Neto
?? Sobre caso Master, ACM Neto declara ser alvo de "vazamento seletivo"
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) September 10, 2026
????Maurício Leiro/ Bahia Notícias
Confira?? pic.twitter.com/IssPUyFKh9
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma ação na Justiça Eleitoral contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) nesta sexta-feira (4). A medida foi motivada pela divulgação de um documento nas redes sociais que supostamente seria da Polícia Federal (PF), mas que foi desmentido pela própria instituição como falso.
A representação conta com o apoio da deputada estadual Bella Gonçalves (PSOL-MG) e da candidata a deputada federal Ana Elisa (PT-MG).
O documento em questão circulou nas redes sociais como um laudo da PF, afirmando que não havia indícios de crime nas conversas entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Apesar de ter compartilhado o conteúdo em suas redes sociais, o deputado mineiro foi informado pela PF de que o documento era, na verdade, falso.
A parlamentar enfatizou a gravidade da situação, destacando que é inaceitável que o debate público durante o período eleitoral seja prejudicado por informações fraudulentas. Ela também pediu celeridade ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na análise do caso, ressaltando a importância de garantir a integridade do processo eleitoral.
O story de Nikolas, que exibia o documento falso, permaneceu disponível por pouco tempo. O laudo atribuído à PF indicava que as mensagens trocadas entre o deputado e o empresário representavam apenas “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”. O deputado afirmou que não foi ele quem produziu o documento, tendo apenas reproduzido o que viu nas redes sociais, e que o apagou assim que percebeu o equívoco.
O candidato ao Governo da Bahia Ronaldo Mansur (PSOL) criticou a suposta adoção de critérios políticos em investigações relacionadas ao caso Master que envolvem o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda. Segundo documentos publicados pelo jornal O Globo, uma operação contra os dois não chegou a ser deflagrada e estaria pendente de decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Relatórios da Polícia Federal teriam apontado diferenças nos critérios utilizados para definir os alvos das apurações. Na avaliação de Mansur, eventual interferência política no Judiciário compromete a confiança nas instituições. O candidato também afirmou que a Justiça não pode adotar tratamentos diferentes conforme o investigado.
“É um desserviço à nação e que a gente deve repudiar. A Justiça é o último refúgio que nós temos na República quando tudo dá errado. Agora, quando a Justiça também dá errado, a República cai. Nós continuamos confiando nos agentes jurídicos, homens e mulheres, que honram as suas togas e os juramentos que fizeram. A Justiça deve ser democrática e não seletiva”, afirmou.
Mansur ainda questionou os impactos políticos de uma eventual proteção judicial a ACM Neto e fez uma comparação com o período de Antonio Carlos Magalhães à frente da política baiana. “Ter um candidato que é apontado como beneficiário de um seletivismo jurídico é muito ruim. Imagina essas figuras à frente de um estado do tamanho da Bahia? Iríamos voltar à época do Toinho Malvadeza numa versão 2.0”, completou.
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou, na manhã dessa sexta-feira (4), que nenhuma autoridade está acima da Constituição Federal. A declaração ocorreu durante evento no Palácio do Planalto para celebrar a sanção de uma lei que cria fundos para a Justiça Federal.
"As instituições da República precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição, nenhum poder está acima da lei e nenhum interesse circunstancial pode se sobressair à integridade do Estado de Direito Democrático", reafirma o magistrado durante seu discurso.
Segundo ele, a gravidade dos fatos revelados nesta semana não autoriza atalhos, e os fatos graves da crise que atinge a corte estão em apuração. Contudo, o presidente da Corte destacou que a resposta do STF será firme, proporcional e rigorosa. Com os ministros Mendonça e Moraes, ambos em uma disputa aberta, pedindo afastamento e investigação um do outro.
"Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo e as garantias constitucionais", finalizou Fachin. Na ocasião, também estavam presentes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o advogado-geral da União, Jorge Messias, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de outras autoridades.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) instaurou um procedimento interno para apurar mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O caso tramita no contexto das investigações relativas ao Banco Master e terá como relator o conselheiro Francisco de Assis Sanseverino.
A abertura do processo atende a uma representação formalizada por parlamentares do Partido Novo após a divulgação de relatórios da Polícia Federal. Os documentos policiais revelaram diálogos e anotações de Vorcaro que mencionam autoridades públicas, incluindo Gonet e pessoas de seu círculo familiar, entre os registros, constam articulações para estreitar laços institucionais e o convite para um evento internacional direcionado a um parente do PGR.
No ofício enviado ao órgão de cúpula do MPF, a bancada do Novo solicita a designação de um subprocurador-geral da República independente para conduzir eventuais apurações que toquem a figura do PGR. Embora pontuem que a iniciativa não imputa conduta criminosa direta a Gonet, os deputados alegam a necessidade de preservar a integridade institucional do Ministério Público.
O rito interno prevê a oitiva de Paulo Gonet para prestar esclarecimentos sobre o teor das mensagens. Concluída essa fase preliminar, o relatório de Sanseverino será submetido ao plenário do CSMPF para deliberação, em data ainda a ser fixada.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, pediu ao presidente da Suprema Corte, Edson Fachin, o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das funções de ministro. A informação foi confirmada pela jornalista Natura Nery, do Globonews, nesta quinta-feira (3).
O pedido foi feito em meio aos novos desdobramentos do caso Master. Na terça-feira (1°), Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Já nesta quinta, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra o ministro André Mendonça por supostos indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No momento, ambos os pedidos estariam “na mesa” da presidência da Suprema Corte que, até o momento, pediu que os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues se expliquem em 5 dias sobre investigações relacionadas ao Banco Master.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) admitiu à coluna de Igor Gadelha, no portal Metópoles, nesta quinta-feira (3/9), ter tido dois contatos com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O parlamentar mineiro negou, contudo, qualquer irregularidade em suas conversas com o banqueiro.
O primeiro contato, segundo Nikolas, ocorreu em 2024, após o deputado pedir, via Lei de Acesso à Informação (LAI), informações sobre quem bancou a viagem de ministros do STF e outras autoridades para um fórum jurídico em Londres.
Após o pedido, Nikolas disse ter sido procurado pelo pastor André Valadão, que questionou o pedido do parlamentar. O deputado, então, admite ter enviado mensagem para o banqueiro dizendo que não sabia que o Master seria o responsável por bancar o evento.
O conteúdo da mensagem de áudio enviada por Nikolas foi revelado nesta quinta-feira pelo site ICL. Nela, o deputado afirma que não fazia ideia que o financiador do evento era o “Banco do Dani”, mas diz que “a palavra dita não tem como voltar”.
“Troquei ideia lá com o pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas, enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”, disse Nikolas, conforme o áudio.
O segundo contato, de acordo com o deputado, teria sido em 2025. Na ocasião, ele mandou uma mensagem para o banqueiro intercedendo por um amigo pela liberação do que chama de “ativo minerário”. Nikolas, então, passa o contato do amigo para Vorcaro.
O deputado afirmou à coluna de Igor Gadelha que, desde que saíram notícias sobre o envolvimento de Vorcaro com a fraude do INSS, “nunca mais” conversou com o banqueiro. “Não houve nenhum contrato fechado, nunca recebi nenhum centavo dele”, disse o parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) fechou um acordo de colaboração premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações, que teria sido utilizada para realizar repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção do filme “Dark Horse”. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar nesta quinta-feira (3), no jornal O Globo.
Freixo Júnior é operador do mercado financeiro e a sua delação seria a segunda acordada no caso Master. A primeira foi a de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, que administrava os fundos usados por Vorcaro para esconder dinheiro, que já foi encaminhada para análise do ministro André Mendonça, relator do caso.
O grupo Entre é controlador da revista IstoÉ e da Entrepay, que sofreu liquidação extrajudicial pelo Banco Central em março deste ano. Em janeiro deste ano, a empresa foi alvo de busca e apreensão em meio às investigações do caso Master.
Segundo Malu Gaspar, o acordo de Antonio Freixo Júnior conta com detalhes sobre os pagamentos que fez a pedido de Vorcaro para a cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. O filme se tornou amplamente conhecido após virem à tona mensagens do senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em que ele cobra dinheiro de Vorcaro supostamente para a produção do longa-metragem.
Nos anexos entregues aos investigadores, o empresário detalhou remessas que fez ao exterior para o fundo Havengate, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
O acordo de Freixo Júnior já foi encaminhado para o gabinete de Mendonça, a quem caberá decidir se o homologa ou não. Não há prazo para Mendonça analisar o material e as cláusulas do acordo.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o levantamento do sigilo dos autos da Petição (PET) 16.662, que tramita de forma autônoma na Corte. O processo reúne novas informações enviadas pela Polícia Federal sobre o andamento da "Operação Compliance Zero", focando na identificação de integrantes de uma suposta rede de influência que seria coordenada pelo investigado Daniel Vorcaro.
Além da publicização dos autos, o magistrado levou o caso para julgamento no plenário do tribunal logo após atingir o ministro Alexandre de Moraes. Ao fundamentar a decisão, Mendonça ressaltou que a deliberação técnica e jurídica deve ocorrer de forma "pública e transparente", em sessão presencial, conforme determina a garantia constitucional de publicidade dos atos do Poder Judiciário.
Essa investigação de origem analisou dados obtidos no celular apreendido com Daniel Vorcaro, identificando diálogos do empresário com uma pessoa até então não identificada. Segundo a PF, as conversas indicam que o investigado obteve informações sigilosas com antecedência sobre procedimentos penais e apurações em curso no Banco Central.
O relatório da corporação aborda as interações e mensagens mantidas entre o integrante do STF e o empresário do setor financeiro, além de um contrato milionário do escritório da esposa do ministro com o Master.
A proposta de acordo de delação premiada entregue à PGR (Procuradoria-Geral da República) pelo ex-dono da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, traz em seus anexos citações a pelo menos dois políticos de peso: o senador Jaques Wagner (PT-BA) e ACM Neto (União-BA), candidato a governador e ex-prefeito de Salvador. O documento, que possui 17 anexos detalhando suspeitas de crimes financeiros, está na fase de ajustes finais antes da assinatura.
No anexo que envolve o senador petista, Mansur relata que Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, pediu que ele comprasse ingressos — avaliados em R$ 63,3 mil — para o show da cantora Taylor Swift no Allianz Parque (hoje Nubank Parque) em 2023. Os bilhetes foram usados para presentear Jaques Wagner.
Procurado pelo UOL, Wagner disse que a compra foi "um pedido pessoal do senador a um amigo para que o ajudasse a conseguir os ingressos". Disse ainda que "não conhece João Carlos Mansur e nunca teve relação com a empresa Reag."
Já em relação a ACM Neto, a delação aponta que ele é dono exclusivo de um fundo de investimento, o Seattle 95, que era gerido pela Reag até 2025. Através dele, fez uma aplicação no fundo Structure, de empréstimos consignados originados pelo Banco Master. O Seattle 95 aplicou cerca de R$ 4,8 milhões no Structure, em quatro compras entre novembro de 2021 e julho do ano passado. Em fevereiro de 2023, o fundo chegou a ter 98,6% de todo o seu patrimônio nessa única aplicação.
ACM Neto aportou R$ 7,92 milhões no Seattle 95 em dez depósitos. O patrimônio chegou a R$ 11,94 milhões em outubro do ano passado, um ganho de R$ 4,01 milhões, rendendo em média 17% ao ano.
Também procurado, Neto disse que é cotista do fundo de investimentos Seattle, "criado no final de 2021 por meio do aporte de recursos próprios de origem declarada e lícita". Ele acrescentou: "Para cumprimento das regras da CVM, o fundo contratou a Reag Investimentos como administradora desses recursos. O fundo, portanto, era cliente da Reag, à época uma das principais administradoras de fundos do país. A rentabilidade obtida pelo fundo foi completamente compatível com a realidade de mercado e todos os impostos foram devidamente recolhidos. Tudo transcorreu com total transparência, com dados públicos e regulados pela CVM, na mais absoluta legalidade."
A Reag DTVM administrava também o Astralo 95, o Haena 808 — que pertence a Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master — e o Whynot, de Valério Marega Júnior, gestor investigado no caso Jaques Wagner.
FOCO EM VORCARO E BANCO MASTER
Apesar das citações aos políticos, o alvo central da delação de Mansur é Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Pelo acordo, o executivo da Reag deve pagar R$ 40 milhões em multas, o equivalente ao que recebeu da empresa enquanto ela estava operando.
Mansur tentou, sem sucesso, fazer uma delação conjunta com Vorcaro quando os dois eram clientes do criminalista José Luís de Oliveira. As informações prestadas por Vorcaro foram consideradas insuficientes pela PGR e pela Polícia Federal. Depois de Oliveira deixar o caso, o criminalista Aloísio Medeiros assumiu a defesa de Mansur.
Em sua delação, Mansur diz que a Reag atuava prestando serviços para o Master e Vorcaro desde 2019, quando Vorcaro assumiu o controle do banco, estruturando operações com fundos de investimento. Segundo o executivo, fundos da Reag foram usados para desviar dinheiro do banco, com laranjas como beneficiários e uso de estruturas offshore. Mansur entregou à PGR extensa documentação sobre essas transações e detalhou negociações feitas diretamente com Vorcaro, afirmando que ficou claro que ele sabia dos desvios e estava por trás deles.
FALTA ASSINATURA
O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.
Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.
O acordo de Mansur ainda não foi formalmente assinado para ser enviado ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, responsável pelo caso. O magistrado é quem irá analisar a eventual homologação da delação, se ela atender aos requisitos legais.
Para a PGR, o foco da delação de Mansur é confirmar os caminhos para recuperar os desvios bilionários do Banco Master. O executivo conseguiu apontar novos nomes de entidades empresariais e fundos usados no esquema.
EXECUTIVO INVESTIGADO
No ano passado, Mansur foi alvo da Operação Carbono Oculto, em que a Reag, gestora e administradora de fundos depois liquidada pelo Banco Central, apareceu como suspeita de funcionar para lavagem de dinheiro do crime organizado. Os fatos relatados na delação de Mansur incluem o objeto desta operação: fundos da Reag usados por Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, o Primo e Beto Louco, empresários do setor de combustíveis.
Depois, Mansur foi investigado pela relação com o Banco Master na Operação Compliance Zero, relatada no STF por André Mendonça. O executivo também está negociando com o MP-SP (Ministério Público de São Paulo), responsável pela investigação da Carbono Oculto.
USO DE FUNDOS
No anexo em que trata de Vorcaro, o ex-dono da Reag identificou laranjas que operavam como cotistas de fundos para o banqueiro. Um dos casos é do Jaguar Multimarket Fund Ltd, fundo registrado nas Ilhas Cayman para onde o Master mandou R$ 494 milhões. No papel, o beneficiário do Jaguar é Benjamim Botelho — parceiro de negócios do Master e ex-dono da Sefer, gestora investigada também na Compliance Zero —, mas Mansur afirma que o verdadeiro dono é Vorcaro.
COMO O DINHEIRO CIRCULAVA
Investigações do Banco Central e da PF apontam que o esquema funcionava da seguinte forma:
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O Master emprestava dinheiro a empresas recém-criadas, sem operação real;
-
Essas empresas aplicavam os recursos em fundos administrados pela Reag;
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Em poucos minutos, o dinheiro passava por fundos ligados aos mesmos intermediários e era usado para comprar ativos de pouco ou nenhum valor de mercado;
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Esses ativos eram registrados nos balanços dos fundos por valores muito acima do real — inflando artificialmente o patrimônio informado aos cotistas e ao mercado.
Um exemplo concreto: o fundo High Tower "comprou" R$ 850 milhões em carteiras de crédito podres do extinto Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) — papéis sem valor prático — e os registrou como se valessem R$ 10 bilhões.
Assim, o banco conseguia tirar as dívidas podres do próprio balanço e transferi-las ao mercado de capitais, onde reapareciam "limpas" e supervalorizadas dentro de fundos de investimento.
Ao todo, seis fundos da Reag somavam R$ 102,4 bilhões em patrimônio informado — valor que reflete o tamanho da estrutura sob suspeita, não necessariamente o montante efetivamente desviado do Master. Segundo os investigadores, a triangulação teria começado entre 2023 e 2024, quando o banco enfrentava problemas de caixa.
O candidato ao Senado Federal e presidente do PL na Bahia, João Roma, minimizou nesta quinta-feira (13) os impactos eleitorais das recentes notícias envolvendo um de seus sócios. Segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo e pelo Metrópoles, o empresário Alfredo Pacheco Pereira Neto, que divide com Roma a sociedade na empresa Prata da Chapada, firmou ao menos R$ 19,7 milhões em contratos com o Banco Master por meio de sua corretora, a AB Serviços.
Questionado sobre o tema, Roma negou qualquer envolvimento com a instituição financeira ou com os negócios paralelos do sócio. "Eu fui ministro e nenhum ato meu beneficiou a instituição financeira citada", garantiu o candidato, reforçando que sua parceria com Alfredo Pacheco se restringe estritamente ao agronegócio, com atividades de pecuária e agricultura irrigada na cidade de Iraquara. "Não tem nenhuma correlação com suas outras atividades econômicas", completou.
Em nota enviada anteriormente à imprensa, o candidato já havia ressaltado que a Prata da Chapada, na qual possui 50% das cotas, atua apenas na produção agropecuária (com foco no cultivo de bananas) e que estranhava o fato de o assunto ter sido "requentado", visto que está há anos sem ocupar cargos públicos. A própria AB Serviços também emitiu comunicado afirmando que os contratos com o banco foram firmados regularmente no âmbito privado, sem dinheiro público, e que Roma não teve papel algum na aproximação comercial.
ATAQUES AOS ADVERSÁRIOS
Durante a entrevista, João Roma utilizou o episódio para, sem citar nomes, alfinetar seus adversários. Afirmando que sua vida e seu imposto de renda "se autoexplicam", o ex-ministro acusou adversários de enriquecimento ilícito.
"Diferente de meus adversários que não declaram bens no seu imposto de renda, que têm realmente uma expertise extraordinária para comprar um terreno por R$ 20 mil e vender por R$ 15 milhões, vender um apartamento no prédio por R$ 10 milhões e comprar outro por R$ 1,5 milhão. Eu não tenho esses malabarismos dentro da minha estrutura, nem pessoal, nem societária", disparou Roma. Para ele, as denúncias não passam de uma "isca de opositores" que estariam em queda nas pesquisas e tentando criar narrativas.
HOMENAGEM À ACB
Antes de comentar as acusações, Roma repercutiu a sessão especial na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) que celebrou os 215 anos da Associação Comercial da Bahia (ACB). O candidato classificou a cerimônia como um momento importante para o reconhecimento de empresários e empreendedores responsáveis pela geração de empregos no estado.
Elogiando a presidente da entidade, Isabela Suarez, Roma defendeu uma maior integração entre os setores produtivo e público. O evento, segundo ele, demonstra "uma conexão entre o mundo empresarial e o mundo político, para que fortaleçam-se as instituições e os sentimentos republicanos, onde a gente possa somar para fazer cada vez mais uma sociedade mais equânime." Ele concluiu afirmando que o estado precisa de mudanças que garantam "menos impostos e mais oportunidades" para os baianos.
O senador Jaques Wagner (PT) registrou um crescimento patrimonial expressivo ao longo de seu mandato no Senado Federal. De acordo com os dados apresentados à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 nesta segunda-feira (3), o patrimônio declarado pelo parlamentar atingiu R$ 24,5 milhões. O montante representa um salto significativo em relação à eleição de 2018, ocasião em que informou possuir R$ 3,3 milhões em bens.
Natural do Rio de Janeiro (RJ) e radicado na Bahia, Jaques Wagner tem 75 anos, atuou como técnico em manutenção e é um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no estado.
O político exerceu três mandatos de deputado federal, governou a Bahia por dois mandatos consecutivos (2007-2014) e ocupou os cargos de ministro do Trabalho, das Relações Institucionais, da Defesa e da Casa Civil. Eleito senador em 2018, exerce atualmente o papel de líder do governo no Senado Federal.
O item de maior valor na declaração do senador foi um crédito no montante de R$ 13.834.129,00, decorrente da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e para a empresa Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.
IMÓVEIS E VEÍCULOS
Na categoria de bens imóveis, consta ainda um apartamento localizado em Salvador (BA), avaliado em R$ 1.601.769,43 e a posse de 50% de um sítio no município de Andaraí, na Chapada Diamantina, avaliada em R$ 204.440,00.
Grande parte do patrimônio do parlamentar está alocada em aplicações financeiras, investimentos de renda fixa, fundos e títulos corporativos. O senador também mantém R$ 500.000,00 no CDI - BB, R$ 499.986,16 no BB LFT e R$ 250.000,00 aplicados em LCA do Banco do Brasil com vencimento em junho de 2027.
Além disso, a carteira contempla outros títulos corporativos e fundos, como o CRA Marfrig 04/45 BB (R$ 205.492,53), Debêntures Hidrovias 10/28 - BB (R$ 200.246,41), BB MM Global (R$ 186.523,71), BB COE (R$ 150.000,00) e o Fundo RF LP High - BB (R$ 120.843,33).
Em relação aos bens móveis e à frota de veículos declarada à Justiça Eleitoral, além de viagens alvo de ação da PF, ao todo Jaques Wagner possui:
- BYD Song Plus (ano 2023), avaliado em R$ 135.000,00;
- Audi (ano 2018), de R$ 130.000,00;
- Mercedes-Benz (ano 2023), no valor de R$ 125.000,00;
- Volkswagen Amarok (ano 2021), cotada em R$ 100.000,00;
- Chrysler (ano 2010), de R$ 80.000,00;
- Ford (modelo 1929), registrado por R$ 5.000,00
O parlamentar incluiu também um consórcio do Banco do Brasil, de 100 parcelas e ainda não contemplado, no valor de R$ 16.617,49.
Por fim, as informações detalham participações acionárias em companhias abertas e empresas públicas. O senador mantém R$ 12.342,73 em ações da Cemig, R$ 7.058,00 distribuídos na Telebras (sendo R$ 7.053,00 no lote principal e R$ 5,00 em um lote secundário), R$ 2.150,52 na Caixa Seguridade e R$ 888,00 na ATER.
Vale lembrar que o cartório travou o registro após uma ordem de indisponibilidade de bens expedida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), medida que também paralisou a venda de um apartamento de luxo no Corredor da Vitória, em Salvador, negociado por R$ 10 milhões com a empresa MSMG Patrimonial Ltda., do prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Araújo (União).
Somadas, as transações chegam a R$ 25,8 milhões, dos quais o senador recebeu ao menos R$ 12 milhões. Em pronunciamento público, o prefeito de Conceição do Coité, na região sisaleira, alega terceiro de boa-fé e informou ter acionado o STF para comprovar que o contrato do apartamento foi assinado em dezembro de 2025 e quitado via depósitos bancários até abril de 2026, etapas ocorridas antes da deflagração da operação da PF.
NOMES DOS SUPLENTES
Para a disputa ao Senado, a definição dos suplentes que assumem o cargo caso o titular precise se afastar durante o mandato segue a estrutura oficial da chapa:
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1.º Suplente: Edvaldo Brito (PSD) — Partido Social Democrático - ex-prefeito da capital baiana.
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2.º Suplente: Aladilce (PCdoB) — Partido Comunista do Brasil - vereadora de Salvador.
A Polícia Federal (PF) revelou uma troca de mensagens entre Eduardo Sodré Martins, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner, e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master.
Divulgada nesta sexta-feira (31/7) pelo jornal O Estado de S. Paulo, a conversa reforça as suspeitas da PF sobre o envolvimento do senador, que é alvo de investigação por supostamente ter recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões como pagamento de propina, com o banco.
No dia 1º de setembro de 2025, o diálogo aponta que o enteado de Wagner questiona o empresário sobre a previsão dos pagamentos pendentes, voltando a repetir a cobrança três dias depois. Como resposta, Augusto Lima afirma estar “em cima”, explicando que “a situação está crítica”.
A suspeita da Polícia Federal é que Wagner recebeu o imóvel e outros pagamentos de propina por meio da empresa ligada ao seu enteado.
Leia a conversa na íntegra:
1º de setembro de 2025
[Dudu Sodré]: Irmão, bom dia! Tudo bem? Se puder ter alguma previsão, você me fala?
[Augusto Lima]: Beleza, irmão. Em cima aqui.
[Augusto Lima]: Abração.
[Dudu Sodré]: Tamo junto.
[Dudu Sodré]: Abraço.
4 de setembro de 2025
[Dudu Sodré]: Amigo, tudo bem? Preciso da sua ajuda. Amanhã vencem os boletos e são altos. Não tem como cancelar e não irei ficar devendo, concorda?
[CHAMADA DE VOZ PERDIDA]
[Augusto Lima]: Acredite que estou tentando e, se tem alguém que vai resolver, sou eu. Infelizmente, como lhe disse, a situação está crítica. Abraço.
[Augusto Lima]: Deve ter visto o que aconteceu, né?
[Augusto Lima]: Estou firme querendo resolver. Se for o caso, cancele a nota e depois você emite outra, assim que tiver disponibilidade.
As investigações da PF que embasaram a deflagração da 9ª fase da Operação Compliance Zero indicam que o senador baiano Jaques Wagner teria atuado no Congresso Nacional em favor de pautas relacionadas aos interesses do Banco Master.
O senador e pré-candidato à reeleição Jaques Wagner (PT) disse que não tentou comercializar um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões, citado no caso Master. Em entrevista nesta sexta-feira (24), o petista classificou o episódio como uma "palhaçada" e apontou que a negociação foi concluída ainda em 2025.
"Eu vendi esse terreno e recebi a entrada em maio de 2025. Está tudo registrado, paguei imposto em 2025. Simplesmente agora a empresa que assumiu o projeto foi registrar, e fizeram, para variar, uma palhaçada de dizer que eu 'tentei vender' o terreno. Não tentei nada: o terreno já estava vendido, tem promessa de compra e venda, tem a escritura. Em 2018, você se lembra, teve o caso da Fonte Nova, lembra? Em ano eleitoral inventaram que tinha superfaturamento na Fonte Nova, fizeram aquele escarcéu todo. Eu estou com a minha cabeça livre, leve e solta. Estou absolutamente tranquilo", declarou Levante a Voz.
De acordo com o Blog do Valente, parceiro do Bahia Notícias, o petista explicou que o terreno foi comprado no ano 2000 e a venda ocorreu após a valorização natural do imóvel ao longo de 26 anos.
"Talvez tenha sido a única propriedade na Bahia onde uma obra foi feita para o benefício dos baianos sem pagamento de desapropriação. A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou um pedaço do terreno, e eu disse que não cobraria nenhuma desapropriação. Eu comprei esse terreno no ano 2000, há 26 anos. Veja como é canalhice: o cara vem falar de um terreno de 26 anos atrás… É óbvio que tudo valoriza em 26 anos! Então, estou muito tranquilo", afirmou.
O senador negou sobre as suspeitas envolvendo a negociação e disse que os comprovantes dos pagamentos estão registrados.
"Os depósitos na minha conta foram feitos, o DARF da Receita Federal pagando o imposto sobre o que recebi de entrada está pago desde maio e junho de 2025, no ano passado. Para você ver a palhaçada que alguns tentam fazer por estar em ano eleitoral. Mas estou firme e tranquilo", completou.
O senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atravessa um momento decisivo em sua campanha, lidando simultaneamente com o risco de isolamento político e a necessidade de se defender de polêmicas financeiras. Enquanto esbarra em duras negociações com o partido Republicanos para garantir tempo de TV e palanques estaduais, o parlamentar precisou ir a público justificar a emissão de notas fiscais milionárias de seu escritório de advocacia para empresas ligadas a um banqueiro investigado.
IMPASSE COM O REPUBLICANOS
A campanha de Flávio corre o risco de ficar isolada, o que o deixaria com menos tempo de televisão do que seu principal adversário, Lula (PT). Para evitar esse cenário, o PL busca o apoio do Republicanos, presidido pelo deputado federal Marcos Pereira. No entanto, Pereira condicionou a aliança nacional a um acordo nos estados de Mato Grosso e Roraima, governados pelo Republicanos, mas que atualmente enfrentam adversários do PL.
O Republicanos tem priorizado a eleição de seus oito pré-candidatos a governos estaduais e ameaça adotar a neutralidade na disputa presidencial (o apoio a Lula já está descartado). A sigla tem cacife eleitoral alto:
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São Paulo: Tarcísio de Freitas é favorito à reeleição. Segundo Pereira, "Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio".
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Minas Gerais: O partido aposta no senador Cleitinho, bem posicionado nas pesquisas, e avalia que Flávio também depende mais dele no estado do que o inverso.
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A vice-presidência: A economista Daniella Marques, cotada para ser vice na chapa de Flávio, é filiada ao Republicanos, o que aumenta o peso da legenda nas negociações.
Pereira, que já apresentou pesquisas internas apontando o crescimento de Lula, negocia diretamente com o senador Rogério Marinho (PL-RN). A expectativa é que um acordo seja selado até as convenções partidárias no início de agosto (dia 1º em SP, com a presença de Flávio, e dia 4 no âmbito nacional).
NOTAS FISCAIS E CASO MASTER
Enquanto tenta costurar sua base política, Flávio precisou se defender, em vídeo publicado nas redes sociais na última quarta-feira (22/7), sobre a emissão de notas fiscais por seu escritório de advocacia para empresas ligadas a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Documentos revelaram que, em abril de 2025, o escritório de Flávio emitiu duas notas de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., uma empresa de fachada suspeita de ser usada por Vorcaro para movimentar R$ 58 milhões. Essas duas notas foram canceladas logo em seguida. No entanto, dois dias depois, uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi emitida para a Contábil Correa e não foi cancelada.
O senador negou irregularidades e classificou a relação como estritamente profissional: "Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada. [...] Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen. [...] [Então] cancelei duas notas fiscais", afirmou Flávio, criticando a imprensa por tentar "marginalizar a advocacia".
As duas empresas envolvidas estão intimamente ligadas: o contador Rogério Lourenço Novo é dono da Contábil Correa e atua como único diretor da Copenhagen, além de conselheiro em outra empresa da rede de Vorcaro. A Copenhagen, criada em novembro de 2024 com capital de apenas R$ 40, pertence a um fundo gerido pela Trustee DTVM, investigada pela Polícia Federal por ocultação de patrimônio do grupo do banqueiro.
As notas fiscais reforçam as conexões entre o presidenciável e o dono do Banco Master, que já havia financiado, anteriormente, um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, realizou um aporte de aproximadamente R$ 1,5 bilhão no Banco Digimais com o intuito de viabilizar a venda da empresa.
Segundo informações do jornal O Globo, o montante foi destinado a cobrir rombos e reduzir problemas no balanço financeiro da instituição, que passa por dificuldades. O objetivo da estratégia é limpar as contas do banco para destravar as negociações com potenciais compradores, entre os quais estão gigantes do setor como o BTG Pactual e o Banco Safra.
A tentativa de venda do Banco Digimais ocorre em meio a uma grave crise institucional. Em junho deste ano, a Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem, que acusa o banco de inflar artificialmente o valor de seus ativos para esconder uma situação de insolvência e ludibriar investidores e órgãos reguladores. Entre as práticas investigadas está a oferta de CDBs com taxas acima de 110% do CDI entre 2023 e 2024 para captar recursos rapidamente, além de fraudes em fundos geridos pela Corretora ID, braço do grupo.
A situação do Digimais se agravou após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025. A PF revelou que a instituição de Edir Macedo tem uma exposição de R$ 600 milhões em carteiras de crédito do Master, ativos que hoje têm qualidade e lastro questionados.
Especialistas apontam que a maquiagem contábil buscava preservar artificialmente o Índice de Basileia, indicador que mede a solidez bancária. Se as acusações de gestão fraudulenta forem confirmadas, os envolvidos responderão por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Uma imagem revelada pelo ICL Notícias mostra o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". A fotografia, que teria sido tirada em 2022 em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro, gerou uma nova crise na campanha do parlamentar.
Apontado pela Polícia Federal (PF) como integrante de uma milícia ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Mourão era suspeito de atuar sob as ordens do empresário para realizar ameaças e ações violentas contra desafetos. Em nota oficial, o senador Flávio Bolsonaro negou conhecer Sicário e declarou que, por ser uma figura pública popular, frequentemente atende a pedidos de fotos de pessoas desconhecidas nas ruas.
VERIFICAÇÃO TÉCNICA
O ICL Notícias, em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística (CLIP), submeteu a imagem a um rigoroso processo de checagem técnica para averiguar possíveis manipulações digitais. A foto foi analisada por cinco diferentes ferramentas de detecção de Inteligência Artificial generativa (Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer). Nenhuma delas apontou indícios de que o registro tenha sido criado por softwares de IA.
Além disso, uma análise detalhada realizada com a ferramenta InVID descartou marcas de montagem ou alterações manuais. O exame técnico observou consistência na iluminação da cena, como sombras idênticas nas mãos de ambos, reflexos correspondentes nos óculos escuros e a projeção do braço de Mourão no tronco de Flávio Bolsonaro, comprovando que ambos estavam sob as mesmas fontes de luz no momento do registro.
FLÁVIO ACUSA I.A!
Em nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa, o senador Flávio Bolsonaro rebateu as associações com o investigado:
"O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima. Flávio Bolsonaro reafirma que não conhece e nunca viu a pessoa na foto. É irresponsável tentar atribuir qualquer significado pessoal a uma imagem aleatória. Além disso, não se sabe qual a procedência da foto, nem se a imagem é real ou produzida por Inteligência Artificial", termina a nota.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste sábado (11) a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou risco de fuga do investigado.
Segundo a investigação, Thiago Miranda tinha uma passagem aérea comprada para os Estados Unidos com embarque previsto para a próxima segunda-feira (13). A decisão, que tramita sob sigilo, foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
Na última quinta-feira (9), o publicitário já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão expedido por André Mendonça, no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal. A operação contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
De acordo com a PF, Miranda teria atuado ao lado de Daniel Vorcaro para intimidar pessoas consideradas “obstáculos” pela suposta organização criminosa investigada.
Durante a operação realizada na quinta-feira, os agentes apreenderam celulares e equipamentos eletrônicos na residência do publicitário. Conforme a Polícia Federal, a apuração investiga uma suposta atuação coordenada em redes sociais com o objetivo de comprometer a credibilidade da atuação do Banco Central. Thiago Miranda é proprietário da agência Mithi e ex-sócio do jornalista Leo Dias.
Vitória petista nas urnas no âmbito estadual e federal, isso ainda no primeiro turno. Foi assim que o deputado federal Valmir Assunção (PT) projetou o resultado da eleição geral agendada para outubro de 2026. Em entrevista ao Bahia Notícias, o deputado do PT ainda defendeu o senador Jaques Wagner (PT), investigado pela PF na 9ª fase da Operação Compliance Zero.
Presente nos festejos de 2 de Julho, o deputado federal comentou sobre as recentes entregas na Bahia, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecendo ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT) na entrega do Teatro Castro Alves e no evento de início das construções da Ponte Salvador-Itaparica, além da inauguração de uma maternidade na cidade de Alagoinhas, gerida por Gustavo Carmo (PSD).
Para o político, estes projetos devem ser decisivos para uma vitória rápida da gestão governista na Bahia e no Brasil. "Por toda essa entrega, devemos ganhar ainda no primeiro turno", afirmou Valmir.
Perguntado sobre o peso do Caso Master para a chapa governista, Valmir Assunção acusou o centrão de criar narrativas que situam Jaques Wagner no caso e que a PF deveria redirecionar suas investigações para políticos do centrão. "Fizeram de tudo para colocar Wagner no centro disso, mas quem o conhece sabe que ele jamais faria isso", afirmou o deputado. "Jaques Wagner é patrimônio da Bahia e devemos zelar por ele", completou Assunção.
Também citado em relatório da PF durante fases anteriores, ACM Neto (União) foi mencionado por Valmir como um dos políticos que deveria estar na mira das investigações. Segundo Assunção, o ex-prefeito da capital baiana estaria tão envolvido quanto a família Bolsonaro na fraude bilionária do Banco Master.
O deputado ainda argumentou que Wagner não se opôs à CPI proposta para investigar a fundo o escândalo do Master. "Ele não tinha problema algum, muito menos envolvimento com o caso", sugeriu Valmir.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) recusou, nesta quinta-feira (25), a proposta de acordo de delação premiada apresentada pela defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). O despacho foi assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O pernambucano está preso preventivamente desde 16 de abril deste ano, quando foi alvo da quarta fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). Ele é investigado pela Polícia Federal sob a suspeita de descumprir práticas de governança e autorizar negócios sem lastro com o Banco Master.
De acordo com informações dos investigadores, obtidas pelo portal G1, o ex-executivo teria recebido seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em troca de facilidades operacionais dentro do banco público do Distrito Federal. Dois desses empreendimentos estão situados em Brasília.
Na decisão em que barrou o prosseguimento do acordo de colaboração, o procurador-geral Paulo Gonet alega que a proposta "apresenta reduzida utilidade e débil eficácia potencial para os fins a que deveria servir", não trazendo novas linhas de apuração que já não fossem de conhecimento das autoridades.
Gonet ressaltou ainda a ausência de garantias financeiras no plano de cooperação. "Não há, ainda, sinalização mínima do potencial de ressarcimento da pretendida colaboração, que a diferencie dos resultados já alcançados pelas autoridades cíveis e criminais engajadas na busca patrimonial", pontua o chefe da PGR no despacho.
Ainda no evento realizado nesta segunda-feira (22) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), foi enfático ao defender uma agenda econômica liberal e de desestatização, resumindo seu plano em uma promessa direta: "Vou privatizar tudo".
Veja em vídeo:
??Zema defende privatização total de estatais: "Só serve para atender politicagem"
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) June 22, 2026
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Diante da plateia de empresários, Zema explicou que o caminho para as empresas estatais é a valorização por meio de uma administração técnica eficiente antes da venda. "Dá para valorizar muito as principais estatais, com uma gestão boa, e levá-las ao mercado", diz o ex-governador de Minas Gerais.
Para o pré-candidato, o excesso de atribuições do governo federal prejudica a entrega de serviços públicos essenciais. Ele argumentou que tanto a União quanto as gestões estaduais deveriam focar seus esforços exclusivamente em áreas prioritárias que não podem ser delegadas à iniciativa privada.
"O governo federal, como o estadual, já tem muito o que fazer quando se fala de saúde, de educação, de segurança e de infraestrutura naquelas áreas que não são possíveis de serem concedidas. Já é uma tarefa gigantesca, e ainda vai se meter com atividades que são do setor privado?", questiona.
Zema também usou o Banco Master e os fundos de pensão como exemplos de estruturas sujeitas a distorções quando associadas ao setor público. "Banco Master, ele só teve envolvimento com banco estatal e com fundo de pensões. Será que é isso que nós queremos no futuro? Parece que o setor privado não se envolve. Mas aquilo que é do Estado está sempre sujeito", alega.
Na Bahia, a declaração remete ao debate em torno da privatização da antiga Empresa Baiana de Alimentos (EBAL), responsável pela rede Cesta do Povo. Em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), a estatal foi privatizada juntamente com o Credcesta, cartão consignado voltado a servidores públicos estaduais.
O tema voltou ao centro das discussões políticas após questionamentos da oposição sobre possíveis conexões entre a venda do ativo e o caso envolvendo o Banco Master. Rui Costa, no entanto, rejeita qualquer relação entre os episódios.
"Na época que nós vendemos a Cesta do Povo, com o cartão [Credcesta], nem Banco Master existia", afirmou o ex-governador em entrevista ao programa Linha de Frente, da Antena 1, no último dia 28 de abril.
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Ao concluir sua fala sobre o tema, o pré-candidato relembrou escândalos históricos de corrupção do país e atacou o uso político das companhias públicas, baseado em sua experiência no Executivo mineiro."Nós já tivemos o Petrolão, todo mundo aqui se lembra, e muitas outras questões. Estatal, pelo que eu vi lá em Minas, serve para atender a politicagem e não ao desenvolvimento econômico", dispara.
Em evento realizado nesta segunda-feira (22) no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, o pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), discursou para uma plateia de mais de mil representantes do setor industrial. Na sua fala, o ex-governador de Minas Gerais abordou temas de governabilidade, segurança e ética, além de questionamentos sobre sua relação com o Caso Master.
Veja declaração em vídeo:
??Romeu Zema nega ligação com caso Banco Master e alega ter “zero corrupção” na sua gestão
— Bahia Notícias (@BahiaNoticias) June 22, 2026
Confira?? pic.twitter.com/WAh1BU2Osu
Zema aproveitou a oportunidade para se distanciar publicamente de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. "Sou da mesma cidade do banqueiro criminoso. Nunca me encontrei com ele", alega o governador.
A fala faz alusão ao financiamento de sua campanha de reeleição em 2022. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Henrique Vorcaro, pai de Daniel, realizou uma doação de R$ 1 milhão ao diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais durante o pleito daquele ano.
Em outra oportunidade, Zema ainda afirmou à imprensa que ninguém do partido Novo sabia da relação de "irmão" que Flávio Bolsonaro (PL) tinha com Daniel Vorcaro. Mesmo assim, o candidato do Novo tem sido um dos nomes mais críticos sobre o caso Master, chegando a criticar Jaques Wagner (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ambos com ligações suspeitas e investigadas pela Polícia Federal.
Foto: Mauricio Leiro / Bahia Notícias
PROMESSAS POLÍTICAS
Ao defender sua administração à frente do Executivo mineiro, que já soma sete anos e meio, Zema fez coro à ausência de escândalos em sua gestão e ironizou o noticiário político da capital federal.
"Nunca no meu governo, nos sete anos e meio, tivemos esquemas, corrupção, escândalos. O meu governo não foi um governo bom em gerar notícias como Brasília, que gera com tanta frequência. Ainda bem que tem Brasília para os jornais de Minas buscarem notícias, porque lá [em Minas] não teve nada de escândalo. Zero corrupção. Porque essa foi a marca", argumenta.
O pré-candidato reforçou a promessa de integridade pública: "E eu falei para todos os poderes de Minas, para o Ministério Público, Tribunal de Contas, Defensoria.. […] Eu estou aqui para fazer o certo. Não contem comigo nem com a minha equipe para fazer nada errado."
Traçando um paralelo com sua experiência no setor privado, Zema relembrou sua trajetória comercial pela Bahia e outros estados. "Conheço muito [o país], abri muitas lojas lá no sul da Bahia também", pontua, descrevendo Minas Gerais como um estado "totalmente heterogêneo".
O que para ele seria "diferente de outros estados que não têm tanta mistura assim, e quebrado", em relação à sua atuação na Bahia. Vale contextualizar que o pré-candidato do Novo será um dos confirmados, junto com o presidente Lula da Silva (PT), a participar do 2 de Julho em Salvador.
Zema resumiu os objetivos dele para o estado em três pilares, que chamou de "choques". Estariam esses gestos em suas falas os seguintes:
- Choque de moral, de credibilidade e de ética: "Esse é o primeiro ponto. Concordam que o Brasil precisa disso? Cheguei aqui ontem à noite e até que não senti cheiro de esgoto não, mas o que tem de esgoto aqui dá para inundar o restante do Brasil. Então, esse choque de credibilidade, esse choque ético é fundamental", asseverou.
- Choque contra a gastança: O governador direcionou críticas diretas à atual gestão federal, propondo um "choque contra a gastança do Lula e do PT", cujos detalhes prometeu apresentar em breve.
- Choque contra a criminalidade: Por fim, Zema defendeu um "choque contra a bandidagem, contra os criminosos".
Para Zema, seu desempenho em solo mineiro valida sua plataforma para o plano nacional, distanciando-se de Flávio Bolsonaro, nome mais firme da oposição nas pesquisas eleitorais. "Ser bem avaliado num estado com as contas em dia é uma coisa; num estado falido é outra história", projeta.
O presidente estadual do PL na Bahia e pré-candidato ao Senado Federal pelo estado, João Roma, utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (19) para comentar a operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), que teve como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado.
O caso foi parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades envolvendo instituições do sistema financeiro nacional e possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Em publicação oficial, Roma afirmou:
"Minha posição é a mesma de sempre: toda irregularidade deve ser apurada com seriedade, respeito ao devido processo legal e punição aos responsáveis. A lei não pode ter lado político. A Bahia merece verdade, transparência e respeito", diz o pré-candidato.
O ex-ministro do governo Bolsonaro também relacionou o episódio ao cenário político estadual e fez críticas à gestão petista na Bahia: "Em 2026, os baianos terão a oportunidade de decidir os rumos do nosso estado. Escolham com consciência. O futuro da Bahia está nas mãos de vocês. São 20 anos de PT na Bahia desse mesmo jeito", diz.
Roma reforçou o discurso de mudança política: "A Bahia cansou. O eleitor tem chance real de escolher representantes dignos, tanto para o Senado quanto para o governo. O futuro está na mão de vocês".
Foto: Moreira Mariz / Agência Senado
SENADOR NO MASTER
A operação contra Jaques Wagner (PT) ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao chamado Caso Banco Master. Para a Polícia Federal, há apurações sobre uma possível relação entre agentes públicos e integrantes do grupo empresarial ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, Wagner teria feito lobby em favor do banco Master.
Wagner nega irregularidades e afirma que não recebeu vantagens indevidas. Segundo as decisões judiciais divulgadas pela imprensa nacional, os investigadores apuram supostos benefícios que teriam sido destinados ao senador e pessoas próximas a ele.
O STF autorizou as buscas com base em elementos considerados suficientes para aprofundar as investigações, ressaltando que a medida não representa condenação nem oferecimento de denúncia.
A repercussão do caso alcança diferentes setores da política nacional. Reportagens publicadas nos últimos meses apontaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL) também teve seu nome mencionado em desdobramentos das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, assim como o senador Ciro Nogueira (PP), que nega qualquer irregularidade.
A operação contra um dos principais líderes do PT no Congresso adiciona novos elementos ao debate político nacional e estadual, especialmente diante das articulações para as eleições de 2026. Aliado histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jaques Wagner é uma das figuras centrais do grupo político que governa a Bahia.
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- Opinião: Wagner se explica e se complica nas relações pouco apropriadas com Augusto Lima e o caso Master;
- PT da Bahia sai em defesa de Jaques Wagner após operação da PF e diz confiar na conduta do senador.
O vice-líder petista no Senado Federal também pede afastamento de Wagner: "Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar à sua defesa, resguardada a presunção de inocência. A Polícia Federal está fazendo seu trabalho, e quem cometeu irregularidades deve responder por elas", escreve o mineiro Rogério Correia.
Confira abaixo:
O presidente Lula sempre disse: doa a quem doer, a investigação precisa ser feita até o fim! Com as novas informações reveladas pela Operação Compliance não seria diferente.
— Rogério Correia (@RogerioCorreia_) June 18, 2026
Na condição de investigado, Jaques Wagner deve se afastar da liderança do governo para se dedicar a sua…
A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (15), a rejeição da segunda proposta de acordo de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Com a manifestação, o Ministério Público Federal alinha-se ao posicionamento da Polícia Federal (PF), que já havia recusado formalmente a colaboração do investigado na semana passada. As informações foram confirmadas pelo G1.
Segundo a avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos demais procuradores responsáveis pelo caso, os termos propostos pela defesa de Vorcaro não apresentaram elementos novos ou provas inéditas além daquelas que já foram obtidas no decorrer do inquérito policial.
Outro fator determinante para a recusa foi a ausência de um compromisso efetivo por parte do ex-banqueiro para a devolução dos recursos desviados. O Ministério Público considera o ressarcimento financeiro um requisito central e inegociável para o avanço de qualquer tratativa de colaboração.
Daniel Vorcaro cumpre prisão preventiva em Brasília. Ele é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema de fraudes financeiras bilionárias cujos desvios estimados podem alcançar a cifra de R$ 12 bilhões.
O senador Ciro Nogueira utilizou um apartamento de alto padrão pertencente ao banqueiro Daniel Vorcaro em São Paulo após o fim do relacionamento com Flávia Rosalen. A informação foi divulgada pelo repórter Breno Pires, pela Revista Piauí, com base em mensagens obtidas pela Polícia Federal.
Segundo a publicação, em conversa de 2 de novembro de 2025, Ciro pediu para permanecer no imóvel por mais três ou quatro meses. No áudio enviado a Vorcaro, o senador afirmou que havia comprado um apartamento para a ex-companheira e aguardava a conclusão de obras no local para que ela pudesse se mudar e desocupar seu imóvel no Hotel Fasano.
“Não quero abusar da tua boa vontade, não”, disse o parlamentar ao banqueiro, segundo a reportagem.
Na resposta, Vorcaro questionou se Ciro se referia ao apartamento onde já estava hospedado ou se precisava de outro imóvel. Após o esclarecimento, o banqueiro afirmou que o senador não precisava se preocupar com a situação. “Relaxa com isso”, respondeu.
As mensagens integram o material analisado pela Polícia Federal na investigação sobre a relação entre o senador e o empresário. Em decisão que autorizou uma nova fase das apurações, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou haver indícios de um “arranjo funcional e instrumental orientado por benefício mútuo”, extrapolando uma relação de amizade.
A reportagem da Piauí também cita outras suspeitas investigadas pela PF, incluindo uma sociedade empresarial entre empresas ligadas aos dois, pagamentos que os investigadores classificam como possíveis mesadas e viagens custeadas pelo banqueiro. A revista afirma que o custo total chegou a R$ 1.849.201, valor apurado pela PF no âmbito das investigações que analisam a proximidade entre o senador e o banqueiro.
Confira conversas:
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro é alvo, nesta terça-feira (26), de uma nova operação da Polícia Federal (PF). A ação que investiga aportes de recursos do estado em fundos ligados ao Banco Master, cumpriou 10 mandados de busca e apreensão no RJ e no DF.
Os ofícios judiciais foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo informações do g1, a ação ocorre após o deputado estadual fluminense Flávio Serafini, do PSOL, anunciar a tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) a fim de investigar os investimentos do RJ no Master.
A CPI ainda não foi instalada mas já obteve o mínimo de assinaturas.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou neste sábado (23) pela manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro, pai e primo, respectivamente, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Com o posicionamento de Fux, a Segunda Turma do supremo agora soma dois votos favoráveis à permanência da dupla na prisão. O ministro acompanhou integralmente o parecer do relator do caso na Corte, ministro André Mendonça. As informações foram confirmadas pela CNN Brasil.
O ministro Gilmar Mendes apresentou, na sexta-feira (22), um pedido de vista (mais tempo para análise), o que resultou na suspensão do julgamento que ocorre no plenário virtual do Tribunal. Além da manifestação pendente de Gilmar Mendes, resta também o voto do ministro Nunes Marques. O ministro Dias Toffoli declarou-se suspeito e não participará da análise do caso.
OS VORCARO
Henrique e Felipe Vorcaro estão custodiados desde o dia 14 de maio, quando foram alvos da sexta fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras e corrupção relacionado ao Banco Master. De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), os dois eram integrantes de estruturas denominadas "A Turma" e "Os meninos", compostas por indivíduos com perfil hacker e voltadas para a prática de ameaças e obtenção ilícita de dados sigilosos.
A PF aponta que Henrique Vorcaro ocupava uma posição de relevo como demandante e operador financeiro dos pagamentos da "Turma", sendo acusado de custear o núcleo e de figurar como um dos beneficiários do esquema financeiro.
Já preso em Belo Horizonte, Henrique Vorcaro é o pai de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, como um dos beneficiários diretos do filho, que realizava depósitos de recursos em sua conta bancária. A ordem de prisão foi autorizada pelo STF no âmbito da nova fase da Operação Compliance Zero.
O senador Ciro Nogueira (PP) evitou sair em defesa do pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ao comentar as investigações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e o chamado "caso Master". Durante entrevista concedida nesta quinta-feira (21) à TV Clube, afiliada da Rede Globo no Piauí, o parlamentar adotou um tom de distanciamento ao ser questionado sobre seu alinhamento com o colega de Senado.
Confira a fala:
"Eu não estou aqui para defender nem acusar o senador Flávio. Ele tem que ser investigado, como todos, como eu estou sendo. E, se for inocente, que seja, lógico, reconhecida a sua inocência. Se for culpado, tem que pagar exemplarmente", disse Ciro Nogueira.
O senador ressaltou a importância de que a lei seja aplicada de forma igualitária a todos os cidadãos. "Neste país, não pode mais haver ninguém cometendo ilícito que possa ser beneficiado por proteção. Temos que investigar com isenção e, quem for inocente, que seja considerado inocente. E, se for culpado, que pague severamente, de acordo com a lei", completa.
ENTENDA O CASO
As investigações do caso Master apuram supostas fraudes financeiras na instituição bancária de mesmo nome. Ciro Nogueira e seu irmão, Raimundo Nogueira, já foram alvos de uma das etapas operacionais da apuração.
Recentemente, o senador Flávio Bolsonaro também foi implicado nas investigações após vir a público que o banqueiro Daniel Vorcaro financiou com R$ 61 milhões uma produção cinematográfica biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao ser questionado durante a entrevista se a repercussão do caso poderia esvaziar o apoio político a Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira evitou projeções pessimistas e citou a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como exemplo de reviravolta política no cenário nacional.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) realizou uma visita ao banqueiro Daniel Vorcaro, em São Paulo, na véspera de ser anunciado oficialmente como pré-candidato ao Palácio do Planalto. O encontro ocorreu no período entre 29 de novembro e 5 de dezembro de 2025, data em que a postulação do parlamentar foi oficializada.
Durante esse intervalo, o senador viajou à capital paulista ao menos três vezes, com todas as passagens custeadas por recursos públicos da cota parlamentar do Senado. Vale lembrar que o próprio Flávio admitiu a visita revelada pelo portal The Intercept Brasil. Essas novas informações foram reveladas pelo jornalista Igor Gadelha em Brasília.
SAIBA O CRONOGRAMA:
A primeira viagem ocorreu no sábado, 29 de novembro de 2025, mesmo dia em que Vorcaro deixou a prisão para cumprir regime domiciliar com o uso de tornozeleira eletrônica. Na ocasião, Flávio Bolsonaro realizou uma viagem de ida e volta no mesmo dia: desembarcou em São Paulo às 13h30 e retornou a Brasília em um voo que decolou às 21h05. O bilhete aéreo foi emitido em 28 de novembro, data em que a Justiça determinou a soltura do banqueiro.
Na tarde de segunda-feira, 1º de dezembro, o parlamentar viajou novamente a São Paulo para participar do podcast Flow, retornando a Brasília na manhã de terça-feira, 2 de dezembro, às 7h15. No mesmo dia, o senador visitou o ex-presidente Jair Bolsonaro, que se encontrava detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha".
O terceiro deslocamento para a capital paulista aconteceu na tarde de quinta-feira, 4 de dezembro. Flávio Bolsonaro permaneceu na cidade até a noite de sexta-feira, 5 de dezembro, após o anúncio de sua pré-candidatura.
Fontes próximas a Daniel Vorcaro, ouvidas pelo portal Metrópoles, apontam que a reunião teria ocorrido no fim da tarde de 4 de dezembro, na mansão do banqueiro localizada no bairro nobre dos Jardins. Isso implica um novo encontro, além da visita que ele admitiu para a imprensa para negociar sobre o filme Dark Horse, uma cinebiografia de seu pai.
FLÁVIO RESPONDE
Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador confirmou que visitou o proprietário do Banco Master naquela semana, mas não especificou o dia exato. Em nota, o parlamentar minimizou a questão: “Todas as explicações sobre esse tema já foram dadas", diz a nota.
"O senador Flávio Bolsonaro já falou do encontro com Daniel Vorcaro, que ocorreu para cobrar explicações e dar fim ao vínculo com o filme. Agora, resta apenas aguardar a prestação de contas que será feita para encerrar o assunto.”
Em pronunciamento posterior à imprensa, Flávio Bolsonaro reiterou o encontro e justificou o deslocamento em razão das restrições judiciais do banqueiro. De acordo com o senador, o objetivo foi encerrar as negociações de patrocínio para um filme sobre Jair Bolsonaro, afirmando que teria buscado outro investidor previamente caso soubesse da gravidade da situação.
Reveja:
Uma nova revelação do site The Intercept Brasil mostra em áudio e mensagens de texto que expõem a proximidade entre o deputado federal Mario Frias (PL) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O material indica que o ex-secretário especial de Cultura atuou diretamente na articulação do filme biográfico “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, contrariando declarações recentes do parlamentar que tentavam minimizar a relação com o banqueiro.
Na gravação, Frias afirma: “Só te agradecer, meu irmão. Vamos mexer com o coração de muita gente e vai ser muito importante para o nosso país, tá? Preciso de vez em quando te falar como as coisas vão andando, tá?”. Vorcaro respondeu em seguida, informando que estava em uma ligação, e ambos conversaram por voz minutos depois, por cerca de 2 minutos.
Confira o áudio abaixo:
A revelação surge em meio ao desdobramento de mensagens secretas publicadas pelo Intercept, que colocam a família Bolsonaro no centro de um escândalo envolvendo o Banco Master de Daniel Vorcaro. Anteriormente, o portal havia revelado que o senador Flávio Bolsonaro (PL) negociou R$ 134 milhões com Vorcaro para o financiamento do longa-metragem.
E AS MENSAGENS?
Segundo as informações do site, ainda no dia 11 de dezembro de 2024, em Brasília, pouco menos de uma hora após o horário previsto para um encontro entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, Mario Frias enviou um áudio via WhatsApp ao banqueiro agradecendo pelo apoio ao projeto cinematográfico.
A reunião de 11 de dezembro havia sido organizada por Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, na residência de Vorcaro em Brasília, para tratar do financiamento do filme. Registros mostram que Flávio Bolsonaro deixou seu posto na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado no horário agendado, retornando trinta minutos depois. O Intercept não confirmou se o encontro ocorreu presencialmente ou de forma remota.
O teor das mensagens não bate com a versão pública de Mario Frias. Na semana passada, o deputado afirmou que o banqueiro não havia dado “um único centavo” para a produção. Horas mais tarde, recuou em nova nota, alegando para a imprensa que ocorreu “uma diferença de interpretação sobre a origem formal do investimento”.
Imagem do deputado no legislativo | Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O acompanhamento de Frias no desenvolvimento do filme também incluiu o envio de capturas de tela para Vorcaro. Em 15 de dezembro de 2024, o deputado compartilhou diálogos preliminares com o diretor do filme, Cyrus Nowrasteh. Nas mensagens, o diretor afirmava que consultaria o ator Jim Caviezel sobre o papel principal, sinalizando que o astro questionaria sobre o roteiro e o pagamento.
Frias respondeu ao diretor que o ator “será imortalizado por esse papel”. Ao enviar o print à Vorcaro, Frias acrescentou: “Milagres só são possíveis quando a fé [sic]”, “Esse é um desses milagres” e “Vai ser a maior super produção de uma história brasileira”.
Em outra interação, no dia 22 de dezembro de 2024, Frias enviou mensagens em tom de fé e de exaltação ao projeto, definindo a biografia como uma “questão de justiça divina” e afirmando que “JB precisa ter sua verdadeira história revelada”. Vorcaro endossou as afirmações, respondendo: “Tenho certeza disso”. Frias concluiu as mensagens dizendo que “2026 é do Brasil” e “Deus te abençoe meu Brother”.
O suspeito Victor Lima Sedlmaier, um dos alvos da 6ª fase da Operação Compliance Zero, foi preso neste sábado (16) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, conforme informou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues.
De acordo com o G1, Sedlmaier estava foragido desde quinta-feira (14), quando a mais recente etapa da operação foi deflagrada. Ele é investigado por supostamente integrar o grupo “Os Meninos”, descrito pela PF como especializado em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento digital ilegal, atuando em benefício de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
Segundo a corporação, a prisão foi possível graças a uma cooperação policial via Interpol com as autoridades de Dubai, onde o suspeito foi localizado no aeroporto da cidade. Não foi divulgado se ele chegava ou saía do local. Sedlmaier deve desembarcar ainda neste sábado no Aeroporto de Guarulhos, sendo deportado para o Brasil.
O mandado de prisão preventiva foi decretado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master. Na mesma decisão, o ministro apontou que Sedlmaier teria “limpado” o apartamento de David Henrique Alves, apontado como líder do grupo de hackers e que permanece foragido desde quinta, um dia após a deflagração da 3ª fase da operação, quando Vorcaro foi preso.
Mendonça escreveu que a conduta “revela atuação imediatamente posterior à fuga ou evasão de David, em contexto objetivamente compatível com a desmobilização do imóvel, retirada de objetos de interesse investigativo e possível supressão de elementos probatórios”.
Em depoimento anterior à PF, Sedlmaier afirmou que trabalhava para David Alves desde julho de 2024, realizando serviços como “conserto de computadores, deslocamento de veículo para oficina, colocação de créditos em celular, além do desenvolvimento de software de inteligência artificial”.
Outra suspeita levantada pela investigação é o uso de documento falso. No dia 4 de março, durante a 3ª fase da Compliance Zero, a Polícia Rodoviária Federal abordou um carro dirigido por David Alves, que pertencia a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” de Vorcaro e que cometeu suicídio na prisão. No veículo, foi encontrado um documento de identidade em nome de “Marcelo Souza Gonçalves” cuja foto, segundo a PF, era a de Victor Sedlmaier.
Ao pedir a prisão, a Polícia Federal afirmou que “esse elemento agrava consideravelmente a imputação em relação a Victor, pois o vincula não apenas ao núcleo hacker, mas também a possível uso de documentação ideologicamente falsa em contexto de fuga, ocultação e suporte à atividade criminosa”.
O presidente Lula (PT) esteve no Polo Petroquímico de Camaçari, onde visitou a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), nesta quinta-feira (14). Durante o discurso, Lula foi questionado sobre o vazamento de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no caso do Banco Master. O presidente se negou a falar sobre o tema.
“Eu não vou comentar um caso de polícia. Não sou policial, não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia. Tem algum delegado aqui? Não tem. Vá na 1ª Delegacia da Polícia Federal e pergunte como vai ser tratado o caso dele. O meu caso é tratar do povo brasileiro, é tratar da Petrobras e tratar do emprego”, disse.
Relembre o caso
A fala se refere a uma reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil, que revelou a existência de negociações entre Vorcaro e Flávio. Segundo a apuração, o banqueiro se comprometeu a repassar um total de 24 milhões de dólares (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) para financiar a cinebiografia “Dark Horse”, que retrata de modo narrativo a trajetória de Jair Bolsonaro.
O banqueiro teria repassado R$ 61 milhões a Flávio, em seis operações realizadas entre os meses de fevereiro e maio de 2025. Em um dos áudios revelados, Flávio cobra parte do pagamento ao banqueiro, alegando temer não conseguir arcar com os custos da produção.
“Se você puder me dar um toque, uma posição, porque a gente precisa saber o que faz, porque eu já tenho muita conta pra pagar esse mês e no mês seguinte. Agora que é a reta final, a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos, porque senão a gente perde tudo em contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo. Podendo nos dar um toque aí irmão”, completou Flávio.
Os registros obtidos incluem um cronograma de desembolso, um comprovante bancário e cobranças relacionadas às parcelas previstas para a produção. A negociação teve como intermediários o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) e o deputado federal Mário Frias (PL).
Flávio Bolsonaro confirmou o contato e disse que a conversa mostra “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”. O senador ainda afirmou que conheceu Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, antes das acusações sobre o caso do Banco Master.
“O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, disse.
Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro admitiram para a CNN Brasil o potencial destrutivo das recentes denúncias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro. Diante do desgaste, o grupo político já cogita retomar o debate sobre o lançamento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como candidata à Presidência da República.
Segundo apuração dos bastidores pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, o entorno de Flávio Bolsonaro iniciou uma ofensiva para averiguar a extensão da relação entre o senador e o banqueiro. Aliados dentro do Partido Liberal (PL) teriam acionado o círculo próximo de Vorcaro.
OPOSIÇÃO REAGE
Questionada ainda pela SBT News, a deputada federal Glesi Hoffman (PT) responde não temer enfrentar Michelle nas eleições de 2026: "independente de quem vai ser, seja Michele, seja Flávio Bolsonaro. Eles estão envolvidos, a gente não. Não podemos deixar a extrema direita voltar a governar esse país", diz.
Ainda dentro da Câmara dos Deputados, o deputado Pedro Uczai (PT) informou que o partido já acionou advogados para analisar o caso e tomar medidas judiciais cabíveis. No campo político, disse que a sigla reforça o pedido de instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
André Viana
"Quando você tem o monitoramento nos parlatórios, onde não é possível efetuar essa difusão de tratativas, determinações por parte da liderança para o mundo aqui fora, você traz o isolamento para o crime e nos ajuda por demais no enfrentamento à criminalidade".
Disse o delegado-geral da Polícia Civil da Bahia (PC-BA), André Viana ao defender a ampliação do monitoramento nos parlatórios dos presídios de segurança máxima do estado. Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador, nesta sexta-feira (18), o delegado afirmou que a medida ajudaria a bloquear a comunicação entre detentos e integrantes de organizações criminosas do lado de fora das unidades prisionais.
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